Boa sorte!

É incrível o reduzido numero de inquilinos do meu prédio que eu conheço. Moro no maior prédio do Barreiro, com o pomposo nome de "As Torres do Tejo", doze andares com quatro apartamentos por andar com excepção do ultimo andar que derivado aos terraços só tem dois apartamentos.

Numa simples operação de aritmética, multiplicando os 4 apartamentos pelos 11 andares e somando os últimos dois dá um total de 46 apartamentos, se cada apartamento albergar uma família de 3 pessoas, são perto de 140 os meus vizinhos, e acho que sei, no máximo dos máximos o nome de uns 10!

O Carlos do 1º Andar que de tempos a tempos vem cravar-me para lhe sacar este ou aquele Cd de musica da net, o Osório do 12º que em um bacano, normalmente encontro-o nos bares e discos que frequento é todo da "by night" e dai a empatia. A Cátia e a Cristina, as vizinhas giras que é lógico que sei o nome ;) a Zé, que me pede ajudar sempre que o computador berra, o Fernando, o meu vizinho de cima que consegue fazer Molotofs com 50cm's de altura! O Jaime, que mora debaixo de mim e que tantas e tantas vezes subiu as escadas para me pedir para baixar a musica que já me pediu o n.º de telefone para poupar nas viagens. O subchefe da Policia Sr Pires, que dá sempre jeito conhecer :P e assim de repente não me lembro de mais ninguém.

Existe tambem um Sr indiano que eu não sei o nome mas que é em torno dele que este post gira. Nota-se que já é um senhor de idade, mas pela leveza do seu andar e o ar de bonacheirão com que sempre o vejo sair do elevador nunca na vida lhe daria os 90 anos que á pouco tempo descobri que ele tinha.

Sempre que passa por mim pergunta se está tudo bem e se estou bem disposto, e eu retribuo a preocupação em tom de boa educação ... no fim, e em vez de se despedir com um banal "Então até manhã" ou mesmo um "Bom Dia, Tarde ou Noite, este Sr despede-se sempre antes de seguir caminho com um "Boa Sorte!"

Ao principio estranhava este "Boa Sorte!" e achava que não fazia sentido até ao dia em que lhe dei um "2nd tought". Agora que penso nisso faz todo o sentido, a vida é um traçado tão sinuoso repleto de armadilhas e gerida por forças sobre as quais não temos controle nenhum que não seguem feitio, género ou padrão. Tantos são os factores que nos traçam o caminho sem que tenhamos uma palavra a dizer, e no meio de tudo isto, resta-nos seguir de cabeça erguida, enfrentar seja o que for que nos apareça pela frente ...e sim... uma boa dose de sorte!
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