Para a minha amiga Mariana

Sou um tipo simples, dado, simpático, tento a cada dia que passa ser a melhor pessoa que consigo ser, não desejo mal a ninguém, não odeio ninguém, paro nas passadeiras e teimo em acreditar que as pessoas são genuinamente boas. Genuíno, palavra engraçada, só recentemente descobri as suas semelhanças com a palavra Ingénuo, dá para reorganizar as letras duma para formar a outra, mas acho que as semelhanças não ficam por ai. Confio em toda a gente até me provarem que não são dignas da minha confiança, e a vida já me ensinou que faço mal, que estou errado, já aprendi que não devia confiar em ninguém até me provarem o contrário, mas acho que o mundo passa a ser um sitio mais triste no dia em que olhar para ele assim. Esta é outra das semelhanças entre a palavra Ingénuo e Genuíno, provavelmente sou ingénuo ao manter-me fiel a esta minha genuinidade que só me trás problemas, "head and heartaches", mas acho que é assim que deve ser, ou devia. Não consigo, não quero, ou simplesmente não gosto de imaginar que alguém magoe o próximo por capricho, que há pessoas que tiram prazer da desgraça ou miséria alheia, ou pior, que pactuam ou conspiram no sentido de tentar ou magoar alguém, não consigo equacionar esse tipo de pessoas no mundo cor-de-rosa onde vivo. Já sei... sou ingénuo, mas eu prefiro achar-me genuíno.

E um dia apareces-te! Vieste falar comigo como se fosse a coisa mais natural do mundo, e era, perguntei-te de onde tinhas tirado o meu mail e tu respondes-te "do teu blog" e eu achei o máximo que aquilo que eu escrevesse motivasse alguém a querer conhecer mais de mim, disseste-me que eras do Porto, que agradável coincidência, logo eu que morro d'amores pela invicta. Gostava de dizer que foste especial desde o primeiro instante, mas ia estar a mentir, tratei-te como trataria outra qualquer pessoa que viesse falar comigo nas mesmas condições, dei-te a conhecer o melhor de mim, as coisas de que não falo aqui, não por serem temas tabu mas por serem de mais difícil exposição, relatava-te teorias que misturava como se fossem "hors d’oeuvres", mostrava-te os posts antes de os publicar e pedia a tua opinião, e ias ajudando a construir o mesmo blog que te levou a ir falar comigo. É justo dizer que passaste a ser minha amiga desde o momento em que vieste falar comigo, não por seres especial, desculpa dizer-te, mas pelo simples facto de que eu não ser capaz de dosear o quanto dou de mim. Não eras especial, mas eu era, eu sou, trato toda a gente como se fossem os meus amigos d'infância e conto-lhes seja o que for que me perturba, não tenho porque não confiar em ninguém até me mostrarem que não me merecem, e como tal, tambem confiei em ti... quão ingénuo, desculpem, genuíno.

Contava-te tudo, aquilo que querias saber, aquilo que não querias, aquilo que para ti não tinha qualquer interesse, contava-te até aquilo que não conto ás pessoas com quem lido no dia á dia, mas que se lixe, nunca te tinha visto á frente, não tínhamos uma único amigo em comum, que raio importava se aquilo que te contava era comprometedor ou não, que raio ias tu fazer? Partilhar com uma amiga que não fazia a mais remota ideia de quem eu era?! Que diferença fazia os segredos que te revelava, que uso podias tu fazer deles, estavas a 400km's sem um único elo de ligação a tudo o que me rodeava. Relatava-te os meus delitos, os meus crimes e ainda assim dormia descansado, quando assaltado pela duvida se não te dizia demais pensava para mim em resposta "Que pode ela possivelmente ter a ganhar em me denunciar, que motivação há-de ela ter para me magoar" e ambos os lados da minha consciência diziam em uníssono, nenhuma! E dia após dia ias fazendo uso deste meu "curioso á vontade com estranhos" para ir sabendo aquilo que querias de mim. Que ingénuo... desculpem, genuíno.

