Post Scriptum

Faz por estes dias um ano desde aquela tarde em que tudo aconteceu, desde então, de uma maneira ou de outra acabei por te dizer tudo quanto queria que soubesses, ficou só a faltar tudo aquilo que devia ter dito, tudo o quanto precisavas de ouvir e que nunca te disse, desculpa. Desculpa-me se achei que os fins justificam os meios ou por acreditar em amores impossiveis que partem de situações improváveis, que senão começar assim, com o que é que vamos acabar? Desculpa se a minha determinação intimida ou por ter aparecido na tua vida sem pedir licença e querer fazer parte dela, se quis ser teu e que fosses minha também, desculpa-me se incomodei, desculpa o meu problema de expressão quando te quero dizer o que sinto, desculpa se sinto, ou se o sinto à flor da pele e não racionalizo o que sinto, desculpa o meu entusiasmo ameaçador, estava demasiado inebriado na emoção de te ter encontrado para pensar em como tudo isto ia parecer, assustador, eu sei, agora sei, desculpa se te assutei, nunca foi essa a ideia, desculpa se foi tudo demasiado estranho para ser de verdade ou se aconteceu depressa demais para que te sentisses à vontade, desculpa-me, por não ter sido convincente o suficiente, por não te ter conseguido fazer ver que era só amor.

2012

O dia do fim do mundo.

O Rei Pescador

It begins with the king as a boy, having to spend the night alone in the forest to prove his courage so he can become king. Now while he is spending the night alone he's visited by a sacred vision. Out of the fire appears the holy grail, symbol of God's divine grace. And a voice said to the boy, "You shall be keeper of the grail so that it may heal the hearts of men." But the boy was blinded by greater visions of a life filled with power and glory and beauty. And in this state of radical amazement he felt for a brief moment not like a boy, but invincible, like God, so he reached into the fire to take the grail, and the grail vanished, leaving him with his hand in the fire to be terribly wounded. Now as this boy grew older, his wound grew deeper. Until one day, life for him lost its reason. He had no faith in any man, not even himself. He couldn't love or feel loved. He was sick with experience. He began to die. One day a fool wandered into the castle and found the king alone. And being a fool, he was simple minded, he didn't see a king. He only saw a man alone and in pain. And he asked the king, "What ails you friend?" The king replied, "I'm thirsty. I need some water to cool my throat". So the fool took a cup from beside his bed, filled it with water and handed it to the king. As the king began to drink, he realized his wound was healed. He looked in his hands and there was the holy grail, that which he sought all of his life. And he turned to the fool and said with amazement, "How can you find that which my brightest and bravest could not?" And the fool replied, "I don't know. I only knew that you were thirsty."

You Spin Me Round (Like a Record)

Que se lixe a introdução, o que tenho para vos dizer hoje é importante, e não num sentido de importante para mim, é no sentido de importante para todos por isso vou poupar nas figuras de estilo e passar já ao que importa.

Lembro-me de há uns tempos atrás deixar no blog um excerto do Serpico em que contava a história de um reino onde todos bebiam água de uma fonte e uma noite essa fonte foi envenenada por uma bruxa, e no dia seguinte todos menos o rei beberam água da fonte, e todos eles enlouqueceram, e loucos, conspiravam na rua contra o Rei que estava louco, essa noite, e Rei foi bebeu água da fonte, e também ele enlouqueceu. Na manhã seguinte, todos os loucos festejaram, pois o rei tinha voltado à normalidade.

Não imaginam o quanto isso me fez pensar, essa historia ridícula, e mais ridículo ainda, a quantidade de exemplos do quotidiano em que encontramos um paralelo a essa historia ridícula.

Eu tenho o péssimo habito de estabelecer paralelos entre os males do mundo e as confusões no transito, os mais limitados acabam sempre por pensar que aquilo que me incomoda é a hora de ponta ou que sem mais em que pensar perco tempo a preocupar-me com quem guia pela faixa do meio da auto-estrada, e já desisti de tentar explicar seja o que for aqueles que não querem perceber.

Segue-se um exemplo de trânsito, por isso se depois do que eu vou escrever vão achar que o meu problema é o código da estrada, não precisam de continuar a ler e poupam já 5 minutos.

Há dois princípios básicos a contornar uma rotunda, que se contorna sempre por dentro, e que quem lá circula tem prioridade sobre quem nela entra. Dito isto, num mundo perfeito de gente racional e cívica, era quanto bastava para nunca mais voltar a haver um problema numa rotunda, o problema no entanto, não é tanto a rotunda, mas a distancia a que estamos de um mundo perfeito de gente cívica e racional.

Se para qualquer saida que não aquela imediatamente seguinte à que entram, contornarem a rotunda por dentro, quando chegarem à vossa saida podem sair sem se preocupar com a faixa de fora, visto que alguem que lá circulasse teria obrigatóriamente de ter saido na saida anterior, e qualquer carro que lá estivesse, tinha acabado de entrar e tinhamos nós que já lá estavamos prioridade sobre ele, logo podem sair à vontade da rotunda sem pensar em mais ninguem.

Se houver duas faixas na saída, continuam a contornar a rotunda pela faixa mais à esquerda, e chegando a vossa saida, atravessam a faixa da direita da rotunda, para a faixa mais à esquerda da saida, deixando a faixa da direita livre, para alguem que queira entrar na rotunda, para sair na saida imediatamente a seguir, fazendo com que possa, entrar para a faixa da direita na rotunda, e sair para a faixa da direita da saida, sem que um atrapalhe o outro. Havendo só uma saida, o carro que já estava na rotunda, tem prioridade sobre aquele que acaba de entrar, logo continua a não haver duvidas aqui.

Provavelmente a explicação não é das melhores, mas é simples se se derem ao trabalho de pensar nisso, e se por acaso é simples, não é por acaso, é pelo simples facto de ser efectivamente simples, até alguem se lembrar de complicar.

A dada altura, alguem achou que circulando sempre por fora, alguem que lhe batesse ao mudar de faixa, era culpado, e como tal, não fosse ele bater em alguem, começou-se a contornar a rotunda pela faixa de fora, para evitar problemas, problema que até então não havia até alguem o ter criado. A consequencia é que agora há sempre carros na faixa de fora, a tentar não ter culpa em caso de acidente, sem se aperceberem que estão a tentar precarver-se de um problema que eles mesmo criaram, e que até então não existia. O resultado, é que agora alguem que insita em fazer bem, não pode, porque há sempre um carro a contornar a rotunda por fora, da mesma maneira que aqueles que estacionam o carro fora dos lugares marcados ocupando tambem o lugar do lado, ou de quem aperta a pasta de dentes pelo meio, é que não obstante de fazerem mal, impossibilitam quem quer que seja que queira, de poder fazer bem, e isso é o mais trágico em tudo isto, é mais que trágico, é triste.

É isso que a história em cima nos diz, não tanto aplicado a rotundas, mas à humanidade em geral, que pouco importa quem tem razão, quem faz bem, quem está mal, ao fim do dia ganha sempre a maioria, e não faz diferança se a maioria está mal e a minoria bem, porque lá no fundo quem está sempre mal, é a formiga no carreiro que vái em sentido contrário.

... e a rotunda, varia no tamanho e é ligeiramente achatada nos pólos.

Great Expectations

"The night all of my dreams came true, and like all happy endings, It was a tragedy, Of my own device, for I succeeded. I had cut myself loose from Joe, from the past, from the gulf, from poverty. I had invented myself. I'd done it cruelly, but I had done it. I was free! I did it! I did it! I am a wild success! I sold 'em all, all my paintings. You don't have to be embarrassed by me anymore, I'm rich! Isn't that what you wanted, huh? Isn't it great? Aren't we happy now? Don't you understand, that everything I do, I do it for you? Anything, that might be special in me... is you!"

It's love illusions I recall...

Não vos consigo dizer quando, mas consigo dizer-vos onde, na relva da tenda VIP no SBSR de hà uns anos atrás. Estavamos sentados entre um concerto e outro quando o vento sopra até mim um quadrado de papel dobrado em oito.

Podia não ter ligado, mas achei que algo tão meticulosamente dobrado devia ser importante, e liguei, peguei nele e desdobrei-o, quando o abro por inteiro guardava dentro um mail. Perfeito. Quem é que encontra um mail? Como é que se encontra algo que não se perde, que não é palpável? Mas encontrei.

