A minha condição clinica.

Sounding very "mementish" sofro de uma condição clinica (piada pseudo.intlectual que pretendia fazer um trocadilho com o filme Memento e o termo "Clinical Condition" no mesmo utilizado, esta é a parte em que o Xástre me diz que a next worst thing a uma Bad Joke, é tentar explicar uma Bad Joke)que fáz com que de tempos a tempos sinta um aperto no peito que me tira as forças, me deixa zonzo, com frio e a tremer.

Normalmente é coisa que dura uns 10segundos e passa-me, se bem que dói-me bastante enquanto dura, depois fico normal outra vez até me voltar a doer de novo, seja isso quando for, passado umas semanas, uns meses, não há padrão que explique o porque destas dores nem o que as origina, estou sempre calmo, sem fazer nada, e desaparecem tão misteriosamente como aparecem.

Ontem no entanto foi diferente, aquilo que normalmente dura 10 segundos, durou uma meia hora e senti-me de facto muito mal, se 10 segundos costumam ser suficientes para eu ficar com todos os sintomas descritos em cima, imaginem meia hora de sofrimento, tive d'ir pó hospital, mas a caminho de lá, a dor eventualmente passou-me e no hospital tambem não viram nada d'errado comigo, vou esta semana fazer exames.

O que tiro de bom desta pessima experiência foi o apoio incondicional de todos aqueles que tavam comigo, estavam todos super.preocupados, a Tânia chorava, o Xastre agarrava-me, o Fábio carregou-me para fora do bar, a Fugdy vez inumeras viagens ao bar para me ir buscar água, o Johnny foi comigo pó hospital, o BB foi prontamente com a Tânia buscar o carro, o Sousa fez Lx - Barreiro em tempo record para um Clio 1.1, já para não falar em todos os telefonemas que recebi hoje todos a quererem saber como é que estava e se me sentia melhor.

Acho que é algo que passa pela cabeça de todos nós, como seria o nosso funeral, quem iria sentir MESMO a minha falta, quem é que ia lá estar, e quem seriam aqueles desfeitos em lágrimas no dia em que eu morre-se. Ontem, e apesar de estar longe de tár a morrer (or so I hope) deu para ter uma optima ideia da bigger picture e como dantes, como sempre, acho que se ontem fosse a minha ultima noite por "cá" não podia partir em melhor companhia.

Para todos aqueles que aparam as minhas quedas e me pegam ao colo em cada momento de fraqueza... aos meus irmãos de outros páis que estão invariávelmente por perto para me carregar ás costas até ao fim do mundo sempre que preciso, a todos aqueles que partilham parte da minha dor, quando é só a mim que ela toca, que ficam com um nó na garganta sempre que o peito me aperta... para todos aqueles que são um prolongamento de mim, e vivem sempre comigo, o mais sentido dos obrigados.

Zé Vs. Risques

Okay, confesso! Sou um esquizófrenico!

Não sei mesmo por onde começar por vos explicar a distinção que criei para definir o outro que há em mim, mas posso desde já dizer-vos para encostárem-se para trás na cadeira do escrítório... este vái ser longo!

O José (Zé) é o meu primeiro nome, mas toda a gente, ou quase toda a gente, me trata por Risques, o meu apelido, as unicas pessoas que me chamam Zé tirando a minha familia, são os meus irmãos de outros páis, aqueles me conhecem tão bem como me conheço a mim mesmo.

Tudo começou no secundário, mudei de escola e era a maskote na turma dos maiores bandidos que passaram por Sto. André, e como tal, apesar de ser muito menos caparroso que aquilo que as pessoas normalmente pensam (já explico) toda a gente me tinha muito respeito, visto saberem que muita gente ia gostar pouco que alguem implica-se comigo.

Tive 3 turmas difernetes no preparatório, mudei de escola 3x, tive "N" turmas de colégio inglês, morava na rua ao lado da Secundária logo, toda "a minha rua" andava lá na escola, e ainda para mais, era o menino querido da turma, posso dizer que sempre tive as costas muito quentes desde o inicio, e toda a gente sabia que era má politica implicarem com... o Risques.

