Great Expectations

"The night all of my dreams came true, and like all happy endings, It was a tragedy, Of my own device, for I succeeded. I had cut myself loose from Joe, from the past, from the gulf, from poverty. I had invented myself. I'd done it cruelly, but I had done it. I was free! I did it! I did it! I am a wild success! I sold 'em all, all my paintings. You don't have to be embarrassed by me anymore, I'm rich! Isn't that what you wanted, huh? Isn't it great? Aren't we happy now? Don't you understand, that everything I do, I do it for you? Anything, that might be special in me... is you!"

It's love illusions I recall...

Não vos consigo dizer quando, mas consigo dizer-vos onde, na relva da tenda VIP no SBSR de hà uns anos atrás. Estavamos sentados entre um concerto e outro quando o vento sopra até mim um quadrado de papel dobrado em oito.

Podia não ter ligado, mas achei que algo tão meticulosamente dobrado devia ser importante, e liguei, peguei nele e desdobrei-o, quando o abro por inteiro guardava dentro um mail. Perfeito. Quem é que encontra um mail? Como é que se encontra algo que não se perde, que não é palpável? Mas encontrei.

Voltei a casa no fim dessa noite estafado de saltos e pulos, de xutos e pontapés e apetecia-me cair na cama e morrer, até porque para o dia seguinte estava agendado mais do mesmo, mas antes, liguei o computador, e adicionei-o ao messenger.

Passaram uns dias até ao mail ganhar vida, até eu falar com a Lisa. De inicio não estava a perceber quem eu era ou como tinha arranjado o mail dela, eu expliquei-lhe que o tinha encontrado e em pinceladas largas toda a minha teoria de em como o amor não se procura, encontra-se, e que á luz da mesma um mail que me aterra em cima, é algo impossível de ignorar.

Uma das primeiras perguntas que a Lisa me fez foi se eu era surfista, eu disse que não, e foi a primeira de uma longa lista de desilusões que lhe seguiram à medida que percebiamos que não tínhamos nada a ver um com o outro. De certo modo acho que me senti enganado, sabem? Achei que algo que começasse assim só podia acabar em algo maravilhoso, que chegava a ser cruel qualquer coisa tão imensamente improvável de acontecer não dar em nada, achei que era como que desvalorizamos todas as vezes em que o universo se desdobrou desde o inicio dos tempos para nos fazer chegar aos dois aquele ponto, e que senão por nós, por ele, e todo o trabalho a que ele se deu para nos juntar.

Lembro-me do nick que tinha no messenger e da foto que o ilustrava, e quando já pouca esperança restava para mim e para a Lisa, ela diz "vou dar o teu mail à minha irmã, ela passou por aqui, viu a tua foto, viu o teu nick, perguntou com quem é que eu estava a falar e eu contei-lhe toda a historia do amor não se procura, encontra-se, achou piada, quer falar contigo." … foi assim que eu conheci a irmã gémea da Lisa, a Sabrina.

Ainda hoje falo com a Sabrina, ainda agora falei, é uma rapariga brilhante, e ainda que por vezes estejamos muito tempo sem falar, quando falamos também é por muito tempo e as conversas estendem-se enquanto comparamos particularidades bizarras e tentamos descobrir qual dos dois é o mais disfuncional, tem sido renhido. Nunca a vi, acho que nunca falamos, sei que lhe tentei ligar umas vezes, dar-lhe os parabéns, já tive onde ela estuda, temos amigos em comum mas nunca estive com ela, e de certo modo, acho que ainda hoje me sinto enganado, sabem?

Penso sempre em romances assim, em como seria contada a nossa história passados 50 anos, e quando os meus netos perguntarem como conheci a avó, quero tanto que comece com um papel dobrado em oito a sobrevoar a relva ou outra coisa igualmente fantástica e impossivel, é tão deprimente "trabalhávamos juntos", "éramos da mesma turma", "aconteceu". Têm de haver loucura, demonstrações pungentes de afecto, gritaria, paixão, parvoíce, ouvi num filme que quem não está disposto a soar ridículo, não merece estar apaixonado.

A Joana... estava á minha frente na fila da caixa e eu achei-a a rapariga mais linda do mundo, soube ali que queria passar o resto da vida com ela. Demorei meio ano a arranjar o telefone dela por meios que chegando a quem de direito, eram quanto basta para me mandar prender, e que importa, se calhar se não estás disposto a ser preso também não mereces estar apaixonado, e se fosse preso melhor ainda, imaginar a emoção estampada na cara dos nossos netos ao contar-lhes que o avó foi preso por via das ilegalidades cometidas no processo de descobrir o numero de telefone da avó para a poder convidar para sair? As recordações que isso não ia trazer, o impacto que isso não ia ter ao ser recordado como uma daquelas histórias de amor em que "só antigamente" quando eu era novo, e em como já não há amor assim, como aquele que eu tinha imaginado para nós.

