Curriculum Vitae

Retrocedendo até aos meu 16 anos, altura do meu 1º trabalho, eu que tenho por habito ser conotado como alguem que não quer fazer nada, surpreendo-me com tudo aquilo que já fiz, por todos os trabalhos por que já passei, ainda que por dias, semanas ou top of the tops, meses, senão... vejamos!

Dezaseis anos, namorava com a Marta que morava no Porto, sim, a net tem destas coisas e quando somos jovens e ingenuos deixámos-nos cair na esparrela de que "it's Ok" namorar com alguem que está a 300km's de distância, depois cresci, estou mais maturo e sensato "or so I hope", e agora sei que qualquer relação com uma rapariga que não partilhe o mesmo indicativo telefonico que eu está condenada ao fracasso... e sim, codigos postáis diferentes não é traição! eheheh.

O que é certo é que quase que tinha de vender um rim para ir d'Alfa Pendurlar, já o inter.cidades era carissimo, e a solução encontrada para lá ir o maior numero de vezes possivel passava pelo inter.regional com direito a paragem a todas as estações e apeadeiros, desesperante! Mas nem por isso, sempre amei meter-me no comboio e rumar ao Porto, adorava aquelas 5 horas de viagem que até ir ter com a minha namorada passava a ser secundário, desde o velhote que entrava nas carruagens a vender o Borda D'água aos militares de regresso a casa á sexta feira, a materialização da canção do Rui Veloso "Quem vem e atravessa o rio...", a vista do Porto depois de se sair da estação de Gaia, imagens tatuadas na memória até ao fim dos meus dias.

Para as puder patrocinar, e estar com a minha namorada, fui trabalhar para a Telepizza como distribuidor de mota, tinha 16 anos, entrava depois das aulas ás 7 da tarde até as 11 da noite, acho que é justo dizer que gostava de lá estar, dependendo do modo como encaravas o trabalho, se o levásses muito a sério, provavelmente recebias muito mais gorjetas ou comissões por nº de pizzas entregue, mas não te divertias nada, por outro lado, se a produtividade não tinha lugar cimeiro na tua hierarquia de valores, era um trabalho bem fixe! Chegavamos a esperar uns pelos outros á saida do tunel da Telepizza e irmos todos juntos entregar as pizzas de cada um, numa correria pela cidade de Casal Boss que nos fazia sempre voltar á loja com um sorriso rasgado de puro divertimento, até tinhamos o Rap da Telepizza inventado por mim e pelo AJP.

"Não importa chuva ou vento
desde ca pizza chegue a tempo
picar pedidos sem demoras
pa ca pizza chegue a horas."

... bons tempos!

Depois, e como vão ver por todo o meu percurso, tive um desentendimento com o meu chefe e mandei.o pó... dár uma volta e despedi.me!

Com 18 anos fui trabalhar para uma loja de informática que abriu no Barreiro, era uma loja nova com gandes ambições, e como tal, tinha 4 empregados, 2 deles a full.time e outros dois a part.time, acontece que cedo perceberam que tinham ambições a mais e que era preferivel se estruturarem de modo a os dois empregados a full.time tomarem conta do barco e despedir os dois a part.time, guess who?! ;) Lembro-me de acabar de passar no exame de condução e ir trabalhar, querer sair o mais rapido possivel para puder ir de carro para o Porto ... simm, ainda... sempre... o Porto, e sempre a Marta

Depois eu e a Marta acabamos, deixei de ir para o Porto e como tal, deixei de precisar de dinheiro para as viagens, consequentemente deixem de trabalhar, por uns tempos... de notar que todos estes trabalhos, sempre em part.time, foram conciliados com os estudos, ou algum estudo pelo menos!

Quando fiz 19 anos, a minha mãe achou que eu devia arranjar um trabalho a sério, das 9 ás 5, ou neste caso das 11 ás 8 como tecnico de manutenção de sistemas informáticos da Mundial Confiança, e foi ai que tive pela 1ª vez noção da triste realidade do mercado de trabalho. Eu tava no HelpDesk da Mundial Confiança, o HelpDesk era constituido por 4 pessoas, eu e o Nuno, o Rafa (o brazuca), e o Lindeza. Todos trabalhavamos por outsourcing, tirando o Lindeza que era dos quadros da companhia á 20 anos. O Rafa era todo o Helpdesk era ele que fazia tudo, eu e o Nuno, os ultimos a entrar, faziamos o que podiamos para apanhar o ritmo e aprender tudo o mais depressa possivel, o Lindeza, o mais velho e mais antigo não fazia porra nenhuma, era o lambe-botas do chefão, um inutil de merda que para agravar a sua situação de parasita ainda tinha por hábito criticar o trabalho daqueles que efectivamente faziam alguma coisa. Tive lá 6 meses, e resolvi vir-me embora antes que o queixo do Lindeza tivesse um encontro imediato de 1º grau com o meu punho.

De resto tive um monte de trabalhos de 2 ou 3 dias. Uma tarde de mudanças com o people do Vale da Amoreira que me pediram para os ir ajudar e ganhar 10cts, foi um dia fixe passado a carregar pianos para um 5º andar, "We are professionals, dont try this at home". Carregar parquect para um predio em construção com o Kalu, o João e o Suren. As traduções, já é do tempo deste Blog, ou como piloto de testes na AutoEuropa agora durante o verão, até a brevissima passagem pelo telemarketing já por mim relatada num post passado.

Agora foi a vez dos óleos, azeites, como lhe quizerem chamar, o que é certo é que estou farto! Começou por ser 4 dias, depois mais 2, agora mais a proxima semana, e agora até dia 15! Não consigo! De por uma promoção qualquer em garrafas de oleo Fula, já me meteram a fazer paletes, a agrafar cartões para fazer caixas, a carregar 2500 garrafões de 3L e já vi mais longe o dia em que me dão uma vara pá mão, e me mandam bater nas oliveiras para apanhar azeitonas.

Hoje tive o dia todo a agrafar caixas, que coisa horrorosa, cada agrafo que pregava o meu cerebro gemia de dor e pensava para com ele mesmo, "eu sou tão melhor que isto o que é que eu estou aqui a fazer" e até vos consigo dizer, estou lá a tirar o lugar a alguem que provavelmente fazia qualquer coisa para ter o trabalho que eu desprezo, que precisa do dinheiro para alimentar uma familia de 4, ao contrario de mim que anda a juntar para jantes "17 para o carro, alguem que não sabe mais que aquilo e que não se importa de passar uma vida a agrafar caixas e carregar garrafas d'oleo, mas não eu, eu sou tão melhor que aquilo. Para terem uma ideia, para que aquele trabalho merdoso me estimula-se de alguma maneira eu já re.organizava as paletes de modo a ficare mais consistentes, optimzava os movimentos do agrafador de modo a fazer as caixas mais depressa, com o minimo de movimentos e agrafos possiveis, tudo que me fizesse pensar em algo que não aquele movimento mecanizado de fazer caixas de cartão durante 8h.

Não consigo... tal como a minha consciencia não me permitia enganar a senhora velhota para quem telefonei no dia em que me despedi do telemarketing, o meu cerebro não me deixa continuar a trabalhar naquele sitio horrivel, amanha vou voltar, só para dizer... no more!
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