All That "Zé" Madness!

Há imenso tempo que tenho uma história para vos contar, mais uma daquelas aventuras que só a mim, e que não acontecem a mais ninguém, uma história que inspirou grande parte de tudo aquilo que escrevi este ano. Quis guarda-la para hoje por uma serie de motivos, porque este é todos os anos, o post mais difícil de escrever, o do aniversário. Porque, e só pensei nisso agora, tudo isto começou por esta altura do ano passado, e como tal, e esta talvez seja a razão de todas as razões, pelo impacto que teve na minha vida em geral, e em 2009 em particular. Vai ser longo, por isso desde já, tenham paciência, e eu prometo que faço os possíveis para que valha a pena.

É sempre assim! Sempre assim que começa! Sempre assim que me enganam. A Carla quando fez questão que eu conhecesse a Ana, a Nádia, quando achou que eu e a Cataró fazíamos o par ideal, e a Vânia, e a tal história que ficou por contar.

"- Zé, conheço uma rapariga perfeita para ti!"

Claro que isto é muito mais complicado quando a suposta rapariga perfeita para mim mora em Washington D.C., mas eu nunca fui o tipo de desistir ao primeiro pequeno contra-tempo, mesmo quando o pequeno contra-tempo é um Oceano. A única maneira então de eu ver essa minha suposta alma gémea, foi criar uma conta no Facebook, e adiciona-la como amiga, e assim fiz.

... sou péssimo nestas coisas, não tenho aptidão nenhuma para engates, e como tal, a única coisa que fui capaz de lhe dizer foi "Oi, sou um amigo da Vânia, ela disse-me para te adicionar, espero que não te importes." ao que ela respondeu com sucinto, "Sim, eu sei, ela disse-me. Claro que não" ou qualquer banalidade do género. Adorava ter-lhe dito mais qualquer coisa, mas recuso-me a falar "do tempo", e a verdade é que não tínhamos nada de que falar, nenhum tema de conversa que não fosse cair numa trivialidade qualquer, e eu não queria a tal rapariga perfeita para mim, me fosse achar banal, e acabei por nunca mais lhe dizer nada, e assim ficou nos meses que se seguiram.

E veio o natal, o que quer dizer que aconteceu tudo por esta altura do ano passado. A mãe do Telmo, o marido da Vânia, voou para os Estados Unidos para passar o Natal com eles, e pouco tempo depois de ter chegado, adoeceu e morreu. Nos primeiros dias do ano, voltaram para Portugal para o funeral, e foi então que as coisas mudaram.

Completamente alheio a tudo isto, eu volto do Algarve uns dias depois da passagem de ano para encontrar duas mensagens no email, uma da Vânia a contar-me tudo, e uma outra dela, a contar-me tudo outra vez e a dizer que não conhece nenhum outro amigo deles em Portugal e para os ajudar no que fosse possível, naquilo que fosse preciso, nesta altura tão difícil para eles.

É estranho, mas ainda que o tema fosse tão triste, tínhamos finalmente algo para falar, tema de conversa, eu respondi à mensagem dela, ela respondeu à minha resposta, e eu devolvi uma outra, e um dia, o até então desconhecido "Facebook Chat" deu um ar da sua graça, e ela veio falar comigo, e naquela janela mínima falamos durante 8 horas a primeira noite, e outras 8 na segunda, 9 na terceira, e quando a janela do chat se tornou pequena para tudo aquilo que tínhamos para dizer um ao outro, mudamo-nos para o gmail.

Depressa ela passou a monopolizar as minhas madrugadas, ela chegava a casa ás 10 da noite, depois das aulas, e eu espera por ela deste lado do mundo, com 5 horas de diferença. Falávamos até ser 2 da manhã lá e 7 da manhã aqui, até ser demasiado tarde para os dois. E assim foi, todas as noites durante os 4 meses que lhe seguiram.

Fui tudo bastante obvio desde o inicio, até porque eu não tenho grande paciência para os joguinhos, e a ser "perfeita para mim", nem ela, e quando se tornou obvio que qualquer distância que houvesse, era distância a mais, eu fui ter com ela.

Voei para Nova Iorque em Abril, uma quarta-feira, fiquei uns dias com a Inês, até eles chegarem na sexta á noite. Passámos o fim-de-semana na cidade, e voltei com eles para D.C quando o fim-de-semana acabou. Passámos a semana juntos, e foi tudo aquilo que eu tinha imaginado que ia ser, e por essa altura, tal como a Vânia, também eu acreditava ter encontrado alguem perfeito para mim!

Mas o que é bom passa depressa e cedo demais também a semana passou. No Domingo voltei para Nova Iorque e de lá de volta para casa 2 dias depois. Chorámos os dois quando me vim embora, eu disse que voltava, ela disse que esperava, e prometi-lhe que jantávamos juntos no dia de anos dela, 19 de Setembro, 5 meses depois.

Voltei para casa, mas o coração ficou para trás, nunca me custou tanto estar longe de ninguém, nunca custou tanto estar longe, que decidi não estar mais, e arranjar maneira de voltar, e ficar ao pé dela. Comecei a candidatar-me a estágios em Washington para ter uma desculpa para estar perto, uma que fosse bem aceite cá em casa já que ninguém, para lá de mim, considera aceitável mudar de continente por amor.

Mas a distância continuava imensa, e cada dia custava mais, e tão depressa como comprei o bilhete para ir a primeira vez, comprei outro para voltar! Eram os meus anos e achei que não era justo desejar por algo que eu já sabia onde estava, e no meio de exames, no dia depois dos meus anos voei de fim-de-semana para Nova Iorque outra vez, e de Nova Iorque para Washington. Pedi-lhe para me ir buscar ao aeroporto, mas ela não foi, não quis saber, disse-me que não se ia envolver com alguém que vivia do outro lado do mundo, que não fazia sentido, que nunca ia funcionar, que não valia a pena sofrer por algo que estava condenado à partida.

Enquando lá estava calhámos a cruzar-mo-nos, e só piorou aquilo que já não estava bem, ainda que olhando agora para trás, tenha sido pelo melhor. Passado 3 dias voei de volta para casa, e pouco tempo depois de cá estar, comecei a receber as respostas às candidaturas. Tinha sido aceite, queriam que me mudasse para Washington para começar a estagiar dia 8 de Setembro. Pensei em não ir, já não restava nada daquilo que tinha motivado a candidatura, que já não a tinha à minha espera, e que se tudo aquilo tinha sido por ela, sem ela não fazia sentido. Mas e por mim? É certo que já não havia ninguém á espera, mas se não era por ela que ia, também não ia ser por ela que ia deixar de ir e desperdiçar um estágio como o que eu tinha conseguido, por mim, e fui!

