Deixe estár, paga amanhã!

A noite de ontem tinha uma "adrenalin rush" reservada pa mim, a Tania vinha-me buscar no TT que tinha acabado de levar uns ajustes na reprogramação, e iamos até Lisboa ter com os racers e voltavamos para o Barreiro pela Vasco da Gama pa ver quanto é que o TT enrolava na ponte.

Chegámos ao rendezvous point... e OH My F*Cking GOD! Ñ havia espaço pa tanto carro, a bomba da Galp da 2ª Circular tava a rebentar plas costuras com tanto racer lá parado, lá encontrei umas caras conhecidas e ficamos na conversa até os "azuis" chegarem, e fizemos-nos á estrada, o TT até que não se portou muito mal, mas confesso que esperava mais dos 220cv's com que é suposto ele estar, mesmo assim, enrolou 240 mais uns trocos, que souberam a muito pouco quando um Civic Type-R passou por nós a dar calor que fez com que desse a ideia que iamos parados... que vergonha :| ... enfim, vái de continuar a alimentar o carro com aço para ver s'aquilo ganha andamento.

No caminho de volta para o Barreiro, liga-me a minha mãe a dizer que está a contorcer-se em dores, que já tinha chamado um médico cá a casa mas que ainda precisava que eu passásse numa Farmacia e lhe trouxesse o medicamento, e é aqui que nasce o tema do topico d'hoje. Depois duma luta a tentar encontrar a farmácia de serviço, lá dei com ela, refundida numa esquina do Barreiro, comprei o medicamento mas não tinha dinheiro e o raio do cartão teimava em não passar até que o farmaceutico diz...

- Deixe tár... passa cá amanhã e paga os 9.97?, não tem problema.

É agora que eu me ponho a pensar, o homem não me conhece de lado nenhum e deixou que lhe ficasse a dever 2cts sem nenhuma garantia de que alguma vez eu lhos vá pagar.

É complicado, pois o facto de o Multibanco deles ser muito temperamental e não ler o meu cartão e eu não ter comigo suficiente para pagar em dinheiro, significa á primeira impressão que não vou levar o medicamento, e alguem ha-de continuar a sofrer com a falta dele... no entanto deixar-me trazer, confiando que eu volte lá para pagar é ter demasiada fé na bondade das pessoas, e por muito que me custe dizer isso... mesmo que existam ainda pessoas como o farmaceutico que confia no proximo a este ponto, provavelmente poucos são aqueles que merecem tal voto de confiança.

Eu fiz a minha parte... sai sem pagar o medicamento, parei no primeiro multibanco que encontrei no meu caminho, levantei dinheiro e voltei em 5 minutos para saldar a minha divida, provavelmente, graças ao meu sentido cumpridor, quando amanhã aparecer o meu próximo e se depare com a mesma situação que eu, o farmaceutico possivelmente dá.lhe o mesmo voto de confiança que me deu a mim, que me deu a mim suponho eu derivado de alguem honesto antes de mim que tambem voltou pa pagar o que ficou a dever.

Eu fiz a minha parte, e se me deixou sair com o medicamento sem pagar, provavelmente o meu antecessor tambem fez a parte dele... a responsabilidade reside agora nos ombros do proximo e resta-nos esperar que nunca ninguem beneficie deste belo conceito de confiança por um estranho em que somemente se espera que vá voltar porque no fundo, sabe que é a coisa certa a fazer alimentando assim a ideia que tanto me agrada, de que, todos merecem a minha confiança até prova em contrário, de que lá no fundo as pessoas são boas e honestas e que ainda que a grande maioria das vezes pareça o contrário, inda há esperança para esta ideologia que dá pelo nome de... viver em sociedade.
Free counter and web stats