Voltei a casa no fim dessa noite estafado de saltos e pulos, de xutos e pontapés e apetecia-me cair na cama e morrer, até porque para o dia seguinte estava agendado mais do mesmo, mas antes, liguei o computador, e adicionei-o ao messenger.

Passaram uns dias até ao mail ganhar vida, até eu falar com a Lisa. De inicio não estava a perceber quem eu era ou como tinha arranjado o mail dela, eu expliquei-lhe que o tinha encontrado e em pinceladas largas toda a minha teoria de em como o amor não se procura, encontra-se, e que á luz da mesma um mail que me aterra em cima, é algo impossível de ignorar.

Uma das primeiras perguntas que a Lisa me fez foi se eu era surfista, eu disse que não, e foi a primeira de uma longa lista de desilusões que lhe seguiram à medida que percebiamos que não tínhamos nada a ver um com o outro. De certo modo acho que me senti enganado, sabem? Achei que algo que começasse assim só podia acabar em algo maravilhoso, que chegava a ser cruel qualquer coisa tão imensamente improvável de acontecer não dar em nada, achei que era como que desvalorizamos todas as vezes em que o universo se desdobrou desde o inicio dos tempos para nos fazer chegar aos dois aquele ponto, e que senão por nós, por ele, e todo o trabalho a que ele se deu para nos juntar.

Lembro-me do nick que tinha no messenger e da foto que o ilustrava, e quando já pouca esperança restava para mim e para a Lisa, ela diz "vou dar o teu mail à minha irmã, ela passou por aqui, viu a tua foto, viu o teu nick, perguntou com quem é que eu estava a falar e eu contei-lhe toda a historia do amor não se procura, encontra-se, achou piada, quer falar contigo." … foi assim que eu conheci a irmã gémea da Lisa, a Sabrina.

Ainda hoje falo com a Sabrina, ainda agora falei, é uma rapariga brilhante, e ainda que por vezes estejamos muito tempo sem falar, quando falamos também é por muito tempo e as conversas estendem-se enquanto comparamos particularidades bizarras e tentamos descobrir qual dos dois é o mais disfuncional, tem sido renhido. Nunca a vi, acho que nunca falamos, sei que lhe tentei ligar umas vezes, dar-lhe os parabéns, já tive onde ela estuda, temos amigos em comum mas nunca estive com ela, e de certo modo, acho que ainda hoje me sinto enganado, sabem?

Penso sempre em romances assim, em como seria contada a nossa história passados 50 anos, e quando os meus netos perguntarem como conheci a avó, quero tanto que comece com um papel dobrado em oito a sobrevoar a relva ou outra coisa igualmente fantástica e impossivel, é tão deprimente "trabalhávamos juntos", "éramos da mesma turma", "aconteceu". Têm de haver loucura, demonstrações pungentes de afecto, gritaria, paixão, parvoíce, ouvi num filme que quem não está disposto a soar ridículo, não merece estar apaixonado.

A Joana... estava á minha frente na fila da caixa e eu achei-a a rapariga mais linda do mundo, soube ali que queria passar o resto da vida com ela. Demorei meio ano a arranjar o telefone dela por meios que chegando a quem de direito, eram quanto basta para me mandar prender, e que importa, se calhar se não estás disposto a ser preso também não mereces estar apaixonado, e se fosse preso melhor ainda, imaginar a emoção estampada na cara dos nossos netos ao contar-lhes que o avó foi preso por via das ilegalidades cometidas no processo de descobrir o numero de telefone da avó para a poder convidar para sair? As recordações que isso não ia trazer, o impacto que isso não ia ter ao ser recordado como uma daquelas histórias de amor em que "só antigamente" quando eu era novo, e em como já não há amor assim, como aquele que eu tinha imaginado para nós.

Trocámos umas mensagens antes de não voltar a ter noticias dela. Fiquei tristíssimo, desolado mesmo, partiu-me o coração. Pensar em tudo o que eu fiz, em todo o trabalho que tive ou nos riscos que corri, para nada. Achei que ia ser um daqueles esforços impossíveis de ignorar, demasiado inacreditavel para não ligar, que só podia acabar bem, porque é assim que as histórias de amor acabam, os bons ganham, o herói fica com a rapariga e viverem felizes para sempre, tem filhos e netos e ficam juntos "até que a morte os separe"... é isso que é o amor não é?

Estava a descer a rua á pouco, ao final da tarde. Começava a chover no verão de S. Martinho, e o vidro do carro enchia-se de pequenas gotas que ainda não apetece sacudir com as escovas. Do lado de fora uma rapariga subia junto ao passeio. Morena, e a chuva que caia fazia-lhe pesar o cabelo sobre a cara. Olhei para ela e ela olhou para mim, só uns segundos, mas uns segundos a mais que aquilo que seria normal, recordo-me de travar e de a ver abrandar enquanto tentavamos fazer aquele instante durar para sempre, e senti o mundo desacelerar para nós. Apeteceu-me parar, oferecer-lhe boleia e abrigo da chuva, leva-la a casa e pedi-la em casamento, e claro que não fiz nada. A minha hiperactiva imaginação quer acreditar que amanhã, ou no dia seguinte, vou chegar ao meu carro e ter nele um coração desenhado a dedo no pó do vidro da frente, um papel dobrado em oito debaixo da escova com um numero de telefone dentro... e também vos posso dizer que não vai acontecer.

Foi isso que percebi hoje, que sei o que o amor é para mim, mas o que o amor é para mim não é necessariamente o que o amor é para as outras pessoas, tanto quanto sei, o que acho que é amor é outra coisa qualquer que dá por um outro nome que eu não sei qual é e que de amor "AMOR" tem pouco ou mesmo nada. Que tenho estas ilusões ridiculas de romance, noções Hollywoodescas de como uma historia de amor devia ser, uma vaga ideia de como tudo devia acontecer para que no fim todos tivéssemos uma história de amor para contar, uma que valesse a pena ser contada, que valesse a pena ser ouvida, que inspirasse outros amores. Mas não sei o que é que esta minha noção de amor tem de tão extraordinario, talvez não seja assim que o amor de verdade funcione e por isso mesmo nenhuma delas deu em nada, por não serem nada daquilo que o amor é, daquilo que eu gostava que ele fosse... e nunca foi.

"It's love illusions I recall... I really don't know love at all", Joni Mitchell

Modern man

"I’m a modern man, a man for the millennium. Digital and smoke free. A diversified multicultural, post-modern deconstruction that is politically, anatomically and ecologically incorrect. I’ve been uplinked and downloaded, I’ve been inputted and outsourced, I know the upside of downsizing, I know the downside of upgrading. I’m a high-tech low-life. A cutting edge, state of the art, bicoastal, multitasker and I can give you a gigabyte in a nanosecond! I’m new wave but I’m old school and my inner child is outward bound. I’m a hotwired, heat seeking, warm hearted, cool customer, voice activated and biodegradable. I interface with my database, my database is in cyberspace, so I’m interactive, I’m hyperactive and from time to time I’m radioactive. Behind the eight ball, ahead of the curve, ridin the wave, dodgin the bullet and pushin the envelope. I’m on-point, on-task, on-message and off drugs. I’ve got no need for coke and speed. I've got no urge to binge and purge. I’m in the moment, on the edge, over the top but under the radar. A high concept, low profile, medium range ballistic missionary. A streetwise smart bomb. A top gun bottom feeder. I wear power ties, I tell power lies, I take power naps, I run victory laps. I’m a totally ongoing bigfoot, slam dunk, rainmaker with a proactive outreach. A raging workaholic. A working rageaholic. Out of rehab and in denial! I’ve got a personal trainer, a personal shopper, a personal assistant and a personal agenda. You can’t shut me up. You can’t dumb me down because I’m tireless and I’m wireless, I’m an alpha male on beta blockers. I’m a non-believer and an over achiever, laid back but fashion forward. Upfront, down home, low-rent, high maintenance. Supersized, long- lasting, high-definition, fast-acting, oven-ready and built to last! I’m a hands-on, footloose, kneejerk, head case, prematurely post-traumatic and I’ve got a love-child that sends me hate mail. But, I’m feeling, I’m caring, I’m healing, I’m sharing, a supportive, bonding, nurturing primary care-giver. My output is down but my income is up. I took a short position on the long bond and my revenue stream has its own cash-flow. I read junk mail, I eat junk food, I buy junk bonds, I watch trash sports! I’m gender specific, capital intensive, user-friendly and lactose intolerant. I like rough sex. I like tough love. I use the “F” word in my emails and the software on my hard-drive is hardcore - no soft porn. I bought a microwave at a mini-mall, I bought a mini-van at a mega-store. I eat fast-food in the slow lane. I’m toll-free, bite-sized, ready-to-wear and I come in all sizes. A fully equipped, factory-authorized, hospital-tested, clinically-proven, scientifically-formulated medical miracle. I’ve been pre-wash, pre-cooked, pre-heated, pre-screened, pre-approved, pre-packaged, post-dated, freeze-dried, double-wrapped, vacuum-packed and I have an unlimited broadband capacity. I’m a rude dude, but I’m the real deal. Lean and mean! Cocked, locked and ready-to-rock. Rough, tough and hard to bluff. I take it slow, I go with the flow, I ride with the tide. I’ve got glide in my stride. Drivin and movin, sailin and spinin, jiving and groovin, wailin and winnin. I don’t snooze, so I don’t lose. I keep the pedal to the metal and the rubber on the road. I party hardy and lunch time is crunch time. I’m hangin in, there ain’t no doubt and I’m hangin tough, over and out!"

