Voltem, estão perdoadas!

Estou sozinho em casa á qualquer coisa como 60 horas, e estou farto!

Estou a comer 3 sandes de doce de amora barrado nas ultimas 6 fatias de pão de forma que encontrei, a beber um copo de coca-cola e duas metades de pessego em calda que restavam na geleira. Esta é toda a refeição que as minhas "cooking skills" me permitem elaborar. O Horza grita do lado de lá do pvt para eu ir fazer uns ovos mexidos, mas isso seria entrar num campo que não domino e que oculta toda a ciencia do ovo mexido, e eu prefiro ñ arriscar, pela minha saúde... e a do ovo.

Odeio voltar para casa quando ñ está cá ninguem, não há melhor imagem de solidão que a de abrir a porta de uma casa vazia, silêncio de cortar á faca e uma escuridão tenebrosa. Com o passar do tempo, as viagens da wanda, e as ausencias prolongadas da Inês, fui aprendendo um truque ou outro para compensar. Deixo a televisão ligada, e o volume alto, ou a luz da cozinha a acessa, e assim naquele cagagessimo de segundo que vai desde que abro a porta até ao que me lembro que não está cá ninguem, está tudo bem outra vez, imagino-me a dobrar a esquina do hall, para ver a Ines a passear entre a cozinha e a sala de pratos e talheres na mão enquanto pôe a mesa, e a wanda na cozinha e inventar uma salada que lhe vamos ter de dizer 30 vezes que está optima e que não ficamos com fome, mas no instante a seguir lembro-me que ainda só ca estou eu, e toda essa fantasia se esvai em fumo, que trocava de bom grado pelo do jantar da mãe a queimar.

Odeio a noite, chegar a casa "cedo" e não ter nada para fazer, ninguem com quem falar, a wanda aos pés da secretária a encaixar as peças do puzzle á martelada e perguntar.me se seguida "Oh Zé, vê-lá se a mãe pôs bem?!" Nem me apetece estar no computador, todos os outros dias do ano tenho 1001 coisas parar procurar na net, mas quando estou sozinho não consigo encontrar que ocupe estas horas mortas, devia adicionar gente da Noza Zelândia, são 4 da tarde por lá a estas horas, e sempre deve estar mais users online, que na minha de gente de vida atinada, até a televisão pactua neste complô e passa todos aqueles filmes que enchi de ver e até o dvd pifou.

É incrivel o que nos lembramos de fazer para ajudar o tempo a passar, com a chuvada da noite de ontem, estava pingar agua pela janela da marquisse do meu quarto, estive até as 8 da manhã de pistola de silicone em punho a tentar remembar o buraco do casco para impedir a minha casa d'ir ao fundo, ás vezes dou por mim a arrumar a casa. Os primeiros dias são uma bagunça, não arrumo nada, não faço a cama e deixo a roupa que dispo espalhada pelo chão do quarto. Dois dias depois começa.me a fazer confussão tanta bagunça e faço a cama de lavado, levo a roupa suja para dentro da maquina e lavo a louça que entretanto se foi amontuando no lava-loiças.

Acho que é daqueles sinais evidentes de crescimento. Alguem á uns tempos atras conta-me das diferentes etapas da vida em que aos 10 aos nossos pais são os maiores do mundo, aos 20, não sabem nada, aos 30, se calhar pedimos-lhes opinião, e aos 40, gostavamos que eles ainda cá estivessem para nos dizer o que fazer. Eu ainda nem estou a meio caminho entre os 20 e os 30, mas já estou bem mais pó lado de lhe pedir opinião que achar que a minha super-heroina privada não sabe nada. Mais longe estou dos tempos em que ficar sozinho em casa era sinónimo de festa, telepizza, snooker, dardos e dvd's até ás quinhentas. Dantes esperava ancioso pela proxima viagem, agora espero ancioso pelo regresso, das duas. Voltem, estão perdoadas!
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