Lose/Lose Situations

Estou tão entediado que dou por mim no hi5 a ver o perfil das 7 miúdas que á qualquer coisa como meio ano para cá tenho guardadas nos "favorites". Gostava de ser capaz de lhes mandar uma mensagem, qualquer coisa simples como "Oi, tenho o teu perfil nos meus favoritos á qualquer coisa como 6 meses, gostava de te dizer qualquer coisa mas acho isso tão obvio e vulgar que não me concedo sequer autorização para o fazer, gostava de conseguir mandar-te uma mensagem com o meu mail e que com isso passasses da minha lista de "favorites" para a minha lista do messenger onde em 5 minutos e com uma enorme facilidade íamos descobrir que não temos rigorosamente nada a ver um com o outro e nos podemos bloquear mutuamente, nunca mais voltar a falar e eu posso não pensar mais nisto, obrigado." Mas o problema desta mensagem é que nem sequer são precisos os 5 minutos de messenger o que nos remete para o tema deste post.

Toda a gente já julgou encontrar o amor da sua vida numa discoteca. Aquela miúda linda de morrer que se calhar até sorriu para vocês do lado de lá da pista, mas, da mesma maneira que não sou capaz de mandar um simples e inocente mensagem no hi5, muito menos sou eu capaz de me aproximar dela na discoteca e oferecer-me para lhe pagar uma bebida. A minha escassa experiência na área remete-me sempre para o meu cantinho da pista ou do bar onde a medo vou olhando para ela e se por acaso os nossos olhares se cruzarem sou até maluco para lhe esboçar um sorriso. Nisto pode acontecer uma de duas coisas, ou a) ela se aproxima e diz qualquer coisa como "Oi já não nos conhecemos de algum lado" ou "Olá, chamo-me Helena, tudo bem" ou então b) e ela vai-se embora sem sequer saber que tu lá estavas, e que em 99% dos casos é o que acontece. O que nos deixa com um problema muito maior que as falhas do nosso modo operadis que é o voltar para casa com aquele sentimento de perda, o peso no peito de que devíamos ter dito qualquer coisa, de que podia ser ela a mulher da nossa vida e nós a deixamos escapar, pensamento esse que te persegue durante toda a semana. Sim, toda a semana porque escusado será dizer que no próximo fim-de-semana voltamos lá na esperança de a encontrar de novo e remediar todo o mal que fizemos, ou que não fizemos na semana anterior, mas claro está que os nosso medos confirmam-se e nunca mais a voltamos a ver.

Isso aconteceu-me duas ou três vezes sendo que a ultima aconteceu quando a minha querida amiga Elsa, então R.P. duma discoteca no Montijo me convidou para aparecer com uns amigos e "dar um bom ar á casa", também a dar um muito bom ar á casa estava uma miúda linda de morrer, que tal como acontece com todas as miúdas lindas de morrer que encontro, não fazia a mínima ideia de quem ela era. Passei a noite toda da mesma maneira que passei todas as outras em que encontrava uma miúda que mexia comigo na discoteca, no meu canto do bar a olhar discretamente para ela, ou ás voltas pela pista a ver se a via, mas eu já sabia como é que esta noite ia acabar, porque já tinha descido esta rua uma ou outra vez antes. Ia remeter-me para casa com o sentimento de perda yada yada yada, e decidi então, doido que eu sou, dizer-lhe qualquer coisa e descobrir em primeira mão se a vergonha momentânea era preferível ao peso de consciência de uma semana. Escrevi o meu nome e o meu n.º de telefone num guardanapo e antes de ela se vir embora aproximei-me e disse-lhe "desculpa incomodar-te, eu tenho consciência de que isto é ridículo, mas eu prefiro passar a vergonha agora e não pensar mais nisto, que não dizer nada e pensar nisto o resto da semana." e dei-lhe o guardanapo para a mão e vim-me embora. Ufffffffffff!