George Carlin

How do you say goodbye to someone you can't imagine living without?

Faltou-me o ar ao virar a pagina e a força nas pernas ao ler a notícia, e até voltar a sentir o coração bater-me timidamente no peito, era capaz de jurar que morri e que a tua imagem foi a ultima coisa a passar-me diante dos olhos, achei que era o fim, o nosso, aquele que há muito já devia ter sido, mas que apenas faço de conta que foi insistindo em prolongá-lo na esperança que a espera lhe mude o desfecho para um diferente do que sabemos não tardar, aquele que ao virar a pagina senti chegar. Tinhas sido mãe.

Ter um filho é o "deal-breaker" de todos os meus amores em potência. É quando tenho a certeza de que seja o que for que havia entre nós acabou, que qualquer restea de esperança que ainda pudesse haver não faz mais sentido, que qualquer hipotese, por mais remota que fosse, de acabarmos juntos não existe mais, como se algures um universo paralelo onde éramos felizes os dois implodisse e nada pudesse voltar a ser o que era.

Acho que é egoísmo, e digo que a culpa é de gostar de ti como gosto que me faz incapaz de te dividir seja com quem for, achar que quando há um filho que te prende a uma vida que foi é impossível viver plenamente qualquer outra que possa vir a ser, se há algo em ti que te amarra a alguem, se há um bocado de ti que nunca há-de ser ser meu, então não podes ser minha... e se não podes ser minha, o que vai ser de mim, que só sei ser teu? Quero-te por inteiro porque nunca soube querer-te de outra maneira, nem menos que isso chegava para albergar o tanto de ti que há em mim.

Na manhã seguinte soube que não era teu, que não eras tu, mas não respirei de alívio ou fez diferença, porque o que eu senti foi verdade, e pouco importa se não era teu, ou não eras tu, hás-de ser, um dia em outro mês de qualquer outro ano, é a possibilidade, ou mais que a possibilidade, é a inevitabilidade do fim que se avizinha, do sentimento de derrota, o morder a bala e reconhecer que perdi, e que ao perder nos perdemos aos dois... um ao outro.

É curioso pensar nisso, antigamente, pouco me importava se as raparigas de quem eu gostava namoravam, naquela altura, todos os namoros acabavam... eventualmente... tudo o que era preciso era um elemento destabilizador e tempo para tudo cair qual castelo de cartas. Aos 17 anos, todos os namoros acabarem é como que uma verdade universal, verdade que aos 27 não se aplica mais.

Agora os namoros não acabam, ou acabam, mas de uma maneira diferente, acabam num T2+1 comprado a meias, acabam a morar juntos e a dividir as despesas, acabam em casamento, acabam em filhos, e se no fim tudo correr mal acabam em divórcio e em divisão de bens. Os namoros que outrora acabavam com a mesma naturalidade com que começavam, agora acabam já bem para lá do seu prazo de validade ter expirado enquanto tentamos aplicar os namoros de antigamente aquilo que o mundo espera de nós agora, maiores e vacinados, adultos e formados, em que todos se apressam a dar o próximo passo evolutivo lógico no sentido de corresponder ás expectativas, ainda que não tenhamos bem a certeza que expectativas são essas ou o que é suposto fazermos, mas os anos passam o e relógio biológico aperta e nos empurra da janela de oportunidade que vái estando cada vez mais fechada, e nós saltamos, porque maior que o medo da queda é o de que quando a musica acabe todos tenham encontrado uma cadeira menos nós, o medo de ficarmos sós.

E assim nos emaranhamo-nos numa vida qualquer, e quando a dura e crua realidade das coisas que não estão destinadas a ser nos bate á porta, pensamos em todas as outras vidas que deixaram de ser, vitimas desta, em todos os universos paralelos que implodimos entretanto e que não voltam mais, em como mais tarde será tarde, quando já é tarde demais.

It's a boy... and a girl!

Bem-vindo ao mundo Rafael... e Beatriz!

The Outer Limits

There is nothing wrong with your television set. Do not attempt to adjust the picture. We are controlling transmission. If we wish to make it louder, we will bring up the volume. If we wish to make it softer, we will tune it to a whisper. We can reduce the focus to a soft blur, or sharpen it to crystal clarity. We will control the horizontal. We will control the vertical. For the next hour, sit quietly and we will control all that you see and hear. You are about to experience the awe and mystery which reaches from the inner mind to... The Outer Limits.

Klaatu Barada Niktu

I am leaving soon, and you will forgive me if I speak bluntly. The universe grows smaller every day, and the threat of aggression by any group, anywhere, can no longer be tolerated. There must be security for all, or no one is secure. Now, this does not mean giving up any freedom, except the freedom to act irresponsibly. Your ancestors knew this when they made laws to govern themselves and hired policemen to enforce them. We, of the other planets, have long accepted this principle. We have an organization for the mutual protection of all planets and for the complete elimination of aggression. The test of any such higher authority is, of course, the police force that supports it. For our policemen, we created a race of robots. Their function is to patrol the planets in spaceships like this one and preserve the peace. In matters of aggression, we have given them absolute power over us. This power cannot be revoked. At the first sign of violence, they act automatically against the aggressor. The penalty for provoking their action is too terrible to risk. The result is, we live in peace, without arms or armies, secure in the knowledge that we are free from aggression and war. Free to pursue more... profitable enterprises. Now, we do not pretend to have achieved perfection, but we do have a system, and it works. I came here to give you these facts. It is no concern of ours how you run your own planet, but if you threaten to extend your violence, this Earth of yours will be reduced to a burned-out cinder. Your choice is simple: join us and live in peace, or pursue your present course and face obliteration. We shall be waiting for your answer. The decision rests with you.

in The Day the Earth Stood Still

Wake up, you might be dreaming!

Alguma vez tentaram explicar algo que não conseguem perceber e acharam que só há-de fazer sentido pós outros quando fizer sentido em nós? ... e quando não faz? Como é que se explica o que não se percebe?

Todo este brainstorming veio depois de uma conversa contigo bem para lá das 4 da manhã, em algo que acredito bem mais natural se nos guiarmos pelo teu fuso horario, em que te dizia que aquilo de que eu tinha mesmo medo, era não saber como é que ia olhar para ti daqui a 20 anos. Gostava de acreditar que numa tarde de Sabado num dia de primavera nos iamos cruzar na avenida em frente ao parque, eu ia estar com ela que não eras tu, tu ias estar com ele, que não era eu, ás minhas cavalitas o meu Afonso, que não era teu, no carrinho que empurravas o teu Afonso, que não era o meu.

Gostava de ter a certeza de que depois de pormos 20 anos em dia numa conversa de 5 minutos, seguiamos o nosso caminho, felizes por ter tropeçado um no outro, e que á medida que nos afastavamos, olhava para trás ainda a tempo de te ver virar a cara e pensavamos em uníssono "ali vai ele, o amor da minha adolescência", e é esse o meu problema, o não saber se é assim que a coisas vão acabar. É saber que há sonhos que entram em nós e que em nós ficam o resto da vida, é o saber que há sonhos dos quais nunca se acorda que me faz ter medo do fim alternativo que tudo isto possa ter. O ver-te ir embora com ele, que não sou eu, e querer ser, tu veres-me ir embora com ela, que não és tu, e desejar que fosses, e pensar para mim, que não é só o meu amor de adolescente que ali vái com outro alguem pela mão, mas o meu amor ainda, o amor duma vida, de uma outra que não esta, de uma que esteve tão perto de acontecer não fosse vencida por outra que se foi infiltrando em nós por entre a passividade dos dias sem que dessemos conta, e sem nada fazer-mos até ser tarde de mais.

