A melhor época da nossa vida.

Para onde quer que me vire está alguem a dizer-me que a faculdade é a melhor epoca das nossas vidas, o mail da Nádia, o filme de ontem à noite, e eu estou na faculdade à seis meses agora e tenho pensado para mim, quando é que isto da melhor época da minha vida começa a fazer efeito porque, eu ainda não estou a sentir nada.

Para ser sincero ia carregado de expectativas, achei mesmo que ia ser bom para mim, um sitio novo, com novas caras, novos amigos, aproveitar e fazer certo com os novos tudo o que fiz de errado com os antigos, dar uso à maior conscincia que hoje, mais velho, tenho do mundo, e remediar todo o mal da minha vida, começar de novo. Mas passou depressa, e não foi sequer preciso um semestre para toda essa ilusão se esvair em fumo, e o novo sitio passar a ser o mesmo sitio de á seis meses atras, as novas caras tornarem-se nas caras de todos os dias, e os aspirantes a novos amigos, uma cambada de gente para a qual já não tenho paciência.

... e não deve ser essa a época que toda a gente fala pois não? Passou depressa demais para que sequer a ilusão que eu tive de tudo o que eu achava que ia ser tivesse algum impacto em mim. Pensei que a faculdade ia fazer de mim uma pessoa diferente, que me ia ensinar algo novo, e a única coisa que aprendi foi que o mundo não tem nada de novo para oferecer.

Tentei então perceber donde vinha toda esta teoria de que a faculdade era a melhor época da nossa vida, porque se querem a verdade, mil vezes os meus anos de secundário onde éramos putos com a perfeita noção da nossa idade, sem aspirações a pseudo-adultos e cartões multibanco, que discutem temas politicamente correctos como o referendo ao aborto e o impacto social que tem Salazar nos 10 Maiores Portugueses, sinceramente, nunca hei-de fazer um aborto e estou nem aí para o 10 Maiores Portugueses mais a Maria Elisa e os seus. No secundário discutíamos quem é que ganhava uma luta entre o SonGohan e o SonGoku, ou o melhor baralho de Magic, merdas com que genuinamente nos preocupavamos. Eramos putos, não podiamos votar em referendos mas em contrapartida também não iamos presos, e isso equilibrava a balança, e estava tudo bem como estava, nenhum de nós tinha pressa de crescer.

Perguntei ao Helder se a faculdade estava a ser a melhor época da vida dele, e ele disse que sim, o vir da Madeira para Lisboa e abrir um capitulo novo na sua vida, o "admirável mundo novo". Perguntei á Andreia se a faculdade estava a ser a melhor época da vida dela, e ela disse que sim, mais intensa, mais liberdade. Perguntei ao Horza, da minha idade, e ele não sabia responder, que a comparar a faculdade aos trabalhos que já teve, e entre o acordar cedo para ir para um trabalho que não gostava ganhar uma miséria, ou acordar cedo para se matar a trabalhar em algo que ele sabe que lhe vai proporcionar a vida que ele quer, então sim, a faculdade é melhor, como meio para atingir um fim, mas não a melhor época da vida dele, da mesma maneira que não é da minha.

A faculdade é a melhor época da vida daqueles que até então não tiveram vida, em que a faculdade significam saír de debaixo da asa dos pais e rumarem ao desconhecido numa viagem com final incerto movidos pelo espirito de aventura e as perspectivas de tudo aquilo que pode vir a ser. Agora para mim? Para o Horza? Já tivemos a nossa quota parte de aventuras, e não é a faculdade que nos vem mostrar nada que já não tenhamos visto ou ensinar algo que já ñ tenhamos aprendido todos estes anos que estivemos demasiado entretidos a aproveitar a vida, ainda que há custa de duros golpes no percurso académico.

... e foi isso que eu percebi sobre os melhores momentos das nossas vidas. Que o mundo e a vida são um desastre á espera de acontecer, e que acontecem sempre. "A random lottery of meaningless tragedies and a series of near escapes", e que o melhor momento, é aquele enquanto dura a ilusão de que as coisas podem ser diferentes, antes de o desastre que o mundo e a vida são acontecerem de novo e te fazerem ver que é tudo mais do mesmo, que vives em circulos, de tragedia em tragedia, em rotundas que não vão dár a lado nenhum.

O melhor momento das nossas vidas, é quando dás pela primeira vez á chave do teu carro novo e o guias para fora do stand, o mês que a matricula marca o calendário, quando olhás á medida que saís de casa pela manhã e o achas o melhor carro do mundo, o mais lindo da história automóvel, depois disso, é só um carro velho a precisar de revisão. A primeira semana de namoro, enquanto pensas que encontras-te a mulher da tua vida, antes das discussões e mentiras. A primeira semana de faculdade, com aqueles que achas que vão ser os teus amigos para sempre, antes da facada na costa. A casa nova e o "Aqui vou ser feliz" antes da gritaria dos vizinhos de cima e o cão que passa o dia a ladrar na varanda de baixo. Os 5 minutos de conversa com uma desconhecida em que a achamos a pessoa mais interessante do mundo, antes do silencio constrangedor que nos ver que não temos mais nada para dizer um ao outro. São os primeiros passos do meu primo, a primeira palavra, antes dos outros passos que são só mais passos, e todas as outras palavras que vieram depois da primeira, antes das birras e dos choros enquanto ainda consigo vê-lo como a personificação da inocência no mundo.