"Foi felicidade pura, uma explosão de prazer inigualável. Melhor que droga, melhor que "cavalo". Melhor que dose, coca, crack, charro, xuto, snifo, ganza, marijuana, LSD, acidos, ecstasy. Melhor que sexo, fellatio, 69, orgias, masturbação, tantrico, kama-sutra ou foda tailandesa. Melhor que batido de banana. Que a colecção da Guerra das Estrelas, os Marretas e o 2001 - Odisseia no espaço. Emma Peel, Marilyn, Lara Croft, Naomi Campbell e o sinal da Cindy Crawford. Melhor que o lado B de Abbey Road, um solo de Hendrix e a chegada á Lua. Os montes espaciais e o pai natal, a fortuna de Bill Gates, o Dalai Lama, Lázaro recuscitado dos mortos. A testosterona do Schwarzenegger, o colagenio da Pamella Anderson. Melhor que Woodstock e as raves mais orgásmicas. Que Sade, Rimbaud, Morrison e Castaneda. Melhor que a liberdade...

... que a vida."
Que alivio! Se soubesse que me ia sentir assim tão leve depois disto tinha-o feito á uma imensidão de tempo atrás. Sai pouco depois dela e voltamo-nos a cruzar enquanto eu entrava pó carro, e sorrimos um para o outro. Tinha a certeza que era uma questão de tempo até o meu telefone tocar com ela do lado de lá da linha! Bem, isto foi em 2003 e até hoje, nem sinal do amor da minha vida dessa noite. Acho que consigo dizer com alguma segurança que sabia que ela não ia ligar depois dos primeiros 2 ou 3 dias, fiquei desiludido mas com a sensação de dever cumprido, achei que tinha feito a minha parte e isso chegou para me apaziguar a alma.

Passado uns meses, arranjei um trabalho de verão a testar os carros da Auto-Europa durante 1 mês. Estacionava o meu carro no parque dos funcionários, entrava sensivelmente antes das 14h para pouco depois estar a sair pelo portão da fabrica com o carro que era suposto testar nesse dia. Voltava antes das 22h com 500km's feitos e depois de voltar a estacionar o carro testado na fabrica voltava para o meu, para o encontrar SEMPRE com as escovas do limpa-para-brisas levantadas. E assim foi durante todo o mês, todas as noites voltava para o meu carro azul indiglo estacionado no parque, para o encontrar com as escovas no ar. Como até tenho alguns amigo que lá trabalham e o meu carro não é propriamente low profile, entendia que fosse brincadeira de algum deles e não ligava, e assim foi até ao meu ultimo dia de trabalho.

No ultimo dia, volto para o meu carro depois de um dia de trabalho, alias como o tinha feito no resto do mês, mas desta vez estavam todas as escovas levantadas menos uma, e debaixo da escova que não estava levantada, estava dobrado um papel que dizia "Um beijinho da amiga da Securitas" com um nome e um nº de telefone. Foi então que percebi que quem me levantava as escovas do carro todos os dias não era um amigo meu, mas a segurança da porta por onde eu passava para ir trabalhar. E andava a faze-lo desde o primeiro dia que eu lá tinha entrado. Achei "fofinho" da parte dela, e amarrotei o papel com o n.º dela e deitei-o fora, e ao fazer isto apercebi-me que eu era a miúda gira da discoteca que nunca me telefonou, e foi então que se fez luz.

É obvio que eu não vou telefonar a uma miúda que deixa o n.º de telefone preso debaixo da escova do meu carro sem me conhecer de lado nenhum. Esse não é nada o tipo de mulher com que eu quero para mim. Da mesma maneira que para a rapariga da discoteca ser tudo aquilo que eu queria que ela fosse, nunca na vida podia telefonar a um tipo que lhe dá o numero de telefone num guardanapo duma discoteca num sábado á noite. Ou seja, se ela me tivesse ligado, era porque não interessava porque não era o tipo de rapariga que eu pensava que ela era, por outro lado, não dizendo nada, se calhar até é, o contra é que nunca hei-de voltar a saber dela.

O que nos trás de volta para as minhas 7 favoritas no Hi5 e a tal mensagem que não adianta mandar, porque se mandar e elas responderem, perde-se toda aquela mística em torno delas, por outro lado se não responderem, mantêm-se a mística e esta distancia, e elas nunca hão-de sair da lista das favoritas para lado nenhum, e dê por onde der, temos lose/lose situation, umas vez que perdemos seja de que maneira for.
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