Hermínio Monteiro dizia "Precisávamos de ter várias vidas, não é? Para acertar com uma. Esta é muito pequena. Mesmo que a tenha vivido intensamente." … Há anos que adoro essa frase de tão verdade que a vejo, desta vez fez-me pensar em quão certa pode ser uma vida ao lado da pessoa errada? Que maior que o medo de que o tempo mude tudo, é o de que não mude nada. O medo das coisas em que o tempo não toca e que através dele permanecem imutáveis. Olhar para trás para ti enquanto sobes a avenida, e achar que fiz a escolha errada, numa vida demasiado curta para voltar atrás a tempo de fazer a certa, ou qui ça uma menos errada para nós os dois.

Não consegui parar de pensar nisso, em como o pouco tempo que temos deixa tão pouca margem para erros, torna tudo tão eterno, tão para sempre, tão irremediável, tão cheio de consequências que ficam para lá do que lhes deu origem acabar, tão cheio de repercurssões que se ramificam por areas da nossa vida que nunca teriamos imaginado, e em como o medo de arriscar num salto de fé e dár um tiro no escuro não nos impede de acertar em cheio naquilo que queriamos sem saber.

De uma maneira um tanto ou quanto redutora, é como não aceitar para trabalho de Verão, algo que não seria capaz de fazer resto da vida, ainda que com a consciência de que acaba com o Outono, e como não há nada que me veja a fazer o resto da vida, não faço nada, ciente de que podia fazer qualquer coisa entretanto, enquanto o resto da vida não chega. Simplesmente não consigo ver propósito em começar algo que podia até fazer sentido por algum tempo quando não o consigo extrapolar para o resto da vida.

E é assim que acontece com as relações, para que funcione tenho de acreditar que vái durar para sempre, que vái ser a minha última namorada e a mulher com quem vou casar, penar nas bodas de prata e de outro e no "Até que a morte nos separe", a mãe dos meus filhos, quem que vái estar do meu lado e ao lado de quem vou acordar de então em diante até ao fim dos meus dias, tantos quantos me restam. Vejo todas as minhas namoradas como a última, tenho de ver para que funcione, sempre, desde a primeira e nenhuma delas o foi, com nenhuma funcionou, houve sempre mais alguem.

Curiosamente isso nem é aquilo que mais me incomoda, aquilo que mais me incomoda, é pensar em todas aquelas que não foram somente aquilo que podiam ter sido, por ter tentado fazer delas aquilo que elas não eram suposto ser... e de que modo não tivesse eu não tentado fazer delas aquilo que elas não eram, não tinham elas acabado por se revelar aquilo que eu queria que elas fossem?

A consequência da eternidade que imprimo a tudo, é que enquanto não sou feliz para sempre com alguem, não consigo ser feliz entretanto com ninguem, sem nunca saber se não pode um entretanto durar uma vida inteira.

... e era isto que vos queria dizer!

I think you're trying to tell me something.

"Well, there was this king and he ruled over his kingdom and right in the middle of the kingdom, there was a well from where everybody drank. Than one night, this witch came along and she poisoned the well and the next day everybody drank from it except the king. They all went crazy. They got together in the street and said, "We've got to get rid of the king, cos the king is mad". That night he went down and he drank from the well. The next day all the people rejoiced because their king had regained his reason."

in Serpico

Hit me, baby, one more time!

Se querem que vos diga, nem sei bem qual é o meu problema ou se o é mesmo meu o problema, a única coisa que sei é que estou velho, seja lá o que isso for, estou velho no sentido em que já n tenho paciência para couros, e engates e figuras ridículas, nem sequer tenho paciência para joguinhos que não levam a lado nenhum ou mesmo que levem, já não tenho idade nem disposição para me andar a fazer de difícil nem para aquelas que se fazem de difíceis.

Já tive 18 anos, já foi o gajo popular do liceu, já fui pá cama com a rainha do baile de finalistas, já namorei com a boazona do secundário, já fiz essas coisas todas, been there, done that, moving on! Mas parece que nem toda a gente pensa assim ou nem toda a gente passa por essas fases na idade em que é suposto, há pessoas que ficam anos presas na puberdade, décadas, há outros então que nunca chegam a sair de lá e encalham na puberdade o resto da vida.

Abomino couros, abomino engates, acho vulgar e de mau tom, baixo nível e recuso-me a participar ou fazer parte desse tipo de coisas, para mim as coisas são bué simples, se por acaso conheço uma rapariga que me desperta a atenção ou por quem fico interessado, convido-a para sair, e ela aceita ou não aceita, se aceita, óptimo, se não aceita porque tem qualquer coisa para fazer, ou já tem qualquer coisa combinada, muito provavelmente até a volto a convidar passado uma semana, ou duas, e se ela voltar a ter qualquer coisa para fazer, não a convido mais vez nenhuma, porque das duas uma, ou não quer, ou não pode, se não quer não faz sentido voltar a convidar, se não pode, não faz sentido voltar a convidar, logo vai dar no mesmo, até porque já convidei e ela não pode, logo se até não deu mesmo para sair, mas ela até queria ir sair, agora que sabe que eu também queria, que me convide a mim tal como eu a convidei a ela.

Mas vamos imaginar que até aceita o meu convite para sair.

Eu sou um gajo bué romântico, e bué esforçado, odeio daquelas saídas do "Vamos onde?" "Decide tu!" "Não decide tu!" "Não decide tu!" ... Eu decido tudo, e trato de tudo para que as saídas sejam perfeitas, o restaurante, o bar, o miradouro, o concerto, o teatro, as horas, trato de tudo ao pormenor para que corra tudo às 1000 maravilhas, e se por acaso nos divertimos, e gostamos da companhia um do outro, eu sou bué sincero em relação a tudo, porque lá está, estou velho e não estou para perder tempo com joguinhos estúpidos.

Quando a for deixar a casa, provavelmente digo qualquer coisa do género "Diverti-me bué, gosto de estár contigo. Devíamos fazer isto mais vezes." E suponho que seja aqui que o meu pseudo-problema começa.

Sou fácil, ou deve ser essa a ideia que transmito, como me esforço por agradar, e como digo que o que penso e o que sinto, e que devíamos sair mais vezes, é obvio que estou interessado, e como o que não dá luta não tem piada, eu passo para segundo plano, porque já devo estar conquistado, e rendido aos seus encantos, e ela entra no espírito do fazer-se difícil para dar luta e ter piada, o demorar 2 dias a responder a uma mensagem, e outros exemplos que tal, e eu estou nem ai para isso, logo, estou fora! Tchau ai!

Eu não digo mais nada porque tenho pouca paciência para miúdas convencidas, e ela não diz nada porque se está a fazer difícil e é suspoto eu convida-la mais quatro vezes até ela voltar a aceitar, e com isto... somos felizes os dois, ela na dela, eu na minha.

Eventualmente ela vai arranjar um gajo como o que ela procurava, um gajo que se faça difícil, que dê bué luta, que tenha bué gajas atrás dele (o tal pessoal que ainda está preso na puberdade aos 26 anos) para ela conseguir andar com ele, e convencer-se que é melhor que as outras tipas todas que queriam o mesmo, e prontos, passado 2 meses ela descobre que afinal não detêm a exclusividade, porque nisto ele continuou no engate com as outras todas e mamando uma ou outra sempre que pára no W, ou no Lux, ou no Docks e as coitadinhas ficam destroçadas porque... e isto é uma citação recorrente... "TENHO BUE AZAR COM RAPAZES" porque é que será que nunca encontram alguém fixe, honesto, sincero, com quem possam contar... Ahhhh espera! O RISQUES! Já nem me lembrava dele!

- Oi, então, nunca mais disseste nada, quando é que vamos sair outra vez?

