Sinto a falta de finais felizes

Idas ao cinema, é sem duvida um dos meus maiores prazeres. Sentado naquelas cadeira perdi conta das voltas que dei ao mundo, dos amores que tive, das aventuras que vivi e sim, das lagrimas que derramei enquanto afogava as mágoas num pacote de pipocas "Gigante" e uma Cola "Normal" e sem gelo! Desde idas ao espaço e ao fundo dos oceanos, do centro da terra a asteróides, desde marte a cada um dos continentes da Terra, desde o inicio dos tempos aos dias de hoje e mais além, desde a Terra Média a Hogwards passando pela Terra do Nunca, cada um destes sítios me reservou uma aventura, e durante a duração de cada um dos filmes nada mais me importa, vivo intensamente cada momento como se a minha vida dependesse disso.

Como qualquer um de nós, uns filmes marcaram-me mais que outros, mas aqueles que marcaram são mais que um filme, são uma lição de vida, uma maneira de estar ou ser, a perspectiva do mundo ou de algo pelos olhos de alguém que não os meus, posso com segurança dizer que para lá da cultura geral que tenho ao vê e a aquela que eles próprios contêm, vejo em cada filme retratos do quotidiano em que por mais fantástica seja a história que está á nossa frente, conseguimos encontrar sempre alguma coisa a que associamos a nos, uma frase que nos toca mais fundo, um personagem que nos faz lembrar alguém, um mundo que gostávamos para nós, uma vida que comparamos á nossa.

Eu sempre tive uma visão muito realista da realidade, e mesmo no mais romântico dos Happy End., eu achava que 2 meses depois de ter começado o "Viveram felizes para sempre" surgiria uma discussão sobre a tampa da sanita levantada que levaria ao divorcio, ou que como casal iam passar pelo mesmo problema que falei ontem e que aquele Para Sempre não era mais que uns meses de felicidade, mas sinto falta, sério que sinto falta de finais felizes, os finais que nos fazem deixar a sala com um sorriso nos lábios e um único pensamento em nós, "porque não pode tudo acabar assim?!" Mas até esses finais felizes têm vindo a desaparecer, e é mais comum lamentar a morte do herói que celebrar a união com a sua amada, não consigo deixar de pensar no "Favores em Cadeia", que mente macabra tem o realizador para matar o Haley Joel Osmond, que não obstante de ser uma criança, ainda passou a duração do filme a tentar mudar o mundo, o Titanic com o Leonardo DiCaprio lentamente a afundar-se nas gélidas águas do Atlântico, o American History X, As Pontes de Madisson County, o BraveHeart ou a Cidade dos Anjos... somos nós que estamos mais realistas, ou será que um final feliz é, neste mundo perverso, cada dia que passa um final mais utópico e distante da realidade?! Estarão os casais que vivem felizes para sempre em vias de extinção!?

Para as idas ao cinema, têm de estar cumpridas duas condições, têm de ser á ultima sessão disponível, ou seja sempre depois da meia-noite, e que nunca, mas nunca seja a sextas, sábados, ou vésperas de feriado, não por esses dias tarem reservados para borgas mas porque tal não é o prazer que tiramos de uma ida ao cinema que a única coisa que queremos ouvir na sala quando o Dolby Pro Logic não nos presenteia com fabulosos efeitos sonoros, é a suave musica do correr da película na maquina do projeccionista, o.k. o.k., tolero um mastigar de pipocas impossível de disfarçar, um tossir, um espirrar, ate mesmo um murmúrio para a cadeira do lado, mas repugno com todas as minhas forças aqueles que falam no cinema, não conseguem estar calados um instante que seja e pior que isso... aquilo que os encaminharia directamente para os portas do inferno sem passar pelo purgatório nem receber 2 mil escudos... Tocar ou atender um telemóvel. Esfolá-los vivos e banha-los com álcool não se aproxima sequer daquilo que considero uma pena aceitável para tão desprezível gente... e como podem ver, levo isto muito a peito, pelo que tenho tendência para me tornar conflituoso quando o tagarelar ultrapassa os limites do aceitável, e como tal, tanto para o nosso sossego, como para o bem da nossa integridade física, escolhemos ir quando há menos gente diminuindo assim a probabilidade de sermos incomodados. Por outro lado, se a sala está cheia e mesmo assim, o silencio durante as pausas dramáticas é de cortar á faca, uma sensação de alivio e bem estar invade-me e penso que há ainda quem, tal como eu, vai para o cinema entregar-se de corpo e alma para o filme, e para quem o rasgar do bilhete á entrada rasga tambem todos os laços que nos prendem á nossa vida e por aquelas 2 horas, nada mais importa, a não ser a próxima cena.

Mas não é só dos finais felizes que sinto falta, sinto falta de lugares marcados, sinto falta de um intervalo para explicar ou perceber aquela deixa que nos soou estranha e não vimos muito bem onde encaixa na história, aqueles 10 minutos para um re.fill á Coca.cola e o entoar do Tlingggg Tonggg que nos avisa que nos espera outro tanto de emoções. Fica a nota de agradecimento aos Cinemas Feira Nova no Barreiro, e as Galerias TwinTowers em Lisboa por manterem acesa a tradição e não abolirem o intervalo e ainda empregarem arrumadores que nos encaminham ate ao numero e fila do NOSSO lugar!

Cada vez mais é um balurdio ir ao cinema, mas se for este o modo de tornar as salas mais elitistas e fazer com que se tenha a certeza que quem lá está, está para ver um filme e não para outra coisa qualquer, têm então a minha condescendência para aumentar o preço dos bilhetes, as pipocas e as colas.

Mas tudo isto se deve á ida de hoje ao cinema com o sempre fiel grupo de amigos, o filme eleito foi "O Ultimo Samurai" e falo por todos quando digo que está magnifico ao ponto de merecer um aplauso durante o rolar dos créditos.
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