How do you say goodbye to someone you can't imagine living without?

Faltou-me o ar ao virar a pagina e a força nas pernas ao ler a notícia, e até voltar a sentir o coração bater-me timidamente no peito, era capaz de jurar que morri e que a tua imagem foi a ultima coisa a passar-me diante dos olhos, achei que era o fim, o nosso, aquele que há muito já devia ter sido, mas que apenas faço de conta que foi insistindo em prolongá-lo na esperança que a espera lhe mude o desfecho para um diferente do que sabemos não tardar, aquele que ao virar a pagina senti chegar. Tinhas sido mãe.

Ter um filho é o "deal-breaker" de todos os meus amores em potência. É quando tenho a certeza de que seja o que for que havia entre nós acabou, que qualquer restea de esperança que ainda pudesse haver não faz mais sentido, que qualquer hipotese, por mais remota que fosse, de acabarmos juntos não existe mais, como se algures um universo paralelo onde éramos felizes os dois implodisse e nada pudesse voltar a ser o que era.

Acho que é egoísmo, e digo que a culpa é de gostar de ti como gosto que me faz incapaz de te dividir seja com quem for, achar que quando há um filho que te prende a uma vida que foi é impossível viver plenamente qualquer outra que possa vir a ser, se há algo em ti que te amarra a alguem, se há um bocado de ti que nunca há-de ser ser meu, então não podes ser minha... e se não podes ser minha, o que vai ser de mim, que só sei ser teu? Quero-te por inteiro porque nunca soube querer-te de outra maneira, nem menos que isso chegava para albergar o tanto de ti que há em mim.

Na manhã seguinte soube que não era teu, que não eras tu, mas não respirei de alívio ou fez diferença, porque o que eu senti foi verdade, e pouco importa se não era teu, ou não eras tu, hás-de ser, um dia em outro mês de qualquer outro ano, é a possibilidade, ou mais que a possibilidade, é a inevitabilidade do fim que se avizinha, do sentimento de derrota, o morder a bala e reconhecer que perdi, e que ao perder nos perdemos aos dois... um ao outro.

É curioso pensar nisso, antigamente, pouco me importava se as raparigas de quem eu gostava namoravam, naquela altura, todos os namoros acabavam... eventualmente... tudo o que era preciso era um elemento destabilizador e tempo para tudo cair qual castelo de cartas. Aos 17 anos, todos os namoros acabarem é como que uma verdade universal, verdade que aos 27 não se aplica mais.

Agora os namoros não acabam, ou acabam, mas de uma maneira diferente, acabam num T2+1 comprado a meias, acabam a morar juntos e a dividir as despesas, acabam em casamento, acabam em filhos, e se no fim tudo correr mal acabam em divórcio e em divisão de bens. Os namoros que outrora acabavam com a mesma naturalidade com que começavam, agora acabam já bem para lá do seu prazo de validade ter expirado enquanto tentamos aplicar os namoros de antigamente aquilo que o mundo espera de nós agora, maiores e vacinados, adultos e formados, em que todos se apressam a dar o próximo passo evolutivo lógico no sentido de corresponder ás expectativas, ainda que não tenhamos bem a certeza que expectativas são essas ou o que é suposto fazermos, mas os anos passam o e relógio biológico aperta e nos empurra da janela de oportunidade que vái estando cada vez mais fechada, e nós saltamos, porque maior que o medo da queda é o de que quando a musica acabe todos tenham encontrado uma cadeira menos nós, o medo de ficarmos sós.

E assim nos emaranhamo-nos numa vida qualquer, e quando a dura e crua realidade das coisas que não estão destinadas a ser nos bate á porta, pensamos em todas as outras vidas que deixaram de ser, vitimas desta, em todos os universos paralelos que implodimos entretanto e que não voltam mais, em como mais tarde será tarde, quando já é tarde demais.
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