"Boa Noite, Ana"

Antes d'abrir o endereço do blogger respiro fundo, como se me fosse dificil cá vir, como se fosse doer aquilo que estou prestes a fazer, e ás vezes doí mesmo, principalmente quando cá venho com uma ideia muito clara daquio que venho escrever, ainda que os topicos estejam confusos.

Não sei o que é que me fez pensar nisto, se foi o dia dos namorados, se foi o Adam e os Counting Crows se a conversa com a Ana que tive hoje de manhã antes de me ir deitar, seja o que for, fiquei a pensar nas decisões que tomamos ao longo da vida seguros do rumo que então queremos tomar, e que mais tarde e mais conscientes percebemos que te levaram para longe de onde querias chegar, e tudo aquilo que fica pelo caminho como consequencia dessas mesmas atitudes, a tua imagem que os outros guardaram que nem sequer é mais a tua, mas que pouco importa, foi a que ficou independentemente do quanto tenhas mudado e emadurecido nos ultimos tempos, pensei na puberdade e na imensidão de erros que fiz, e em como esses erros, que na altura chamei de decisões marcaram terceiros, a mim, em particular uma epoca, no geral marcaram para a vida.

Mas vamos começar com os Crows e o titulo deste post. O "Goodnight Elisabeth" foi uma musica que o Adam (vocalista) escreveu para uma ex-namorada, e fala de tudo aquilo que o show biz te dá e tudo aquilo que te tira em contra.partida. A Elisabeth estudava Medicina e não podia estar com ele a toda a hora, aos fins-de-semana estagiava numa clinica, e o resto do tempo, o Adam estava fora ou em estúdio, ou digressão ou a ser uma rock.star. E aquilo que eles tinham acabou por se perder, não porque não gostassem um do outro, ou porque algum dos dois tivesse a fazer algo d'errado, mas acabou e como ele diz "that's not heaven!". Fala em como sendo quem é podia ter qualquer rapariga que quizesse, mas como isso pouco importa quando não se pode ter a unica que se quer. A Elisabeth casou-se entretanto, e a razão pela qual a musica se chama Goodnight, e não Goodbye, é porque o Adam queria que fosse uma canção de embalar, a lullaby, algo por onde ela recordár tudo o que houve entre eles.

Com o dia dos namorados, foi buscar as cartas que tinha guardadas e re-li umas quantas, estava lá uma da Ana escrita e rasurada num verde impossivel de ler, não tanto uma carta de amor, mas um "Goodnight Zé", o nosso fim, a sequencia logica de acontecimentos que nos levaram ao que somos hoje um para o outro, e isso não é muito. Os meus erros, que na altura chamei de decisões, convencido que era o que queria para mim, e que agora mais tarde, e mais maduro vejo que foi só estupidez.

"Talvez nos possamos encontrar um dia e reconhecer que errámos, mas estas situações vão-nos ensinando coisas importantes. Eu aprendi que todas as pessoas são diferentes, talvez devesses pensar niss..."

... demorei a aqui chegar Ana, mas cheguei, e estava errado. Eu tambem aprendi qualquer coisa, que te magoei, quando gostava tanto de ti, sempre gostei. Que merecias mais que aquilo que eu dei, mais que aquilo que eu fui para ti, mas eu estava demasiado ocupado no meu papel de rock.star para perceber que me ia custar a minha "Elisabeth" ... and that's not heaven! E este tipo de coisas não nos atinge imediatamente, é no dia dos namorados 5 ou 6 anos depois que olhamos em retrospectiva e fazemos o balanço daquilo que ganhamos e perdemos com o passar do tempo, e nada do que possa ter ganho compensa o ter-te perdido, e agora sei disso, a "little too late, unfortunately", mas ainda assim. Desculpa ter-te magoado, nunca foi essa a minha intenção, era só jovem e demasiado burro para ter noção dos erros que fazia, e do quanto significavam para mim as pessoas que eu magoava, e a falta que as mesmas me iam fazer mais tarde.

Depois pensei na "bigger picture" e o desastre pegado que a puberdade é para todos nós, em todos os erros que fiz, e todas as pessoas que inadvertidamente magoeei, todas as pessoas que gostavam genuinamente de mim e para as quais eu não correspondi da mesma maneira porque estava demasiado ocupado a ser o Risques, para puder tirar um tempo para ser o Zé, com tudo aquilo que ganhei, e tudo o resto que perdi, ups and downs and in betweens. Custa-me a imagem que deixei junto dessas pessoas, não vou dizer que na altura não era quem eu era, mas já ñ é quem eu sou, e gostava que soubessem d'isso. Que mudei, para melhor espero eu, que estou mais velho com tudo de bom e de mau que isso tambem trás, sou mais o Zé, menos o Risques, afinal, a puberdade é suposto preparar-nos para o resto da vida, e a minha, bem ou mal, fez exactamente isso.

"Bom mas o tempo vái passar e eu prefiro lembrar.me daquilo que admiro em ti, e apesar de serem muito importantes para mim (as qualidade do Zé) parecem-me dificeis de superar a intolerância e a rigidez forçada do Risques... Adoro-te Zé!!

Uma "amiga", Ana Linda "

O tempo passou, e eu ainda me lembro de tudo aquilo que admiro em ti fofissima, o tempo tem o condão de tornar boas todas as más recordações, e o tempo há.de continuar a passar, e quem sabe um dia, não te váis só lembrar daquilo que admiravas em mim, até lá, aqui fica algo para que possas recordar tudo aquilo que houve entre nós, our lullaby... Boa noite, Ana.

Um "amigo", Zé.
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