Não falavas muito, aliás, pouco ou nada, perguntavas de mim, da minha vida, abrias a janela de messenger e escrevias "Novidades?" como se a minha vida fosse um jornal diário do qual te tivesse de manter a par, eu estranhava, mas achava piada ao entusiasmo que tinhas pela minha vida e relatava-te o meu dia ao pormenor. Não mudavas de nick, nunca mudavas de nick, não mudavas de foto, nunca mudavas de foto, mas eu não ligava, pensava que provavelmente tu tambem não e por isso mesmo mantinhas a mesma dia após dia. De tempos a tempos usavas umas expressões curiosas ou tinhas um particular interesse por insignificâncias que era impossível dizerem-te alguma coisa, como especificar o sitio onde fui tomar o pequeno almoço, que estranho, moravas tão longe, que importância podia ter o nome do sitio onde eu tinha ido, não ias saber de qualquer maneira, mas insistias para eu te dizer, e eu estranhava, mas não ligava. Outra vez fui ao porto e avisei-te para combinarmos um café, tu mandaste-me um mail á ultima da hora a dizer que tiveste d'ir a correr ao Algarve e que não estavas pelo norte para o prometido café na foz, e eu estranhava, mas não ligava, Outra vez ainda dizias-me depois de eu te dizer que tinha ido comprar flores para oferecer "andas cheio de dinheiro", quando eu podia muito bem ser multi-milionário sem que tu soubesses uma vez que a respectiva conta bancária de cada um nunca foi tema das nossas conversa, e eu estranhava, mas não ligava... e passou-se mais dum ano. Que ingénuo... desculpem, genuíno.

E chegou a véspera do meu dia de anos, o pior dia do ano, mas tinha esperanças que desta vez fosse diferente, tinha uma saída combinada com a rapariga de quem gostava e ia ser o suficiente para tornar o pior, no melhor dia do ano ao lado dela, íamos ao teatro e depois ao Bairro Alto. Estava tão entusiasmado com a saída com ela que obriguei o Muckey a ir comigo a meio da semana para Lisboa, á procura dum cantinho calmo onde pararmos a beber um chá. O entusiasmo era tanto que claro está que partilhei contigo, a medo, que por alguma razão inexplicável nunca gostaste muito da rapariga que eu gostava, e mesmo sendo imparcial teimavas em ficar sempre do lado da minha ex-namorada da qual pouco ou nada te falava, por já pouco um nada importar. Estava em cacos, nervoso com a saída com a rapariga de quem gostava, queria que fosse perfeito, tanto não era o amor que já na altura lhe tinha. Ela namorava, mas eu não queria saber disso, não íamos enganar ninguém, éramos só dois amigos que se estimavam com milhares de pontos em comum juntos para uma ida ao teatro, eu gostava dela, mentira, eu já então a amava tal como a amo agora, mas a conjuntura era outra, ela namorava e respeitava o namorado, e eu respeitava isso, e eis que uma bomba rebentou.

É véspera do meu dia d'anos, e recebo uma mensagem dela no telemóvel que diz, "não vou puder sair contigo amanhã, alguém que te conhece e estava a par de tudo entrou em contacto com o meu namorado e contou-lhe da nossa saída, disse pelo caminho que tu não eras flor que se cheirasse e que se eu não saísse ctg, não voltavas a falar comigo. Eu e ele acabámos, não tentes falar comigo, vou precisar de tempo para digerir estes acontecimentos." e o mundo parou á minha volta, o pior dia do ano começava a tornar-se realidade de véspera e tudo aquilo que eu tinha construído á sua volta desabava e decidi que não ia ficar de braços cruzados a ver o meu sonho ir por água abaixo. Depois de esclarecer qualquer desentendimento e acertar a hora para a ir buscar para irmos ao teatro no dia seguinte, comecei a pensar em quem se podia ter dado a tanto trabalho para me magoar, e peguei na pouca informação que tinha para tentar chegar a uma conclusão... que ingénuo que fui... desculpem, genuíno.