HUH? LOL... Ah pois é, e assim de repente a minha honestidade de antes agora é bué recomendável, e os joguinhos já são uma estupidez e uma perda de tempo e parece que eu afinal tinha razão, mas vêem tarde porque já tiveram a oportunidade delas e acharam por bem dar para trás porque eu estava a ser fácil não era? Então como agora são elas que tão a ser fáceis, eu faço o mesmo, e estou nem ai pás rapariguinhas, vão lá andar com o elenco dos Morangos que por esta altura eu já percebi que não são o tipo de miúda que eu quero para mim, logo está tudo bem outra vez.

Meaning, acabo por me lixar sempre, porque se entrasse no jogo, safava-me, mas como não faço o que é suposto fazer, nunca dá em nada, e passado dois meses vem perguntar porque é que nunca mais disse nada, como se eu não soubesse as regras do jogo, sem nunca perceberem que o plano nunca foi fazer parte do jogo, mas antes acabar com os joguinhos.

O mais reconfortante, é saber que não perdemos nada, porque uma miúda que ainda esteja "nessa fase" não é OBVIAMENTE aquilo que eu estou á procura que está bem para lá de simplesmente querer "arrumar o Volkswagen na garagem" já que, e aqui as opiniões dividem-se e tenho amigos que dizem que sou ingénuo e amigas que dizem que sou só estúpido e não vejo o que está mesmo á minha frente uma vez que outro dos problemas do estar farto de engates, affairs, one night stands que não vão dar em nada sério, acaba por ser outro, quando elas andam a ver se as levo para a cama, e eu ando preocupado em escolher a cor para o quarto das crianças, para o "Afonso" se for rapaz "Alice" se for menina, o que pelos vistos é um "major turn-off".

Há um excerto do "Amor é Fodido" do Miguel Esteves Cardoso que gosto particularmente.

- Estou sempre a voltar á Teresa. Mesmo quando estava com as outras era essa a minha actividade principal: voltar à Teresa. Ainda tentei repetir algumas brincadeiras com as outras, mas eram elas que sugeriam para me animar - e não era a mesma coisa.
Eu dizia «diz: Bate-me!»
E ela dizia «Bate-me!» muito baixinho, com medo de levar mesmo uma chapada.
E eu dizia «Diz como se te apetecesse mesmo!»
E ela invariavelmente: «Porque é que não me fodes e não me deixas em paz?

... e no fundo acho que é isso, ando bué iludido em noções ultrapassadas de romance, quando é suposto fode-las e deixá-las em paz.

Agora a parte do ódio, para no fim haver uma moral da história e não cair em off-topic.

Odeio perceber isso tudo, odeio ter noção de tudo, e fazer tudo sentido, ainda que há sua maneira meio absurda. Odeio saber o tipo de gajo que tenho de ser para sacar quem quero, ou o tipo de coisas que tenho que fazer para andar com quem quero... e odeio ter as minhas convicções tão cimentadas, que não me admito sequer fraquejar para conseguir esta ou aquela, e depois odeio ficar chateado por não as ter sabendo que fazendo as coisas a que me nego, conseguia, o que faz com que corra sempre mal, faça eu aquilo que fizer.

In: http://www.puntopt.net/forum/viewtopic.php?f=7&t=12448&st=0&sk=t&sd=a&start=645#p190311

P.S. Parabéns Filipa

Qualidade do que é descartável

Morreu uma amiga minha, matei-a! Matei-a com a frieza com que matei todos os outros que vieram antes dela e que um a um foram caindo até não sobrar ninguem. Stalin disse que a morte resolve todos os problemas, mas não sei se a morte dela não veio criar mais problemas que aqueles que pretendia resolver.

Mata-la foi fácil, dificil foi vê-la morrer e com ela todos os planos a dois, o nosso plano B para ser feliz em que se aos 40 anos nenhum de nós estivesse casado, ficavamos um com o outro e eramos felizes os dois, o medo de que funcionasse e o que isso ia significar, de que tinhamos desperdiçado todo este tempo... todos estes anos, quantos? Dez? Mais? Lembro-me da nossa primeira conversa àquilo que agora parece um milhão de anos, lembro-me da última como se tivesse sido ontem, se calhar foi.

Não páro de me surpreender com a facilidade com que os amigos me trocam, não sei qual é a tua desculpa, tenho a certeza que há uma, uma elaborada explicação a roçar o plausível para tudo o que aconteceu, uma série de acontecimentos infelizes aos quais foste completamente alheia que resultaram naquel fatídico fim de tarde. Pouco me importa, pouco me interessa, dispenso a tua explicação, as tuas mentiras, se foi por ele, por ti, ou a troco de um pacote de amendoins, digo-te o mesmo que disse a todos os outros agora defuntos a quem seguiste o exemplo, espero que seja o que for que ganháste compense o teres-me perdido. Espero que tenha valido a pena e que encontres seja o que for procuras.

Hesitei antes de te matar pelo tanto que gostava de ti, mas se importancia não se dá, retribui-se, achei que não importa, já que não gostavas de mim de volta na mesma medida, não te queria matar, gostava demasiado de ti, mas gostava também dos que vieram antes de ti, e não foi por isso que os poupei, mas contigo foi diferente, não pensei em poupar-te por ti mas por mim, que matei toda a gente, sobraram tão poucos, que não te queria perder também, não queria ficar sozinho.

Foi isso que mudou desta vez, foi isso que me fez pensar, em como era mais facil perdoar-te e fazer de conta que não aconteceu nada, fechar os olhos, só desta vez para que tudo continuasse bem entre nós, dois amigos com um plano B para ser feliz, como era tá mais facil deixar passar e poupar-me ao trabalho e tristeza que o contrario trazia.

E foi aí que percebi, em como o verdadeiro desafio está em ser infeliz, em estár sozinho. O ser feliz é fácil, ter um grupo de amigos enorme onde já se perdoou algo a algum, a qualquer um, a todos, eles falham-nos a nós e nós em contra-partida falhamos a eles e isso equilibra a balança, é facil, desde que estejamos dispostos a ser como eles e a fazer o mesmo que eles fazem. Um namoro invejável onde ambos se adoram e são fieis um ao outro, tirando esta ou aquela vez de que já ninguem se lembra ou fingem não se lembrar e é como se nunca tivesse acontecido, que não significou nada, nenhuma das vezes, e só os fez ver quão precioso era aquilo que tinham e como fortalecida a relaçao saiu do meio dos escombros. Os casamentos que chegam ás bodas de prata, ás bodas de ouro, e os filhos ilegitimos pelo meio, a traição perdoada, a roupa interior encontrada no banco de trás do carro, porque o divórcio dá demasiado trabalho, os filhos, a casa, os carros, as contas, os cães e quem fica com o periquito...

São esses os casamentos que duram, os unicos casamentos que duram, os namoros que funcionam, os unicos namoros que funcionam, as amizades á prova de bala. Os da gente demasiado cobarde para fazer a coisa certa, a complicada e que nos deixa a vida do avesso e nos faz começar de novo, a que requer coragem e espirito de sacrificio, porque o ser feliz é facil, é o ser infeliz que dá trabalho, o mantermo-nos fiel aos principios que trazemos de trás e dos quais não estamos dispostos a abdicar por nada nem ninguem, os mesmos principios que vão deixando vitimas pelo caminho, e nos fazem seguir cada vez mais sozinhos com os poucos que vão resistindo, e a altura chega em que nos cansamos de estár sós e olhamos em redor para os corpos caidos em nossa volta e temos vontade de lhes dár uma mão e os ajudar a levantar, o "forgive and forget", as segundas oportunidade... porque no fundo é o querer ser feliz que nos move, e há falta de uma felicidade de verdade, pode ser que uma de faz de conta sirva, forçamo-nos a acreditar que as pessoas mudam, aprendem com os erros, que vái ser diferente desta vez, só desta vez, agora que viram que não toleramos deslizes, e queremos tão piamente acreditar nisso que o tornamos verdade, porque mais que querermos ser felizes, estamos demasiados cansados do contrario...

É preciso uma força de vontade do tamanho do mundo para resistir á tentação da ilusão de felicidade junto daqueles que fomos deixando para trás e continuar sós, infelizes em busca de algo que não temos sequer a certeza existir, mas é o querer ser feliz que nos move, que nos continua a mover apesar de todas as facadas e traições, depois das decepções e desilusões, na esperança de tambem nós encontrármos aquilo que procuramos, e que ao aparecer, faça com que tudo tenha valido a pena, para nós, como antes fez para eles.