Foi por isso que me mudei para Washington, foi por isso que lá estive todos estes meses, não foi por ela, garanto-vos! Foi por mim, para provar a mim mesmo que nunca lhe menti, mas mais importante que isso, que nunca me menti a mim! De todas as vezes que lhe disse que podia confiar em mim para fazer tudo dar certo, que eu resolvia tudo, estava a falar a sério, sempre que lhe disse que não era o tipo de rapaz que deixavam oceanos meterem-se no meio de uma grande paixão, de uma como a que eu lhe tive. E fui!

Voei para Nova Iorque dia 3 de Setembro e para D.C. dia 4, comecei a trabalhar dia 8e dia 19 de Setembro estava com uns amigos no National Mall a passear no Museu de História Americana, em Washington D.C., como lhe tinha prometido (Alguma vez te menti?)! Não telefonei, não disse nada, não valia a pena, não fazia diferença, não ia mudar nada. Ela sabia que eu lá estava, eu via sempre que ela visitava o blog, ou porque me cruzava com a melhor amiga dela quando saímos à noite, e isso bastou.

Na "nonagésima nova noite" fui-me embora, deixei D.C. e voltei para Nova Iorque, e de lá de volta a casa, e esta é a minha interpretação do penúltimo post. Ele foi-se embora na ultima noite, porque se ela o amasse como ele a amava a ela, tinha querido ser dele, tanto quanto ele queria ser dela, e nunca lhe pedia para ficar 100 noites debaixo de uma varanda, porque quem ama de verdade, ama incondicionalmente, sem noites debaixo de varandas, ou indiferente a distâncias, e se ele, como eu, aguentou 99 noites, não foi por não aguentar mais uma, foi para mostrar que conseguia, mas que ela não o merecia, nem ao amor que ele, que eu, lhe tinha.

Aprendi qualquer coisa, porque se aprende sempre qualquer coisa. Acho que estou velho, e cada vez mais cínico em relação ao amor, digo que não me vejo a fazer as coisas que fazia antes pelas raparigas de quem gostava, mas faço, e cada vez me surpreendo mais com as coisas que faço, coisas que nunca imaginei fazer. Há 2 anos atrás estava a apaixonar-me por uma rapariga na fila da Sportzone, virei o mundo do avesso até a voltar a encontrar, e encontrei. Este ano conto-vos em como mudei de país e continente, atrás de alguém que não voltei a ver. Foi isso que percebi. Que sim, cada vez acredito menos em histórias de amor, que sim, cada vez acho-me menos capaz de fazer tudo aquilo que continuo a fazer, e que de todas as vezes digo que é a ultima, mas que ao mesmo tempo, o tempo passa, e talvez seja desespero, ou a vontade de acreditar que é só mais estas vez, só mais um esforço, para que eu tenha o final feliz que mereço, e que esse desejo, é maior que todo o cepticismo que veio depois, e te faz fazer mais e ir mais longe que aquilo que alguma vez achaste que ias ser capaz, na esperança que a próxima vez, seja de vez.

... além do mais, se nada disto tivesse acontecido, nunca tinha conhecido a Lacey, mas isso, já é outra história. (;

A Nonagésima Nona Noite.

"Once upon a time, a king gave a feast. And there came the most beautiful princesses of the realm. Now, a soldier, who was standing guard, saw the king's daughter go by. She was the most beautiful one, and he immediately fell in love with her. But what could a poor soldier do when it came to the daughter of the king? Well, finally, one day, he managed to meet her, and he told her that he could no longer live without her. The princess was so impressed by his strong feelings that she said to the soldier: "If you can wait 100 days and 100 nights under my balcony, then at the end of it, I shall be yours." Damn! The soldier immediately went there and waited one day. And two days. And ten. And then twenty. And every evening, the princess looked out of her window, but he never moved. During rain, during wind, during snow, he was always there. The bird shat on his head, and the bees stung him, but he didn't budge. After ninety nights, he had become all dried up, all white, and the tears streamed from his eyes. He couldn't hold them back. He no longer had the strength to sleep. All that time, the princess watched him. And on the 99th night, the soldier stood up, took his chair, and went away."

Don't Die Wondering!

"A couple of hundred years ago, Benjamin Franklin shared with the world the secret of his success. Never leave that till tomorrow, he said, which you can do today. This is the man who discovered electricity. You think more people would listen to what he had to say. I don't know why we put things off, but if I had to guess, I'd have to say it has a lot to do with fear. Fear of failure, fear of rejection, sometimes the fear is just of making a decision, because what if you're wrong? What if you're making a mistake you can't undo? The early bird catches the worm. A stitch in time saves nine. He who hesitates is lost. We can't pretend we hadn't been told. We've all heard the proverbs, heard the philosophers, heard our grandparents warning us about wasted time, heard the damn poets urging us to seize the day. Still sometimes we have to see for ourselves. We have to make our own mistakes. We have to learn our own lessons. We have to sweep today's possibility under tomorrow's rug until we can't anymore. Until we finally understand for ourselves what Benjamin Franklin really meant. That knowing is better than wondering, that waking is better than sleeping, and even the biggest failure, even the worst, beat the hell out of never trying."

Laundry Day

The thing about laundry is that, unless you do it naked, the moment you´re done, there is already some more for you to do.

Google's Masterplan









Little Big Adventure!

Ainda há dias em que acordo em sobressalto sem saber onde estou. Os primeiros segundos do dia são sempre passados a mentalizar-me de que não é um sonho, de que tudo isto está mesmo a acontecer, e que a cama onde acordo está a 5720kms de casa, da minha casa, do meu quarto, da minha cama.

Quando olho para trás para os últimos meses da minha vida, fica fascinado com a sucessão de acontecimentos que me trouxeram até aqui, pareceu tudo tão fácil, como se fosse suposto acontecer, e eu me tivesse apenas deixado levar por algo que se foi desenrolando até ter este desfecho. Sempre achei que foi tudo tão simples, tão fácil, até alguém me perguntar como é que eu tinha feito.

A primeira coisa que lhe disse foi que foi fácil, porque sinceramente, é essa a ideia que tenho, de que não foi complicado chegar cá. Que decidi que queria vir para cá, e que depois da decisão tomada, fui ao Google pesquisar estágios na área de jornalismo em Washington D.C.

