One last lesson - Versão 2.0

Há dois anos atrás escrevi isto

Aprendi algo recentemente que acho de extrema importância transmitir-vos, algo que não nos apercebemos aos 16 ou aos 18 anos, altura em que pensamos que, ao longo da longa vida que temos pela frente hão-de aparecer miúdas mais giras, mais boas ou mais interessantes, e então cagamos nas nossas "sintonias" por achar que falta qualquer coisa ou pelo medo de só se calhar, não faltar nada, e nos apercebermos que encontrámos aos 18 anos a pessoa com quem é suposto passarmos o resto da vida, mas há mais peixe no mar e tu ainda não acabaste de pescar, e pensas, "fuck it”, ainda é cedo para o "viver feliz para sempre", quero aproveitar a vida, e logo encontro outro “amor da minha vida” quando sentir que estou pronto, ou por achares que os 400km's que te separam de Braga são mais que aquilo que estás disposto a sofrer, e deixas partir quem amas, sem lhe dizer que a amas, que se chorares noites a fio com saudades dela durante toda a semana, que assim seja, ninguém disse que ser feliz era fácil... não é... e custa, mas garanto-vos que a recompensa merece todo e qualquer sacrifício, e que a vista de lá de cima é siderante, mesmo que doa cada metro da escalada, e dói!

... pois é, aprendi mais umas coisas recentemente e qualquer teoria que se quer manter actual tem de acompanhar a ordem natural das coisas, até mesmo as minhas. Continuo a acreditar em tudo aquilo que está escrito em cima, com umas ligeiras nuances.

As coisas mudam, as pessoas mudam, merda, até nós mudamos mesmo quando acordamos todos os dias para a mesma vida que parece presa num interminável loop de dias que se misturam uns com os outros ao ponto de não saberes ao certo a que dia da semana estás. Tudo muda e aquilo que há dois anos atrás podia ser uma verdade universal hoje pode nem sequer fazer mais sentido. Vejam o exemplo das duas raparigas para quem esse post inicial foi escrito, para a Ana e para a Carolina, os dois amores da minha vida, ou assim eu pensava. A Carolina, de quem tinha "tanta certeza que somos “meant to be” como a Terra girar em torno do Sol" há dois anos atrás, hoje desejo-lhe as maiores felicidades junto de seja quem for que ela escolha para ficar do lado dela. Passei tantos anos a fazer dela alguém que ela nunca foi e foi preciso tão pouco tempo para ela me mostrar quem realmente era, tão diferente de tudo aquilo que eu tinha imaginado. E a Ana, a minha fofíssima de quem hoje estou tão distante que coube um oceano inteiro entre nós e nem o mesmo continente partilhamos, tínhamos pouco a ver um com o outro antes, temos muito menos a ver um com o outro agora. Hei-de sempre gostar delas por quem foram, mas isso é tudo o que elas serão para mim.

Mas aprendi mais qualquer coisa sobre as sintonias que justifica todo o rever da agora obsoleta versão original, aprendi que já não temos 12 anos, e que longe vai o tempo do "gostar de quem não gosta de nós" e ficarmos na merda por isso. Não se consegue gostar de quem não gosta de nós, ou pelo menos não pode haver "sintonia" de apenas uma das partes. Não nos conseguimos agarrar a alguém que não nos dá uma mão onde nos segurarmos, que se uma das partes precisa de ser convencida de que há algo especial entre os dois, então se calhar é porque não há. Que uma história contada aos netos há lareira daqui a 50 anos que não comece com "Desde o primeiro instante em que nos vimos soubemos que era suposto ficarmos juntos", não merece ser contada.

Aprendi que, ainda que "aconteçam com sorte um punhado de vezes numa vida" aparecem sem avisar e nos lugares e pessoas onde nunca as pensaste encontrar. Que são como uma corrente na água da praia, que te puxa sem dares conta, e só te apercebes quando já não consegues sair e que não vale a pena tentar contrariar. Aprendi que sintonias são como os melhores amigos e tudo aquilo que vos disse que a dada altura sabemos quem eles são quando depois de todos os altos e baixos nunca corremos o risco de os perder e foram os mais fáceis de manter, pois bem, as sintonias são assim, super fáceis de manter, é aquela pessoa que por pior que estejas te vai fazer bem ver, ao lado de quem estas sempre feliz, relaxado, livre de preocupações, mesmo que tenhas tido o pior dia da tua vida.

E era aqui que queria chegar, aquilo que vos quero dizer desta vez, que a naturalidade com que surgem e a facilidade com que se apoderam de nós é enganadora. Que as desvalorizamos por achar que quando se chega a certo ponto com relativa facilidade, não é complicado lá voltar, com outras pessoas, e que se sem esforço foi assim, imaginamos o que não conseguimos fazer se nos aplicarmos, se não encontramos mais e melhor, as tais "miúdas mais giras, mais boas, mais interessantes" que nos vão fazer ainda mais felizes, miúdas que nunca chegam a aparecer, porque é tudo tão mais complicado ao pé de quem não nos compreende, e é nessa altura que percebemos, que eu percebi, que não há mais, nem melhor que aquilo que se tem ao lado de quem fazemos sentido, que as sintonias são o fim da linha amorosa, e que aquilo que nos dão, é tudo aquilo que alguma vez vamos precisar.


Para a Sofia
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