Acho que foi ai que se desenvolveu o meu Alter.Ego, o Risques passou a representar uma parte de mim que se foi desenvolvendo com base em todo este mundo que me passou a rodear, era um tipo bastante popular lá na escola, e tinha a atenção de umas quantas raparigas, o que em contra-partida me fazia ser odiado pelos rapazes que gostavam das mesmas rapargias que, não digo gostavam de mim porque não me conheciam sequer bem o suficiente ou de todo para gostarem, acho que era mais o sindrome pseudo-pop-star que elas viam em mim, a grande maioria nunca chegava mesmo a trocar duas palavras comigo, elas só pensavam que gostavam de mim porque de facto não deviam gostar assim tanto... e assim apareceu o Risques, o tipo popular lá da escola, o tipo f*dido com que ninguem queria ter espigas, ou mesmo aqueles a quem os tipos que se metiam em problemas lhe vinha pedir ajuda, tudo sem que eu nunca fizesse um esforço no sentido de cultivar esse Alter.Ego, apenas o fui moldando ás situações, e confesso, por vezes, tirando partido do status que me dava, em situações de aperto... é muito interessante o que um voz colocada, uma expressão inabalável, e um nome precedido de uma reputação conseguem fazer por ti. ;)

Mas sinceramente... esse não é quem eu sou. Eu no fundo sou mesmo o Zé, um tipo que prefere uma noite em casa cos amigos em frente á televisão a ver um DVD, a uma noitada pá discoteca, eu prefiro resolver as coisas a bem, que sair na pancada com alguêm, eu gosto que as pessoas que me rodeiam estejam comigo porque gostam da minha companhia, e não para niguem ver que "é amigo do Risques", odeio grande parte daquilo que ser o Risques trouxe para o mundinnho calmo e sereno do Zé.

Mas chega um dia em que o Zé e o Risques são uma e só pessoa, e como um Ying e Yang não podem viver separados, o Zé é super ingénuo, acredita na bondade das pessoas, e como tál é muito facil sair magoado ou enganado de uma qualquer situação em que se entregue mais que aquilo que era suposto. O Zé provavelmente não tinha a frieza de dizer as coisas que diz á quem diz e com o ar implacável com que o diz, que faz com que dissuada todos aqueles que desde sempre apareceram... wanting a piece of me... ou era o rapaz que gostava da rapariga que gostava de mim, e então queria-me bater porque ela não andava com ele por minha causa, ou porque adorava ser super-famoso lá na escola e achava que bater no tipo popular era um optimo atalho até ao topo, entre milhares de outras situações cada uma mais parva que as anteriores, em que o Risques teve de se impor e livrar o Zé de apanhar umas surras... no final do dia, o Zé precisa do Risques a guardar-lhe as costas, tal como o Risques precisa do Zé para lhe ensinar que não é preciso viver a vida a olhar por cima do ombro, e andar na rua de olhar serrado e cabeça erguida, dizer-lhe que não faz mal sair de casa de calças de ganga e t-shirt em vez dos Adidas, calças largas, camisa branca e gravata! Para lhe dizer que algures dentro de cada uma das pessoas inda á algo de bom, um Zé dentro de cada Risques que por nós passa, com os mesmo receios que todos nós.

É complicado gerir os dois, mas acho que posso dizer que a linha que separa um do outro nunca foi mais ténue e chega mesmo a haver dias ou situações em que já ñ consigo dizer quêm é que estou a ser naquele momento, gostava de puder ser sempre o Zé, mas o mundo é demasiado cruel para me deixar, gostava de por o Risques de parte, mas por muito que custe admitir, dá jeito de tempos a tempos.

Ainda distintos, espero um dia, e já agora que esse dia não esteja muito distante em que o Zé e o Risques sejam uma só pessoa, na saude e na doença, na riqueza e na probeza em algo que nem a morte separe... just me!

Vou ter saudades do meu blog.

De vez em quando em conversa, vem ao de cima um tema sobre o qual que sei que já divaguei por aqui num outro qualquer dia, e tenho em tão alta estima tudo o que aqui escrevo de tão sentido que é tudo aquilo que aqui é escrito, que por norma vou á procura da minha exortação sobre o tema.

Hoje falava com a Isa sobre o Risques Vs Zé e Zé Vs Risques ... e tentava dizer-lhe que não sou o mesmo d'outrora, independentemente dos titânicos esforços que fiz no sentido de permancer igual, mas que sei e sinto que não sou o mesmo que era antes.

Procurei o post em que falava d'isso, 16 de Janeiro para os mais curiosos e enquanto não o encontrava, fazia scroll por internáveis linhas que relatam a minha vida não só deste ultimo ano... mas desde sempre!

