Segunda-feira, Novembro 09, 2009
It's Complicated.
Ainda há dias em que acordo em sobressalto sem saber onde estou. Os primeiros segundos do dia são sempre passados a mentalizar-me de que não é um sonho, de que tudo isto está mesmo a acontecer, e que a cama onde acordo está a 5720kms de casa, da minha casa, do meu quarto, da minha cama.
Quando olho para trás para os últimos meses da minha vida, fica fascinado com a sucessão de acontecimentos que me trouxeram até aqui, pareceu tudo tão fácil, como se fosse suposto acontecer, e eu me tivesse apenas deixado levar por algo que se foi desenrolando até ter este desfecho. Sempre achei que foi tudo tão simples, tão fácil, até alguém me perguntar como é que eu tinha feito.
A primeira coisa que lhe disse foi que foi fácil, porque sinceramente, é essa a ideia que tenho, de que não foi complicado chegar cá. Que decidi que queria vir para cá, e que depois da decisão tomada, fui ao Google pesquisar estágios na área de jornalismo em Washington D.C.
Comecei pelos jornais, depois as revistas, mais tarde as televisões. Primeiro em D.C. depois em Annapolis, Baltimore, Bethesda, Rockville. Os prazos de candidaturas, os pré-requisitos, o método de candidatura, os documentos de necessários, os e-mails com pedidos de informação. Reescrever o curriculum, uma carta de apresentação, arranjar as referências, pedir as cartas de recomendação, as provas escritas, o artigo do jornal da faculdade, e reestruturar o blog para lhe dar um ar profissional, ajuda do Jorge com o site, da Prof. Alice com a carta de recomendação, do Prof. Paulo, da Kikas com o jornal da faculdade, da Rita com o Rostos, da Inês com o curriculum, mais os que me estou a esquecer.
Depois de enviadas as candidaturas, vieram as entrevistas telefónicas, o inglês sofrível, o nervosismo a tornar tudo pior, as perguntas absurdas e o que se perde na tradução, aquilo que me é familiar e que não diz nada a ninguém que vive do lado de lá do mundo, aquilo que é importantíssimo para eles, e de que eu nunca tinha ouvido falar, e no fim, a noticia de que o estágio era meu se estivesse interessado.
Era suposto ser tudo mais fácil daí em diante, não era? Não foi. O requerer o visto, o impresso que é preciso, o passaporte actualizado, a entrevista com a embaixada, o papel que não serve, o impresso que não era aquele, o estágio é pago? Não é pago? Mais de 90 dias? Menos de 90 dias? Onde é que vai ficar? Quem é que conhece? Quando é que vai voltar? A viagem para cá, a viagem para lá, o voo de ligação, até aterrar em Nova Iorque.
Finalmente, estava cá, e daí em diante só podia melhorar não é? Nem por isso! O autocarro para D.C., a segunda-feira que é feriado, o short-term lease de 6 meses para quem só cá vai estar 4, o apartamento sem mobílias, o numero de segurança social americano que não tenho, o credito bancário que não existe, o cartão português que falha nos multi-bancos no dia antes de pagar, a renda, o co-lease, a Cremilde e o Paulo a salvarem-me vezes sem conta, a ajuda da Vânia e do Telmo, os país da Vânia... a saudades de estar sozinho longe de tudo e de todos.
Só ao tentar explicar é que me dei conta de tudo aquilo que foi preciso para aqui chegar, para que tudo isto fosse possível, e no fim foi isso que percebi, que não é o que se aprende por estar longe que faz a diferença, não é a experiência profissional que é uma mais-valia, sinceramente, não sei se é, não aprendo nada aqui que não aprendesse aí, é antes, o que tudo isto diz de ti, sobre aquilo que és, aquilo que és capaz e até onde estás disposto a ir para conseguires aquilo que queres, a tua dedicação, empenhamento, o espírito de sacrifício para ires até onde queres chegar, lutar por aquilo que queres até torna-lo realidade, e isso então, mais que complicado... é raro.
Quando olho para trás para os últimos meses da minha vida, fica fascinado com a sucessão de acontecimentos que me trouxeram até aqui, pareceu tudo tão fácil, como se fosse suposto acontecer, e eu me tivesse apenas deixado levar por algo que se foi desenrolando até ter este desfecho. Sempre achei que foi tudo tão simples, tão fácil, até alguém me perguntar como é que eu tinha feito.
