A minha prima Rita.

E assim é desde que eu nasci, depois dos meus anos, festejamos os da minha prima Rita, filha do meu Tio Zé e da minha Tia Dalila. É mais velha que eu, e eu ainda só tinha 3 dias de vida quando fui á festa do seu segundo aniversário naquele que foi o primeiro evento social oficial da minha vida.

Mas há mais para vos contar da minha prima Rita, filha do meu Tio Zé e da minha Tia Dalila, e para que percebam tudo aquilo que vos quero dizer, temos de voltar uns anos atrás, muitos anos atrás, até uns antes de eu nascer.

O meu tio Zé e a minha Tia Dalila, moravam no R/C Esq. da Rua Cidade da Praia, e o meu avô Risques e a minha avó Mª Antónia e no R/C Dto. quando a Rita nasceu, e ainda que a único parentesco entre eles fosse o de vizinhos, o bom relacionamento entre eles fez com que os meus avós, ganhassem o estatuto de avós da Rita antes de ganharem o de meus.

Os avós da Rita, que eventualmente viriam a ser os meus, mudaram-se para Benfica e a minha avó Nita mudou-se para o R/C Dto. que eles deixaram, e antes de ser minha avó, também ela passou a ser avó da Rita. E foi assim que a filha dos vizinhos do lado me roubou todos os avós que eu tinha, ou viria a ter, sem que eu pudesse fazer nada, condicionado pelo facto de, ainda não ter nascido.

Depois nasci eu, e da mesma maneira que a Rita ganhou uns avós nos vizinhos do lado, eu ganhei nos pais dela uns Tios, que sem o serem, foram tão tios como aqueles que o eram, e a Rita, a minha prima Rita, filha dos meus novos Tios, que sem ser prima, foi sempre tão prima quanto os primos de verdade.

Um ano e meio depois nasceu a Inês, e a nossa dupla passou a um trio. Não dá para escrever tudo aquilo que passamos juntos, dos bichos de seda á morte do Nike, as operações aos Hamsters a querer partir a parede da cozinha para unir os Rés-do-chão, as aulas de natação e as de equitação com o Charlie da Rita, o meu Trovão e o Maradona da Inês, o equídeo mais preguiçoso da história equestre.

Depois a Rita foi para Évora para a universidade e vimo-la poucas vezes desde então. Ela faz hoje anos e eu nunca lhe tinha escrito nada, nada que falasse das saudades que temos dela, do tempo que passávamos juntos os três antes de se ir embora. Nada que dissesse que sentimos todos a sua falta sempre que ela não está para as brincadeiras que sem ela, não são as mesmas.

Quando se tem um irmão, catalogamo-nos como algo completamente diferente daqueles que são "filhos únicos", como se fossem duma espécie completamente distinta com a qual não temos nada a ver, sem nunca nos lembramos que quando tudo começou para nós, os filhos mais velhos, até o primeiro irmão nascer também nós fomos filhos únicos, e estavamos sozinhos.

Eu nunca estive sozinho, eu tinha-a a ela, à Rita, a filha do meu tio Zé e da minha tia Dalila, e sabem, o meu tio Zé não é mesmo meu tio, da mesma maneira que a minha tia Dalila, não é mesmo minha tia, eram os nossos vizinhos do lado, e a filha deles, a Rita, a minha prima Rita, não é mesmo minha prima... é minha irmã.


P.S. - Para a Rita, a minha irmã mais velha, com um beijinho de parabens e muita saudade.

A incontornabilidade da existência.

Estava deitado no quarto de hotel na Serra Nevada quando pensei neste post pela primeira vez. Como estamos cansados do dia que passou, doridos, depois de jantar vamos para o quarto e ficamos deitados a ver um DVD, essa noite tinhamos visto o "Click" que eu achei que ia ser uma estupidez e que acabou por se revelar uma granda lição de vida, ou se calhar uma lição de vida para mim. Foi a primeira vez que pensei neste post, até o escrevi.

