Aquele que adoram odiar.

Não gosto de passar despercebido, é a melhor maneira que tenho de vos dizer isto sem transmitir uma ideia errada sobre aquilo que estou a tentar dizer. É difícil ficar indiferente á minha presença, suponho que tenho "uma daquelas personalidades" em que se ou adora ou odeia, e aquilo que os meus amigos vêem em mim como qualidade, aqueles que me odeiam vêem em mim como algo a odiar.

Tenho dezenas de amigos, pessoas com que me dou super bem que me dizem, "epá antes de te conhecer tinha uma ideia completamente errada tua, eras aquele tipo de pessoa com quem eu não simpatizava." O que é certo é que todos aqueles que têm ou tinham, simm porque estes últimos dois anos e meio em andei feito parvo numa de "low profile" os meus "playa-haters" devem ter arranjado outro alguém que desse mais nas vistas para odiar, mas como dizia, todos aqueles que não gostavam particularmente de mim, mudaram de opinião depois de me conhecerem, e curiosamente todos aqueles que não podem comigo, o mais certo é nunca termos sequer trocado duas palavras.

Agora que voltei a ser quem era, ao andamento dos tempos d'outrora, de borgas, sadias, noitadas nas discos, idas para a praia, cafés com as amigas, noites de racing com a "menina" e como tal começo a ouvir de novo as mesmas bocas de sempre, aquelas que á tanto não ouvia, aquelas que enquanto eu não dei nas vistas provavelmente foram dirigidas para outro tipo qualquer, por miseráveis que nunca hão-de ser ninguém na vida e como tal, acham positivo dizer mal ou tentarem mandar abaixo aqueles que suponho que eles invejem, ora eu só posso levar isto como um elogio e retribuir o "Deves ter a mania..." quando me vêem vir da praia super bronzeado de descapotável, com o radio a cantar "Sugar Ray" enquanto riu á gargalhada com o resto dos meus amigos, com um "Muito Obrigado!". Ora se eu não faço puto ideia de quem estes coitados são, eles não fazem a mais pequena ideia de quem eu sou, e ainda assim se sentem incomodados com a minha presença, só posso deduzir que não é nada pessoal, mas sim contra aquilo que eu represento ou pelo menos eles pensam que eu represento, e isso ai já me ultrapassa e não faço pequena ideia do que pode passar por aquelas mentes retrógradas, mas seja o que for deduzo que os incomode, suponho que seja, o aspecto descontraído, realizado e de bem com a vida que os incomode.

No meio de tudo isto cheguei a uma conclusão que acaba por ser até bastante lisonjeira. Quando uma pessoa me odeia, é sinal que devo ter feito algo mal... quando muitas pessoas que odeiam, é sinal que devo andar a fazer qualquer coisa bem!

David Vs Golias.

Acho que nunca houve um post em que escreve e apagasse tantas vezes a primeira frase sem saber como começar, tudo isto para dizer que tive um jantar de anos este fim de semana, ao meu lado sentou-se uma das minhas antigas (ou não tão antigas) paixões... a Joana.

A Djo foi um género de amor á primeira vista, consigo-vos dizer com precisão a 1ª vez que a vi, com quem estava e o engenhoso plano que eu e o João engrenhamos para eu a conhecer, lembro-me dos momentos que passamos juntos, as aventuras que ainda hoje recordo, vê-la fugir de casa para ir comigo a Coruche e voltar para casa com ela dormindo exausta no banco do lado ás 5 da madrugada, lembro-me como se fosse ontem a nossa luta na areia na praia de Galapos com ela prendendo-me os braços enquanto dizia "Freezeee... don't move a muscle!" e ria sem parar, as noites em que parava o carro nas traseiras do prédio dela e deixava o rádio cantar "You're just to good to be true... can't take my eyes off of you...", tudo era tão simples como que um sonho.