Trocámos umas mensagens antes de não voltar a ter noticias dela. Fiquei tristíssimo, desolado mesmo, partiu-me o coração. Pensar em tudo o que eu fiz, em todo o trabalho que tive ou nos riscos que corri, para nada. Achei que ia ser um daqueles esforços impossíveis de ignorar, demasiado inacreditavel para não ligar, que só podia acabar bem, porque é assim que as histórias de amor acabam, os bons ganham, o herói fica com a rapariga e viverem felizes para sempre, tem filhos e netos e ficam juntos "até que a morte os separe"... é isso que é o amor não é?

Estava a descer a rua á pouco, ao final da tarde. Começava a chover no verão de S. Martinho, e o vidro do carro enchia-se de pequenas gotas que ainda não apetece sacudir com as escovas. Do lado de fora uma rapariga subia junto ao passeio. Morena, e a chuva que caia fazia-lhe pesar o cabelo sobre a cara. Olhei para ela e ela olhou para mim, só uns segundos, mas uns segundos a mais que aquilo que seria normal, recordo-me de travar e de a ver abrandar enquanto tentavamos fazer aquele instante durar para sempre, e senti o mundo desacelerar para nós. Apeteceu-me parar, oferecer-lhe boleia e abrigo da chuva, leva-la a casa e pedi-la em casamento, e claro que não fiz nada. A minha hiperactiva imaginação quer acreditar que amanhã, ou no dia seguinte, vou chegar ao meu carro e ter nele um coração desenhado a dedo no pó do vidro da frente, um papel dobrado em oito debaixo da escova com um numero de telefone dentro... e também vos posso dizer que não vai acontecer.

Foi isso que percebi hoje, que sei o que o amor é para mim, mas o que o amor é para mim não é necessariamente o que o amor é para as outras pessoas, tanto quanto sei, o que acho que é amor é outra coisa qualquer que dá por um outro nome que eu não sei qual é e que de amor "AMOR" tem pouco ou mesmo nada. Que tenho estas ilusões ridiculas de romance, noções Hollywoodescas de como uma historia de amor devia ser, uma vaga ideia de como tudo devia acontecer para que no fim todos tivéssemos uma história de amor para contar, uma que valesse a pena ser contada, que valesse a pena ser ouvida, que inspirasse outros amores. Mas não sei o que é que esta minha noção de amor tem de tão extraordinario, talvez não seja assim que o amor de verdade funcione e por isso mesmo nenhuma delas deu em nada, por não serem nada daquilo que o amor é, daquilo que eu gostava que ele fosse... e nunca foi.

"It's love illusions I recall... I really don't know love at all", Joni Mitchell

Modern man

"I’m a modern man, a man for the millennium. Digital and smoke free. A diversified multicultural, post-modern deconstruction that is politically, anatomically and ecologically incorrect. I’ve been uplinked and downloaded, I’ve been inputted and outsourced, I know the upside of downsizing, I know the downside of upgrading. I’m a high-tech low-life. A cutting edge, state of the art, bicoastal, multitasker and I can give you a gigabyte in a nanosecond! I’m new wave but I’m old school and my inner child is outward bound. I’m a hotwired, heat seeking, warm hearted, cool customer, voice activated and biodegradable. I interface with my database, my database is in cyberspace, so I’m interactive, I’m hyperactive and from time to time I’m radioactive. Behind the eight ball, ahead of the curve, ridin the wave, dodgin the bullet and pushin the envelope. I’m on-point, on-task, on-message and off drugs. I’ve got no need for coke and speed. I've got no urge to binge and purge. I’m in the moment, on the edge, over the top but under the radar. A high concept, low profile, medium range ballistic missionary. A streetwise smart bomb. A top gun bottom feeder. I wear power ties, I tell power lies, I take power naps, I run victory laps. I’m a totally ongoing bigfoot, slam dunk, rainmaker with a proactive outreach. A raging workaholic. A working rageaholic. Out of rehab and in denial! I’ve got a personal trainer, a personal shopper, a personal assistant and a personal agenda. You can’t shut me up. You can’t dumb me down because I’m tireless and I’m wireless, I’m an alpha male on beta blockers. I’m a non-believer and an over achiever, laid back but fashion forward. Upfront, down home, low-rent, high maintenance. Supersized, long- lasting, high-definition, fast-acting, oven-ready and built to last! I’m a hands-on, footloose, kneejerk, head case, prematurely post-traumatic and I’ve got a love-child that sends me hate mail. But, I’m feeling, I’m caring, I’m healing, I’m sharing, a supportive, bonding, nurturing primary care-giver. My output is down but my income is up. I took a short position on the long bond and my revenue stream has its own cash-flow. I read junk mail, I eat junk food, I buy junk bonds, I watch trash sports! I’m gender specific, capital intensive, user-friendly and lactose intolerant. I like rough sex. I like tough love. I use the “F” word in my emails and the software on my hard-drive is hardcore - no soft porn. I bought a microwave at a mini-mall, I bought a mini-van at a mega-store. I eat fast-food in the slow lane. I’m toll-free, bite-sized, ready-to-wear and I come in all sizes. A fully equipped, factory-authorized, hospital-tested, clinically-proven, scientifically-formulated medical miracle. I’ve been pre-wash, pre-cooked, pre-heated, pre-screened, pre-approved, pre-packaged, post-dated, freeze-dried, double-wrapped, vacuum-packed and I have an unlimited broadband capacity. I’m a rude dude, but I’m the real deal. Lean and mean! Cocked, locked and ready-to-rock. Rough, tough and hard to bluff. I take it slow, I go with the flow, I ride with the tide. I’ve got glide in my stride. Drivin and movin, sailin and spinin, jiving and groovin, wailin and winnin. I don’t snooze, so I don’t lose. I keep the pedal to the metal and the rubber on the road. I party hardy and lunch time is crunch time. I’m hangin in, there ain’t no doubt and I’m hangin tough, over and out!"