Comecei pelos jornais, depois as revistas, mais tarde as televisões. Primeiro em D.C. depois em Annapolis, Baltimore, Bethesda, Rockville. Os prazos de candidaturas, os pré-requisitos, o método de candidatura, os documentos de necessários, os e-mails com pedidos de informação. Reescrever o curriculum, uma carta de apresentação, arranjar as referências, pedir as cartas de recomendação, as provas escritas, o artigo do jornal da faculdade, e reestruturar o blog para lhe dar um ar profissional, ajuda do Jorge com o site, da Prof. Alice com a carta de recomendação, do Prof. Paulo, da Kikas com o jornal da faculdade, da Rita com o Rostos, da Inês com o curriculum, mais os que me estou a esquecer.

Depois de enviadas as candidaturas, vieram as entrevistas telefónicas, o inglês sofrível, o nervosismo a tornar tudo pior, as perguntas absurdas e o que se perde na tradução, aquilo que me é familiar e que não diz nada a ninguém que vive do lado de lá do mundo, aquilo que é importantíssimo para eles, e de que eu nunca tinha ouvido falar, e no fim, a noticia de que o estágio era meu se estivesse interessado.

Era suposto ser tudo mais fácil daí em diante, não era? Não foi. O requerer o visto, o impresso que é preciso, o passaporte actualizado, a entrevista com a embaixada, o papel que não serve, o impresso que não era aquele, o estágio é pago? Não é pago? Mais de 90 dias? Menos de 90 dias? Onde é que vai ficar? Quem é que conhece? Quando é que vai voltar? A viagem para cá, a viagem para lá, o voo de ligação, até aterrar em Nova Iorque.

Finalmente, estava cá, e daí em diante só podia melhorar não é? Nem por isso! O autocarro para D.C., a segunda-feira que é feriado, o short-term lease de 6 meses para quem só cá vai estar 4, o apartamento sem mobílias, o numero de segurança social americano que não tenho, o credito bancário que não existe, o cartão português que falha nos multi-bancos no dia antes de pagar, a renda, o co-lease, a Cremilde e o Paulo a salvarem-me vezes sem conta, a ajuda da Vânia e do Telmo, os país da Vânia... a saudades de estar sozinho longe de tudo e de todos.

Só ao tentar explicar é que me dei conta de tudo aquilo que foi preciso para aqui chegar, para que tudo isto fosse possível, e no fim foi isso que percebi, que não é o que se aprende por estar longe que faz a diferença, não é a experiência profissional que é uma mais-valia, sinceramente, não sei se é, não aprendo nada aqui que não aprendesse aí, é antes, o que tudo isto diz de ti, sobre aquilo que és, aquilo que és capaz e até onde estás disposto a ir para conseguires aquilo que queres, a tua dedicação, empenhamento, o espírito de sacrifício para ires até onde queres chegar, lutar por aquilo que queres até torna-lo realidade, e isso então, mais que complicado... é raro.

Whatever I am, I am what I am becoming.

Mudou a hora, mas não mudou mais nada. Já é outro dia em Portugal, mas ainda é o mesmo dia aqui, e vai ser o mesmo dia por mais umas horas, e pouco importa que Portugal mude a hora para tentar compensar, são horas a mais para que faça diferença, é nestas alturas que dou conta de quão longe estou de tudo e de todos.

Passo a vida a pensar em coisas que penso que mais ninguém pensa. Chego mesmo a pensar que já pensei em tudo o que havia para pensar, que tenho uma opinião formada sobre tudo aquilo com que sou confrontado no dia-a-dia, e mesmo aquilo com que não sou, mas que por alguma razão acabei por pensar nisso também, e depois acontece algo de novo e inesperado, e vejo em quanto ainda me falta pensar, sem que nunca sequer tivesse pensado nisso, e pela quantidade de vezes que usei o verbo "pensar" nestas ultimas frases, dá para ter uma ideia das coisas absurdas em que eu penso.

Nunca pensei, por exemplo, na falta que ia sentir de Portugal, ou pensei, mas nunca pensei que fosse assim, assim tanta. Mesmo antes de partir, pensei nas coisas de que ia sentir falta, coisas que nunca tinha dado conta que adorava até ser confrontado com a ideia de as deixar de ter, coisas ridículas, insignificantes que fazem todo a diferença, diferença essa que é tudo menos insignificante.

Costumo dizer que a minha parte preferida duma viagem, é o espaço de tempo que vai desde aterrar em Lisboa, até descobrir que me perderam a mala. Estou desejoso que me percam a mala, e desejoso de todas as outras coisas que me dizem que estou de novo em casa. Temos um país melhor que aquilo que o pintamos, acreditem, e só nos apercebemos disso quando metemos um oceano entre nós. No outro dia a Andreia disse-me que se metermos o dedo na ponta do nariz, não o conseguimos ver, se calhar acontece o mesmo com Portugal, não o conseguimos ver pelo que é por estar debaixo do nosso nariz a toda a hora.

Enquanto pensava em tudo aquilo de que ia ter saudades, de tudo aquilo que me ia fazer falta, veio o medo de não voltar a mesma pessoa que era quando parti, de que toda esta aventura mudasse demasiadas coisas em mim, para conseguir voltar para a vida que deixei, e quando dei por mim, já não era o mesmo de antes, mesmo antes de partir.

Nunca pensei em nada disto, em fazer nada disto, sempre fui demasiado comodista, demasiado agarrado a tudo o que tenho e conheço para deixar uma vida inteira para trás e começar de novo em outro sitio qualquer, mesmo que por uns meses, no entanto, aqui estou, e nunca pensei que fosse capaz, ainda não penso que seja, mas tenho sido, e outra das coisas em que isso me fez pensar, é naquilo de que uma pessoa é capaz se carregarmos nos botões certos.

Penso na Avó Nita mais que em qualquer outra coisa. Tenho saudades delas mais de que ninguém. Era ela dizer, e metia-me no primeiro avião para casa, é essa a falta que ela me faz, e ainda assim, os dias continuam a passar mesmo quando ela não está. Não sei se nunca pensei nisso, ou se nunca quis pensar nisso. Na velocidade com que a vida se adapta e quão depressa nos habituamos a viver sem aquilo que mais gostamos no mundo. Sinto que conseguia viver o resto da minha vida sem a volta a ver, e que a vida ia continuar a igual, se ia adaptar à ausência dela, porque é isso que a vida faz, continua. A diferença, mais que saber que conseguia viver sem ela, sem a avó que é o amor da minha vida, é o não querer viver sem ela, e isso faz toda a diferença. Saber que a tenho por perto, não porque preciso, mas porque quero, escolho, faço questão de a ter sempre comigo, e também nunca tinha pensado nisso.