Diz-me tanto que chega mesmo a doer, tudo aquilo que aqui escrevi foi com a alma aberta e muitas das vezes a sangrar, vái-me custar deixar de escrever, mas vou, um dia, dia esse que já esteve mais longe... muito mais longe.

Life has a way of its own!

O Zé no outro dia colocou-me a mais estranha das questões...

- Risques, se um casal amigo teu engravidasse e te pedissem dinheiro emprestado para fazer um aborto, emprestávas?

Via-se claramente, tanto que não foi sequer preciso perguntar-lhe se aquilo ela uma questão hipotética, era obvio que era algo real e concreto, uma situação na qual ele foi posto no meio, destinado a decidir a vida de 2, ou 3 pessoas.

Ela estava supostamente de 4 meses de gravidez e decidiram ir fazer um aborto, mas faltava-lhes parte do dinheiro e pediram ao Zé para emprestar-lhe o que faltava, mas se fosse só isso! Nem o pái de um nem de outro sabia, eles não são "daqui", e estão só "cá" por causa da universidade, vivem ambos sozinho, decidiram ir na 2ª feira passada a Madrid para o aborto, já tinha a consulta marcada de tudo, faltava mesmo só o resto da verba.

Eu disse ao Zé que na situação dele emprestava, acho que não depende dele tomar uma "life changing decision" que tem sempre de ser feita por eles, os pais, e caso ele não emprestá-se, não havia sequer decisão a tomar uma vez que o aborto era financeiramente inviável, e como tál, disse ao Zé que ele ao emprestar o dinheiro estava somente a possibilitar uma escolha, escolha essa que já não ia ou tinha de ser feita por ele, mas que era muito humano, por mais irónico que pareça, possibilitá-la.

Ele tinha um peso enorme ás costas, dizia-me "e se lhe acontece alguma coisa?" "e se ela morre lá?", "e se teem um acidente na viagem e os pais não sabem onde é que eles estão?!"... realmente é muito complicado e não é decisão que se tome de animo leve, mas são tudo questões que não lhe dizem respeito e por mais que custe ele tem de se abstrair e pensar que ele só está a emprestár dinheiro para algo que cabe aos pais decidir, disse-lhe tambem que, life has a way of its own, e que se algo não tiver destinado a não acontecer não acontece, regardless dos esforços que se façam no sentido contrário.

Ontem cheguei ao café, e o Zé veio-me contar as novidades, segunda-feira o casal sempre foi pa Madrid, quando lá chegaram viram que afinal ela não estava de 4, mas 5 meses e meio, e o aborto não podia ser feito em Madrid, só em Barcelona, foram pa Barcelona, em Barcelona era 100cts mais caro e eles não tinham o dinheiro, ligaram para os páis, contaram tudo, voltaram para casa e decidiram ter o filho.

Espero que seja um rapaz ou rapariga que tenha muito para dár a este mundo, está visto que tem uma vontade muito forte de fazer parte dele, e Zé contou-me o desfecho da aventura com um sorriso de felicidade, ou alivio mas pouco inmporta, o final é feliz, e disse-me que de tudo o que eu lhe disse, quando soube do final da estória o que mais depressa lhe veio á mente foi de que efectivamente ... life has a way of its own!

Anti-Fotos

Antes de começar, tenho-vos a dizer que, para variar a arranjar qualquer coisa no carro, magoei-me no polegar e fiz um golpe no dedo que me rasgou a pele paralelamente á unha e que... dói pa caraças! Agora custa-me á brava dár espaços no teclado e se a meio do post de hoje "começaremavertudoassim" é porque isto estava mesmo a doer-me. Só agora é que vejo como foi importante o girár do rádio (osso do lado do polegar) e a opisição do polegar para a evolução da especie... mas adiante!

No outro dia falava com a Cúmplice sobre fotografias, e dizia-lhe em como ainda não me tinah decidido se éra a favor ou contra fotografias. A ideia iluminou-me durante o festival da Zambujeira do Mar, numa daquelas tardes quentes e abafadas debaixo do nosso oleado verde que tapava as tendas que tão carinhosamente viemos a chamar de "o belo do estáminé".