Raiz quadrada de três

"I fear that I will always be
A lonely number like root three

The three is all that’s good and right,
Why must my three keep out of sight
Beneath the vicious square root sign,
I wish instead I were a nine

For nine could thwart this evil trick,
with just some quick arithmetic

I know I’ll never see the sun, as 1.7321
Such is my reality, a sad irrationality

When hark! What is this I see,
Another square root of a three

As quietly co-waltzing by,
Together now we multiply
To form a number we prefer,
Rejoicing as an integer

We break free from our mortal bonds
With the wave of magic wands

Our square root signs become unglued
Your love for me has been renewed."

Shopdropping

n. s. To covertly place merchandise on display in a store. A form of "culture jamming" s. reverse shoplift, droplift.

The Desiderata of Happiness

Go placidly amid the noise and the haste, and remember what peace there may be in silence. As far as possible, without surrender, be on good terms with all persons. Speak your truth quietly and clearly; and listen to the dull and ignorant; they too have their story. Avoid loud and aggressive persons; they are vexatious to the spirit. If you compare yourself with others, you may become vain or bitter, for always there will be greater and lesser persons than yourself.

Enjoy your achievements as well as your plans. Keep interested in your career, however humble; it is a real possession in the changing fortunes of time. Exercise caution in your business affairs, for the world is full of trickery. But let this not blind you to what virtue there is; many persons strive for high ideals and everywhere life is full of heroism.

Be yourself. Especially do not feign affection. Neither be cynical about love; for in the face of all aridity and disenchantment, it is as perennial as the grass. Take kindly the counsel of the years, gracefully surrendering the things of youth. Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune. But do not distress yourself with imaginings. Many fears are born of fatigue and loneliness.

Beyond a wholesome discipline be gentle to yourself. You are a child of the universe, no less than the trees and the stars and you have a right to be here. And whether or not it is clear to you, no doubt the universe is unfolding as it should. Therefore, be at peace with God, whatever you conceive Him to be. And whatever your labors and aspirations, in the noisy confusion of life, keep peace with your soul. With all its sham, drudgery and broken dreams, it is still a beautiful world.

Be cheerful. Strive to be happy.


Max Ehrmann (1874-1945)

What's It All About, Alfie?

I warned them all from the beginning. I always said something along the lines of "I must advise you, I am stamped with an invisible warning. I will not commit. I will never marry." Despite my best efforts, I'm beginning to feel some small cracks in my faux finish. You know, when I look back on my little life and all the women I've known, I can't help but think about, all that they've done for me, and how little I've done for them, how they looked after me, cared for me, and I repaid them by never returning the favor. I used to think I had the best end of the deal. What have I got? Really! Some money in my pocket, some nice threads, fancy car at my disposal, and I'm single, unattached, free as a bird. I don't depend on nobody, nobody depends on me. My life's my own… but I don't have peace of mind, and if you don’t have that you've got nothing. So, what’s the answer? That's what I keep asking myself. What's it all about? You know what I mean?

Two wrongs don't make a right

Cataró,

A nossa amiga em comum gostava de mim, e gostava de ti, que achou que seria optimo se conseguíssemos gostar um do outro, até porque tu tinhas tanto azar com rapazes, que já era tempo de aparecer alguém como eu na tua vida e dar a volta à tendência negativa. Foi essa a frase que me deixou a pensar nos meses que se seguiram, ainda hoje dou por mim a tentar fazer sentido de tudo isso... mas agora faz.

É tão fácil conquistar quem queremos, só temos de nos fazer passar por aquilo que a outra pessoa procura. É assim tão facil. As coisas só se começam a complicar quando tentamos então perceber o que é que a outra parte procura então, porque nem toda a gente procura as mesmas coisas, para umas é suposto mostrar que tenho bue dinheiro, ou fingir que tenho, para outras tenho de descolorar o cabelo comprar um wet suit e uma prancha de surf, outras ainda conquistam-se passado por elas todas as terças no Docks, todas as quartas no W, todas as quintas no Lux, ao Sabado á noite no RS, e cruzarmo-nos com ela dia sim, dia não na praia da Morena, ou na Cabana do Pescador, excepção feita áquelas que para conquistar-mos temos de dár continuamente para trás, porque só gostam de quem não gosta dela, e essa é uma situação complicada, uma vez que no dia em que deixares de dár para trás, elas deixam de querer qualquer coisa contigo, logo a maneira de as conseguir, na realidade passa por nunca as querer, que nos deixa num loop que não nos leva a lado nenhum, e mais vale esquece-las, que, à luz desta teoria, nos torna automaticamente inesqueciveis, enfim.

Mas claro que ninguem consegue fingir ser outra pessoa o tempo inteiro, e ai uma de duas coisas acontece, ou a) acabam, quando uma das partes não consegue fingir mais, e a outra ainda não está pronta para deixar de fingir, ou b) deixam de fingir os dois e percebem que "The real you is more interesting than the fake somebody else" e com um bocado de sorte, quando se conhecem verdadeiramente por aquilo que são, não ficam surpreendidos com o que encontram, como a Carrie dizia, "If you find someone to love the you you love, well, that's just fabulous".

Depois há um outro tipo de pessoas, aquelas que já não tem paciencia ou disposição para joguinhos que no fundo são só uma perda de tempo, e que acham que alguem que se interesse por eles, vái ter de ser interessar desde logo por aquilo que eles são, sem espelhos nem cortinas de fumo, sem truques. Acredito que eventualmente todas a pessoas chegam a essa parte, umas mais cedo que outras, outras mesmo tarde demais, mas ainda assim, com a idade, toda a gente percebe quando é altura de parar com as mentirinhas e ser honesto em relação a nós e aquilo que esperamos dos outros.

Foi aqui que as coisas correram mal entre nós, eu digo o que penso e faço o que digo, e tu não estavas preparada para lidar com a minha honestidade, para o "Gosto de ti e quero passar mais tempo contigo, e logo se vê o que acontece", desculpa, não é o tipo de coisas a que tás habituada, eu compreendo, e não faz mal, até porque outra das coisas que faltou dizer sobre as pessoas que não tem paciencia para os joguinhos, é que tambem não tem paciencia para quem ainda tem, logo, se o que fiz não foi o que era suposto fazer, foi só porque tu não eras quem eu esperava que fosses.

Eu não sei se já percebeste isto, mas eu explico-te seja como for. Temos de ter cuidado com aquilo que desejamos, porque por vezes depois de o conseguirmos, não é nada daquilo que esperavamos que fosse. Eu estou perfeitamente ciente de todo o mecanismo por detrás das relações, é como é muito mais motivante alguem que nós dá luta, que nos dá para tras, e tem outras 200 miudas atras, e a vontade que dá de mostrar que somos melhores, que conseguimos para nós o que todos os outros queriam para eles, ir pá cama com a Miss Caloira, ou namorar com a Rainha do Baile de Finalistas, been there, done that, acredita, eu sei. Aquilo que te falta perceber é que ninguem com a predisposição para os joguinhos vái deixar de brincar só porque chega uma altura ou aparece alguem, com quem é suposto atinar. Porque depois de conseguires, já ñ tem piada, e tens de arranjar um desafio novo, ou porque as 200 miudas continuam lá, porque a tentação é grande, porque a carne fraca, porque foi só desta vez, porque não significou nada, e quando dás por ti, lá está o teu azar de sempre a bater-te á porta, sem que nunca percebas o que é que fizeste de errado.

Desculpa se te desiludi, se a minha sinceridade não tinha lugar na tua agenda, mas a ideia nunca foi fazer parte do jogo, mas antes deixar-mo-nos os dois joguinhos. Mas deixa, és nova, é natural que nada disto faça sentido, mas volta daqui a 5 anos, por essa altura a minha honestidade de hoje não te vái parecer algo assim tão terrivel, meu bem.


Joana,

Não quisseste saber mas eu vou-te contar na mesma.

Sinceramente, não sei porque raio te perguntei o nome, ou o que é que eu achava que ia conseguir com ele, talvez se te chamasses Natercia faria todo o sentido, até porque só há 176 Natercias no Hi5, mas Joanas há 34.000, e lá para a 14.000 e qualquer coisa achei que era só absurdo... e sim, ainda cheguei à 14.000 e qualquer coisa.

