Anti-Fotos

Antes de começar, tenho-vos a dizer que, para variar a arranjar qualquer coisa no carro, magoei-me no polegar e fiz um golpe no dedo que me rasgou a pele paralelamente á unha e que... dói pa caraças! Agora custa-me á brava dár espaços no teclado e se a meio do post de hoje "começaremavertudoassim" é porque isto estava mesmo a doer-me. Só agora é que vejo como foi importante o girár do rádio (osso do lado do polegar) e a opisição do polegar para a evolução da especie... mas adiante!

No outro dia falava com a Cúmplice sobre fotografias, e dizia-lhe em como ainda não me tinah decidido se éra a favor ou contra fotografias. A ideia iluminou-me durante o festival da Zambujeira do Mar, numa daquelas tardes quentes e abafadas debaixo do nosso oleado verde que tapava as tendas que tão carinhosamente viemos a chamar de "o belo do estáminé".

A grande maioria era completamente pró-fotos, diziam que era importante na nossa vida termos albuns de fotos a monte para desfolharmos naquelas domingos frios de dezembro, com uma manta no colo em frente a uma lareira ao som da lenha a estalar quando já formos velhinhos, e realmente é um bocado assim, para encontrar cada foto que meto aqui no blog, fosse ela a do post da minhã mãe, do meu pái, o parapeito da nossa janela, passo horas de volta das fotos a recordar tudo aquilo que já passou... tudo aquilo por que já passei, it's official... sou um saudosista e uma fotografia é isso mesmo, uma recordação impressa... "para mais tarde recordar, purummmmm"

É mais ou menos por aqui que entra a máxima "Aceitar uma recordação tua, seria admitir que podia esquecer-te" e se instaura a minha duvida. Sou da opinião que os momentos que vale efectivamente a pena mais tarde recordar não carecem de qualquer outra fotografia a não ser aquela guardada dentro de cada um de nós!

O mais certo é daqui a meio século me tentar lembrar de qualquer coisa e algumas imprecissões virem ao de cima. Lembrar-me de estar com o Xastre, o Muckey e o BB, e afinal não ser o BB e ser o CoLT, mas tambem esses lapsos são bem-vindos, é ai que sou corrigido pelos meus amigos que espero que ainda estejam comigo daqui a 50 anos e ouvi-los dizer "Não era nada o BB páh! Era o CoLT... atão o BB não tinha ido não sei pá onde bater-se a irmã duma amiga dele e não veio com a gente!" e eu respondo "Ihhhh, pois foi pá! Agora é que eu me tou a lembrar, aquela miudinha engraçadita dos cabelos encaracolados" ... e eles corrigem-me "Não pá... essa era a irmã... a do BB era aquela do cu arrebitado!" e eu digo "Tens razão! tens... era essa mesmo!", e é ai que eu acho que está toda a piada! Com uma foto á mão, nada d'isto acontecia e eu vi-a logo á partida quem é que estava e não estava comigo em dado momento.

Por outro lado... cada fotografia é um momento congelado no tempo que, como disse no photoblog da Cumplice, nos remete para o tempo em que eramos felizes, fotografias daqueles que já não estão connosco, de sitios onde não podemos mais voltar, de coisas que não voltam a ser as mesmas.

Do nada lembro-me do Pedro, o Pedro tem a mania de aparecer em todas as fotos com o polegar estentido como quem diz "fixe!", eu á uns anos atrás tinha a mania de aparecer em todas as minhas fotos com um olhar de um tipo mauzão e com ar de poucos amigos, hoje sorrio, e se voltasse atrás acho que fazia os possiveis para ficar a rir em todas as fotos que tirásse. Ia ser complicado, principalmente aquelas fotos tiradas no colégio ás 8 da manhã com os olhos ainda enramelados e um flash que mais parecia o Sol dentro duma maquina fotográfica, essas fotos acabam invariavelmente por parecer que me puxaram da cama, me prenderam os olhos com fita adesiva e me meteram a olhar pó sol, ia ser complicado rir nessas ai :| Mas pelo menos em todas as outras, para que quem vier depois de mim, os meus netos, os meus bisnétos olharem para as fotos do avô a rir e perguntarem:

- Porque é que o avô está sempre a rir nas fotos mãe?
- Não sei querido... provávelmente porque era uma pessoa muito... feliz!
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