Comecei por escrever que ás vezes a maneira como chegava a um post era tão complexa que só a sua explicação merecia um post por si só, depois expliquei todo o raciocinio desde o inicio e tal como eu previa, pela altura em que cheguei ao post em si o texto estava enorme e eu achei que era abusar da vossa boa vontade postar aquilo para alguem ler. Pensei pô.lo em duas metades, um genero do meu "Kill Bill" e deixei o primeiro post escrito até ganhar a coragem para escrever o segundo, até lhes dei um titulo "They say two wrongs, dont make it right".

Acabei por nunca chegar a escrever a continuação, aquele que era suposto ser o post em si, que no seguimento do filme que tinha visto era uma reflexão sobre tudo aquilo que me aconteceu na vida, aquilo que eu voltava a fazer, aquilo que não voltava a fazer, e qual o impacto que aquilo que eu não voltava a fazer ia ter no rumo que a minha vida levou, e achei que se já sabia que isso me ia fazer chorar, era preferivel guarda.lo para o meu dia d'anos quando mais lagrimas ou menos lagrimas não iam fazer diferença de qualquer maneira.

Estava a escrevê.lo agora, no lugar onde agora estão a ler isto, e estava a ficar enorme, paragrafos e paragrafos de "Do's" and "Dont's" que só teem significado para mim e nenhum para quem os fosse ler. A transferencia antecipada do preparatorio para o Secundário, as miudas com quem não tinha andado, aquelas com que não tinha acabado, e um rebanho de bodes expiatórios para tudo aquilo que agora gostava que fosse diferente, e que não ia mudar nada.

Neste dia, há alguns anos atras, estava eu a atravessar a crise habitual, enquanto a minha namorada e os meus amigos me diziam que eu tinha imensas razão para estar feliz, tinha uma namorada que me amava, um grupo de amigos que me adorava e que isso por si só era razão para ficar feliz no meu dia d'anos, e eu dizia, mas devia estar na faculdade e não estou, devia dar um rumo ah minha vida, e não dou e tenho processos em tribunal e queixas na policia, e não queria nada disso, e nessa altura era nisso que eu pensava.

Mais tarde quiseram ir sair, e no bar onde fomos, encontrei uma amiga minha lavada em lagrimas, a Telma, e eu perguntei-lhe porque é que ela chorava, e ela disse-me que fazia anos, e que não tinha nada daquilo que sonhava que ia ter quando se imaginava com esta idade. Sonhava que ia ter um namorado que a amasse, e ser uma das melhores alunas das escola parecia não fazer diferença, sonhava com um grupo de amigos super unido com que pudesse contar, e da mesma maneira que não tinha queixas na policia ou processos no tribunal, não os tinha, e naquela altura, era só isso que ela queria, o que eu tinha, da mesma maneira que eu trocava o que era meu por aquilo que era dela, para provavelmente um ano depois pedirmos o que era nosso de volta.

Viver é demasiado complicado para mim, nada daquilo que eu faço parece resultar e por norma piora aquilo que já estava mal ao inicio, por outro lado, todos aqueles que fazem o contrario daquilo que eu faço, parecem estar tão mal quanto eu, o que me leva a crêr que seja o que for que eles fazem e eu não, tambem não parece funcionar, que provavelmente acham que deviam ser mais como eu, enquanto eu penso que devia ser mais como eles. Parece que viver não resulta para ninguem, e é demasiado complicado para todos, tão complicado que a contar do dia em que nascemos, que nos fazem uma festa, e nos dão os parabens, sempre que conseguimos sobreviver a mais um ano.

O que eu não sei dizer.

Há tanto tempo que não escrevo nada. Ás vezes tento, mas não sái nada de jeito. Tentei escrever um post para a Raquel, mas dizia mais que aquilo que eu queria. Comecei a escrever o post para a Zá, mas queria que fosse especial, e apaguei-o. O post para mim, mas ainda não é o dia. Outro para a Rita, mas vou esperar pelo dia dela. E este para ti, vem com uma semana de atraso, o tempo que demorei a pensar no que podia escrever que compensasse tudo aquilo que não te soube dizer.