Mas tal como qualquer sonho também esse chegou ao fim, a Djo seguiu a vida dela e eu a minha, depois dela tive outros amores, outras amigas, sei que ela tambem. De tempos a tempos ela ligava-me e desabafava comigo, com aquele que tinha prometido estar sempre lá para quando ela precisasse, e sempre estive, mas tambem nesse campo vieram outros amigos e com eles outros ombros onde chorar com o passar do tempo tambem eu sofri de uma morte evolutiva na vida dela, vida essa onde a minha existência deixou de fazer sentido.

No fundo confesso que penso um pouco assim em relação a todas as minhas ex-paixões, que me vão guardar num lugar especial e que nunca hão-de olhar para mim como olham para todos os outros, porque por ter sido um dia alguém tão especial na vida delas, sempre o serei e mesmo que não seja amor, haverá sempre um carinho que nos une, penso que nunca me vão esquecer e que lá no fundo haverá sempre uma outra oportunidade para nós, de recomeçar tudo de onde tudo ficou... sei que as coisas não são bem assim.

Vê-la chegar no jantar foi estranho como que um rewind aos últimos anos, e com ela sentada ao meu lado não conseguia evitar de pensar que quando ao jantar acabasse, saiamos de mão dada como que se em todo o tempo que estivemos afastado tivesse passado apenas um instante. Falei pouco com ela, olhei-a ainda menos com medo que o brilho do meu olhar revelasse o sentimento que ainda nutro por ela, e parti sem lhe dizer adeus.

Nem mesmo eu sei o que sinto por ela, se mais uma vez aquilo que me move não é tentar trazer de novo tempos que sei que não voltam mais, um passado que estimo e do qual guardo tão boas recordações. Não sei se ela me olha como eu a olho, se vê em mim tudo aquilo que vejo nela, se sou ainda quem ela ainda é para mim, ou se por muito que me custe aceitar, o mundo pula e avança como é suposto ou esperado e que eu não tenho mais lugar na vida dela tal como ela não devia ter na minha, o natural é mesmo ela ver em mim alguém que foi em tempos especial.

... Sim... porque a vida segue sempre o seu rumo e não espera por ninguém, e mesmo que o fantástico ou o imprevisível aconteça de vez em quando... o mais certo é o meu carro perder corridas para carros melhores que o meu, o mais natural é as minhas ex-namoradas viverem o resto das suas vidas sem nunca voltar a pensar e mim... e sim... mesmo que o inesperado ou improvável aconteça de tempos a tempos, no fim do dia o Golias acaba sempre por dar uma coça ao David, mas só que ninguém se dá ao trabalho de contar essa história.

One man's gargabe... is another man's treasure!

Hoje fui sair com uma amiga mais uma casal amigo para Lisboa, é sobejamente conhecido o meu repudio á capital, e mesmo que por este ou aquele motivo os motivos pelo qual odeio tanto Lisboa se comecem a esbater, assim que passo a ponte e dou por mim num transito caótico rodeado por ruas de sentidos proibidos, carros parados por todo o lado e buracos os quais não ponho de lado a hipótese que tenha sido ali que aterrou o meteorito que levou á extinção dos dinossauros.

Depois de acertar em todos os buracos desde o local de partida até ao local de chegada, de ter infringido todas as regras de transito que se podem imaginar na luta por um lugar para estacionar o carro, lá chegamos á porta do nosso destino, o Hard Rock Café!

Foi o 1º Hard Rock Café que fui, não por nunca ter estado em outro sitio qualquer que houvesse Hard Rock Cafés, mas porque nunca me tinha dito nada de especial, mas é agora seguro dizer que sou uma pessoa convencida e ciente do porque do seu sucesso pelo mundo fora. É muito giro e recomenda-se!

Toda a decoração é com base em discos de Platina gentilmente cedidos pelos AeroSmith, Bon Jovi ou Elton John. Um colete do "artist formely known as Prince" ou uns calções da Maddona ou um fato aos quadrados do Elton John. Cartazes de concertos, Vinys e um mar de violas e guitarras assinadas por todas um sem numero de bandas que nos trazem á memória uma ou outra melodia, Tom Petty & The Heartbreakers, Extreme, Mettalica, Oasis e tantos e tantos outros que é impossível dize-los a todos, e acreditem que a musica nem parece a mesma quando a ouvimos a invadir todo o espaço em redor e ao nosso lado está uma guitarra autografada por essa mesma banda, essa guitarra que tantas vezes antes tocou a musica que agora ouvimos, é estranho, mas sem duvida muito fixe!