A primeira coisa que lhe disse foi que foi fácil, porque sinceramente, é essa a ideia que tenho, de que não foi complicado chegar cá. Que decidi que queria vir para cá, e que depois da decisão tomada, fui ao Google pesquisar estágios na área de jornalismo em Washington D.C.
Comecei pelos jornais, depois as revistas, mais tarde as televisões. Primeiro em D.C. depois em Annapolis, Baltimore, Bethesda, Rockville. Os prazos de candidaturas, os pré-requisitos, o método de candidatura, os documentos de necessários, os e-mails com pedidos de informação. Reescrever o curriculum, uma carta de apresentação, arranjar as referências, pedir as cartas de recomendação, as provas escritas, o artigo do jornal da faculdade, e reestruturar o blog para lhe dar um ar profissional, ajuda do Jorge com o site, da Prof. Alice com a carta de recomendação, do Prof. Paulo, da Kikas com o jornal da faculdade, da Rita com o Rostos, da Inês com o curriculum, mais os que me estou a esquecer.
Depois de enviadas as candidaturas, vieram as entrevistas telefónicas, o inglês sofrível, o nervosismo a tornar tudo pior, as perguntas absurdas e o que se perde na tradução, aquilo que me é familiar e que não diz nada a ninguém que vive do lado de lá do mundo, aquilo que é importantíssimo para eles, e de que eu nunca tinha ouvido falar, e no fim, a noticia de que o estágio era meu se estivesse interessado.
Era suposto ser tudo mais fácil daí em diante, não era? Não foi. O requerer o visto, o impresso que é preciso, o passaporte actualizado, a entrevista com a embaixada, o papel que não serve, o impresso que não era aquele, o estágio é pago? Não é pago? Mais de 90 dias? Menos de 90 dias? Onde é que vai ficar? Quem é que conhece? Quando é que vai voltar? A viagem para cá, a viagem para lá, o voo de ligação, até aterrar em Nova Iorque.
Finalmente, estava cá, e daí em diante só podia melhorar não é? Nem por isso! O autocarro para D.C., a segunda-feira que é feriado, o short-term lease de 6 meses para quem só cá vai estar 4, o apartamento sem mobílias, o numero de segurança social americano que não tenho, o credito bancário que não existe, o cartão português que falha nos multi-bancos no dia antes de pagar, a renda, o co-lease, a Cremilde e o Paulo a salvarem-me vezes sem conta, a ajuda da Vânia e do Telmo, os país da Vânia... a saudades de estar sozinho longe de tudo e de todos.
Só ao tentar explicar é que me dei conta de tudo aquilo que foi preciso para aqui chegar, para que tudo isto fosse possível, e no fim foi isso que percebi, que não é o que se aprende por estar longe que faz a diferença, não é a experiência profissional que é uma mais-valia, sinceramente, não sei se é, não aprendo nada aqui que não aprendesse aí, é antes, o que tudo isto diz de ti, sobre aquilo que és, aquilo que és capaz e até onde estás disposto a ir para conseguires aquilo que queres, a tua dedicação, empenhamento, o espírito de sacrifício para ires até onde queres chegar, lutar por aquilo que queres até torna-lo realidade, e isso então, mais que complicado... é raro.
Domingo, Outubro 25, 2009
A Million Miles Away
Mudou a hora, mas não mudou mais nada. Já é outro dia em Portugal, mas ainda é o mesmo dia aqui, e vai ser o mesmo dia por mais umas horas, e pouco importa que Portugal mude a hora para tentar compensar, são horas a mais para que faça diferença, é nestas alturas que dou conta de quão longe estou de tudo e de todos.
Passo a vida a pensar em coisas que penso que mais ninguém pensa. Chego mesmo a pensar que já pensei em tudo o que havia para pensar, que tenho uma opinião formada sobre tudo aquilo com que sou confrontado no dia-a-dia, e mesmo aquilo com que não sou, mas que por alguma razão acabei por pensar nisso também, e depois acontece algo de novo e inesperado, e vejo em quanto ainda me falta pensar, sem que nunca sequer tivesse pensado nisso, e pela quantidade de vezes que usei o verbo "pensar" nestas ultimas frases, dá para ter uma ideia das coisas absurdas em que eu penso.