Sabia que fosse quem fosse, tinha entrado em contacto por telemóvel, mas a questão era como é que tinha arranjado o n.º dele, a resposta chegou sobre a forma de Hi5, logo, era alguém com acesso á net, uma rapariga e aliado ao facto de estar ao corrente da minha vida, limitava a lista de suspeitas a 4 amigas minhas. A Telma e a Vânia, as minhas gémeas, que adoro tanto como se fossem minhas irmãs, A Pips, indubitavelmente das minhas melhores amigas que torcia por mim e pela minha felicidade a cada hora que passava do dia, e tu, minha amiga Mariana, que eu nunca tinha visto, ouvido, ou me cruzado na rua, a única do lote por quem eu ñ podia por as minhas mãos no fogo embora sempre o tivesse feito, a minha amiga Mariana, que recebi de braços abertos e relatei a minha vida como um livro, a minha amiga Mariana que no lote das minhas confidentes, era a única ponta solta. Na altura fiquei desapontado contigo Mariana, não conseguia perceber que motivação tinha tido para te dares a tanto trabalho para me magoar, mas depressa percebi que não podia ficar desapontado contigo minha amiga, pois tu nem sequer existes, foi outro alguém que te inventou. Que ingénuo que fui... desculpem, genuíno.

Na altura não sabia de quem era a mão que guiava a marionete Mariana e jurei cortar a garganta ao responsável no dia em que a mão tivesse um nome, e agora tem. Devia estar a afiar a minha faca ou limpar o cano á 6.35, devia estar pensar numa maneira de te fazer desaparecer do planeta, mas não estou. Estou calmo, em paz comigo mesmo, sei agora que qualquer motivação que possas ter tido é fruto da doença de que sofres e não retaliação por algum mal que te possa ter feito, não fiz, nunca fiz, nem a ti nem a ninguém, dai me ter custado que alguém se tivesse dado ao trabalho de me magoar a mim, mas afinal foste tu, e tu és uma pessoa doente, por isso não faz mal. Tenho pena de ti, e gosto de ter pena de ti, acho que pena é daqueles sentimentos a evitar, mas para o caso acho que é o único que posso nutrir, pena, muita pena da tristeza de pessoa que vejo quando me lembro de ti. Pior que tudo é não estar surpreendido, lá bem no fundo sempre soube que eras tu, tenho pena pela Mariana, gostava dela. O dinheiro não compra maneiras, princípios, educação, decência ou discernimento para distinguir o bem do mal, e assim sendo, é desprezável a imensidão de cavalos do carro que guias, ou a quantidade de metros que tem o écran da tua televisão da sala, hás-de ser sempre uma ninguém do bairro social degradado dos subúrbios onde cresceste.

Depois de me passar a indignação inicial, pensei naquilo que podia fazer para te retribuir a atenção na mesma moeda, pensei em aplicar-me e arruinar-te a vida, mas sou melhor que isso, sou melhor que tu, tão melhor que tu, sempre fui, e como tal, não vou descer ao teu nível, não vou mexer uma palha no sentido de retaliação, vou sim, a meu ver dar-te uma resposta ao meu nível, esse tão superior ao teu, vou-te mostrar o quão melhor que tu eu sou, o quão melhor que tu ela é, e vou ser feliz, vou ser muito feliz ao lado dela, a mesma rapariga de quem inutilmente me tentas-te separar, vou-te mostrar no nada que os teus esforços surtiram e em como nem na mediocridade consegues ter sucesso... no meio dessa tua doença, espero só que tenhas ainda a lucidez para te aperceberes de que és o nojo do mundo, a personificação de tudo aquilo que eu desprezo, gentinha mesquinha e miserável que se aproveitam da honestidade, bondade e genuinidade de pessoas como eu para magoar gratuitamente aqueles que sempre te trataram bem e acarinharam,que nunca te quizeram mal, e pior, ainda te vanglorizas dos teus feitos vergonhosos com ar vitorioso e dizes orgulhosamente "eu dele só não sei o que eu não quero", a escoria da sociedade tem agora uma cara, a tua. Não te odeio, "ódio seria em mim saudade infinda, magoa de te ter perdido... " credo, nada disso, não te odeio pelo simples facto de que me és indiferente, não existes no mundo cor-de-rosa onde vivo, e porque tanto o ódio como o amor, vêem ambos do mesmo sitio, e tenho o coração sobre-lotado de amor por ela, para dispensar seja o que for dele para te odiar a ti, não vales a pena. Nunca me vais esquecer... e eu já nem sei quem tu és.
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