Penso em tudo aquilo em que nunca tinha pensado, e em todas as coisas que acontecem ao longo de uma vida de que te fazem ver o mundo de maneira diferente, todo aquilo que acontece, tudo aquilo que falta acontecer mas que sabes que não tarda a chegar, há qualquer coisa nova a casa dia que passa, casar, o ter filhos, ser pai, ser avô, envelhecer, morrer. Pela primeira vez pensei que nunca acaba, que há sempre qualquer coisa à espera de acontecer, que muda tudo aquilo que julgavas saber, e te faz pensar em coisas que nunca tinhas pensado antes. Mudou a hora, e com a hora… mudou tudo.

Would I lie to you?

Sei anos de blog é tempo quanto basta para falar de tudo aquilo em que consigo pensar, logo, aquilo de que ainda não falei, mais que por falta de tempo, foi por falta de saber como. É facil então perceber, que aquilo de que ainda não falei, é provavelmente o que de mais importante tenho para vos dizer.

O post que se segue vai, portanto ser estranho, pretensioso, até mesmo arrogante, estão desde já avisados, mas prometo que vou tentar explicar o que há tanto tempo tenho para dizer da melhor maneira que consigo, contextualizando o melhor que posso.

De todas as vezes em que penso nisto, sou remetido para uma conversa com 2 dos tipos por quem tenho mais estima, o Pedro e o BB. Os 3 sentados no carro a falar sobre ser como nós, o Pedro diz "se pudesse escolher, preferia ser menos inteligente", porque tal como tudo na vida que peca por excesso, intelegência a mais também é defeito.

Sou inteligente! Mentira, sou muito inteligente, bem acima da média! Mais que interessante, sou interessado, gosto de saber, de aprender, perceber e saber fazer tudo aquilo de que se possam lembrar, e com maior ou menos facilidade, sei, e aprendo, e percebo, e sempre acabei por fazer e ter tudo aquilo que queria.

É aqui que as coisas se complicam, e onde a frase do Pedro encaixa. O problema com os tipos inteligentes que conseguem sempre aquilo que querem, é não quererem nada. É o que acontece comigo. Saber à partida que consigo, faz com que nem sequer tente, porque sei como vái acabar, e todos sabenos que nunca se quer aquilo que se pode ter, e o resultado pratico de poder ter tudo o que quero é então, nunca querer nada.

Fiz o secundário sem ir às aulas, cheguei ao último ano de jornalismo sem um caderno, a estudar de véspera ou 5 minutos antes do exame pelas cábulas da Ju e da Carla, e passar. E isto faz imensa confusão a muita gente, que pelos vistos não sabem aquilo de que eu sou capaz.

Entrei para a faculdade com 25 anos, porque não me apeteceu entrar antes. Sabia que no dia em que me apetecesse entrar, entrava, até porque tinha mais que fazerna altura, mesmo que o ter mais que fazer fosse não fazer nada. Não trabalho, porque não me apetece, e não é ter 28 anos que me incomoda, o estár a ficar velho para o primeiro emprego, seja lá o que for. No dia em que decidir ir trabalhar, vou, e crise e desemprego, são coisas que não me dizem respeito. Despedi-me de todos os trabalhos que tive, trabalhos que qualquer outra pessoa que não eu, se dava por contente de os ter. Mas eu estou guardado para maior e melhor, que aquilo que fosse que eles queriam que eu fizesse.

Chega a ser ridiculo, tanto que tenho a certeza que tentasse eu qualificar para os jogos olímpicos, também conseguia, e o meu unico problema ia ser escolher o desporto em que queria ganhar uma medalha. Absurdo, eu sei, mas é assim que os meus fios estão ligados~, não há nada que eu posso fazer. Consigo tudo aquilo que quero, normalmente sem esforço, porque sou simplesmente melhor, quando não sou melhor, consigo-o porque me esforço mais que o próximo, e faço o que for preciso para atingir os meus objectivos.

Mas toda esta arrogância torna-se mais tolerável, até mesmo aceitável, se houver efectivamente alguma verdade em tudo aquilo que disse, e a única maneira que tenho de mostrar que não estou a ser arrogante mas sincero, é pegar em algo impossivel, e fazê-lo acontecer.

Aqui entre nós, é assustador! E se estava enganado? E se não conseguir? Quer isso dizer que desperdicei grande parte dos meus 20 anos, sem pensar no curso ou na carreira, porque achava eu que era melhor que os outros, e não sou? Que tive errado todo este tempo, todas as vezes que disse a mim mesmo que era capaz, estava a enganar toda a gente e a mim também?

É um grande risco para ser correr, daqueles que ora corre muito bem, e só nos mostra que tivemos razão todo este tempo, ou daqueles que nos abala a vida até às raízes e te faz olhar para trás para o tempo desperdiçado, e até a tua vida deixa de fazer sentido, quando achas que viveste todo este tempo numa farsa que tu mesmo criaste.

Há 4 meses atrás, por razões que agora não importam, decidi mudar-me para Washingtgon D.C., arranjar um trabalho em jornalismo, ter uma casa minha, ganhar a experiência que me destaque dos demais quando voltar para casa, e com isso provar aos menos crentes aquilo que eu sempre soube ser capaz.

Moro no apartamento 412 do nº. 35 da rua E. Trabalho do lado de lá da estrada, no 6º andar do nº 400 de North Capitol St. para a C-SPAN, no andar de baixo fica a Fox News, no andar de cima a NBC, do lado de lá da rua o Capitólio dos Estados Unidos. É dia 19 de Setembro de 2009, são 7 da manhã em Lisboa, 2 da manhã aqui, em Washington D.C.

... alguma vez vos menti?

Passagem das Horas

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,
O coral das Maldivas em passagem cálida,
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente...
Yat-lô--ô-ôôô-ô-ô-ô-ô-ô-ô...Ghi-...
E aquilo soa-me do fundo de uma outra realidade...
A estatura norte-africana quase de Zanzibar ao sol...
Dar-es-Salaam (a saída é difícil)...
Majunga, Nossi-Bé, verduras de Madagascar...
Tempestades em torno ao Guardafui...
E o Cabo da Boa Esperança nítido ao sol da madrugada...
E a Cidade do Cabo com a Montanha da Mesa ao fundo...

