Clairvoyance II

Tenho 135 contactos bloqueados na minha lista do messenger. São quase mais aqueles que tenho bloqueados que aqueles que tenho adicionados, e isso dá que pensar. Serei melhor a não me dar com pessoas que o contrário? Estarei eu tão redondamente enganado em achar-me sociável? Entre esses 135 figuram amores antigos, e uns recentes, amigos de agora e outros de sempre, que a dada altura fizeram algo que me fez achar que a minha vida era melhor sem eles, mas tantos? Se calhar sou só eu que tenho uma ideia errada daquilo que um amigo deve ser, ou quem sabe se sou como que uma força gravitacional para tipos sem princípios ou escrúpulos e que eu, vitima da minha genuinidade, cai no erro de considerar amigo ou amor. Podia ser que fosse simplesmente uma questão de sorte ou azar, e eu tivesse tido a infelicidade de escolher de entre um infindo numero de pessoas decentes os 135 que não valiam nada, era certamente mais fácil pensar assim. Mas não, o problema está em mim, e não nos 135, é estatisticamente muito mais plausível não é? Espero demais das pessoas, espero que me surpreendam pela positiva, ainda que ciente do nojo que elas são, e o mesmo acontece com os amigos e os amores, espero tanto e tudo deles, esquecendo-me sempre que eram só pessoas antes de se tornarem quêm eu quis que eles fossem para mim, e que nem sempre as pessoas se conseguem livrar da hereditariedade mesquinha e invejosa que nasce com elas. Espero demais dos amigos, e dos amores, espero que me ponham em primeiro e segundo e terceiro lugar, antes de todos os outros, que estejam comigo e sejam por mim e que o nosso amor ou amizade seja mais importante que qualquer outra coisa do universo. É estár o mundo inteiro contra mim, e eles comigo contra o mundo inteiro. Espero demais deles, e é por isso que eles falham, mas não espero nada que uns ou outros não pudessem, em contrapartida, esperar de mim.
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