George Carlin

How do you say goodbye to someone you can't imagine living without?

Faltou-me o ar ao virar a pagina e a força nas pernas ao ler a notícia, e até voltar a sentir o coração bater-me timidamente no peito, era capaz de jurar que morri e que a tua imagem foi a ultima coisa a passar-me diante dos olhos, achei que era o fim, o nosso, aquele que há muito já devia ter sido, mas que apenas faço de conta que foi insistindo em prolongá-lo na esperança que a espera lhe mude o desfecho para um diferente do que sabemos não tardar, aquele que ao virar a pagina senti chegar. Tinhas sido mãe.

Ter um filho é o "deal-breaker" de todos os meus amores em potência. É quando tenho a certeza de que seja o que for que havia entre nós acabou, que qualquer restea de esperança que ainda pudesse haver não faz mais sentido, que qualquer hipotese, por mais remota que fosse, de acabarmos juntos não existe mais, como se algures um universo paralelo onde éramos felizes os dois implodisse e nada pudesse voltar a ser o que era.

Acho que é egoísmo, e digo que a culpa é de gostar de ti como gosto que me faz incapaz de te dividir seja com quem for, achar que quando há um filho que te prende a uma vida que foi é impossível viver plenamente qualquer outra que possa vir a ser, se há algo em ti que te amarra a alguem, se há um bocado de ti que nunca há-de ser ser meu, então não podes ser minha... e se não podes ser minha, o que vai ser de mim, que só sei ser teu? Quero-te por inteiro porque nunca soube querer-te de outra maneira, nem menos que isso chegava para albergar o tanto de ti que há em mim.

Na manhã seguinte soube que não era teu, que não eras tu, mas não respirei de alívio ou fez diferença, porque o que eu senti foi verdade, e pouco importa se não era teu, ou não eras tu, hás-de ser, um dia em outro mês de qualquer outro ano, é a possibilidade, ou mais que a possibilidade, é a inevitabilidade do fim que se avizinha, do sentimento de derrota, o morder a bala e reconhecer que perdi, e que ao perder nos perdemos aos dois... um ao outro.

É curioso pensar nisso, antigamente, pouco me importava se as raparigas de quem eu gostava namoravam, naquela altura, todos os namoros acabavam... eventualmente... tudo o que era preciso era um elemento destabilizador e tempo para tudo cair qual castelo de cartas. Aos 17 anos, todos os namoros acabarem é como que uma verdade universal, verdade que aos 27 não se aplica mais.

Agora os namoros não acabam, ou acabam, mas de uma maneira diferente, acabam num T2+1 comprado a meias, acabam a morar juntos e a dividir as despesas, acabam em casamento, acabam em filhos, e se no fim tudo correr mal acabam em divórcio e em divisão de bens. Os namoros que outrora acabavam com a mesma naturalidade com que começavam, agora acabam já bem para lá do seu prazo de validade ter expirado enquanto tentamos aplicar os namoros de antigamente aquilo que o mundo espera de nós agora, maiores e vacinados, adultos e formados, em que todos se apressam a dar o próximo passo evolutivo lógico no sentido de corresponder ás expectativas, ainda que não tenhamos bem a certeza que expectativas são essas ou o que é suposto fazermos, mas os anos passam o e relógio biológico aperta e nos empurra da janela de oportunidade que vái estando cada vez mais fechada, e nós saltamos, porque maior que o medo da queda é o de que quando a musica acabe todos tenham encontrado uma cadeira menos nós, o medo de ficarmos sós.

E assim nos emaranhamo-nos numa vida qualquer, e quando a dura e crua realidade das coisas que não estão destinadas a ser nos bate á porta, pensamos em todas as outras vidas que deixaram de ser, vitimas desta, em todos os universos paralelos que implodimos entretanto e que não voltam mais, em como mais tarde será tarde, quando já é tarde demais.

It's a boy... and a girl!

Bem-vindo ao mundo Rafael... e Beatriz!
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