A grande maioria era completamente pró-fotos, diziam que era importante na nossa vida termos albuns de fotos a monte para desfolharmos naquelas domingos frios de dezembro, com uma manta no colo em frente a uma lareira ao som da lenha a estalar quando já formos velhinhos, e realmente é um bocado assim, para encontrar cada foto que meto aqui no blog, fosse ela a do post da minhã mãe, do meu pái, o parapeito da nossa janela, passo horas de volta das fotos a recordar tudo aquilo que já passou... tudo aquilo por que já passei, it's official... sou um saudosista e uma fotografia é isso mesmo, uma recordação impressa... "para mais tarde recordar, purummmmm"

É mais ou menos por aqui que entra a máxima "Aceitar uma recordação tua, seria admitir que podia esquecer-te" e se instaura a minha duvida. Sou da opinião que os momentos que vale efectivamente a pena mais tarde recordar não carecem de qualquer outra fotografia a não ser aquela guardada dentro de cada um de nós!

O mais certo é daqui a meio século me tentar lembrar de qualquer coisa e algumas imprecissões virem ao de cima. Lembrar-me de estar com o Xastre, o Muckey e o BB, e afinal não ser o BB e ser o CoLT, mas tambem esses lapsos são bem-vindos, é ai que sou corrigido pelos meus amigos que espero que ainda estejam comigo daqui a 50 anos e ouvi-los dizer "Não era nada o BB páh! Era o CoLT... atão o BB não tinha ido não sei pá onde bater-se a irmã duma amiga dele e não veio com a gente!" e eu respondo "Ihhhh, pois foi pá! Agora é que eu me tou a lembrar, aquela miudinha engraçadita dos cabelos encaracolados" ... e eles corrigem-me "Não pá... essa era a irmã... a do BB era aquela do cu arrebitado!" e eu digo "Tens razão! tens... era essa mesmo!", e é ai que eu acho que está toda a piada! Com uma foto á mão, nada d'isto acontecia e eu vi-a logo á partida quem é que estava e não estava comigo em dado momento.

Por outro lado... cada fotografia é um momento congelado no tempo que, como disse no photoblog da Cumplice, nos remete para o tempo em que eramos felizes, fotografias daqueles que já não estão connosco, de sitios onde não podemos mais voltar, de coisas que não voltam a ser as mesmas.

Do nada lembro-me do Pedro, o Pedro tem a mania de aparecer em todas as fotos com o polegar estentido como quem diz "fixe!", eu á uns anos atrás tinha a mania de aparecer em todas as minhas fotos com um olhar de um tipo mauzão e com ar de poucos amigos, hoje sorrio, e se voltasse atrás acho que fazia os possiveis para ficar a rir em todas as fotos que tirásse. Ia ser complicado, principalmente aquelas fotos tiradas no colégio ás 8 da manhã com os olhos ainda enramelados e um flash que mais parecia o Sol dentro duma maquina fotográfica, essas fotos acabam invariavelmente por parecer que me puxaram da cama, me prenderam os olhos com fita adesiva e me meteram a olhar pó sol, ia ser complicado rir nessas ai :| Mas pelo menos em todas as outras, para que quem vier depois de mim, os meus netos, os meus bisnétos olharem para as fotos do avô a rir e perguntarem:

- Porque é que o avô está sempre a rir nas fotos mãe?
- Não sei querido... provávelmente porque era uma pessoa muito... feliz!

O Tiago...

Há coisas, imagens, nomes, memórias, que independentemente de quanto tempo passe nunca se esquecem, acompanham-nos para sempre durante cada dia da nossa vida, podemos nem sequer ter consciencia delas a todas as horas, não digo algo em que estejamos sempre a pensar, digo antes algo que daqui a 10, 20 anos inda vou olhar, ou pensar e me vaí remeter para um sitio, um nome, uma cara, uma situação, uma lembrança... uma vida.

É isso tudo que o Tiago é, era, foi... uma vida, uma estória, uma lembrança, alguem que mesmo nunca chegando a conhecer muito bem, bem ou mesmo mal, não o conhecia de todo, suponho que sabia quem ele era de vista sempre que o via passar lá na escola á uns 7/8 anos atrás, e se eventualmente alguem me pergunta-se se sabia quem ele aquele rapaz eu dizia... "Sim, sei que se chama Tiago porque é da turma da minha irmã mais nova" e acho que isso era a unica coisa que sabia do Tiago Coelho.

Um dia como tantos outros, o Tiago e o Gil sairam da escola depois das aulas, tal como a minha irmã e seguiram pa casa, a Ines chegou a casa, o Tiago e o Gil não. Estavam no passeio á espera que o sinal luminoso ficasse verde para os peões para eles atravessarem a estrada, um carro despistou-se e foi embater contra um candeeiro, o candeeiro tombou e caiu em cima deles dos dois, o Tiago morreu.

