Life has a way of its own!

O Zé no outro dia colocou-me a mais estranha das questões...

- Risques, se um casal amigo teu engravidasse e te pedissem dinheiro emprestado para fazer um aborto, emprestávas?

Via-se claramente, tanto que não foi sequer preciso perguntar-lhe se aquilo ela uma questão hipotética, era obvio que era algo real e concreto, uma situação na qual ele foi posto no meio, destinado a decidir a vida de 2, ou 3 pessoas.

Ela estava supostamente de 4 meses de gravidez e decidiram ir fazer um aborto, mas faltava-lhes parte do dinheiro e pediram ao Zé para emprestar-lhe o que faltava, mas se fosse só isso! Nem o pái de um nem de outro sabia, eles não são "daqui", e estão só "cá" por causa da universidade, vivem ambos sozinho, decidiram ir na 2ª feira passada a Madrid para o aborto, já tinha a consulta marcada de tudo, faltava mesmo só o resto da verba.

Eu disse ao Zé que na situação dele emprestava, acho que não depende dele tomar uma "life changing decision" que tem sempre de ser feita por eles, os pais, e caso ele não emprestá-se, não havia sequer decisão a tomar uma vez que o aborto era financeiramente inviável, e como tál, disse ao Zé que ele ao emprestar o dinheiro estava somente a possibilitar uma escolha, escolha essa que já não ia ou tinha de ser feita por ele, mas que era muito humano, por mais irónico que pareça, possibilitá-la.

Ele tinha um peso enorme ás costas, dizia-me "e se lhe acontece alguma coisa?" "e se ela morre lá?", "e se teem um acidente na viagem e os pais não sabem onde é que eles estão?!"... realmente é muito complicado e não é decisão que se tome de animo leve, mas são tudo questões que não lhe dizem respeito e por mais que custe ele tem de se abstrair e pensar que ele só está a emprestár dinheiro para algo que cabe aos pais decidir, disse-lhe tambem que, life has a way of its own, e que se algo não tiver destinado a não acontecer não acontece, regardless dos esforços que se façam no sentido contrário.

Ontem cheguei ao café, e o Zé veio-me contar as novidades, segunda-feira o casal sempre foi pa Madrid, quando lá chegaram viram que afinal ela não estava de 4, mas 5 meses e meio, e o aborto não podia ser feito em Madrid, só em Barcelona, foram pa Barcelona, em Barcelona era 100cts mais caro e eles não tinham o dinheiro, ligaram para os páis, contaram tudo, voltaram para casa e decidiram ter o filho.

Espero que seja um rapaz ou rapariga que tenha muito para dár a este mundo, está visto que tem uma vontade muito forte de fazer parte dele, e Zé contou-me o desfecho da aventura com um sorriso de felicidade, ou alivio mas pouco inmporta, o final é feliz, e disse-me que de tudo o que eu lhe disse, quando soube do final da estória o que mais depressa lhe veio á mente foi de que efectivamente ... life has a way of its own!
Free counter and web stats