One Last Lesson

Apetece.me chorar, e eu nunca choro, e chorar não ia mudar nada... e então escrevo.

A Carolina, o grande amor da minha vida, não há volta a dar-lhe. É tudo aquilo que eu sempre quis mais aquilo que não sabia que queria. Tenho a fase “Carolina” sempre que uma relação acaba, fico os primeiros meses feliz por sair duma relação que não estava obviamente a funcionar mas sempre que começo penso na próxima, em como quero que seja, que dure para sempre, é sempre ela que eu vejo, e sempre com ela que me vejo. Tanto quanto quero saber o Sol nasce e põe-se com ela e posso até não saber o que vou fazer amanhã, onde vou estar daqui a 1 ano ou o que vou fazer com o resto da minha vida, mas sei quem quero que lá esteja, saúde e doença, riqueza e probreza de hoje em diante e até ao fim dos meus dias, e é ela. Tenho tanta certeza que estamos destinados um ao outro como a Terra girar em torno do Sol e fico fudido da vida que ela não dê conta disso. Devia pensar "Acabou, esquece-a", ela seguiu com a vida dela e eu tenho de seguir com a minha, mas para onde foi o tanto de mim que havia dentro dela quando o tanto dela dentro de mim ainda cá esta? Se nada se cria, nada se perde, em que é que isto se tranformou?

... e a Ana Linda. Estive com ela mesmo agora, há uma hora atrás, isto é, no mesmo bar. Ela mora longe e não nos víamos à uns 2 anos. Cruzamo-nos à porta e não deu por isso, passou por mim lá dentro e não reparou, agarrei-lhe o braço, ela olhou-me e seguiu em frente, deu dois passos e parou, voltou atrás para me dar dois beijos e disse “Desculpa, não parecias tu, estás diferente, acho que é o cabelo?” e foi-se embora. Fodasse, já fui teu, já foste minha e dois anos mais tarde tudo o que tens para me dizer é que o meu cabelo está diferente!? Para onde é que foi Ben Harper á chuva, um saco cama para dois ou o “Adoro-te” esborratado num guardanapo que ainda guardo à cabeceira? Em que é que se transformou? O que é que nos aconteceu fofíssima?

Aprendi algo recentemente que acho de extrema importância dizer-vos, algo que não damos conta aos 16 ou aos 18, altura em que pensamos que ao longo da longa vida que temos pela frente hão-de certamente aparecer miúdas mais giras, mais boas, mais interessantes e cagamos nas nossas "sintonias" por achar que é demasiado cedo para sermos felizes para sempre", que há mais peixe no mar e tu ainda não acabaste de pescar para passar o resto da vida com alguem que conheceste com 18 anos. Achamos mais importante "aproveitar a vida" seja o que for que "aproveita a vida" signifique para vocês, que logo encontramos outro “amor da nossa vida” quando ele chegar numa altura mais oportuna, ou em circunsctâncias mais convinientes. Porque Braga é demasiado longe e tu sem paciência para uma relação à distância e resolves deixas partir a miúda que amas sem lho dizer, para te poupares ás noites de choro e saudades, aos telefonemas de horas que vão saber sempre a pouco durante a semana e viagens de comboio interminaveis todos os os fins de semana que acabam demasiado depressa, e convences-te que foi pelo melhor. Ninguém disse que ser feliz era fácil, não é, eles só prometarem que "ia valer a pena" e vale! A recompensa merece todo e qualquer sacrifício e a vista de lá de cima é siderante, mesmo que doa cada metro da escalada, e dói!

Acho que aquilo que vos quero dizer é que uma vez na vida não acontece todos os dias e muito raramente a vida nos da segundas oportunidade com quem deixamos escapar, que “sintonias” são algo de raro e precioso, acontecem com sorte um punhado de vezes numa vida, e abençoados aqueles que as vivem, são tudo quanto importa, são tudo aquilo pelo qual vale a pena lutar e lutar por preservar. Eu deixei fugir as minhas e ainda não há dia que passe em que não pense nelas, no dia em que o amor me veio bater à porta, e eu estava demasiado ocupada para abrir. E todos estes anos depois ainda não consegui fazer as minhas pazes com isso, de as conseguir arrumar de vez em mim e ser capaz de lhes dizer “É este o vosso espaço, o vosso canto no meu coração, é aqui que vão ficar quietinhas de maneira a eu conseguir seguir com a minha vida sem a deixarem do avesso se calhar a cruzarmo-nos na rua.”. E pior que já não ser delas, e pior que já não serem minhas, é já não sermos nada, depois do que já fomos outrora. É vê-las passado dois anos e trocármos uma frase sobre o meu cabelo quando nos devíamos abraçar com saudade e pensar em segredo ”não deu certo, mas és tu, sempre foste, ainda és”. É ligar-lhes para lhes dar os parabéns e falarmos como se fossemos as duas ultimas pessoas no planeta, dizer que depois combinamos um café que nunca chega, porque se chegasse trazia de volta aquilo que não tem lugar hoje em dia, e dessarumava tudo outra vez. O tanto de mim dentro dela que não se transformou em nada nem foi a lado nenhum, só deixou de ter lugar para existir e para manter as aparências, tentamos mostrar-nos inabalaveis junto de quem abana até ao nucleo, pouco mais que estranhso ao lado daquelas que me conhece melhor que ninguém e fingimos ficar indiferentes, junto daquelas que foram... que ainda são tudo para mim.

Para a Carolina (a minha Isabel) e para a Ana Linda (a minha fofíssima) aquelas que fizeram com que fosse impossível a amar outra qualquer... (e chorei).
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