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta entrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranqüila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta sociedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?

(...)

Álvaro de Campos

Washington Thoughts

"Bem sei que há ilhas ao Sul e grandes paixões cosmopolitas, e se eu tivesse o mundo na mão, trocava-o, estou certo, por um bilhete para Rua dos Douradores."

Bernardo Soares, em Livro do Desassossego

Cashback

It takes approximately 500 lbs to crush a human skull. But the human emotion is a much more delicate thing. Take Suzy, my first real girl friend. My first real break-up, happening right in front of me. I never thought it was going to be similar to a car crash. I've slammed the breaks, and I'm skidding toward an emotional impact. So, is this all my fault? Me, Ben Willis. It's funny what goes through your mind at a time like this. The two and a half years we spent together. The promises we made. The holidays we took with her parents. The lamp we bought at IKEA together. It was my final year at art college. And in the weeks that followed the break-up, I tried to figure out what went wrong. Why did we break-up? It's funny, but when I think back now, the reasons seem so small. One day she's with me and she's saying I love you, and the next week she's with someone else, probably saying the same thing. So did she really love me? What is love, anyway? And is it really that fleeting?

As vida de uma vida.

Vinicius de Moraes escreveu no Soneto da Fidelidade, "Que eu possa dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure", e sempre foi assim que eu o vi, desde o inicio, desde antes do inicio, não sei explicar porque ou como acontece, mas sei-vos dizer que foi sempre assim que eu soube que era amor. Quando faço planos a longo-prazo, quando consigo imaginar a rua onde vamos morar ou como será a tarde de uma terça-feira daqui a 10 anos, o "teste do alpendre", e são sempre coisas parvas, ínfimas, mas foi assim com todas as raparigas de que gostei, das que gostei de verdade, sempre consegui ver desde o inicio, a vida que íamos ter para nós os dois.

Namorei com a Marta quando tinha 16 anos, oficialmente foi a minha quarta namorada, mas a primeira com quem me lembro de acontecer, provavelmente por causa das circunstancias. Ela morava no Porto, e eu em Lisboa, e quando se tem 16 anos, o Porto bem que podia ficar na Polónia, já que se não dá para lá chegar com um pré-comprado, provavelmente é demasiado longe para dar certo. Mas nós esforçámo-nos, ou pelo menos eu esforcei-me todos os fins-de-semana apanhava o barco para Lisboa, andava até Santa Apolónia, e apanhava o Inter-Regional para o Porto com as nossas forças armadas de regresso a casa para o fim-de-semana, acho que era o único tipo naquelas carruagens que ainda não tinha passado pela recruta. Namorámos dois anos e meio, mas depressa percebi que as viagens de comboio que eu pagava com o escasso ordenado de distribuidor de pizzas, não iam durar para sempre, que era preciso traçar um plano de como as coisas iam ser para ver um futuro naquilo que tínhamos, porque ainda que toda a gente diga o contrario, só amor não chega. A necessidade é a mãe da invenção, e provavelmente foi ai que começou, precisei de imaginar a vida que eu e a Marta íamos ter, uma sem comboios ou 400km's entre nós, e imaginei.

Quando fizesse 18 anos, mudar-se-ia para Lisboa para tirar Arquitectura, o Sr. Cordeiro tratava de lhe alugar uma casa na Ajuda onde ficar, onde eu ficava com ela, onde acabaria por passar mais noites que na minha, até acabarmos o curso. Depois de acabado, ela voltava para o Porto, e eu voltava com ela, provavelmente porque a Marta sempre fez o Porto parecer tão mais mágico que Lisboa, magia que ficou, mesmo depois da Marta, talvez a Marta não tivesse nada a ver com isso e o Porto brilha por si só... já nunca cheguei a imaginar onde é que íamos morar no Porto, acabamos antes de qualquer um dos dois entrar para a faculdade, não sei dela há tantos anos que nem sei que curso tirou... quero acreditar que foi arquitectura, e que a vida que eu imaginei teve tão perto de ser.

Depois namorei com a Carolina... e passado uns tempos acabámos... e depois voltámos... mas eu já chego a essa parte.

Muito depois da Carolina, namorei com a Tânia, mas para o que importa é como se tivesse sido imediatamente depois, já que não houve outras vidas pelo meio. A Tânia estava a tirar arquitectura na mesma universidade onde a Marta havia tirado o curso dela, tivesse a vida que eu imaginei para nós se realizado. O Sr. Correia é construtor, quando a filha fosse arquitecta, ele oferecia-lhe um apartamento de um dos prédios que tivesse a construir. Quando eu acabasse o meu curso, pedia um empréstimo para a minha casa, ela vendia o apartamento dela, e com o dinheiro da casa dela e o meu, ela tratava de projectar a vivenda que há muito tenho imaginada para mim, e o pai dela fazia o favor de a construir. Morávamos na Margem Sul, longe de Lisboa, mas perto de um acesso à auto-estrada e os nossos carros eram rápidos. Ela trabalhava com o pai na empresa de Arquitectura e Construção, eu ficava em casa, a escrever, a restaurar o carro velho e ferrugento na garagem da cave... e essa vida também acabou.

E veio a Andreia, que antes de eu namorar com ela, posso jurar que ela queria ser enfermeira, depois de eu namorar com ela, seguiu fisioterapia, porque lhe disse que por melhor que um enfermeiro fosse, ia sempre precisar de um médico, e que um fisioterapeuta, vale por si só... como o Porto. (Mas não lhe digam que eu disse isto, tenho a certeza que ela prefere morrer uma morte lenta e dolorosa a admitir que eu tive qualquer impacto na vida dela). Mas na vida que imaginei para nós (e na de verdade também) ela tirou fisioterapia e desde o inicio que quis construir um império! Tivemos de começar aos pouquinhos, mas eu ajudei-a no que pude, mais que não fosse com compreensão e todo o meu apoio. Morávamos em Lisboa, mais por ela que por mim, que sempre adorou o raio da cidade, mesmo quando moramos na Av. mais poluída de todas, a da Liberdade. Morávamos a meio da Av. do lado esquerdo para quem sobe, junto à praça da Alegria e nas noites mais calmas conseguimos ouvir o Jazz do Hot Club na janela da cozinha, a casa é velha, mas é nossa, e a palete de cores que ela escolheu para as paredes disfarçam-lhe a idade, tem um pé direito muito alto, e portas a condizer. A sala tem duas varandas, lado a lado, pequeninas, eu tenho a minha, ela a dela, e nas noites mais românticas, "fazemo-nos" um ao outro como quem tenta engatar a vizinha gira do prédio numa viagem de elevador. Ela é a vizinha gira do prédio, mas da varanda dela para dentro, da minha varanda para dentro, estamos juntos na mesma sala, no mesmo quarto, na mesma casa... e é toda minha!