Lembro-me que foi uma situaçao estranha aqui em casa, suponho que depois da morte do meu avô que era uma pessoa velhota, deve ter sido a 2ª vez na vida que tivemos de enfrentar a situação de perda, mas desta vez apesar de mais afastado, muito mais afastado, era um rapaz de 13 anos, da turma de 5º ano da minha irmã Inês que todos os dias fazia o mesmo caminho que ela, e que dum momento para o outro morreu, tão cedo, e isso fazia-nos muita confusão.

O mundo deve-se ter desmoronado á volta da mãe do Tiago, e ela, para que todos os colegas dele tivessem uma lembrança dele deu a cada um, um dos brinquedos do Tiago, e como tál, a Inês tambem teve um, um palhaço de madeira.

De tempos a tempos, sempre que a minhã mãe resolve dár uma razia ás coisas velhas e deitar tudo fora, tropeçamos no palhaço que era do Tiago. Muitas das vezes deitamos fora os nossos brinquedos d'infância, aqueles que em dada altura tanto nos disseram, e no entanto, não foi sequer posta a hipotese de se deitar fora o palhaço que tinha sido do Tiago, o colega da Inês.

Sempre que tropeçamos no palhaço, pensamos nele, e independentemente de quanto tempo passou desde que ele morreu, ou de á quanto tempo aquele palhaço vive no fundo duma das gavetas, esquecido, um relance é quanto basta para nos trazer de novo á memória o nome do Tiago, a cara, a estória... a vida.

Não... não posso dizer que o conheci, mas vou-me sempre lembrar, e custa-me sempre que penso nele.

Doutrina Espirita

Hoje foi um dia complicado, tivemos um pequeno incidente com armas de fogo aqui por casa, mas que felizmente não resultou em nada de muito grave, no entanto, toda a situação me fez pensar nos "se's" da situação e tudo aquilo que podia ter corrido mal e afins, e toda esta linha de raciocinio remeteu-me para uma conversa que á uns dias atras tinha tido com a Susana sobre a "Doutrina Espirita".

Eu sou da opinião de que alguêm que se suicide no seu ultimo momento de consciencia depois de premir o gatilho duma arma ou apartir do momento que salta para a frente do parapeito duma ponte... apartir do momento em que temos a certeza absoluta de que vamos morrer, acho que os invade uma sensação de arrependimento e o pensamento de que, tudo podia ter sido diferente e que as coisas não tinham necessáriamente de ter aquele fim.

Isto fez-me lembrar um dialogo do Antes do Amanhecer em que eles se questionam sobre o facto de tanta gente que nasce e que morre, e se todos temos uma alma, uma vez que somos agora tantos milhões a mais que aqueles que inicialmente viveram neste planeta, donde é que vinham todas estas almas? Será que as almas são criadas desde o inicio dos tempos para cada uma das pessoas que viveu neste planeta ou seremos nós fragmentos de almas d'outrora? Uma milionéssima parte de uma alma completa de alguem que viveu á uns milhares de anos atrás que se foi fragmentanto dando origem a uma alma infindas vezes mais pequenas que a original... serão as nossas almas, pedaço da alma d'alguem passado?

É aqui que entra a explicação da Susana sobre a Doutrina Espirita. Eu sou agnóstico e acho que a existência de Deus ou de um ser superior está para lá da compreensão humana e como tal resumo-me á minha insignificância e limito a gozar o tempo que me é dado, seja Ele quem for que mo "dá"! A Susana é o oposto, muito incitada por uma prima que acho que leva isto do espiritismo muito a sério, já ela fica com aquele brilho nos olhos quando fala de algo do paranormal.

Pois bem, segundo o que percebi da meticulosa explicação da Susana, as almas são criadas desde sempre, mas nem todas as pessoas teem uma alma nova! As almas ou quem somos muda connosco de corpo para corpo depois da nossa morte e sucessiva re.encarnação, fazendo tudo isto parte dum processo de aperfeiçoamento até sermos um espirito perfeito onde atingimos a felicidade eterna.