Achei que tinha de te encontrar de outra maneira qualquer e das poucas coisas que me lembro foi de te ver com imensos sacos na mão, e numa dedução lógica concluir que, ou andavas com 1000€ na carteira, ou tinhas pago com cartão, e partiu daí, "Serendipity" anyone? Na semana seguinte voltei á loja, e disse que tinha comprado dois artigos (o meu e o teu) e que tinha pago um com dinheiro (o meu) e outro com cartão (o teu) mas que só me tinham dado o recibo do primeiro, na tentativa de me darem o teu talão. Disseram que só passavam segundas vias com a apresentação do talão original o que me soou um bocado absurdo, até porque se alguém tivesse o talão original, não precisava da segunda via para nada, mas adiante, só para dar credibilidade à minha história até deixei uma reclamação por escrito.

Depois disso achei que ia ser complicado, até falar com um amigo meu num banco que me disse que a única coisa que ele precisava era do ID do estabelecimento para saber as transacções feitas em tal dia a certa hora, e que qualquer talão multibanco trazia essa indicação. Voltei á loja e comprei uma porcaria qualquer (a segunda que compro por ti, já que a primeira foi a desculpa para voltar para ao pé de ti na fila da caixa, que motivou tudo isto) para pagar com cartão e com isso ficar com o ID da loja para o meu cumplice no banco, com a data e hora, que sabia do meu talão.

O nosso affair ter-se passado pela altura do natal, e termos pago numa caixa que está fechada o resto do ano complicou um bocadinho as coisas. Ao telefone disse-lhe também que sabia que a tua transferencia era de 59,90€ ou 69,90€, qualquer coisa assim, e ele diz-me que o único 59,90 que aparecia era de 10 minutos depois e já não podias ser tu. Pedi-lhe então para ver nos outros multibanco da loja, e ele diz que o mais parecido é uma compra de 49,90 um minuto depois da minha. Perguntei-lhe o nome do titular do cartão e quando ele disse "Joana" soube que te tinha encontrado.

Daí ao teu número de telefone ainda passou uma semana, o tempo que levaste a carregar o telemóvel, da referência multibanco ao teu número foi facil. Depois disso foi o tempo que precisei para ganhar coragem de te dizer qualquer coisa, daí em diante sabes como foi, ou melhor, como não foi.

E é esse “como não foi” que me faz confusão. Não sei nada de ti, sei o teu nome e apelido, o ano em que nasceste, o número do teu cartão e que tens um medidor de batimentos cardíacos. Não faço ideia se namoras, se não namoras, ou se és casada e mãe de gémeos que vestes a condizer quando os levas ao parque, e sinceramente não me importa, o que eu acho estranho é não teres o mínimo interesse em saber mais de alguém que se deu a tanto trabalho para te encontrar.

Que outra pessoa se tinha dado ao trabalho que eu dei ou feito metade daquilo que fiz em nome da mais pura noção de romance, motivado por uma ideia utopica e ultrapassada de "amor á primeira vista" por alguem com quem trocou duas frases? E que tipo rapariga não se deixa arrebatar por 4 meses de esquemas mirabolantes que desafiam a lei e a imaginação, num esforço titanico para te voltar a encontrar? Desfez-se a ilusão que tinha tua, mas pior que isso, desfez-se a ideia que tinha de finais felizes, de que no fim, tudo acaba bem, e o rapaz com a rapariga, felizes para sempre.

E agora a parte interessante, é que já nem isso me importa já que importância não se dá, retribui-se. "It's the journey, not the destination" e a parte importante é que te encontrei e isso muda tudo! Todas as vezes que troquei um olhar com alguém que não voltei a ver e em quem não consegui parar de pensar, não teria eu deixado partir "a tal" sem lhe ter dito nada e perdido a minha oportunidade de ser feliz, acabaram, pelo simples facto de eu ter conseguido encontrar, e se te encontrei a ti, tivesse-me eu esforçado, tinha-as encontrado a elas tambem.

Ou seja, és de uma vez só, todas as miúdas que me partiram o coração num bar ou discoteca e que eu deixei ir embora sem dizer nada, todas aquelas raparigas com quem troquei um olhar na fila do cinema ou um sorriso parado num semáforo enquanto esperavamos o cair do verde, e de quem nunca mais voltei a saber. Todas as raparigas que imaginei a mulher dos meus sonhos e idealizei perfeitas preenchendo o tanto que eu não sabia delas com aquilo que eu queria que fossem, que na realidade estava longe de ser quem eram, e tu mostraste-me isso, porque te encontrei, e porque depois de te encontrar, não fomos felizes para sempre, não fomos nada, e esse não foi o fim que eu tinha imaginado.

Graças a ti, agora sei que não perdi nada, desta e de todas as outras vezes que vieram antes em que achei que devia ter tido a coragem para fazer qualquer coisa, não fossem elas alguem que me arrependesse de ver partir. Mas agora sei que não eram tal como tu não foste, que por mais absurdo que possa parecer, é tão melhor que o contrario. Acabasses tu por te revelar o amor da minha vida, e sei lá eu, quantas das outras não o tinham sido sem que agora pudesse saber, chega mesmo a ser um alívio, e não conseguia ter percebido isso sem ti, sem a desilusão que foste, ou que nem chegaste a ser.

Mas confia, de que pode tardar mas há-de concerteza chegar, o dia em que vais querer para ti um amor que não quer saber de mais nada nem de mais ninguem e que faz o que for preciso para chegar onde quer estar, um amor como o que eu te tive e que tu não quizeste saber, e a duvida sobre tudo o que podia ter sido vai ser o quanto é preciso para saberes que eu tinha razão.

A psicologia diz-nos que pessoas que passaram anteriormente por situações traumáticas reagem muito melhor em novo momentos de crise, se calhar aplica-se o mesmo nas relações. Sempre achei que as relações que corriam terrivelmente mal, te ensinavam e preparavam muito melhor para o futuro que aquelas que simplesmente não funcionavam, o que não sabia era que relações que nunca chegaram a ser, pudessem fazer o mesmo, e agora sei. Tudo está bem quando acaba bem, e se quando acaba mal... melhor ainda. Obrigado a ambas.

... what wasted unconditional love, on somebody who doesn't believe in the stuff, oh well.

Avó Dois

Muito do que sente perde-se no trajecto que vai da tona até ao fundo de nós, mas quando nos sobe à boca o coração e os nervos trepam à flor da pele, o que nos arrepia a nós, arrepia tambem o caminho daquilo que nós vai na alma, e sái-nos a dor em palavras, e se há dias que a dor ajuda a dizer o que sinto, tambem os há em que dor é maior que o que sei dizer, porque há dores que não passam, feridas que não saram mais, e dias que vão durar para sempre.

Não nasci a tempo de conhecer o Avô Zé, e do Avô Risques já só tenho recordações que vou passando em repeat para me certificar de que nunca me esqueço dele. Tive de crescer sem avôs, mas tinha-te a ti, eras o meu trunfo, e nunca te disse isso. Não tinha avôs, mas tinha uma bisavó, uma avó por duas vezes, e isso equilibrava as contas e fazia do mundo um sitio justo outra vez.

Os teus 93 anos deixavam toda a gente muito admirada, tão velhota, toda a gente menos a mim, ninguem percebia e eu tambem não explicava, que tanto quanto eu sabia ias viver para sempre, já eras velhota quando eu nasci, foste velhota enquanto eu cresci, e agora que eu já sou crescido avózinha, continuavas a mesma velhota que eras no dia em que eu nasci, e pouco importava se eu envelheci 26 anos entranto, o tempo sempre passou sem dár por ti.

Sem ti avó, vamos perder a conta uns aos outros e deixar de saber quantos somos, de saber quando é que alguem faz anos, e deixar de celebrar aniversários, vamos ficar para sempre com a idade que temos agora porque só tu é que sabes o dia de aniversário de toda a gente, dos filhos, dos primos, dos tios, dos netos, dos bisnetos, ou da filha da vizinha do pátio, do teu pátio avó, que sem ti lá deixa de ser teu para não ser de ninguem.

A última vez que te fui ver, entrei na enfermaria e não estavas lá, estavas na salinha da televisão, com a avó Mª Antónia e a tia Ricarda, o tio João António e a tia Belinha, que quando me viu chegar perguntou se eu tinha apanhado um susto quando não te vi no quarto, eu disse que não, porque queria acreditar que tu tinhas um plano. Não ficavas boa, porque não querias, porque assim tinhas visitas todos os dias, a fazermos-te companhia, porque estavas farta de estar sozinha entre aniversários, e achei que te devia visitar menos vezes, porque com tanta familia por perto a toda a hora então é que decidias nunca mais te por boa outra vez, e voltar para casa.

