A tentação da diferença

Tenho sempre tremenda dificuldade em escolher um Title para os meus post, não sei por onde começar e muito menos onde vai acabar com os garantidos rodeios que sei que os meus textos acabam sempre por ter, apago parágrafos inteiros, corto, colo, copio e edito um sem numero de vezes ate achar que estão compreensíveis.

Não á maneira de dar volta ao assunto e dado tal vou saltar a parte dos floreados e focar no cerne da questão.

Nunca estamos contentes, e acho bem que assim seja, a infinda busca por algo melhor é algo que nos leva mais longe, exige de nós e nos faz transpor obstáculos com o fim de atingir os nossos objectivos e conseguir aquilo que tanto queríamos, mas é aqui que este circulo vicioso começa, assim que temos aquilo que tanto desejávamos, passamos a querer outra coisa qualquer, e lá voltamos nós ao inicio desta insasíavel corrida em busca do que queremos, quando na maioria das vezes, aquilo que queremos nem sempre vai ao encontro daquilo que precisamos ou mesmo do que é melhor para nós.

Recordo as conversas entre o grupo de amigos, única e exclusivamente composto por rapazes quando o assunto era raparigas, e as confissões deles em tom de queixume de como estavam fartos dos olhares provocantes, das trocas de msg's de telemóvel inconsequentes e relacionamentos com raparigas que tinham um fim anunciado á partida tanta não era a certeza que não era nada daquilo que ambicionavam para nós. Falávamos em como queríamos, e o termo era ... ACENTAR! Algo de concreto que soubéssemos que fosse durar para sempre, alguém com quem nos sentíssemos realizados e cujo seu esplendor viria por termo a esta busca desenfreada por algo melhor que durava ... bem... vejamos ... mais dia menos dia ... desde a puberdade!

Pois bem ... á que ter muito cuidado com aquilo que desejamos, porque por vezes ... só por vezes, aquilo que desejamos torna-se realidade e muitos dos então "pseudo.playboy's" que éramos, arranjaram namoradas, relacionamentos estáveis, sérios, apresentações á família da namorada oficial, almoços de domingo na casa dos sogros, e, a quimera chegava ao fim, com aquilo que pensávamos ser, uma missão cumprida, um relacionamento sério e promissor!

Mas a natureza humana fala mais alto, e com passar dos meses, dos anos, a rotina, e o enfraquecer da chama do namoro que tão intensamente ardia ao inicio, faz-nos recordar a vida boémia que levávamos, os tempos de liberdade, em que podíamos muito bem fazer o que nos apetecia sem pensar em consequências nem em magoar 3ª's, e é então que o pensamento nos invade, e esta é a maior duvida que nos assombra, e acredito piamente que vagueie tambem por todos aqueles que se vêem numa relação á muito tempo, duvida essa que trás anexada um "Tenho que tentar", "Tenho de descobrir" que encaminha o namoro para períodos mais conturbados, e a duvida é ... será que ainda sou capaz?!

Será que consigo ainda parecer interessante aos olhos de alguém que nunca me viu na vida, será que a minha aparência, o meu charme são ainda suficientes para convencer alguém que não me conhece a aceitar um convite meu para um café, será que consigo ainda ser olhado com desejo por alguém que só me vê passar, ou será que todos aqueles sentidos que tão apurados tínhamos antes de namorar e que faziam com que nos destacássemos se esvaneceram e que a nossa tão longa ausência do relvado neste jogo de sedução nos tornou banais e ultrapassados? ... e pior ainda, como conseguir descobrir sem quebrar o mais sagrado principio da lealdade?! Será que o facto de outras raparigas nos chamarem á atenção deve-se ao facto de estas serem, mais giras, mais bem feitas ou mais vistosas que a nossa namorada ou... a tentação está na diferença?

E por mais absurda que a frase pareça, acho que explica melhor que qualquer coisa que possa escrever.

"Podemos adorar massa, comer massa todos os dias, ela fornece-nos todos os nutrientes que necessitamos para viver saudáveis, a massa tem tudo aquilo que nós faz falta, mas um dia acordamos... e apetece-nos arroz!"

É sem duvida complicadíssimo, e demasiadamente ténue a linha que separa o "aceitável" do "injusto" na busca dessa resposta, e como acho por exemplo aceitável um café com uma amiga com quem sempre se teve uma cumplicidade que nunca levou a lado nenhum, e como acho injusto para a pessoa com que ainda temos um relacionamento, estarmos a criar, fomentar ou alimentar expectativas de algo mais em alguém que sabemos sempre ter tido um fraquinho por nós.

Infelizmente, ou não, esta duvida tem assombrado todos aqueles do grupo de amigos que se encontram em relacionamentos mais sérios, uns á mais, outros á menos tempo, uns com namoros de messes, outros de anos, resta-me esperar que encontrem todos uma solução para este problema que enquanto universal, tem respostas tão singulares para cada um de nós... e que, duma maneira ou de outra a resposta que eles encontrem, me ajude, a descobrir a resposta para este problema que tambem a mim assombra.

P.S. - (10 de Janeiro) És como um irmão Maurício! Que os nossos caminhos nunca nos separem e que estejamos ambos cá para, durante muitos anos comemorar os aniversários um do outro. Muitos parabéns, meu irmão!
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