Mudam-se os tempos...

Não estou nada inspirado, mas até já tenho vergonha de ter o blog por actualizar á tanto tempo e a verdade é que não é por não ter nada para escreve, é por outra coisa qualquer, que não sei bem qual é, se por falta de paciencia, ou não saber muito bem como passar uma ideia para 001010101010 e postar no blog para ser lida, e até nem é por não pensar em nada, pelo contrario, tenho pensado em muita coisa.

A primeira vez que pensei nisto foi no concerto que o Roberto Carlos deu no Pavilhão Atlântico, e se já não tivesse sido á tanto tempo atrás assim, até era vos capaz de dizer a data, mas já passou tanto tempo que nem isso sei. Sei sim aquilo que me fez pensar naquela altura, o publico era maioritáriamente mulheres entre os 40 e os 60 anos, deduzo eu, e á medida que o "rei" cantava uma e outra daquelas musicas que eu oiço tocar cá em casa desde que me lembro, elas suspiravam e diziam "Aquilo é que é um homem", e eu olhava para o palco e via o Roberto Carlos encarcilhado com os seus 65 anos, mais seculo menos seculo, e tentava perceber o que é que elas podiam ver nele, e não percebia, e foi nisso que fiquei a pensar nessa noite.

Desde então houve outras alturas, outras situações que me fizeram pensar no mesmo, o meu aniversário por exemplo, em que fiz um quarto de seculo (wow!) e que pensei que se calhar o 1º quarto é passado a ser filho, o 2nd quarto a ser pai, o terceiro quarto a ser avó, e tentar gozar tanto do ultimo quarto quantos nos for possivel. Pensei que se calhar era altura de "acentar", e pela primeira vez o "acentar" não foi dito com aquele ar leviano de quem tá farto de flirts e affairs e quer uma namorada por uns tempos até sentir saudades da vida de solteiro. Foi um "acentar" de alguem que agora entra no segundo quarto, e que está longe de ter condições para ser o pai que quer ser, a começar pela importante falta que uma mãe para o seu filho faz.

Pensei no "acentar" como quem diz "estou a ficar velho, vou querer casar daqui a uns anos que já ñ são tantos assim". No outro dia lia qualquer coisa que dizia que a media d'idades de quem se casa é de 32 anos entre eles e 28 anos entre elas, e que os meus 32 estão ao virar da esquina e ainda nem tenho ninguem com quem casar, e desde que tenha, até saber que tenho, hão-de passar outros tantos, e depois de pensar em tudo isto, os 7 anos que me separam dos 32 começam a ser curtos, e isso tambem me fez pensar.

Pensei que aquilo que eu quero para mim agora, não é aquilo que eu quero para mim "o resto da vida", e sabendo eu que é melhor começar a planear "o resto da vida" quanto antes, nesse caso, aquilo que eu quero para mim agora, não pode ser o que eu quero para mim agora uma vez que o que eu quero é o daqui em diante (lol, sometimes I get so wierd I even freak myself out) mas vc's percebem. Se eu acho que está na altura de encontrar alguem para "acentar" e que do acentar ao casar ainda hão.de passar uns quantos anos porque, e a Britney Spears que me perdoe, ninguem casa com 15 dias de namoro, e que para não estragar os 32 de media, tenho 7 anos para fazer tudo isso, com um curso e uma vida á mistura, então o que eu quero agora, tem de ser o que eu quero de agora em diante, e não o só agora, não é? E isto dá que pensar.

E isto remete-nos de volta para o Roberto Carlos, e foi então que percebi. Ao longo da vida queremos coisas diferentes para nós, aos 10 anos queremos uma bicicleta, aos 15 queremos namorar com a miuda mais gira da escola, aos 20 queremos ir pa cama com a boazona da faculdade, aos 25 queremos "acentar" para aos 30 casar e aos 35 ter filhos... and so on, and so on. E isso fez-me pensar em todas aquelas mulheres de 50/60 anos que suspiram pelo Roberto Carlos que ainda continua apaixonadissimo pela mulher Maria Rita que morreu com cancro á 7 anos atrás, e que se calhar é isso que se quer com essa idade, não é necessariamente a mais gira, ou a mais "boa", mas alguem que nos ame, com quem possamos contar, que esteja do nosso lado até que "a morte nos separe" e outros tantos anos depois disso.
Free counter and web stats