Houve duas alturas na minha vida em que sabia exactamente aquilo que me iam dizer. Lembro-me de estar sentado na sala da minha tia e a Tania sentada ao meu lado, lembro-me do brilho que a minha tia emanava e a maneira como os olhos dela iluminavam a sala enquanto dizia "tenho uma coisa para vos contar" e eu já sabia que ela ia dizer que estava grávida do Miguel, era tão obvio, foi uma boa noticia. A outra foi quando tu me ligaste a perguntar se podias vir cá ter, porque precisas de alguem, e quando chegaste e eu desci, quando me deste as chaves do teu carro para a mão e mo pediste para o guiar, eu já sabia que desta vez a noticia não ia ser boa. Quando me dizes do teu pai, eu já sabia que ele tinha morrido, não tinha sido preciso dizeres nada.

Sabes, mesmo sabendo, lá no fundo esperas estar enganado, que seja qualquer coisa terrivel, mas recuperavel, algo que passe com o tempo e que eventualmente tudo volte á normalidade, e perguntas se ele vái ficar bem, mesmo sabendo que não, que não vai mais ficar, mas perguntas na mesma, porque tens esperança que estejas enganado, porque é tão mau ter sempre razão. Sentado ao teu lado dentro do carro, pensei que "No good deed goes unpunished", que o preço que eu pagava por ser um bom amigo era ser apanhado em situações em que não queria estar. Que se fosse eu o amigo que a maior parte dos amigos tem sido para mim, provavelmente tinhas ligado a outra pessoa, mas essa maior parte nunca te incluio a ti que sempre tiveste lá para mim, com o ar de reprovação enquanto juntas as mãos em concha para eu ter onde apoiar o pé para saltar o muro para dentro de onde não deviamos estár. E por mais que eu não quizesse ali estar, e ouvir-te dizer as coisas que dizias, tu precisavas de mim lá, e é isso que nós amigos fazemos uns pelos outros.

Queria que tivesses vindo ter comigo com as nossas merdices do costume, os nossos problemas existenciais que justificavam o cessar o movimento de rotação da Terra. Gajas e carros, dár porrada a um gajo que te deve 50cts ou furar os pneus ao gajo que te ia batendo á saida da rotunda da Feira Nova, as merdas do costume. Mas isto reduz os nossos problemas a nada, e é nessas alturas que temos noção de quão insignificantes são as coisas com que nos preocupamos, quando confrontadas que algo efectivamente importante.

São 6 da manhã, estava deitado e levantei-me para te vir escrever aquilo que não te soube dizer, e não sei o que escrever. Gostava de te dizer que a vida continua, que vái tudo ficar bem, que eventualmente a vida volta ah normalidade, mas não sou capaz de te mentir. Não vai. Nada vai ser o mesmo, tu não vais ser o mesmo, nem a tua casa, nem a tua vida, e não há palavras que mudem isso, nada do que eu escreva vai fazer diferença, desculpa amigo, queria-te fazer sentir melhor e não sei se sou eu que não sei como, ou se não há mesmo maneira de o fazer.

Posso-te dizer o seguinte, tenho estado com o Fatty, e rimo-nos quando estamos juntos, divertimo-nos, gosto de estar com ele e acho que ele gosta de estar comigo, a mãe dele morreu, e naquela altura eu achava que ele tambem, mas ele continua vivo, e eu sei que ele ainda pensa nela, da mesma maneira que tu vais continuar a pensar nele, mas se o Fatty já consegue rir outra vez tambem tu tambem vais conseguir. Passei pela antiga casa dele no outro dia, e estava um senhora velhota á janela, no sitio onde a mãe dele costumava estar, e eu pensei para mim que ainda havia vida naquela casa, não era a mesma vida, mas era vida! Tal como a tua, não vai ser a mesma, mas vai continuar a ser, e eu vou continuar do teu lado, porque é isso que nós amigos fazemos uns pelos outros.

Desculpa se não soube o que te dizer então, desculpa se ainda não sei o que escrever agora, mas as vezes as palavras atrapalham quando a unica coisa que se precisa no mundo é de um ombro amigo, e esse nunca te vái faltar. Não vái ficar tudo bem, as coisas não vão voltar á normalidade... mas daqui a uns tempos vamo-nos sentar no café e falar das merdas que nos arruinam a vida, e vão ser outra vez gajas, e carros, e dinheiro e dár porrada no gajo que te deve 50cts... e vamos rir outra vez.

Podes contar sempre comigo.

Personal Best

Faz depois de amanhã 3 semanas, desde a última vez que pensei em ti.
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