A incontornabilidade da existência.

Estava deitado no quarto de hotel na Serra Nevada quando pensei neste post pela primeira vez. Como estamos cansados do dia que passou, doridos, depois de jantar vamos para o quarto e ficamos deitados a ver um DVD, essa noite tinhamos visto o "Click" que eu achei que ia ser uma estupidez e que acabou por se revelar uma granda lição de vida, ou se calhar uma lição de vida para mim. Foi a primeira vez que pensei neste post, até o escrevi.

Comecei por escrever que ás vezes a maneira como chegava a um post era tão complexa que só a sua explicação merecia um post por si só, depois expliquei todo o raciocinio desde o inicio e tal como eu previa, pela altura em que cheguei ao post em si o texto estava enorme e eu achei que era abusar da vossa boa vontade postar aquilo para alguem ler. Pensei pô.lo em duas metades, um genero do meu "Kill Bill" e deixei o primeiro post escrito até ganhar a coragem para escrever o segundo, até lhes dei um titulo "They say two wrongs, dont make it right".

Acabei por nunca chegar a escrever a continuação, aquele que era suposto ser o post em si, que no seguimento do filme que tinha visto era uma reflexão sobre tudo aquilo que me aconteceu na vida, aquilo que eu voltava a fazer, aquilo que não voltava a fazer, e qual o impacto que aquilo que eu não voltava a fazer ia ter no rumo que a minha vida levou, e achei que se já sabia que isso me ia fazer chorar, era preferivel guarda.lo para o meu dia d'anos quando mais lagrimas ou menos lagrimas não iam fazer diferença de qualquer maneira.

Estava a escrevê.lo agora, no lugar onde agora estão a ler isto, e estava a ficar enorme, paragrafos e paragrafos de "Do's" and "Dont's" que só teem significado para mim e nenhum para quem os fosse ler. A transferencia antecipada do preparatorio para o Secundário, as miudas com quem não tinha andado, aquelas com que não tinha acabado, e um rebanho de bodes expiatórios para tudo aquilo que agora gostava que fosse diferente, e que não ia mudar nada.

Neste dia, há alguns anos atras, estava eu a atravessar a crise habitual, enquanto a minha namorada e os meus amigos me diziam que eu tinha imensas razão para estar feliz, tinha uma namorada que me amava, um grupo de amigos que me adorava e que isso por si só era razão para ficar feliz no meu dia d'anos, e eu dizia, mas devia estar na faculdade e não estou, devia dar um rumo ah minha vida, e não dou e tenho processos em tribunal e queixas na policia, e não queria nada disso, e nessa altura era nisso que eu pensava.

Mais tarde quiseram ir sair, e no bar onde fomos, encontrei uma amiga minha lavada em lagrimas, a Telma, e eu perguntei-lhe porque é que ela chorava, e ela disse-me que fazia anos, e que não tinha nada daquilo que sonhava que ia ter quando se imaginava com esta idade. Sonhava que ia ter um namorado que a amasse, e ser uma das melhores alunas das escola parecia não fazer diferença, sonhava com um grupo de amigos super unido com que pudesse contar, e da mesma maneira que não tinha queixas na policia ou processos no tribunal, não os tinha, e naquela altura, era só isso que ela queria, o que eu tinha, da mesma maneira que eu trocava o que era meu por aquilo que era dela, para provavelmente um ano depois pedirmos o que era nosso de volta.

Viver é demasiado complicado para mim, nada daquilo que eu faço parece resultar e por norma piora aquilo que já estava mal ao inicio, por outro lado, todos aqueles que fazem o contrario daquilo que eu faço, parecem estar tão mal quanto eu, o que me leva a crêr que seja o que for que eles fazem e eu não, tambem não parece funcionar, que provavelmente acham que deviam ser mais como eu, enquanto eu penso que devia ser mais como eles. Parece que viver não resulta para ninguem, e é demasiado complicado para todos, tão complicado que a contar do dia em que nascemos, que nos fazem uma festa, e nos dão os parabens, sempre que conseguimos sobreviver a mais um ano.
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