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Não sei o que te dizer, e para quem tem sempre uma resposta para tudo, este é território desconhecido.

Antes demais não sabia que te chamavas Helena, tens um nome lindo, não devias deixar que ninguém te voltasse a chamar Xana. É como chamar Bia a uma Beatriz, ou Guida a uma Margarida, quebra todo o encanto... Helena.

Não sei o que te dizer porque era o ultimo e-mail que esperava receber, hoje ou em qualquer outra altura... mas estou feliz, feliz por aquilo que significo para ti, feliz por ficar orgulhoso da pessoa que te tornaste, da mulher que és agora que parece ter as ideias tão em ordem, não é fácil, e podes achar que ñ é fácil na adolescência, mas eu tenho uns anos a mais e deixa que te quebre o suspance dizendo que nunca fica mais fácil, e aquilo que a idade te dá, é a capacidade de lidar melhor com os problemas que vão evoluindo contigo.

Eu também guardo recordações tuas, escusado dizer que são boas, todas as recordações são boas, instantâneos duma vida que já foi a nossa, recordações são como bocados de madeira á deriva, que nunca afundam e que de vez em quando dão á costa para que possamos recordar quem fomos á muitos anos atrás.

Este teu e-mail veio rematar uma serie de acontecimentos que me têm deixado a pensar, a qualquer coisa como um ano atras recebi uma mensagem da minha ex-namorada do Porto, a Marta, com quem já ñ falava desde a tragédia grega que foi o fim do nosso namoro, e que dizia "espero que esteja tudo bem, afinal de contas, já passou tanto tempo", a semana passada ou pouco mais que isso, encontrei a Sofia, a minha primeira namorada no hi5 e também tenho falado com ela, acho que todos sentimos a necessidade de remediar tudo aquilo que achamos que podíamos ter lidado melhor, ou pelo menos de maneira diferente.

Aquilo que percebi recentemente foi que estamos sempre a mudar, e nem sempre olhamos para trás e gostamos daquilo que vimos, de quem fomos, e ás vezes é essa a ideia que fica junto daqueles que só te conheceram então, por um curto período de tempo, e sem o convívio necessário para que essa imagem que fica nossa, vá evoluindo connosco, é essa versão distorcida de quem somos agora que fica, e sentimos a necessidade de dizer que mudamos, que percebemos agora que nem sempre fizemos as coisas mais acertadas ou em como tudo seria diferente se tivesses na altura a consciência que tens hoje do mundo, ainda á bem pouco tempo passei por isso.

Não te posso pedir desculpa por não ter sido tudo aquilo que gostavas que eu tivesse sido para ti, mas não se pede desculpa por essas coisas, o coração tem razões que a razão desconhece, mas "remember, the sweet is never as sweet without the sour" e se tudo isto te ensinou alguma coisa e ajudou a tornares-te na pessoa que és hoje, então tudo está bem, quando acaba bem, tenho orgulho em ti.

Obrigado pelo carinho que me tens, pelo lugar onde me guardas que nunca fiz por merecer.

E quem sabe, "maybe we'll meet in another life, when we are both cats!"

Um abraço, Helena.
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