Mais perto do que é importante?

Se há coisa que detesto no natal e no reveillon, são as mensagens que recebo com votos de umas festas felizes, o que até parece contra-ditório, não ficar contente por se lembrarem de mim, e o gesto atencioso que é dizerem qualquer coisa. Pois está que eles não se lembram de mim, não em particular e é isso que não gosto.

Alguem tem de explicar a estes tipos que pegar numa mensagem padrão, isto é sem nomes, alcunhas, ou sequer especificar o genero chegando ao ponto mesmo de acabar com "Beijinhos ou abraços" ficando só a faltar um "risque aquilo que não interesse" entre parentesis, não se qualifica como uma mensagem de boas festas.

Outro das minhas preferidas, são aquelas que chegam dum tipo a quem á um ano atras vendi ou comprei uma peça para o carro, que só me lembro do nome do mesmo porque ainda o tenho guardado na lista desde então com uma nota para saber quem é, e recebo uma mensagem dele dizendo que o melhor deste natal são "os grandes amigos que tem e dos quais nunca se esquece e como tal, aqui ficam os meus votos de boas festas.". Se calhar naquelas 2 ou 3 vezes que falamos criámos uns laços de amizade fortissimos os quais nunca tinha reparado. Devia ligar-lhe de volta e dizer, "Oi, lembras-te de mim ?! Sou o teu grande amigo que conheces-te ah 1 ano atras, vendi-te uns colectores de escape, e nunca mais te voltei a ver. Ouve lá meu grande amigo, não tens ai uns 100€ que me possas dessenrascar até á proxima vez que nos virmos?!"

Outra das mensagens a desejar um bom natal que recebi tinha escrito, com uma linha de espaçamento em genero de post scriptum, que dizia, e cito "Já agora aproveito para te desejar uum bom 2006". Isto é o cumulo do impessoal e com isto interpretação que faço é "Estão masé malucos se acham que daqui a 15 dias vou voltar a dár-me ao trabalho de escrever duas linhas numa sms e carregar no enviar para a a lista toda". A minha retaliação é simples e suponho que eficaz, depois de receber a mensagem padrão respondo com outra mensagem na qual tento incluir tudo aquilo que me lembro do remetente o que resulta em qualquer coisa como "Querido amigo Pedro, muito obrigado por te teres lembrado de mim, afinal de contas já passou tanto tempo, como é ke está tudo ai por casa? Isso com a Silvia ainda dura ;) ? Manda-lhe um beijinho meu! Sempre comparam casa em Sacavem? E a tua mãe, tá melhor da perna, cumprimentos para todos ai em casa. Aquele abraço!" ... acho que o "aquele abraço" é o golpe fatal, e em 90% dos casos volto a receber uma mensagem de boas festas bem mais personalizada.

Mas toda esta questão das mensagens e telefonemas no natal a desejar umas festas felizes faz-me pensar numa questão que á muito havia pensado. Estamos com os telemovéis cada vez mais perto do que é importante, ou mais longe?! No tempo em que os telemoveis eram ficção cientifica e tinha o numero de casa de todos eles apontado numa agendazinha cizenta que guardava na carteira.. sim, naquela altura ainda usavamos os telefone de casa para falar uns com outros, e miraculosamente sobrevivemos. Na vespera de natal, sentava-me á beira do telefone e folheava pagina a pagina da agenda ligando para todos aqueles que me eram queridos a desejar um feliz natal e um prospero ano novo. Está certo que perdia dez vezes mais tempo que aquele que os meus grandes amigos das SMS perdem, entenda-se que eu perdia uns 10 minutos ao contrario do minuto que eles perdem.

Onde quero chegar é ao seguinte, enquanto ligava para a casa dos meus amigos, atendia.me a mãe deles, a quem eu desejava um bom natal, de seguida vinha ele ao telefone, ás vezes até calhava a ser alguem com quem já ñ falava á algum tempo e aproveitavamos a ocasião para por a conversa em dia, e desse modo estava, mesmo que anualmente, a par da vida dos meus amigos, agora manda-se uma mensagem e é quanto basta. E isto é só raspando na ponta do iceberg dum problema bem maior que isto, quantos beijos e abraços não são substituidos para uma chamada!? Quantas e quantas vezes um telefonema não faz as vezes duma "visita de médico" só pa dizer "olá".

Longe de mim achar o telefone uma má invenção, isso é absurdo, mas acho que é mais um daqueles "downside of good things" dos quais só nos apercebemos quando tiramos um minuto para pensar nisso, e constatamos que não estamos nada, mais perto do que é importante.
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