Feliz Natal, Isabel.

"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas."

Também eu sou ridículo em maneiras que só eu sei. Também não tenho o teu numero, apaguei-o da lista do telemóvel porque as vezes tento dizer a mim mesmo que nunca mais te vou dizer nada, mas não o consigo esquecer, e pior que ñ esquecer o teu numero, é não esquecer a maneira como mo ditaste. Sempre achei piada em ver como as pessoas dissecam o seu número de telemóvel com o objectivo de o tornar mais memorável, "96 653 45 54" ou "93 34 34 593" ou mesmo "91 1 13 14 15", podias ter dito o teu intercalado com artigos e alíneas do código civil que não tinha mudado nada, tenho-o como que tatuado na mente e nada nem ninguém o consegue apagar, tal como te tenho a ti.

Este natal não te ia dizer nada, se tivesse coragem, nem na passagem d'ano, mas não tinha a certeza se conseguia. Podia ser que assim pensasses que eu já ñ pensava em ti com pensava dantes, como ainda penso, porque afinal de contas, há coisas que mudam, mas pelos vitos, também há coisas que não.

Vou inutilmente tentando resistir-te, a última vez que te vi e falámos, disse-te que me tinha de ir embora, mas era mentira, queria só ver se tinha em mim a força para te deixar para trás, e tive, mas doeu tanto, que passado uns minutos voltei para onde estavas, mas já não te vi. Gaguejo quando falamos ao telefone, arrependo-me de te mandar uma mensagem no instante em que aparece "Enviada", escrevo-te mails a dizer mais que aquilo que devia. Há tanto que te quero dizer e não consigo, por seres tu e tudo aquilo que és para mim. E fazes-me mal, mas o mal que me fazes sabe tão bem.

És tema recorrente das minhas conversas, dos meus posts, dos meus devaneios metafísicos, ás vezes penso numa vida sem ti. Se só te quero porque não te tenho, e o que é que mudava se tivesse. Se não fosses tu se esperava e sonhava por uma outra Isabel. Se têm todos, tal como eu, uma Isabel na sua vida, padrão pelo qual tentamos nivelar todas as outras e razão do voo picado que foram as minhas relações desde então. Se fomos concebidos para estar sempre insatisfeitos, sonhando com quêm não temos que hipotese tenho de ser feliz em oposição a acabar sozinho com alguem que não tu? O Fábio perguntava se voltasse atras, se sofria da mesma pressão que nos matou da primeira vez, e eu disse que sim. Então para quê tentar? Porque tanto quanto eu quero saber, o sol nasce e poe-se contigo e aconteça o que acontecer, agora sei que dói tão mais viver sem ti que o contrario.

Ridículo como sou em tudo quanto toca a ti, tenho os meus pretextos, tambem eles ridículos, para matar saudades tuas, o natal, a passagem de ano, mas de longe, o mais ridículo de todos é o teu aniversário. É claro que sei o dia, credo, até sei a hora, mas faço de conta que não. Ligo-te na véspera com que por engano, e assim falo contigo duas vezes, ridículo bem sei, mas como diz Álvaro de Campos, se não fosse ridículo...

... e sim, eu sei que o amor já lá não mora, mas abrando sempre que passo á tua porta.
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