O ponto alto dos meus dias.

Como é sobejamente sabido por todos aqueles que acompanham o meu blog com regularidade, o meu trabalho é a modos que... um bocado chato, okay, ñ vou tão longe a dizer que é chato, digamos que é só monotono e rotineiro!

Se no monotóno não consigo mesmo ver qualidade nenhuma, o mesmo não acontece com a rotina, a rotina leva alguem a conhecer os nosso habitos, faz-nos sentir que pertence-mos a algum lado ou que alguem nos conhece minimamente.

Por exemplo, o percurso do meu trabalho todos os dias consiste em ... AutoEuropa até Vendas Novas, de Vendas Novas a Arraiolos, de Arriolos a Montargil e de Montargil a Coruche, de Coruche voltamos a Vendas Novas onde apanhamos a Autoestrada de volta á AutoEuropa. Temos duas paragens, um em Arraiolos e outra em Coruche.

Em Arraiolos paramos todos os dias á mesma hora no mesmo café, e assim que entramos pela porta, a empregada do balcão prontamente tira do frigorifico o meu IceTea de pessego, o Ice Tea de Limão do Eduardo e o café ao Rui... e sei lá... pode até ser parvoice, mas faz-me sentir bem por alguma razão que ainda ñ consegui perceber.

Em todo este trajecto passamos por montes de terreolas perdidas no Alto Alentejo, algumas não são mais que uma recta de 100 metros com casas de ambos os lados, e nós passamos sempre a uma velocidade cruzeiro e pouco ou nada ligamos ao que se passa em redor, mas...

... mas há uma terrinha onde passo todos os dias á duas semanas, e sempre no mesmo canto da mesma casa caiada de branco de rodapé azul, está sentada uma rapariga que da estrada e de relance me parece ter algum atraso mental pela expressão com que todos os dias vê passar aqueles 3 carros, sempre á mesma hora á porta da sua casa. Todos os dias nos acompanha com os olhos naqueles 50 metros de um percurso de 450km's em que nos cruzamos com ela, olha-nos de uma maneira estranha, como se fossemos a personificação do tanto que á pra lá da curva onde a terreola dela acaba, do tudo aquilo que ela nunca irá conhecer, aqueles que ela não sabe de onde veem, nem sabe para onde vão, somente sabe que entre o de onde vimos e o para onde vamos, passamos á porta da casa dela.

Hoje não foi excepção, uns minutos depois das 6 da tarde como é habito, entramos na terreola "dela" e como sempre, ela lá estava, sentada no mesmo canto da mesma casa caiáda de branco, a olhar-nos com os mesmo olhos de sempre, e o mesmo ar de admiração. Olhei-a como sempre faço, não consigo deixar de pensar no que vái na mente dele sempre que nos cruzamos.

Hoje tudo mudou... ela lá estava, e eu como sempre lá passei, mas hoje o olhar não era de admiração, era de saudade de quem sentiu a minha falta no domingo de folga. Eu passei, e quando olhei para ela, ela sorria e acenava para mim como quem diz "Tive saudades tuas... bem vindo de volta... até amanhã!". Assim que reparei retribui á pressa o "adeus" e 2 segundos depois deixei de a ver.

As 3 semanas de trabalho acabam num fim desta semana, provavelmente nunca mais lá vou passar, e nunca mais vou saber nada dela, se continua á mesma hora no mesmo canto da casa caiada de branco á espera que eu volte a passar na rua dela... duma coisa sei... tambem vou ter saudades dela!
Free counter and web stats