You Spin Me Round (Like a Record)

Que se lixe a introdução, o que tenho para vos dizer hoje é importante, e não num sentido de importante para mim, é no sentido de importante para todos por isso vou poupar nas figuras de estilo e passar já ao que importa.

Lembro-me de há uns tempos atrás deixar no blog um excerto do Serpico em que contava a história de um reino onde todos bebiam água de uma fonte e uma noite essa fonte foi envenenada por uma bruxa, e no dia seguinte todos menos o rei beberam água da fonte, e todos eles enlouqueceram, e loucos, conspiravam na rua contra o Rei que estava louco, essa noite, e Rei foi bebeu água da fonte, e também ele enlouqueceu. Na manhã seguinte, todos os loucos festejaram, pois o rei tinha voltado à normalidade.

Não imaginam o quanto isso me fez pensar, essa historia ridícula, e mais ridículo ainda, a quantidade de exemplos do quotidiano em que encontramos um paralelo a essa historia ridícula.

Eu tenho o péssimo habito de estabelecer paralelos entre os males do mundo e as confusões no transito, os mais limitados acabam sempre por pensar que aquilo que me incomoda é a hora de ponta ou que sem mais em que pensar perco tempo a preocupar-me com quem guia pela faixa do meio da auto-estrada, e já desisti de tentar explicar seja o que for aqueles que não querem perceber.

Segue-se um exemplo de trânsito, por isso se depois do que eu vou escrever vão achar que o meu problema é o código da estrada, não precisam de continuar a ler e poupam já 5 minutos.

Há dois princípios básicos a contornar uma rotunda, que se contorna sempre por dentro, e que quem lá circula tem prioridade sobre quem nela entra. Dito isto, num mundo perfeito de gente racional e cívica, era quanto bastava para nunca mais voltar a haver um problema numa rotunda, o problema no entanto, não é tanto a rotunda, mas a distancia a que estamos de um mundo perfeito de gente cívica e racional.

Se para qualquer saida que não aquela imediatamente seguinte à que entram, contornarem a rotunda por dentro, quando chegarem à vossa saida podem sair sem se preocupar com a faixa de fora, visto que alguem que lá circulasse teria obrigatóriamente de ter saido na saida anterior, e qualquer carro que lá estivesse, tinha acabado de entrar e tinhamos nós que já lá estavamos prioridade sobre ele, logo podem sair à vontade da rotunda sem pensar em mais ninguem.

Se houver duas faixas na saída, continuam a contornar a rotunda pela faixa mais à esquerda, e chegando a vossa saida, atravessam a faixa da direita da rotunda, para a faixa mais à esquerda da saida, deixando a faixa da direita livre, para alguem que queira entrar na rotunda, para sair na saida imediatamente a seguir, fazendo com que possa, entrar para a faixa da direita na rotunda, e sair para a faixa da direita da saida, sem que um atrapalhe o outro. Havendo só uma saida, o carro que já estava na rotunda, tem prioridade sobre aquele que acaba de entrar, logo continua a não haver duvidas aqui.

Provavelmente a explicação não é das melhores, mas é simples se se derem ao trabalho de pensar nisso, e se por acaso é simples, não é por acaso, é pelo simples facto de ser efectivamente simples, até alguem se lembrar de complicar.

A dada altura, alguem achou que circulando sempre por fora, alguem que lhe batesse ao mudar de faixa, era culpado, e como tal, não fosse ele bater em alguem, começou-se a contornar a rotunda pela faixa de fora, para evitar problemas, problema que até então não havia até alguem o ter criado. A consequencia é que agora há sempre carros na faixa de fora, a tentar não ter culpa em caso de acidente, sem se aperceberem que estão a tentar precarver-se de um problema que eles mesmo criaram, e que até então não existia. O resultado, é que agora alguem que insita em fazer bem, não pode, porque há sempre um carro a contornar a rotunda por fora, da mesma maneira que aqueles que estacionam o carro fora dos lugares marcados ocupando tambem o lugar do lado, ou de quem aperta a pasta de dentes pelo meio, é que não obstante de fazerem mal, impossibilitam quem quer que seja que queira, de poder fazer bem, e isso é o mais trágico em tudo isto, é mais que trágico, é triste.

É isso que a história em cima nos diz, não tanto aplicado a rotundas, mas à humanidade em geral, que pouco importa quem tem razão, quem faz bem, quem está mal, ao fim do dia ganha sempre a maioria, e não faz diferança se a maioria está mal e a minoria bem, porque lá no fundo quem está sempre mal, é a formiga no carreiro que vái em sentido contrário.

... e a rotunda, varia no tamanho e é ligeiramente achatada nos pólos.
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