São os instantes em que achas que vais conseguir escapar á ciclicidade de que a vida é feita antes do inevitavel acontecer, os minutos em que pensas que é desta vez que lhe consegues trocar as voltas e evitar o desastre que lá no fundo sabias que ia eventualmente chegar, o mais do mesmo, o mesmo fim de todas as outras vezes que vieram antes desta. O melhor momento da tua vida é o breve espaço de tempo em que achas que tudo vai acabar bem, que vai ser diferente, só desta vez. São as "near escapes" antes das "meaningless tragedies" que acabam sempre por chegar. O melhor momento da tua vida, é aquele em que achas que podes fazer do mundo aquilo que queres, que dura até a vida te apanhar e fazer dele o que ele sempre foi.

The end of the world as I know it

... Estou tão entediado que dou por mim no hi5 a ver o perfil das 7 miúdas que á qualquer coisa como meio ano para cá tenho guardadas nos "favorites"...

Lembram-se disto? Pois bem, Houston, we have a problem!

Num rasgo de 90% coragem e 10% estupidez, ou o inverso, numa daquelas madrugadas entediantes, cometi o maior erro da minha vida.

Abri o meu perfil, e fui ao separador que dizia "Favoritos", lá estavam as 7 maravilhas do hi5, clickei nas 3 as quais que mais queria dizer qualquer coisa, e escrevi uma mensagem para cada uma delas \: Desculpem, vergonhoso eu sei, mas eu tinha de saber, tinha de tentar, tinha de reviver toda a experiencia da discoteca e da miuda que nunca ligou, porque sabia que me ia sentir melhor depois de mandar a mensagem, sabia que podia não pensar mais nisto e continuar com a minha vidinha de duvidas pertinentes que se calhar só o são para mim, mas ainda assim. Podia não pensar mais nas favoritas, e dizer a mim mesmo que fiz a minha parte e ficar em paz comigo, com a sensação de dever cumprido.

E foi então que todo o universo se desabou á minha volta. Eu sabia que isto era um desastre á espera de acontecer... e aconteceu!

Uma das minhas favoritas respondeu!

"E qual é a espiga?" Perguntam vc's leitores insconscientes da gigantesca dimensão deste problema!

Pondo a hipotese que alguma delas respondia, uma de duas coisas podia acontecer, ou acontecia o que eu previa e temia, que era ela ser uma bimba leviana que responde as mensagens de qualquer tipo que ela não conheça de lado nenhum (se bem que eu ñ sou um tipo qualquer né (; heheeh) e revelava-se bue vulgar e vazia e qualquer interesse que eu pudesse ter perdia-se como ... lagrimas... á chuva ...

... ou acontecia algo totalmente inesperado e ela respondia com uma msg super-simpatica, a dizer que não tinha problema em madar-lhe a mensagem, que normalmente não respondia a mensagens porque havia por lá gente muita estranha, mas que tinha gostado da minha, e que estava á vontade para lhe enviar outras.

... shit!!! Vc's sabem o que é que isto quer dizer?!?! Que há miudas fixe! Há miudas fixe e receptivas! E que dizer qualquer coisa não é terrivel e vergonhoso e humilhante. Quer dizer que eu estava enganado, eu .. enganado... como é que isto é possivel!? Quer dizer que se eu pegar no numero de vezes que fui a uma discoteca durante 1 ano, e multiplicar pelo numero de anos que vou para discotecas, para e elevar o resultado ao expoente do numero médio de raparigas a que me apeteceu dizer qualquer coisa e não disse com base numa suposta teoria que agora sei fundamentada em presupostos erróneos, sabe Deus (e o Pacheco Pereira, sim porque o Pacheco Pereira tambem sabe tudo) quantas desse universo de 1290438109410970.19023 (mais casa decimal/menos casa decimal) não eram miudas fixes estavam tambem elas receptivas a uma abordagem, não vou dizer despromovida de interesse, porque se assim fosse não lhes dizia nada, mas well, no minimo sem expectativas de nada para lá de uma conversa genuinamente enriquecedora com uma rapariga interessante, fazer uma nova amiga, diferente dos amigos com quem me dou.

A espiga meus amigos, é que sei lá eu em quantas maneiras a minha vida agora não podia ser diferente se eu tivesse percebido isto antes, e a quantidade de anos que vivi enganado e as oportunidades que não vão voltar que eu deixei escapar, as vidas que eu quase podia ter tido com aquelas que quase podiam ter sido...