Nunca pensei, por exemplo, na falta que ia sentir de Portugal, ou pensei, mas nunca pensei que fosse assim, assim tanta. Mesmo antes de partir, pensei nas coisas de que ia sentir falta, coisas que nunca tinha dado conta que adorava até ser confrontado com a ideia de as deixar de ter, coisas ridículas, insignificantes que fazem todo a diferença, diferença essa que é tudo menos insignificante.
Costumo dizer que a minha parte preferida duma viagem, é o espaço de tempo que vai desde aterrar em Lisboa, até descobrir que me perderam a mala. Estou desejoso que me percam a mala, e desejoso de todas as outras coisas que me dizem que estou de novo em casa. Temos um país melhor que aquilo que o pintamos, acreditem, e só nos apercebemos disso quando metemos um oceano entre nós. No outro dia a Andreia disse-me que se metermos o dedo na ponta do nariz, não o conseguimos ver, se calhar acontece o mesmo com Portugal, não o conseguimos ver pelo que é por estar debaixo do nosso nariz a toda a hora.
Enquanto pensava em tudo aquilo de que ia ter saudades, de tudo aquilo que me ia fazer falta, veio o medo de não voltar a mesma pessoa que era quando parti, de que toda esta aventura mudasse demasiadas coisas em mim, para conseguir voltar para a vida que deixei, e quando dei por mim, já não era o mesmo de antes, mesmo antes de partir.
Nunca pensei em nada disto, em fazer nada disto, sempre fui demasiado comodista, demasiado agarrado a tudo o que tenho e conheço para deixar uma vida inteira para trás e começar de novo em outro sitio qualquer, mesmo que por uns meses, no entanto, aqui estou, e nunca pensei que fosse capaz, ainda não penso que seja, mas tenho sido, e outra das coisas em que isso me fez pensar, é naquilo de que uma pessoa é capaz se carregarmos nos botões certos.
Penso na Avó Nita mais que em qualquer outra coisa. Tenho saudades delas mais de que ninguém. Era ela dizer, e metia-me no primeiro avião para casa, é essa a falta que ela me faz, e ainda assim, os dias continuam a passar mesmo quando ela não está. Não sei se nunca pensei nisso, ou se nunca quis pensar nisso. Na velocidade com que a vida se adapta e quão depressa nos habituamos a viver sem aquilo que mais gostamos no mundo. Sinto que conseguia viver o resto da minha vida sem a volta a ver, e que a vida ia continuar a igual, se ia adaptar à ausência dela, porque é isso que a vida faz, continua. A diferença, mais que saber que conseguia viver sem ela, sem a avó que é o amor da minha vida, é o não querer viver sem ela, e isso faz toda a diferença. Saber que não a tenho por perto não porque preciso, mas porque escolho tê-la sempre comigo, e também nunca tinha pensado nisso.
Penso em tudo aquilo em que nunca tinha pensado, e em todas as coisas que acontecem ao longo de uma vida de que te fazem ver o mundo de maneira diferente, todo aquilo que acontece, tudo aquilo que falta acontecer mas que sabes que não tarda a chegar, há qualquer coisa nova a casa dia que passa, casar, o ter filhos, ser pai, ser avô, envelhecer, morrer. Pela primeira vez pensei que nunca acaba, que há sempre qualquer coisa à espera de acontecer, que muda tudo aquilo que julgavas saber, e te faz pensar em coisas que nunca tinhas pensado antes. Mudou a hora, e com a hora… mudou tudo.
Passo a vida a pensar em coisas que penso que mais ninguém pensa. Chego mesmo a pensar que já pensei em tudo o que havia para pensar, que tenho uma opinião formada sobre tudo aquilo com que sou confrontado no dia-a-dia, e mesmo aquilo com que não sou, mas que por alguma razão acabei por pensar nisso também, e depois acontece algo de novo e inesperado, e vejo em quanto ainda me falta pensar, sem que nunca sequer tivesse pensado nisso, e pela quantidade de vezes que usei o verbo "pensar" nestas ultimas frases, dá para ter uma ideia das coisas absurdas em que eu penso.
