Post Scriptum

Faz por estes dias um ano desde aquela tarde em que tudo aconteceu, desde então, de uma maneira ou de outra acabei por te dizer tudo quanto queria que soubesses, ficou só a faltar tudo aquilo que devia ter dito, tudo o quanto precisavas de ouvir e que nunca te disse, desculpa. Desculpa-me se achei que os fins justificam os meios ou por acreditar em amores impossiveis que partem de situações improváveis, que senão começar assim, com o que é que vamos acabar? Desculpa se a minha determinação intimida ou por ter aparecido na tua vida sem pedir licença e querer fazer parte dela, se quis ser teu e que fosses minha também, desculpa-me se incomodei, desculpa o meu problema de expressão quando te quero dizer o que sinto, desculpa se sinto, ou se o sinto à flor da pele e não racionalizo o que sinto, desculpa o meu entusiasmo ameaçador, estava demasiado inebriado na emoção de te ter encontrado para pensar em como tudo isto ia parecer, assustador, eu sei, agora sei, desculpa se te assutei, nunca foi essa a ideia, desculpa se foi tudo demasiado estranho para ser de verdade ou se aconteceu depressa demais para que te sentisses à vontade, desculpa-me, por não ter sido convincente o suficiente, por não te ter conseguido fazer ver que era só amor.

2012

O dia do fim do mundo.

O Rei Pescador

It begins with the king as a boy, having to spend the night alone in the forest to prove his courage so he can become king. Now while he is spending the night alone he's visited by a sacred vision. Out of the fire appears the holy grail, symbol of God's divine grace. And a voice said to the boy, "You shall be keeper of the grail so that it may heal the hearts of men." But the boy was blinded by greater visions of a life filled with power and glory and beauty. And in this state of radical amazement he felt for a brief moment not like a boy, but invincible, like God, so he reached into the fire to take the grail, and the grail vanished, leaving him with his hand in the fire to be terribly wounded. Now as this boy grew older, his wound grew deeper. Until one day, life for him lost its reason. He had no faith in any man, not even himself. He couldn't love or feel loved. He was sick with experience. He began to die. One day a fool wandered into the castle and found the king alone. And being a fool, he was simple minded, he didn't see a king. He only saw a man alone and in pain. And he asked the king, "What ails you friend?" The king replied, "I'm thirsty. I need some water to cool my throat". So the fool took a cup from beside his bed, filled it with water and handed it to the king. As the king began to drink, he realized his wound was healed. He looked in his hands and there was the holy grail, that which he sought all of his life. And he turned to the fool and said with amazement, "How can you find that which my brightest and bravest could not?" And the fool replied, "I don't know. I only knew that you were thirsty."

You Spin Me Round (Like a Record)

Que se lixe a introdução, o que tenho para vos dizer hoje é importante, e não num sentido de importante para mim, é no sentido de importante para todos por isso vou poupar nas figuras de estilo e passar já ao que importa.

Lembro-me de há uns tempos atrás deixar no blog um excerto do Serpico em que contava a história de um reino onde todos bebiam água de uma fonte e uma noite essa fonte foi envenenada por uma bruxa, e no dia seguinte todos menos o rei beberam água da fonte, e todos eles enlouqueceram, e loucos, conspiravam na rua contra o Rei que estava louco, essa noite, e Rei foi bebeu água da fonte, e também ele enlouqueceu. Na manhã seguinte, todos os loucos festejaram, pois o rei tinha voltado à normalidade.

Não imaginam o quanto isso me fez pensar, essa historia ridícula, e mais ridículo ainda, a quantidade de exemplos do quotidiano em que encontramos um paralelo a essa historia ridícula.

Eu tenho o péssimo habito de estabelecer paralelos entre os males do mundo e as confusões no transito, os mais limitados acabam sempre por pensar que aquilo que me incomoda é a hora de ponta ou que sem mais em que pensar perco tempo a preocupar-me com quem guia pela faixa do meio da auto-estrada, e já desisti de tentar explicar seja o que for aqueles que não querem perceber.

Segue-se um exemplo de trânsito, por isso se depois do que eu vou escrever vão achar que o meu problema é o código da estrada, não precisam de continuar a ler e poupam já 5 minutos.

Há dois princípios básicos a contornar uma rotunda, que se contorna sempre por dentro, e que quem lá circula tem prioridade sobre quem nela entra. Dito isto, num mundo perfeito de gente racional e cívica, era quanto bastava para nunca mais voltar a haver um problema numa rotunda, o problema no entanto, não é tanto a rotunda, mas a distancia a que estamos de um mundo perfeito de gente cívica e racional.

Se para qualquer saida que não aquela imediatamente seguinte à que entram, contornarem a rotunda por dentro, quando chegarem à vossa saida podem sair sem se preocupar com a faixa de fora, visto que alguem que lá circulasse teria obrigatóriamente de ter saido na saida anterior, e qualquer carro que lá estivesse, tinha acabado de entrar e tinhamos nós que já lá estavamos prioridade sobre ele, logo podem sair à vontade da rotunda sem pensar em mais ninguem.

Se houver duas faixas na saída, continuam a contornar a rotunda pela faixa mais à esquerda, e chegando a vossa saida, atravessam a faixa da direita da rotunda, para a faixa mais à esquerda da saida, deixando a faixa da direita livre, para alguem que queira entrar na rotunda, para sair na saida imediatamente a seguir, fazendo com que possa, entrar para a faixa da direita na rotunda, e sair para a faixa da direita da saida, sem que um atrapalhe o outro. Havendo só uma saida, o carro que já estava na rotunda, tem prioridade sobre aquele que acaba de entrar, logo continua a não haver duvidas aqui.

Provavelmente a explicação não é das melhores, mas é simples se se derem ao trabalho de pensar nisso, e se por acaso é simples, não é por acaso, é pelo simples facto de ser efectivamente simples, até alguem se lembrar de complicar.

A dada altura, alguem achou que circulando sempre por fora, alguem que lhe batesse ao mudar de faixa, era culpado, e como tal, não fosse ele bater em alguem, começou-se a contornar a rotunda pela faixa de fora, para evitar problemas, problema que até então não havia até alguem o ter criado. A consequencia é que agora há sempre carros na faixa de fora, a tentar não ter culpa em caso de acidente, sem se aperceberem que estão a tentar precarver-se de um problema que eles mesmo criaram, e que até então não existia. O resultado, é que agora alguem que insita em fazer bem, não pode, porque há sempre um carro a contornar a rotunda por fora, da mesma maneira que aqueles que estacionam o carro fora dos lugares marcados ocupando tambem o lugar do lado, ou de quem aperta a pasta de dentes pelo meio, é que não obstante de fazerem mal, impossibilitam quem quer que seja que queira, de poder fazer bem, e isso é o mais trágico em tudo isto, é mais que trágico, é triste.

É isso que a história em cima nos diz, não tanto aplicado a rotundas, mas à humanidade em geral, que pouco importa quem tem razão, quem faz bem, quem está mal, ao fim do dia ganha sempre a maioria, e não faz diferança se a maioria está mal e a minoria bem, porque lá no fundo quem está sempre mal, é a formiga no carreiro que vái em sentido contrário.

... e a rotunda, varia no tamanho e é ligeiramente achatada nos pólos.
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