Ela trabalha numa clínica, ou duas... ou mesmo três, depende do dia e todas elas a um milhão de km's de casa. Eu trabalho no Diário de Noticias mais acima na rua. É o mais parecido que temos com o Daily Planet e eu sinto-me o mais parecido que posso com o Clark Kent de todas as vezes que lá entro. Vou a pé para o trabalho, volto a pé do trabalho, vou almoçar a casa, e numa qualquer terça-feira á tarde vou busca-la á clínica, uma delas, tento (em vão) acertar, mas acabo sempre por ter de ligar para saber em qual está. Paro o carro á porta, abro o jornal e espero por ela. Ela abre a porta e acaba automaticamente o sossego dentro daquele carro, descalça-se e mete os pés nas baquects do meu carro, insiste que são uma sala e há anos que desistir de a tentar contrariar, pelo caminho ela conta-me o dia dela, e pergunta se mudei muito o mundo no meu, eu digo sempre que não, e ela responde "deixa, mudas amanhã querido!". Voltamos para casa, para as nossas varandas... ou voltávamos, ñ tivesse essa vida acabado também.

De volta a Carolina, e a vida de nós os dois. Moramos no último andar dum prédio baixinho da Rua Ferreira Borges, adoro-a! A ela também, mas estou a falar da rua! A copa das árvores cobre a estrada em toda a sua largura num tunel verde de folhas e ramos, que mais se pode dizer, é uma rua monopólio, e sempre achei muito digno morar num rua monopólio, e Campo de Ourique, adoro Campo de Ourique! Não sei porque, talvez por ser um bairrinho colado ás amoreiras, trato pelo nome o senhor da mercearia e ficamos a dever quando não temos dinheiro que chegue, no café pela manhã perguntam-me só se vou tomar "o costume" e 90% das vezes, até me sento no mesmo sitio, adoro esta rotina que me faz sentir que é ali que faço sentido! Tenho a certeza que quando morrer vão afixar um placa por cima da cadeira onde se pode ler, "Aqui se sentava José Risques". Sou jornalista, a Carolina advogada. Ela tenta chegar a sócia da empresa, eu a editor, mas ainda temos os dois um longo caminho pela frente. Não lhe digo nada, mas em segredo junto todo o dinheiro que consigo, e morro de medo que ela ache que eu tenho uma amante. Quando ela fizer 30 anos, vou-lhe oferecer um armazém na periferia, duas carrinhas compradas em segunda mão e a precisar de revisão, onde ela possa abrigar todos os animais que as carrinhas consigam tirar das ruas. Faço-o tanto por ela como por mim, por ela cujo sonho é ter um abrigo para animais, para mim que odeio cães a ladrar na rua... e em casa, mas que remédio, as vezes acho que ela gosta mais da Inês que de mim, e não, não estou a falar da minha irmã, estou a falar da cadela que é como uma filha para ela. A única que ela tem, por enquanto, por muito enquanto, não fazemos conta de ter filhos tão cedo, há demasiado que queremos fazer, demasiados sítios para ver, passear, passar o fim-de-semana fora, só porque sim, até porque a Inês dá trabalho que chegue, quem sabe depois de esta filha morrer, não pensamos numa filha de verdade... mas nunca chegamos a pensar, essa vida acabou tal como as outras, sem que nunca a Carolina, ou a Andreia, a Tânia ou a Marta chegassem a saber delas... enfim... "the old dreams were good dreams; they didn't worked out, but I'm glad I had them."

... Fica a faltar uma vida, mas conto-vos essa tarde.

I know little about love.

"You know when I said I knew little about love? That wasn't true. I know a lot about love. I've seen it, centuries and centuries of it, and it was the only thing that made watching your world bearable. All those wars. Pain, lies, hate... It made me want to turn away and never look down again. But when I see the way that mankind loves... You could search to the furthest reaches of the universe and never find anything more beautiful. So yes, I know that love is unconditional. But I also know that it can be unpredictable, unexpected, uncontrollable, unbearable and strangely easy to mistake for loathing, and... What I'm trying to say is... I think I love you. Is this love? I never imagined I'd know it for myself. My heart... It feels like my chest can barely contain it. Like it's trying to escape because it doesn't belong to me any more. It belongs to you. And if you wanted it, I'd wish for nothing in exchange. No gifts. No goods. No demonstrations of devotion. Nothing but knowing you loved me too. Just your heart, in exchange for mine."

Singles

"I broke up with someone recently: Jennifer, my last girlfriend. I did it in a crowded restaurant. She just stared at me with that look: How can you pass me up? I told her we weren't right and all the stuff we both knew. A week later I realized I was wrong, tried to get back together with her. She won't see me. Now she's with Tony. Tony knows my friend Bailey, who's friends with the girl Tony's going out with on the side, Rita. Rita who I broke up with to go out with Jennifer. So now do I tell Jennifer that I know Tony's going out with Rita or do I tell Rita that I know about Tony and Jennifer? Tony will tell Jennifer that I was still going out with Rita while I was going out with her. How does stuff get so complicated? I don't know."

Ódio?

Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto...

Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!

Ah! nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo d’outra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!

Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena...

Florbela Espanca

Supply & Demand

Há imenso tempo que isto não acontecia. Estava agorinha a falar com a Fernanda e ela disse que o que não faltam são princesas pelo mundo inteiro, e foi quanto bastou, comecei a pensar nessa frase, o que me fez lembrar duma conversa que tive com a Elsa uma vez que fomos sair, e de uma outra com o Sotero a ultima vez que cortei o cabelo, e é curioso ver como 3 conversas distintas com 3 pessoas diferentes, sobre temas não relacionados, ajudam a compor a bigger picture, de algo que não tem nada que ver com tudo o resto.