Nunca pensei, por exemplo, na falta que ia sentir de Portugal, ou pensei, mas nunca pensei que fosse assim, assim tanta. Mesmo antes de partir, pensei nas coisas de que ia sentir falta, coisas que nunca tinha dado conta que adorava até ser confrontado com a ideia de as deixar de ter, coisas ridículas, insignificantes que fazem todo a diferença, diferença essa que é tudo menos insignificante.
Costumo dizer que a minha parte preferida duma viagem, é o espaço de tempo que vai desde aterrar em Lisboa, até descobrir que me perderam a mala. Estou desejoso que me percam a mala, e desejoso de todas as outras coisas que me dizem que estou de novo em casa. Temos um país melhor que aquilo que o pintamos, acreditem, e só nos apercebemos disso quando metemos um oceano entre nós. No outro dia a Andreia disse-me que se metermos o dedo na ponta do nariz, não o conseguimos ver, se calhar acontece o mesmo com Portugal, não o conseguimos ver pelo que é por estar debaixo do nosso nariz a toda a hora.
Enquanto pensava em tudo aquilo de que ia ter saudades, de tudo aquilo que me ia fazer falta, veio o medo de não voltar a mesma pessoa que era quando parti, de que toda esta aventura mudasse demasiadas coisas em mim, para conseguir voltar para a vida que deixei, e quando dei por mim, já não era o mesmo de antes, mesmo antes de partir.
Nunca pensei em nada disto, em fazer nada disto, sempre fui demasiado comodista, demasiado agarrado a tudo o que tenho e conheço para deixar uma vida inteira para trás e começar de novo em outro sitio qualquer, mesmo que por uns meses, no entanto, aqui estou, e nunca pensei que fosse capaz, ainda não penso que seja, mas tenho sido, e outra das coisas em que isso me fez pensar, é naquilo de que uma pessoa é capaz se carregarmos nos botões certos.
Penso na Avó Nita mais que em qualquer outra coisa. Tenho saudades delas mais de que ninguém. Era ela dizer, e metia-me no primeiro avião para casa, é essa a falta que ela me faz, e ainda assim, os dias continuam a passar mesmo quando ela não está. Não sei se nunca pensei nisso, ou se nunca quis pensar nisso. Na velocidade com que a vida se adapta e quão depressa nos habituamos a viver sem aquilo que mais gostamos no mundo. Sinto que conseguia viver o resto da minha vida sem a volta a ver, e que a vida ia continuar a igual, se ia adaptar à ausência dela, porque é isso que a vida faz, continua. A diferença, mais que saber que conseguia viver sem ela, sem a avó que é o amor da minha vida, é o não querer viver sem ela, e isso faz toda a diferença. Saber que não a tenho por perto não porque preciso, mas porque escolho tê-la sempre comigo, e também nunca tinha pensado nisso.
Penso em tudo aquilo em que nunca tinha pensado, e em todas as coisas que acontecem ao longo de uma vida de que te fazem ver o mundo de maneira diferente, todo aquilo que acontece, tudo aquilo que falta acontecer mas que sabes que não tarda a chegar, há qualquer coisa nova a casa dia que passa, casar, o ter filhos, ser pai, ser avô, envelhecer, morrer. Pela primeira vez pensei que nunca acaba, que há sempre qualquer coisa à espera de acontecer, que muda tudo aquilo que julgavas saber, e te faz pensar em coisas que nunca tinhas pensado antes. Mudou a hora, e com a hora… mudou tudo.
Terça-feira, Setembro 29, 2009
La belle et la bête
Once upon a time, in a faraway land, a young prince lived in a shining castle. Although he had everything his heart desired, the prince was spoiled, selfish, and unkind. But then, one winter's night, an old beggar woman came to the castle and offered him a single rose in return for shelter from the bitter cold. Repulsed by her haggard appearance, the prince sneered at the gift and turned the old woman away. But she warned him not to be deceived by appearances, for beauty is found within. And when he dismissed her again, the old woman's ugliness melted away to reveal a beautiful enchantress. The prince tried to apologize, but it was too late, for she had seen that there was no love in his heart. And as punishment, she transformed him into a hideous beast and placed a powerful spell on the castle and all who lived there. Ashamed of his monstrous form, the beast concealed himself inside his castle, with a magic mirror as his only window to the outside world. The rose she had offered was truly an enchanted rose, which would bloom until his 21st year. If he could learn to love another, and earn her love in return by the time the last petal fell, then the spell would be broken. If not, he would be doomed to remain a beast for all time. As the years passed, he fell into despair and lost all hope. For who could ever learn to love a beast?
