David Vs Golias.

Acho que nunca houve um post em que escreve e apagasse tantas vezes a primeira frase sem saber como começar, tudo isto para dizer que tive um jantar de anos este fim de semana, ao meu lado sentou-se uma das minhas antigas (ou não tão antigas) paixões... a Joana.

A Djo foi um género de amor á primeira vista, consigo-vos dizer com precisão a 1ª vez que a vi, com quem estava e o engenhoso plano que eu e o João engrenhamos para eu a conhecer, lembro-me dos momentos que passamos juntos, as aventuras que ainda hoje recordo, vê-la fugir de casa para ir comigo a Coruche e voltar para casa com ela dormindo exausta no banco do lado ás 5 da madrugada, lembro-me como se fosse ontem a nossa luta na areia na praia de Galapos com ela prendendo-me os braços enquanto dizia "Freezeee... don't move a muscle!" e ria sem parar, as noites em que parava o carro nas traseiras do prédio dela e deixava o rádio cantar "You're just to good to be true... can't take my eyes off of you...", tudo era tão simples como que um sonho.

Mas tal como qualquer sonho também esse chegou ao fim, a Djo seguiu a vida dela e eu a minha, depois dela tive outros amores, outras amigas, sei que ela tambem. De tempos a tempos ela ligava-me e desabafava comigo, com aquele que tinha prometido estar sempre lá para quando ela precisasse, e sempre estive, mas tambem nesse campo vieram outros amigos e com eles outros ombros onde chorar com o passar do tempo tambem eu sofri de uma morte evolutiva na vida dela, vida essa onde a minha existência deixou de fazer sentido.

No fundo confesso que penso um pouco assim em relação a todas as minhas ex-paixões, que me vão guardar num lugar especial e que nunca hão-de olhar para mim como olham para todos os outros, porque por ter sido um dia alguém tão especial na vida delas, sempre o serei e mesmo que não seja amor, haverá sempre um carinho que nos une, penso que nunca me vão esquecer e que lá no fundo haverá sempre uma outra oportunidade para nós, de recomeçar tudo de onde tudo ficou... sei que as coisas não são bem assim.

Vê-la chegar no jantar foi estranho como que um rewind aos últimos anos, e com ela sentada ao meu lado não conseguia evitar de pensar que quando ao jantar acabasse, saiamos de mão dada como que se em todo o tempo que estivemos afastado tivesse passado apenas um instante. Falei pouco com ela, olhei-a ainda menos com medo que o brilho do meu olhar revelasse o sentimento que ainda nutro por ela, e parti sem lhe dizer adeus.

Nem mesmo eu sei o que sinto por ela, se mais uma vez aquilo que me move não é tentar trazer de novo tempos que sei que não voltam mais, um passado que estimo e do qual guardo tão boas recordações. Não sei se ela me olha como eu a olho, se vê em mim tudo aquilo que vejo nela, se sou ainda quem ela ainda é para mim, ou se por muito que me custe aceitar, o mundo pula e avança como é suposto ou esperado e que eu não tenho mais lugar na vida dela tal como ela não devia ter na minha, o natural é mesmo ela ver em mim alguém que foi em tempos especial.

... Sim... porque a vida segue sempre o seu rumo e não espera por ninguém, e mesmo que o fantástico ou o imprevisível aconteça de vez em quando... o mais certo é o meu carro perder corridas para carros melhores que o meu, o mais natural é as minhas ex-namoradas viverem o resto das suas vidas sem nunca voltar a pensar e mim... e sim... mesmo que o inesperado ou improvável aconteça de tempos a tempos, no fim do dia o Golias acaba sempre por dar uma coça ao David, mas só que ninguém se dá ao trabalho de contar essa história.
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