O Sotero é o meu cabeleireiro, e se não fosse o Sotero, provavelmente tinha de andar de Táxi muito mais vezes, pois acredito que no meio de toda a brejeirice, há sempre um taxista que entre queimar um amarelo e passar um vermelho, tem uma daquelas desabafos sobre qualquer coisa, e nos deixa semanas a pensar, e no fim acaba por mudar radicalmente a nossa maneira de pensar e estar no mundo, e tudo numa corrida entre o Terreiro do Paço e o Príncipe Real.

Mas voltando ao Sotero, estávamos a falar do movimento das grandes cidades e a oposição à pacatez do campo, e acabamos inevitavelmente a falar do transito, da falta de civismo e de como todos os homens têm ideia de que guiam bem, e foi essa a frase do Sotero - "Toda a gente acha que guia bem, e que sabe beijar" - Na altura achei piada, concordei, e não pensei mais nisso, nem sequer associei á conversa que tinha tido com a Elsa umas semanas antes.

A Elsa é por esta altura, uma das minha amigas mais antigas, damo-nos bem, se bem que também não nos damos muitas vezes, e se calhar até nos damos bem por isso mesmo, também nunca tinha pensado nisso, mas para o caso é o que menos importa. Gosto dela de morte, e temos sempre imensa conversa para por em dia quando nos juntamos.

Estávamos a falar de nos esforçarmos demais, ou de não nos esforçarmos o suficiente, de que se tiver de acontecer, acontece sem esforço, e que se não tiver de acontecer, não importa o quanto te esforças, coisas assim. Foi então que a Elsa me contou de um rapaz que há uns tempos atrás estava interessado nela, e em como todos os dias durante 6 meses lhe mandou uma mensagem a desejar um bom dia. ela nunca respondeu, nem ás mensagens, nem ao interesse.

Eventualmente as mensagens pararam, e suponho que com elas o interesse. Passado uns tempos encontraram-se por acaso, e ele perguntou-lhe porque é que ela nunca tinha respondido a nenhuma das mensagens, e ela devolveu-lhe um "Porque? Era suposto?", e ele disse-lhe que tinha a certeza que ela não ia encontrar muitos rapazes que fossem capazes de lhe mandar um mensagem de "bom dia" todos os dias durante 6 meses, e a Elsa, deliciosamente implacável, como sempre, disse - "Ficavas Surpreendido!".

E agora a parte em como o Sotero, a Elsa e a Fernanda encaixam, e acabam por dár origem a algo maior que a soma das partes. Da mesma maneira que todos achamos que guiamos bem (eu guio bem), e beijamos melhor ainda (eu beijo melhor ainda), temos a certeza que estamos dispostos a fazer por amor aquilo que mais ninguém faria (eu faço por amor aquilo que mais ninguém faz), e que o meu único problema, como o último dos príncipes encantados, é não saber onde a ultima das princesas anda.

No dia em que a encontrar, tudo o resto vai fazer sentido, e todas as minhas neuras reduzidas a pó, vai-me dár o devido valor, e tudo vai acabar bem, e eu vou finalmente ter o final feliz que mereço. Mas o que eu tenho visto, é que aparentemente, há excesso de príncipes para a excassez de princesas, e as poucas que há, por certo já encontraram o principe da vida delas, um que por sinal guia melhor que eu e faz por amor aquilo que eu nunca seria capaz de fazer, sim... porque beijar melhor que eu, venha de lá quem vier, tenho a certeza que não beija!

Thank You

"I've been trying to write this letter for a while now, the kind you said you'd never received. The kind I've been working on my whole life. I remember being 13 years old, sitting in my room all night, listening to the same song over and over. I thought that if I could write something beautiful, something honest, I could make someone love me. I've taken a lot for granted. I've never tried too hard; always avoided responsibility. I came here because I was running away, 'cause I wanted to be alone. Instead I met you and you weren't taking anything for granted. I hope you get all the moments you deserve. I hope you go back to NY and sit in the Met in the room with the painting of the Hudson river, and I hope when you do, you take Lucy with you cause I know she'd love it. I'm sorry if I've made your life complicated. I'm sorry for a lot of things, but most of all that I never got the chance to tell you that, no matter what happens next, I'll never be anything but grateful for every moment I spent with you. And even though I keep fumbling for the right words, all I really wanted to say was thank you."

That was random!

Um dia, já não muito longe, vou morrer, e do fumo do meu corpo a arder, vai nascer uma nuvem, que se vai encher de água e chover pelo mundo inteiro, e essa chuva há-de regar os campos, e eu, voltarei a nascer por toda a parte.

In the land of women

"I'm on the plane out here, and I open my computer and I start reading these emails that I sent her, like 30 or more maybe, over the course of our relationship. And not just short messages, I'm talking about long, involved love letters. Like, desperately trying to be romantic and poetic, whatever and embarassing as it is, it's also like, kind of the best stuff I've ever written. Because it's got this naive idealism thing going on where ours is going to be one of the greatest love stories ever told, and I'm writing it. So I'm sitting there and I'm reading these emails and there's some turbulance, and I start to have this massive panic attack, like nothing I've ever had, and I think it's happening because I can never imagine feeling that way about anybody else, ever again."

I hold the record for being patient!

Quando comecei a escrever o post anterior, tinha posto no titulo "Mari Carmen Brito Ramirez" e a razão pela qual meti isso no titulo do post, foi porque queria que houvesse qualquer coisa na internet que a relacionasse comigo. Eu sei que nada disto faz muito sentido, mas continuem a ler, que vai fazer.

Se me custa a acreditar que passaram 10 anos desde a história da Sílvia, custa muito mais acreditar que passou metade da minha vida, desde a história da Brito, mas passou mesmo, conhecemo-nos há 14 anos numa viagem de finalistas de 9º ano a Salou.

O grupo não era lá muito equilibrado, éramos uns 40 rapazes e umas 20 raparigas, mas curiosamente, ao chegarmos ao hotel, um grupo igualmente desequilibrado, mas ao contrário, fazia check-in ao nosso lado. Eram de uma escola em Huelva, e estavam em Salou exactamente pelos mesmos motivos que nós, não foi uma matemática muito complicada, e já passou demasiado tempo para eu me lembrar de todos os pormenores, mas tenho quase a certeza que no fim da primeira noite já era difícil discernir onde é que o nosso grupo acabava, e o grupo deles começava.

Eu nunca tive muito jeito para esse tipo de coisas, não tinha na altura, ainda não tenho agora, e fiquei um bocado de parte enquanto os meus amigos se iam tornando mais que amigos, das novas amigas espanholas. Quem também estava um bocado afastado de todas estas misturas era um grupo de 4 ou 5 raparigas, muito mais reservadas que o resto das colegas, a Brito era uma delas.