Mas isto, tal como tudo, ou não seria este blog um blog, faz pensar! Algures no meio da noite um amigo meu disse "- Imagina o dinheiro que não está aqui" mas rapidamente chegamos á conclusão que apesar do valor incalculável de algumas das peças que lá estão, estas foram adquiridas a custo zero! Sim porque é indiferente ao Kirk Hammet dos Metallica ter mais ou menos uma guitarra, e não foram os 2 segundos que tirou do seu tempo para assinar essa guitarra que o tornou mais pobre, e o mesmo se passa com tudo o resto, ofertas que nenhuma falta fazem a quem as deu, mas que são o suficiente para quem se senta naquelas mesas ser transportado para um sitio que não aquele e estar mais perto daqueles cujas musicas vai trauteando a caminho de casa.

E isto acontece com tantas e tantas outras coisas em que me apercebo que aquilo que não me faz falta, é exactamente aquilo que outro alguém precisa deixando mais que nunca presente que one man's gargabe... is another man's treasure!

Boa sorte!

É incrível o reduzido numero de inquilinos do meu prédio que eu conheço. Moro no maior prédio do Barreiro, com o pomposo nome de "As Torres do Tejo", doze andares com quatro apartamentos por andar com excepção do ultimo andar que derivado aos terraços só tem dois apartamentos.

Numa simples operação de aritmética, multiplicando os 4 apartamentos pelos 11 andares e somando os últimos dois dá um total de 46 apartamentos, se cada apartamento albergar uma família de 3 pessoas, são perto de 140 os meus vizinhos, e acho que sei, no máximo dos máximos o nome de uns 10!

O Carlos do 1º Andar que de tempos a tempos vem cravar-me para lhe sacar este ou aquele Cd de musica da net, o Osório do 12º que em um bacano, normalmente encontro-o nos bares e discos que frequento é todo da "by night" e dai a empatia. A Cátia e a Cristina, as vizinhas giras que é lógico que sei o nome ;) a Zé, que me pede ajudar sempre que o computador berra, o Fernando, o meu vizinho de cima que consegue fazer Molotofs com 50cm's de altura! O Jaime, que mora debaixo de mim e que tantas e tantas vezes subiu as escadas para me pedir para baixar a musica que já me pediu o n.º de telefone para poupar nas viagens. O subchefe da Policia Sr Pires, que dá sempre jeito conhecer :P e assim de repente não me lembro de mais ninguém.

Existe tambem um Sr indiano que eu não sei o nome mas que é em torno dele que este post gira. Nota-se que já é um senhor de idade, mas pela leveza do seu andar e o ar de bonacheirão com que sempre o vejo sair do elevador nunca na vida lhe daria os 90 anos que á pouco tempo descobri que ele tinha.

Sempre que passa por mim pergunta se está tudo bem e se estou bem disposto, e eu retribuo a preocupação em tom de boa educação ... no fim, e em vez de se despedir com um banal "Então até manhã" ou mesmo um "Bom Dia, Tarde ou Noite, este Sr despede-se sempre antes de seguir caminho com um "Boa Sorte!"

Ao principio estranhava este "Boa Sorte!" e achava que não fazia sentido até ao dia em que lhe dei um "2nd tought". Agora que penso nisso faz todo o sentido, a vida é um traçado tão sinuoso repleto de armadilhas e gerida por forças sobre as quais não temos controle nenhum que não seguem feitio, género ou padrão. Tantos são os factores que nos traçam o caminho sem que tenhamos uma palavra a dizer, e no meio de tudo isto, resta-nos seguir de cabeça erguida, enfrentar seja o que for que nos apareça pela frente ...e sim... uma boa dose de sorte!
Free counter and web stats