Foi a ultima vez que te vi, sentada na sala a ver televisão, com os filhos e os netos de volta, no fim da visita, antes de me vir embora, entre os meus beijinhos disseste que me adoravas como quem diz adeus, e eu disse que tambem te adorava a ti sem saber que te estava a dizer adeus de volta, foi a ultima coisa que te disse, desculpa avó, desculpa não to ter dito mais vezes, desculpa tudo o que te queria ter dizer e não disse, queria te ter dito que eras o meu trunfo, a minha cartada, e agora sem ti... não tenho nada.

Para a minha avó Custódia, a avó dois, do mais velho daquele que é agora um numero incerto de bisnetos, que a adorava mais que aquilo que alguma vez lho disse, e que tem tantas, tantas, saudades dela.

Dial 'M' for Murder

Mudei de número, o novo é "Zé Risques" e aqueles que não chegarem lá, well, não precisam de ligar porque já não vos quero como amigos. (;

Parallel Synchronized Randomness

"An interesting brain rarity and our subject for today. Two people walk in opposite directions at the same time and then they make the same decision at the same time. Then they correct it, and then they correct it, and then they correct it, and then they correct it, and then they correct it. Basically, in a mathematical world these two little guys will stay looped for the end of time. The brain is the most complex thing in the universe and it's right behind the nose. Fascinating!"

Laika Come Home.

Nem nunca gostei do raio da cadela, e agora que ela morreu, apetece-me chorar.

A million heartbeats per minute

Foi numa sexta-feira três dias antes do natal. Fui com a avó e a Wanda num fim de tarde ao Forum Almada tratar das prendas de ultíma hora, quando mais tarde, já saturados de saltar de loja em loja, esperava, longe da confusão com a avó á porta do Toys'R'Us, enquanto a Wanda pagava, e foi então que aconteceu.

Enquanto esperavamos passa por nós um sonho de rapariga, dentro de um vestido pelo que lhe descia ao joelho, cinzento, aos quadrados, alta, de sapatos rasos, cabelo escuro comprido e olhos claros, brilhantes como o sorriso que desfilava. Ia morrendo de amor a cada passa que ela dava, e suspirava enquanto a segui-a com o olhar até a perder ao longe por entre a multidão.

Passado uma hora (ou um ano) e meio Forum Almada mais tarde, a Wanda quis ir à Sportzone, onde a fila da caixa era de tal modo enorme, que eu e a avó resolvemos ganhar tempo na fila enquanto a Wanda procurava o que queria, só mais tarde reparei que à minha frente na fila da caixa estava ela.

Enquanto matavamos tempo na fila iamos olhando em redor, olhava para ela, outras vezes olhava ela para mim, e naqueles breves segundos em que o nosso olhar se cruzava, olhavamos um para o outro, e sorriamos envergonhados como quem diz "gosto de ti" quando se têm 12 anos. Queria tanto falar com ela, dizer-lhe qualquer coisa! Pensei em mil e uma maneiras de o fazer, um papel e uma caneta, atirar o meu telefone para dentro da mala que trazia ao ombro, mais tarde ligar para mim e falar com ela, combinar encontrarmo-nos para mo devolver, sei lá, qualquer coisa que garantisse que a voltava a ver, e não consegui pensar em nada, nada que não fosse cair na vulgaridade, e não fui capaz.

Uns minutos mais tarde a Wanda volta com qualquer coisa para a minha irmão que eu jurei que não a apanhava morta com aquilo vestido, e que desolada a Wanda deixou em cima dos enormes cestos à entrada enquanto seguia para a saida, e com isso, sem outro motivo para lá do perfume que usava, não havia razão para continuar na fila da caixa, para continuar ao pé dela, e enquanto me afastava, ela olhou para mim e sorriu com a saudade de quem fica triste por ver partir quem nos é querido, e cada passo para longe dela ficou mais dificil de dár.

Não fui capaz, não me consegui ir embora, e tive de pensar em qualquer coisa que me fizesse voltar para a loja para junto dela. Qualquer coisa, rápido, antes que ela desapareça para sempre, e sob pressão... tive uma epifania. Voltei a correr para a loja, peguei na peça que continuava onde a Wanda a tinha deixado, e voltei para a fila de onde tinha saido, para junto dela outra vez.

- Desculpa, elas mudaram de ideias, importas-te que eu fique contigo para não voltar para o fim da fila?

Ela sorriu e disse que não, que podia ficar com ela (para sempre?!) mas a nossa vez chegou cedo demais, e como tal, eu paguei o que tinha a pagar, ela pagou o que tinha a pagar... despedimo-nos com "Obrigado" e um "Bom natal" que ela desejou de volta, trocamos dois beijos, e antes de me vir embora, juntei a coragem para lhe perguntar o nome... Joana.

Foi a ultima e a unica vez que a vi, e é tudo o que sei dela. Que enquanto comprava um medidor de batimentos cardiacos, fazia disparar os meus enquanto me roubava o coração. Que se chama Joana, e que se não a voltar a ver... fomos felizes para sempre, no tempo em aqueles dois minutos duraram.

Walking down the street, in Soho.



Go Amy! Go Amy! Go Amy! :P

Toothpaste Filosophy

Há os dois tipos de pessoas no mundo, os que apertam a pasta de dentes pelo fim, porque entendem que se todos apertarem pelo fim, que a pasta sái sem dificuldade para todos, e o pessoal que se tá a cagar (a humanidade na sua maioria), os do cada um por si, em que os fins justificam os meios, do lucrar á custa dos outros até mesmo quando os "outros" tambem são eles tambem e toca a algo como o planeta, a poluição, merdas assim, mas que eles são demasiado burros para perceber, e que apertam a pasta de dentes pelo meio, porque é mais facil, mais rapido, custa menos... sem nunca percebem que não é, que se todos apertarem pelo fim, o resultado é o mesmo que apertar pelo meio, o problema é serem muitos mais os que apertam pelo meio, que os que apertam pelo fim, e quando depois de todos apertarem pelo meio, chega alguem que aperta pelo fim, não saí nada, porque o meio tá vazio, e temos de empurrar do fim para preencher o vazio que ficou por onde todo o mundo apertou, ou seja, o gajo que faz bem, e aperta pelo fim, tem de apertar por ele e por todos aqueles que não se preocupam com mais ninguem.

E como eu gostava de conseguir apertar pelo meio, mas acho que no dia em que "eu" (leia-se aqueles que pensam como eu), desistir de apertar pelo fim e começar a apertar pelo meio da pasta de dentes, porque está visto que os outros não vão mudar ou aprender, o mundo está irremediavelmente perdido, e eu ainda não estou pronto para desistir de salvar o mundo, ou de achar que o mundo não merece ser salvo, ainda que ás custas daquilo que cobra de mim no processo.

... porque acredito que é uma questão de tempo até seres corrompido pela sociedade e desistir, deixá-los ganhar, ou juntar-te a eles porque não os consegues vencer, por de lado os teus nobres principios e motivações que não deram em nada e não te levaram a lado nenhum, porque afinal, eu sou só um, e eles são tantos. Até porque a maior parte das vezes em que tentei fazer qualquer coisa bem, acertada, fazer do mundo um sitio melhor só consegui com que a minha vida acabasse um bocadinho pior, de todas as vezes que acabei ah pancada porque um tipo que fez qualquer coisa mal, manda vir sem razão, porque buzinei ou lhe chamei a atenção, ou ir a tribunal, ou pagar multas ou sei lá...

É quando percebes finalmente que o nada que o mundo muda, resultado do teu titanico esforço para fazer dele um sitio melhor não compensa aquilo que cobra de ti no processo, que te dás conta de que o mundo não vale a pena.

E sabendo isso, é preciso uma enorme força de vontade, e não sei quanto tempo, quantos anos, ela dura antes de se gastar. Gostava de me conseguir abstrair de tudo aquilo que me incomodam, mas não fazer nada faz com que fique tudo na mesma, porque pior que os que fazem mal, é os que fazem bem não fazer nada, e se assim não está bem, e é preciso mudar, é preciso alguem que motive essa mudança, e não é facil, nunca é facil porque tudo aquilo que merece ser feito, requer tempo, esforço, sacrificio... é isso mesmo, sacrificio... quem sabe o nosso.

"Someone has to take the fall, why not me?"
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