Rituais das nossas saidas

Saiu do duche cansado de não fazer nada, lavado do cabelo acabado de cortar, e da areia que trouxe da praia, achei que um bronze ia bem com aquilo que desde ontem á tarde tenho pensado para usar mais logo quando formos sair.

Acordo cedo para por de novo em marcha todos os preparativos de uma saida mais logo, aquilo que vim a chamar de, os rituais das nossas saidas.

Não me custa acordar cedo quando sei que é para ir ter contigo, custa no entanto não dormir a pensar em ti, em nós... desculpa, "em mim e em ti", mas mesmo assim levanto-me com um sorriso nos lábios, inspiro fundo até o ar me dar a volta nos pulmões, e olho para o relógio, vejo quanto tempo falta até ir ter contigo, passo estes dias em contagem decrescente, como um puto de 12 anos na vespera de natal, ancioso por abrir as prendas, de olhos pesados e a boca seca, levanto-me da cama sobre a qual pairei durante a noite e deslizo contra paredes cambaleando até á cozinha de olhos ainda fechados, abro a geleira e levo á boca um pacote de "Um Bongo" que juntamente con Trinaranjus é possivel que seja o melhor sumo do mundo, paro no escritório a caminho da casa-de-banho e meto as nossas... desculpa, "minhas e tuas" musicas a tocar e penso em tudo aquilo que passamos ao som das mesmas, e tomo um duche, frio, para me lavar do sono e apagar os fogos que ateias em mim.

Tenho a barba por fazer á uma mão cheia de dias, estava á espera de hoje para me livrar dela, invariavélmente mini, planeio cada passagem da gilette como se corresse o risco de morrer esvaido em sangue se me cortar, é assim tão importante, cada ves que saimos juntos é o dia mais importante até á data, e eu quero ir "at my best self". Almoço a correr porque o tempo escasseia para fazer tudo aquilo que marquei para hoje, é a unica maneira de me entreter e não morrer um bocadinho a cada badalada do relógio até á hora de ir ter ctg, lavo o carro até brilhar tanto como os meus olhos sempre que chego ao pé de ti (...ou quase tanto), tratar do laço perfeito para embrulhar a prenda que desde á dois dias tenho para te dár, volto para casa já atrasado para me despachar.

Saiu do duche e pego na roupa préviamente escolhida, organizo cada cabelo de modo a ficar com um look despenteado, um despenteado estrategido e me denuncia e te é obvio que passei uma hora em frente ao espelho, oculto um palito na gola da camisa para ter a certeza que fica direita a noite toda, esfrego os tenis com CIF, e podem achar que isto ñ é romantico... mas é! É enquanto o faço e borbolho e palpito com a emoção da hora que se aproxima, e dou por mim a fazer as coisas que nunca antes fiz por ninguem que me apercebo do quanto significas para mim, enquanto esfrego os tenis com CIF, podem não achar romantico... mas é!

Vou-te buscar, mas ainda é cedo, paro na esquina da tua rua a fazer tempo, saiu do carro e abano os braços, tento sacudir o nervossismo que me dá a volta ao estomago, espero que sejam horas, e volto aquele caminho que é cada vez mais parte de mim, se casa ñ é onde vives mas sim o sitio onde és mais feliz, a minha casa é a tua porta. Espero que desças enquanto me olho as ultimas 20 vezes ao retro.visor e penso para mim se estou bem, desligo a musica porque quero ouvir a porta do teu prédio a abrir, os teus passos e a porta pesada do meu carro a abrir, sentas-te ao meu lado, e o mundo pára...

... abraçamo-nos, nunca damos 2 beijos porque é um cliché parvo e sem sentido, mas tiro-te o ar (tu faltas-me a mim) e seguimos para onde que quer que seja que me vais levar hoje, devagar, não temos pressa, tenho-te a ti, tens-me a mim, e não queremos mais nada. É dificil arranjar palavras para descrever as nossas saidas, embora "cinematográficas" me venha á mente.

Estou contigo á 10 minutos, mas o relogio insiste que passaram horas, tenho de te levar a casa "...the saddest part of my day", paro á tua porta e despedimo-nos como se fossemos meros amigos, mas sabemos melhor que isso, sabemos sempre tudo aquilo em que o outro esta a pensar, os nossos... desculpa, "os meus e teus" pensamentos que é como se fossem um só, dividido por quem tambem se completa. Despedimo.nos com "um beijo querida *." que fica pelas palavras e nunca pelo beijo em si, faltam-te as forças para a pesada porta, mas eu quero acreditar que aquilo que falta é vontade de me deixares até á proxima vez. Fico parado para te ver entrar, tu parada para me ver partir, não me consegues ver por detrás dos meus vidros escuros, mas sentes.me a sorrir e sorris tambem e dizemos sem dizer nada "gosto de ti..." mas é mentira!

O regresso a casa é o meu cigarro, depois de sair contigo, fumo-o devagar á mesma velocidade a que o carro desliza, vou deixando bocados de mim para trás, para juntar á fatia de mim que levas contigo. Completas-me, mas chego a casa vazio, longe de ti.

Deito-me e fico acordado a pensar em ti, mais tarde adormeço, suspiro, e sonho connosco... desculpa, comigo e contigo *.
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