Explicando melhor... imaginé-mos que alguem morre, e que durante a vida, essa pessoa não foi de longe a melhor pessoa que podia ter sido, depois de morrer, essa pessoa volta a re.encarnar e começa de novo, todo um processo de aperfeiçoamento a que nós chamamos "Vida", quanto mais vezes essa pessoa morrer e re.encarnar mais perto vái estar de se tornar um espirito perfeito, dai a existência de almas novas, e almas velhas, aquelas que ainda viveram poucas vezes e aquelas que andam cá desde o inicio dos tempos e que pouco já podem aperfeiçoar, assim de repente penso na minha avó, amor da minha vida, suponho que ela seja uma alma já bem velhota pois acho que não podia ser uma pessoa melhor que aquilo que é.

Temos de admitir, não é facil o pecado mora ao lado e a tentação espreita a cada esquina, é complicado tentar tornar-mos-nos um espirito perfeito mas deito-me todos os dias sabendo que nas 24 horas que passaram fiz mais bem que mal, e espero que isso seja o suficiente... no dia do meu julgamento final.

Ciencia em auxilio do coração!

Tinha acabado com a Sónia á pouco tempo, e mesmo que todos os meus namoros sempre tivesse durado mais de meio ano, estava farto de coisas passageiras, queria "acentar" em algo de concreto, algo que durasse mais que meio ano, mais que um ano, algo para durar uma vida. Sabia que encontrar alguêm que preenche-se todos os meus very high standards não ia ser facil, mas resolvi dar uma ajuda ao destino, ao elaborar o plano a que chamei de "Ciencia em Auxilio ao Coração".

O meu plano era muito facil, idealizar a mulher dos meus sonhos, aquela com quêm me via passar o resto dos meus dias, a mãe dos meus filhos "to be", aquela que na saude e na doença, na riqueza e na pobreza estaria do meu lado a todas as horas. Depois era enumerar as qualidades cine qua non que fariam de alguem a mulher dos meus sonhos e, a parte mais complicada... encontra-lá!

O plano era bastante básico, ou assim eu pensava e não havia margem para enganos, como os Fairground Attraction, "its got to beeeeeeee ........ perrrrrrrrrfeeeeeecccccccctttttttt!" e como tál, nada de "second best" afinal de contas tavamos a tratar da miuda dos meus sonhos!

Por exemplo, se a mulher com quem eu me imaginava a passar o resto dos meus dias, tinha obrigatóriamente de se chamar Beatriz, Carolina, Catarina, Isabel ou Margarida... todos as outras raparigas eram postas de parte! Podia até encontrar uma Teresa muito gira, mas visto "Teresa" não ser o nome daquela com quem eu sempre ideializei, não tinha nada com uma hipotética "Teresa", pois era claramente uma relação condenada ao fracasso que iria, mais tarde ou mais cedo, eventualmente acabar visto que não ser uma "Teresa" que me levaria ao altar!

Mas a lista era infinda, se a minha musa tinha de ter cabelos pretos e olhos verdes... sim... always a sucker for green eyes... podia de lá vi a mais espadauda das dinamarquesas que não me dizia nada! Se a minha perdição de mulher havia de ter 1.78m, qualquer outra mais alta ou mais baixa era uma carta fora do baralho.

Mas nem tudo era caracteristicas fisicas, aliás, tirando o morena de 1.78 com 60kg?s, cabelo comprido e escadeado, 36 copa D de peito, pernas compridas, olhos verdes e fundamentalmente uns pés perfeitos, poucas eram, okay, se calhar ñ eram assim tão poucas! Mas a grande maioria eram mesmo caracteristicas do foro intlectual.

Eu tenho um gosto musical muito eclético e bem vasto, e se há coisas que em mim funciona como "Turn On" é uma rapariga me dár a conhecer uma musica ou banda que eu ainda não conheça e a qual venha mais tarde a adorar. Não indo tão longe, bastava que conhecesse e se identificasse tanto como eu com a musica que eu ouvia, Tom Waits, Aretha Franklin, Marvin Gaye, The Platters, os mais contemporaneos Matchbox 20 ou Dave Matthews Band, ou os portugueses The Gift, Mafalda Veiga, Jorge Palma, Antonio Variações e claro está, venerar Carlos Tê e Rui Veloso!