...o mundo como eu o conhecia, acabou.

O que te leva a escrever?

O que me leva a escrever? Sei lá... porque me faz bem, porque me sinto melhor, porque é o unico tipo de esquizofrenia socialmente aceite, porque com ela me posso refugiar no meu blog e no mundinho que eu inventei que é só meu e onde tudo é como eu quero, como eu acho que as coisas deviam ser, porque se não deitar alguma coisa daquilo que vai cá dentro para fora rebento e enlouqueço, mais que de todas as vezes que saio para a rua para o mundo dos outros que não é o meu. Porque quando estou para morrer, em baixo, escrevo coisas bonitas e com isso acho que algo de bom resulta do meu sofrimento, e sofro menos por isso! Porque consigo ler o que escrevo com um distanciamento que não compreendo e me faz pensar que quem escreveu tudo isto sabe exactamente aquilo que eu estou a passar, e assim sinto-me menos sozinho no mundo, sem nunca me lembrar que fui eu que escrevi. Porque quero, e vou, mudar o mundo, e se tenho de começar por algum lado que seja pelas cinco ou dez ou pela única pessoa que lê o meu blog. Porque eu penso em tanta coisa que tenho de as apontar em algum lado para não se cairem no esquecimento, perdidas nas catacumbas de mim em recordações empoeiradas escondidas debaixo de memórias mais recentes, nem por isso mais importantes. Porque quero ter um sitio onde voltar daqui a 10 anos e possa ler quem eu era, ver o quanto, ou não, mudei em todo esse tempo, quanto já tenho daquilo que sonhava para mim então, e quanto ainda me falta. Ver tudo o que consegui fazer da minha vida, olhar para a mulher dos meus sonhos sentada na sala da nossa casa, e ler tudo o que eu escrevi sobre ela, anos antes dela aparecer, nas minhas profecias sobre o tudo que ela ia ser, e ela é. Para que os nossos filhos possam crescer e vir ler quem o pai era quando tinha a idade deles, tudo aquilo que eu sonhava para mim e tudo aquilo que sonhava para eles e fazer deles pessoas melhores por isso. Escrevo para achar que consegui! Que ganhei! Que fiz tudo aquilo a que me propus. Que sou quem sonhei que ia ser. Para passar paginas e paginas ao longo dos meses e dos anos em que me traduzi em palavras, e achar que tive uma história para contar, a da minha vida, e que tudo valeu a pena. O que me leva a escrever? Sei lá... Chegar ao fim e saber que vivi.

Desculpa se não respondi á tua pergunta

Clairvoyance II

Tenho 135 contactos bloqueados na minha lista do messenger. São quase mais aqueles que tenho bloqueados que aqueles que tenho adicionados, e isso dá que pensar. Serei melhor a não me dar com pessoas que o contrário? Estarei eu tão redondamente enganado em achar-me sociável? Entre esses 135 figuram amores antigos, e uns recentes, amigos de agora e outros de sempre, que a dada altura fizeram algo que me fez achar que a minha vida era melhor sem eles, mas tantos? Se calhar sou só eu que tenho uma ideia errada daquilo que um amigo deve ser, ou quem sabe se sou como que uma força gravitacional para tipos sem princípios ou escrúpulos e que eu, vitima da minha genuinidade, cai no erro de considerar amigo ou amor. Podia ser que fosse simplesmente uma questão de sorte ou azar, e eu tivesse tido a infelicidade de escolher de entre um infindo numero de pessoas decentes os 135 que não valiam nada, era certamente mais fácil pensar assim. Mas não, o problema está em mim, e não nos 135, é estatisticamente muito mais plausível não é? Espero demais das pessoas, espero que me surpreendam pela positiva, ainda que ciente do nojo que elas são, e o mesmo acontece com os amigos e os amores, espero tanto e tudo deles, esquecendo-me sempre que eram só pessoas antes de se tornarem quêm eu quis que eles fossem para mim, e que nem sempre as pessoas se conseguem livrar da hereditariedade mesquinha e invejosa que nasce com elas. Espero demais dos amigos, e dos amores, espero que me ponham em primeiro e segundo e terceiro lugar, antes de todos os outros, que estejam comigo e sejam por mim e que o nosso amor ou amizade seja mais importante que qualquer outra coisa do universo. É estár o mundo inteiro contra mim, e eles comigo contra o mundo inteiro. Espero demais deles, e é por isso que eles falham, mas não espero nada que uns ou outros não pudessem, em contrapartida, esperar de mim.

The Raftman's Razor



Seis maravilhosos minutos de algo completamente absurdo e dessinteressante, que por alguma estranha razão fez todo o sentido para mim. Nem sei o que é que vejo nesse filme, se calhar a mim e a minha curiosa capacidade de encontrar significado onde não há nenhum.
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