Sábado, Setembro 19, 2009
Would I lie to you?
Sei anos de blog é tempo quanto basta para falar de tudo aquilo em que consigo pensar, logo, aquilo de que ainda não falei, mais que por falta de tempo, foi por falta de saber como. É facil então perceber, que aquilo de que ainda não falei, é provavelmente o que de mais importante tenho para vos dizer.
O post que se segue vai, portanto ser estranho, pretensioso, até mesmo arrogante, estão desde já avisados, mas prometo que vou tentar explicar o que há tanto tempo tenho para dizer da melhor maneira que consigo, contextualizando o melhor que posso.
De todas as vezes em que penso nisto, sou remetido para uma conversa com 2 dos tipos por quem tenho mais estima, o Pedro e o BB. Os 3 sentados no carro a falar sobre ser como nós, o Pedro diz "se pudesse escolher, preferia ser menos inteligente", porque tal como tudo na vida que peca por excesso, intelegência a mais também é defeito.
Sou inteligente! Mentira, sou muito inteligente, bem acima da média! Mais que interessante, sou interessado, gosto de saber, de aprender, perceber e saber fazer tudo aquilo de que se possam lembrar, e com maior ou menos facilidade, sei, e aprendo, e percebo, e sempre acabei por fazer e ter tudo aquilo que queria.
É aqui que as coisas se complicam, e onde a frase do Pedro encaixa. O problema com os tipos inteligentes que conseguem sempre aquilo que querem, é não quererem nada. É o que acontece comigo. Saber à partida que consigo, faz com que nem sequer tente, porque sei como vái acabar, e todos sabenos que nunca se quer aquilo que se pode ter, e o resultado pratico de poder ter tudo o que quero é então, nunca querer nada.
Fiz o secundário sem ir às aulas, cheguei ao último ano de jornalismo sem um caderno, a estudar de véspera ou 5 minutos antes do exame pelas cábulas da Ju e da Carla, e passar. E isto faz imensa confusão a muita gente, que pelos vistos não sabem aquilo de que eu sou capaz.
Entrei para a faculdade com 25 anos, porque não me apeteceu entrar antes. Sabia que no dia em que me apetecesse entrar, entrava, até porque tinha mais que fazerna altura, mesmo que o ter mais que fazer fosse não fazer nada. Não trabalho, porque não me apetece, e não é ter 28 anos que me incomoda, o estár a ficar velho para o primeiro emprego, seja lá o que for. No dia em que decidir ir trabalhar, vou, e crise e desemprego, são coisas que não me dizem respeito. Despedi-me de todos os trabalhos que tive, trabalhos que qualquer outra pessoa que não eu, se dava por contente de os ter. Mas eu estou guardado para maior e melhor, que aquilo que fosse que eles queriam que eu fizesse.
Chega a ser ridiculo, tanto que tenho a certeza que tentasse eu qualificar para os jogos olímpicos, também conseguia, e o meu unico problema ia ser escolher o desporto em que queria ganhar uma medalha. Absurdo, eu sei, mas é assim que os meus fios estão ligados~, não há nada que eu posso fazer. Consigo tudo aquilo que quero, normalmente sem esforço, porque sou simplesmente melhor, quando não sou melhor, consigo-o porque me esforço mais que o próximo, e faço o que for preciso para atingir os meus objectivos.
Mas toda esta arrogância torna-se mais tolerável, até mesmo aceitável, se houver efectivamente alguma verdade em tudo aquilo que disse, e a única maneira que tenho de mostrar que não estou a ser arrogante mas sincero, é pegar em algo impossivel, e fazê-lo acontecer.
Aqui entre nós, é assustador! E se estava enganado? E se não conseguir? Quer isso dizer que desperdicei grande parte dos meus 20 anos, sem pensar no curso ou na carreira, porque achava eu que era melhor que os outros, e não sou? Que tive errado todo este tempo, todas as vezes que disse a mim mesmo que era capaz, estava a enganar toda a gente e a mim também?