Tinhamos de conseguir ter um dialogo sobre tudo aquilo que nos lembrasse-mos, desde o orçamento de estado, ao sub-desenvolvimento dos paises de 3º mundo, ao ultimo filme do Richard Linklater, alguêm que tivesse uma opinão própria sobre tudo e não fosse facilmente influenciavél, que soubesse admitir quando estava errada e sempre disposta a aprender fosse o que fosse que alguem lhe tivesse para ensinar, guiar exímiamente bem para mostrar aos homens que nem todas as mulheres são "mulheres ao volante". Alguem que me ensiná-se algo de novo todos os dias e me surpreende-se quando eu menos esperava...Ideializei-a perfeita não foi?!

E todo corria bem na busca da minha princesa encantada... até ao dia em que me cruzei com uma rapariga de 1.70m, de cabelos curtos e olhos castanhos que me roubou o coração, e lá se foi o meu Masterplan pelo cano! Olha... merda!

A lição que tirei de tudo isto é que, não há ciencia ou probabilidade naquilo que toca ao amor... "when it comes to love, no matter how hard you try to dodge it, it will always end up hitting you straight in the face"

Curriculum Vitae

Retrocedendo até aos meu 16 anos, altura do meu 1º trabalho, eu que tenho por habito ser conotado como alguem que não quer fazer nada, surpreendo-me com tudo aquilo que já fiz, por todos os trabalhos por que já passei, ainda que por dias, semanas ou top of the tops, meses, senão... vejamos!

Dezaseis anos, namorava com a Marta que morava no Porto, sim, a net tem destas coisas e quando somos jovens e ingenuos deixámos-nos cair na esparrela de que "it's Ok" namorar com alguem que está a 300km's de distância, depois cresci, estou mais maturo e sensato "or so I hope", e agora sei que qualquer relação com uma rapariga que não partilhe o mesmo indicativo telefonico que eu está condenada ao fracasso... e sim, codigos postáis diferentes não é traição! eheheh.

O que é certo é que quase que tinha de vender um rim para ir d'Alfa Pendurlar, já o inter.cidades era carissimo, e a solução encontrada para lá ir o maior numero de vezes possivel passava pelo inter.regional com direito a paragem a todas as estações e apeadeiros, desesperante! Mas nem por isso, sempre amei meter-me no comboio e rumar ao Porto, adorava aquelas 5 horas de viagem que até ir ter com a minha namorada passava a ser secundário, desde o velhote que entrava nas carruagens a vender o Borda D'água aos militares de regresso a casa á sexta feira, a materialização da canção do Rui Veloso "Quem vem e atravessa o rio...", a vista do Porto depois de se sair da estação de Gaia, imagens tatuadas na memória até ao fim dos meus dias.

Para as puder patrocinar, e estar com a minha namorada, fui trabalhar para a Telepizza como distribuidor de mota, tinha 16 anos, entrava depois das aulas ás 7 da tarde até as 11 da noite, acho que é justo dizer que gostava de lá estar, dependendo do modo como encaravas o trabalho, se o levásses muito a sério, provavelmente recebias muito mais gorjetas ou comissões por nº de pizzas entregue, mas não te divertias nada, por outro lado, se a produtividade não tinha lugar cimeiro na tua hierarquia de valores, era um trabalho bem fixe! Chegavamos a esperar uns pelos outros á saida do tunel da Telepizza e irmos todos juntos entregar as pizzas de cada um, numa correria pela cidade de Casal Boss que nos fazia sempre voltar á loja com um sorriso rasgado de puro divertimento, até tinhamos o Rap da Telepizza inventado por mim e pelo AJP.

"Não importa chuva ou vento
desde ca pizza chegue a tempo
picar pedidos sem demoras
pa ca pizza chegue a horas."

... bons tempos!

Depois, e como vão ver por todo o meu percurso, tive um desentendimento com o meu chefe e mandei.o pó... dár uma volta e despedi.me!

Com 18 anos fui trabalhar para uma loja de informática que abriu no Barreiro, era uma loja nova com gandes ambições, e como tal, tinha 4 empregados, 2 deles a full.time e outros dois a part.time, acontece que cedo perceberam que tinham ambições a mais e que era preferivel se estruturarem de modo a os dois empregados a full.time tomarem conta do barco e despedir os dois a part.time, guess who?! ;) Lembro-me de acabar de passar no exame de condução e ir trabalhar, querer sair o mais rapido possivel para puder ir de carro para o Porto ... simm, ainda... sempre... o Porto, e sempre a Marta

Depois eu e a Marta acabamos, deixei de ir para o Porto e como tal, deixei de precisar de dinheiro para as viagens, consequentemente deixem de trabalhar, por uns tempos... de notar que todos estes trabalhos, sempre em part.time, foram conciliados com os estudos, ou algum estudo pelo menos!

