Zé Vs. Risques

Okay, confesso! Sou um esquizófrenico!

Não sei mesmo por onde começar por vos explicar a distinção que criei para definir o outro que há em mim, mas posso desde já dizer-vos para encostárem-se para trás na cadeira do escrítório... este vái ser longo!

O José (Zé) é o meu primeiro nome, mas toda a gente, ou quase toda a gente, me trata por Risques, o meu apelido, as unicas pessoas que me chamam Zé tirando a minha familia, são os meus irmãos de outros páis, aqueles me conhecem tão bem como me conheço a mim mesmo.

Tudo começou no secundário, mudei de escola e era a maskote na turma dos maiores bandidos que passaram por Sto. André, e como tal, apesar de ser muito menos caparroso que aquilo que as pessoas normalmente pensam (já explico) toda a gente me tinha muito respeito, visto saberem que muita gente ia gostar pouco que alguem implica-se comigo.

Tive 3 turmas difernetes no preparatório, mudei de escola 3x, tive "N" turmas de colégio inglês, morava na rua ao lado da Secundária logo, toda "a minha rua" andava lá na escola, e ainda para mais, era o menino querido da turma, posso dizer que sempre tive as costas muito quentes desde o inicio, e toda a gente sabia que era má politica implicarem com... o Risques.

Acho que foi ai que se desenvolveu o meu Alter.Ego, o Risques passou a representar uma parte de mim que se foi desenvolvendo com base em todo este mundo que me passou a rodear, era um tipo bastante popular lá na escola, e tinha a atenção de umas quantas raparigas, o que em contra-partida me fazia ser odiado pelos rapazes que gostavam das mesmas rapargias que, não digo gostavam de mim porque não me conheciam sequer bem o suficiente ou de todo para gostarem, acho que era mais o sindrome pseudo-pop-star que elas viam em mim, a grande maioria nunca chegava mesmo a trocar duas palavras comigo, elas só pensavam que gostavam de mim porque de facto não deviam gostar assim tanto... e assim apareceu o Risques, o tipo popular lá da escola, o tipo f*dido com que ninguem queria ter espigas, ou mesmo aqueles a quem os tipos que se metiam em problemas lhe vinha pedir ajuda, tudo sem que eu nunca fizesse um esforço no sentido de cultivar esse Alter.Ego, apenas o fui moldando ás situações, e confesso, por vezes, tirando partido do status que me dava, em situações de aperto... é muito interessante o que um voz colocada, uma expressão inabalável, e um nome precedido de uma reputação conseguem fazer por ti. ;)

Mas sinceramente... esse não é quem eu sou. Eu no fundo sou mesmo o Zé, um tipo que prefere uma noite em casa cos amigos em frente á televisão a ver um DVD, a uma noitada pá discoteca, eu prefiro resolver as coisas a bem, que sair na pancada com alguêm, eu gosto que as pessoas que me rodeiam estejam comigo porque gostam da minha companhia, e não para niguem ver que "é amigo do Risques", odeio grande parte daquilo que ser o Risques trouxe para o mundinnho calmo e sereno do Zé.

Mas chega um dia em que o Zé e o Risques são uma e só pessoa, e como um Ying e Yang não podem viver separados, o Zé é super ingénuo, acredita na bondade das pessoas, e como tál é muito facil sair magoado ou enganado de uma qualquer situação em que se entregue mais que aquilo que era suposto. O Zé provavelmente não tinha a frieza de dizer as coisas que diz á quem diz e com o ar implacável com que o diz, que faz com que dissuada todos aqueles que desde sempre apareceram... wanting a piece of me... ou era o rapaz que gostava da rapariga que gostava de mim, e então queria-me bater porque ela não andava com ele por minha causa, ou porque adorava ser super-famoso lá na escola e achava que bater no tipo popular era um optimo atalho até ao topo, entre milhares de outras situações cada uma mais parva que as anteriores, em que o Risques teve de se impor e livrar o Zé de apanhar umas surras... no final do dia, o Zé precisa do Risques a guardar-lhe as costas, tal como o Risques precisa do Zé para lhe ensinar que não é preciso viver a vida a olhar por cima do ombro, e andar na rua de olhar serrado e cabeça erguida, dizer-lhe que não faz mal sair de casa de calças de ganga e t-shirt em vez dos Adidas, calças largas, camisa branca e gravata! Para lhe dizer que algures dentro de cada uma das pessoas inda á algo de bom, um Zé dentro de cada Risques que por nós passa, com os mesmo receios que todos nós.

É complicado gerir os dois, mas acho que posso dizer que a linha que separa um do outro nunca foi mais ténue e chega mesmo a haver dias ou situações em que já ñ consigo dizer quêm é que estou a ser naquele momento, gostava de puder ser sempre o Zé, mas o mundo é demasiado cruel para me deixar, gostava de por o Risques de parte, mas por muito que custe admitir, dá jeito de tempos a tempos.

Ainda distintos, espero um dia, e já agora que esse dia não esteja muito distante em que o Zé e o Risques sejam uma só pessoa, na saude e na doença, na riqueza e na probeza em algo que nem a morte separe... just me!
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