É um grande risco para ser correr, daqueles que ora corre muito bem, e só nos mostra que tivemos razão todo este tempo, ou daqueles que nos abala a vida até às raízes e te faz olhar para trás para o tempo desperdiçado, e até a tua vida deixa de fazer sentido, quando achas que viveste todo este tempo numa farsa que tu mesmo criaste.
Há 4 meses atrás, por razões que agora não importam, decidi mudar-me para Washingtgon D.C., arranjar um trabalho em jornalismo, ter uma casa minha, ganhar a experiência que me destaque dos demais quando voltar para casa, e com isso provar aos menos crentes aquilo que eu sempre soube ser capaz.
Moro no apartamento 412 do nº. 35 da rua E. Trabalho do lado de lá da estrada, no 6º andar do nº 400 de North Capitol St. para a C-SPAN, no andar de baixo fica a Fox News, no andar de cima a NBC, do lado de lá da rua o Capitólio dos Estados Unidos. É dia 19 de Setembro de 2009, são 7 da manhã em Lisboa, 2 aqui, em D.C...
... alguma vez vos menti?
O post que se segue vai, portanto ser estranho, pretensioso, até mesmo arrogante, estão desde já avisados, mas prometo que vou tentar explicar o que há tanto tempo tenho para dizer da melhor maneira que consigo, contextualizando o melhor que posso.
De todas as vezes em que penso nisto, sou remetido para uma conversa com 2 dos tipos por quem tenho mais estima, o Pedro e o BB. Os 3 sentados no carro a falar sobre ser como nós, o Pedro diz "se pudesse escolher, preferia ser menos inteligente", porque tal como tudo na vida que peca por excesso, intelegência a mais também é defeito.
Sou inteligente! Mentira, sou muito inteligente, bem acima da média! Mais que interessante, sou interessado, gosto de saber, de aprender, perceber e saber fazer tudo aquilo de que se possam lembrar, e com maior ou menos facilidade, sei, e aprendo, e percebo, e sempre acabei por fazer e ter tudo aquilo que queria.
É aqui que as coisas se complicam, e onde a frase do Pedro encaixa. O problema com os tipos inteligentes que conseguem sempre aquilo que querem, é não quererem nada. É o que acontece comigo. Saber à partida que consigo, faz com que nem sequer tente, porque sei como vái acabar, e todos sabenos que nunca se quer aquilo que se pode ter, e o resultado pratico de poder ter tudo o que quero é então, nunca querer nada.
Fiz o secundário sem ir às aulas, cheguei ao último ano de jornalismo sem um caderno, a estudar de véspera ou 5 minutos antes do exame pelas cábulas da Ju e da Carla, e passar. E isto faz imensa confusão a muita gente, que pelos vistos não sabem aquilo de que eu sou capaz.
Entrei para a faculdade com 25 anos, porque não me apeteceu entrar antes. Sabia que no dia em que me apetecesse entrar, entrava, até porque tinha mais que fazerna altura, mesmo que o ter mais que fazer fosse não fazer nada. Não trabalho, porque não me apetece, e não é ter 28 anos que me incomoda, o estár a ficar velho para o primeiro emprego, seja lá o que for. No dia em que decidir ir trabalhar, vou, e crise e desemprego, são coisas que não me dizem respeito. Despedi-me de todos os trabalhos que tive, trabalhos que qualquer outra pessoa que não eu, se dava por contente de os ter. Mas eu estou guardado para maior e melhor, que aquilo que fosse que eles queriam que eu fizesse.
Chega a ser ridiculo, tanto que tenho a certeza que tentasse eu qualificar para os jogos olímpicos, também conseguia, e o meu unico problema ia ser escolher o desporto em que queria ganhar uma medalha. Absurdo, eu sei, mas é assim que os meus fios estão ligados~, não há nada que eu posso fazer. Consigo tudo aquilo que quero, normalmente sem esforço, porque sou simplesmente melhor, quando não sou melhor, consigo-o porque me esforço mais que o próximo, e faço o que for preciso para atingir os meus objectivos.