Quando fiz 19 anos, a minha mãe achou que eu devia arranjar um trabalho a sério, das 9 ás 5, ou neste caso das 11 ás 8 como tecnico de manutenção de sistemas informáticos da Mundial Confiança, e foi ai que tive pela 1ª vez noção da triste realidade do mercado de trabalho. Eu tava no HelpDesk da Mundial Confiança, o HelpDesk era constituido por 4 pessoas, eu e o Nuno, o Rafa (o brazuca), e o Lindeza. Todos trabalhavamos por outsourcing, tirando o Lindeza que era dos quadros da companhia á 20 anos. O Rafa era todo o Helpdesk era ele que fazia tudo, eu e o Nuno, os ultimos a entrar, faziamos o que podiamos para apanhar o ritmo e aprender tudo o mais depressa possivel, o Lindeza, o mais velho e mais antigo não fazia porra nenhuma, era o lambe-botas do chefão, um inutil de merda que para agravar a sua situação de parasita ainda tinha por hábito criticar o trabalho daqueles que efectivamente faziam alguma coisa. Tive lá 6 meses, e resolvi vir-me embora antes que o queixo do Lindeza tivesse um encontro imediato de 1º grau com o meu punho.

De resto tive um monte de trabalhos de 2 ou 3 dias. Uma tarde de mudanças com o people do Vale da Amoreira que me pediram para os ir ajudar e ganhar 10cts, foi um dia fixe passado a carregar pianos para um 5º andar, "We are professionals, dont try this at home". Carregar parquect para um predio em construção com o Kalu, o João e o Suren. As traduções, já é do tempo deste Blog, ou como piloto de testes na AutoEuropa agora durante o verão, até a brevissima passagem pelo telemarketing já por mim relatada num post passado.

Agora foi a vez dos óleos, azeites, como lhe quizerem chamar, o que é certo é que estou farto! Começou por ser 4 dias, depois mais 2, agora mais a proxima semana, e agora até dia 15! Não consigo! De por uma promoção qualquer em garrafas de oleo Fula, já me meteram a fazer paletes, a agrafar cartões para fazer caixas, a carregar 2500 garrafões de 3L e já vi mais longe o dia em que me dão uma vara pá mão, e me mandam bater nas oliveiras para apanhar azeitonas.

Hoje tive o dia todo a agrafar caixas, que coisa horrorosa, cada agrafo que pregava o meu cerebro gemia de dor e pensava para com ele mesmo, "eu sou tão melhor que isto o que é que eu estou aqui a fazer" e até vos consigo dizer, estou lá a tirar o lugar a alguem que provavelmente fazia qualquer coisa para ter o trabalho que eu desprezo, que precisa do dinheiro para alimentar uma familia de 4, ao contrario de mim que anda a juntar para jantes "17 para o carro, alguem que não sabe mais que aquilo e que não se importa de passar uma vida a agrafar caixas e carregar garrafas d'oleo, mas não eu, eu sou tão melhor que aquilo. Para terem uma ideia, para que aquele trabalho merdoso me estimula-se de alguma maneira eu já re.organizava as paletes de modo a ficare mais consistentes, optimzava os movimentos do agrafador de modo a fazer as caixas mais depressa, com o minimo de movimentos e agrafos possiveis, tudo que me fizesse pensar em algo que não aquele movimento mecanizado de fazer caixas de cartão durante 8h.

Não consigo... tal como a minha consciencia não me permitia enganar a senhora velhota para quem telefonei no dia em que me despedi do telemarketing, o meu cerebro não me deixa continuar a trabalhar naquele sitio horrivel, amanha vou voltar, só para dizer... no more!

Hora nova.

Mudou a hora na madrugada de hoje, quando o relógio marcava 2 da manhã passou a ser 1h da matina, nada de extraordinário aqui.

Curioso é o facto de aquele relógio aqui de casa que ninguem sabe acertar, e que esteve com uma hora a menos o ano todo, era hoje de manhã, o unico relógio certo cá em casa, faz-me pensar como de um dia para o outro tudo muda e aquilo que estava certo, não o está mais, e aquilo que tá sempre teve errado é agora as regras ou neste caso horas pelas quais nos regemos, faz-me pensar como... tudo na vida, é uma questão de tempo!

"Até um relógio parado, está certo 2x por dia."
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