Parasita da Sociedade.

Sexta feira eu suposto ter ido pá praia, mas acordei tarde e acabei por não ir, no entanto a Andreia e a Vanessa foram e eu resolvi dár lá um pulo ao fim da tarde para beber qualquer coisa na esplanada e dár boleia ás meninas de volta para casa, e por volta das 4 da tarde, tirei a capota ao jeep e rumei até ah Fonte da Telha ao som de Bob Marley, Dispatch, Letters To Cleo, Save Ferris, Pratice... enfim, mto zen!

No regresso a casa a minha querida pediu.me para a deixar o no Continente do Seixal pois queria comprar qualquer coisa que mais tarde descobri ser uma prenda para mim. Para a deixar o mais perto possivel das escadas d'acesso ao Continente, e fazendo os possiveis para ñ interromper o transito, subi um passeio para ela sair. Os carros atras de mim continuavam a passar, não havia ninguem no passeio, e dado que demorei uns 20 segundos, não havia problema nenhum, e de facto não havia até alguem querer fazer d'isso um problema.

Um homem que acaba de dobrar a esquina a uns 50 metros de onde eu estava, começa a dizer repedidamente "has-de me dizer onde é ke tiraste a carta", claro que pela altura em que o homem chegou ah parte do passeio onde eu tinha parado o jeep, já eu estava na estrada de 1ª engatada e a andar, logo o meu estacionamento improvisado em nada o tinha afectado, mas ele continuava a mandar vir, como se lhe tivesse causado um grande transtorno. Um minuto ou outro de reflexão mais tarde sobre a situação, fez-me concluir que de facto, tudo aquilo o afectou, não o estacionamento em si, mas tudo o resto, passo a explicar...

Eram umas 19 horas duma tarde de sol escaldante, sexta feira, eu ouvia musica do "chill out" ao volante dum jeep descapotavél, e uma miuda de cortar a respiração e super bronzeada, saía do lugar do pendura, era obvio que tinhamos vindos da praia. Em contra-partida, ele vinha a pé, do comboio, depois de uma semana de trabalho, acompanhado por outro tipo tão feio quanto ele, sujos com pó da obra e com um ar de quem acordou ás 6 da manhã e inda tem uma hora de caminho a pé antes de chegar a casa para abrir a porta e encontrar um filho ranhoso a pedir uma Playstation portatil e uma mulher gorda e torta a perguntar se trouxe pão. É obvio que o ter-se cruzado comigo o afectou imenso, não o meu estacionamento mas toda a minha existencia!

Suponho que seja isto que faça confusão a muita gente, sou novo, não trabalho e ainda assim vou pá concentração de santarem no meu carro tunado, vou pá praia de jeep, passo férias na minha casa no algarve. É mais facil para gentinha limitada achar-me um parasita da sociedade que tirarem uns minutos para pensar que se por acaso tenho a possibilidade de usufruir daquilo que tenho, é graças ao trabalho dos meus pais que lutaram para mo puder proporcionar.

É natural que achem duma tremenda injustiça divina que eu tenha algo pelo qual nunca trabalhei quando eles trabalham das 8 ás 8, 6 dias por semana. O que essa gentinha não percebe é que se tenho, foi porque os meus pais já trabalharam tão ou mais arduamente que eles para se aqui chegar, que se esforçaram para proporcionar aos filhos aquilo que eles não tiveram na minha idade, e a minha felicidade por ter, é equivalente á deles por mo possibilitar. Depois usam termos como "Parasita da Sociedade" quando na realidade, a sociedade não é vista nem achada em tudo isto, mas acho que foi a maneira que encontraram para dormir melhor de noite, felizes na sua miserável existencia.
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