Mas toda esta arrogância torna-se mais tolerável, até mesmo aceitável, se houver efectivamente alguma verdade em tudo aquilo que disse, e a única maneira que tenho de mostrar que não estou a ser arrogante mas sincero, é pegar em algo impossivel, e fazê-lo acontecer.
Aqui entre nós, é assustador! E se estava enganado? E se não conseguir? Quer isso dizer que desperdicei grande parte dos meus 20 anos, sem pensar no curso ou na carreira, porque achava eu que era melhor que os outros, e não sou? Que tive errado todo este tempo, todas as vezes que disse a mim mesmo que era capaz, estava a enganar toda a gente e a mim também?
É um grande risco para ser correr, daqueles que ora corre muito bem, e só nos mostra que tivemos razão todo este tempo, ou daqueles que nos abala a vida até às raízes e te faz olhar para trás para o tempo desperdiçado, e até a tua vida deixa de fazer sentido, quando achas que viveste todo este tempo numa farsa que tu mesmo criaste.
Há 4 meses atrás, por razões que agora não importam, decidi mudar-me para Washingtgon D.C., arranjar um trabalho em jornalismo, ter uma casa minha, ganhar a experiência que me destaque dos demais quando voltar para casa, e com isso provar aos menos crentes aquilo que eu sempre soube ser capaz.
Moro no apartamento 412 do nº. 35 da rua E. Trabalho do lado de lá da estrada, no 6º andar do nº 400 de North Capitol St. para a C-SPAN, no andar de baixo fica a Fox News, no andar de cima a NBC, do lado de lá da rua o Capitólio dos Estados Unidos. É dia 19 de Setembro de 2009, são 7 da manhã em Lisboa, 2 aqui, em D.C...
... alguma vez vos menti?
Terça-feira, Setembro 15, 2009
Passagem das Horas
Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,
O coral das Maldivas em passagem cálida,
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente...
Yat-lô--ô-ôôô-ô-ô-ô-ô-ô-ô...Ghi-...
E aquilo soa-me do fundo de uma outra realidade...
A estatura norte-africana quase de Zanzibar ao sol...
Dar-es-Salaam (a saída é difícil)...
Majunga, Nossi-Bé, verduras de Madagascar...
Tempestades em torno ao Guardafui...
E o Cabo da Boa Esperança nítido ao sol da madrugada...
E a Cidade do Cabo com a Montanha da Mesa ao fundo...
Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta entrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranqüila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta sociedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?
(...)
Álvaro de Campos
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,
O coral das Maldivas em passagem cálida,
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente...
Yat-lô--ô-ôôô-ô-ô-ô-ô-ô-ô...Ghi-...
E aquilo soa-me do fundo de uma outra realidade...
A estatura norte-africana quase de Zanzibar ao sol...
Dar-es-Salaam (a saída é difícil)...
Majunga, Nossi-Bé, verduras de Madagascar...
Tempestades em torno ao Guardafui...
E o Cabo da Boa Esperança nítido ao sol da madrugada...
E a Cidade do Cabo com a Montanha da Mesa ao fundo...
Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta entrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranqüila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta sociedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?
(...)
Álvaro de Campos
Quinta-feira, Setembro 10, 2009
Washington Thoughts
"Bem sei que há ilhas ao Sul e grandes paixões cosmopolitas, e se eu tivesse o mundo na mão, trocava-o, estou certo, por um bilhete para Rua dos Douradores."
Bernardo Soares, em Livro do Desassossego
Bernardo Soares, em Livro do Desassossego
Domingo, Agosto 16, 2009
Cashback
It takes approximately 500 lbs to crush a human skull. But the human emotion is a much more delicate thing. Take Suzy, my first real girl friend. My first real break-up, happening right in front of me. I never thought it was going to be similar to a car crash. I've slammed the breaks, and I'm skidding toward an emotional impact. So, is this all my fault? Me, Ben Willis. It's funny what goes through your mind at a time like this. The two and a half years we spent together. The promises we made. The holidays we took with her parents. The lamp we bought at IKEA together. It was my final year at art college. And in the weeks that followed the break-up, I tried to figure out what went wrong. Why did we break-up? It's funny, but when I think back now, the reasons seem so small. One day she's with me and she's saying I love you, and the next week she's with someone else, probably saying the same thing. So did she really love me? What is love, anyway? And is it really that fleeting?