Só me lembro de dois nomes de toda a comitiva espanhola, o da Brito, por todas as obvias razões, e o da Laura, e lembro-me do nome da Laura por dois motivos, o primeiro porque passou praticamente todo o tempo que estivemos em Salou com um dos meus melhores amigo da altura, o Pedro, e o segundo porque foi ela que se virou para mim uma noite em que estávamos todos sentados no bar do hotel e perguntou... ¿Brito te gusta?

A Brito era a rapariga dos sonhos de qualquer rapaz de 14 anos, ou pelo menos dos meus sonhos. Obviamente espanhola, morena, com cabelos pretos, compridos, distante, inatingível, misteriosa, com ares de Penélope Cruz, ou tenho a certeza que era o que eu iria achar se soubesse na altura quem a Penélope Cruz era.

Não foi preciso responder-lhe, o meu sorriso disse tudo o que a Laura precisou de saber, e a morrer de vergonha disse só que ia para o meu quarto, e em tom de gozo a dizer ao Pedro para não chegar tarde... e não chegou. Passado uns minutos, bateram à porta, mas não era o Pedro.

Liguei para casa a pagar no destino ás 3 da manhã e fiz os meus pais prometerem que quando chegasse o verão me levavam a Huelva, agora que penso nisso, essa foi provavelmente a primeira de todas as minhas entregas desmedidas de amor e actos descabidos e despropositados em nome de relações impossíveis, que sobrevivem até aos dias de hoje. Fascinante!

E como todas as coisas que não queremos que acabem, a semana em Salou acabou demasiado depressa. Trocámos moradas, e telefones, e jurámos que não íamos deixar as coisas morrerem. É giro, duma maneira triste, pensar nisso. Olhar para mim há metade da minha vida atrás e já conseguir ver o Zé que sou hoje, em como sempre fiz por acreditar em amores impossíveis, mesmo com 14 anos, sem carta, sem carro, sem liberdade independência ou mesmo um tostão em meu nome, o amor para mim sempre foi o suficiente, sempre bastou, o resto eu logo arranjava uma maneira, fosse de que maneira fosse, o resto nunca me importou.

Ela falava Espanhol e eu Português, o que tornava as coisas um nadinha complicadas, mas nada que eu ñ resolvesse. Escrevia as cartas em Português, traduzia-as para Inglês e dava-as ao meu professor no Instituto de Línguas, que, por iniciativa própria, me fazia o favor de escrever uma adaptação muito mais romântica que o original para Castelhano.

Trocámos algumas cartas no verão que se seguiu, alguns telefonemas, e lembro-me do último, foi em Janeiro de 1996, liguei para lhe desejar “una feliz navidad”, ela não estava em casa, pedi para lhe dizerem que eu tinha ligado, mas ela nunca me ligou de volta, nem voltei a receber outra carta.

Na segunda quinzena de Agosto, como sempre, fomos para o Algarve, e por coincidência ou não, fomos passar um dia a Huelva ou Sevilha, e pelo caminho passamos passámos por uma tabuleta com o nome da terra onde ela morava, "El Rompido". O meu pai perguntou-me se eu queria parar, eu hesitei por 2 segundos que demoraram imenso a passar, e não tive coragem para dizer que sim.

Nunca a esqueci e em todos estes anos guardei o nome dela comigo, Mari Carmen Brito Ramirez, e tal como a Sílvia, durante todos estes anos que foram passando, sempre que estava mais triste, procurava por ele, mas nunca a voltei a encontrar. Já depois de ter criado o blog pensei em escrever um post só com os nomes delas, "Mari Carmen Brito Ramirez" e "Silvia Maganinho", só para que houvesse qualquer coisa que as ligasse a mim, ou já que eu não as consegui encontrar a elas, quem sabe elas ñ me encontravam a mim.

Era por isso, que ia meter o nome dela no titulo do post de ontem, mas depois de vos contar da Sílvia, achei que era demasiado maçador contar-vos da Brito também, e guardei para outro dia, mas antes, por descargo de consciência, voltei a por todas as combinações do nome dela que me lembrei no Google, porque se calhar lá no fundo nunca desisti de a encontrar e por isso, nunca parei de a procurar, independentemente de quantos anos já passaram desde então.

... e sabem o que se diz de quem espera? Click

Don't Die Wondering!

Custa a acreditar que já passaram 10 anos, mas a data por debaixo da assinatura assegura-me que sim. Conhecemo-nos no festival de Vilar de Mouros, e lembro-me com uma clareza que assusta a primeira vez que a vi. É giro, como há imagens que nos acompanham para o resto da vida. Assim é a imagem que guardo dela e o sol a espreitar-lhe por entre os caracóis do cabelo.

Era cedo, mesmo que já fosse de tarde, as horas têm um contorno estranho em festivais de verão, mas sei que ainda estava deitado na tenda a dormir. O Paulo correu o fecho e perguntou-me se não queria ir até à barragem com umas amigas que eles tinham feito na noite anterior. Abri os olhos para lhe responder e foi quanto a vi pela primeira vez, enquanto tentava foca-la com olhos de sono, e fazia por construir uma frase coerente para responder ao Paulo.

Passámos o resto do festival juntos, ou pelo menos é assim que me lembro de ter acontecido, lembro-me de uma noite escuríssima e nós de lanterna em punho, mato adentro, à procura de lenha para a fogueira que ardia junto ás tendas. Lembro-me de lhe ter dado a mão, e foi tão intimo, como se fossemos amantes. Foi mesmo o nosso momento mais íntimo, porque não chegou a acontecer nada, que é o mesmo que dizer que ficou tudo por acontecer.

Passado uns dias o festival acabou, e já em Caminha antes de entrarmos no autocarro, despedimo-nos como quem faz de conta que não acabou de tropeçar em algo maior que nós, trocamos telefones e moradas, porque era o que se fazia na época antes dos emails, mas provavelmente já na altura sabíamos que não nos íamos voltar a ver.

Passado umas semanas chegou uma carta, porque era o que se fazia na época antes dos emails, e em oposição ao meu nome e morada completa no destinatário, no remetente dizia simplesmente "Sílvia". Era perfeito, o envelope, o papel da carta, e cada linha dizia tudo aquilo que não tínhamos tido coragem de dizer um ao outro quando tínhamos tido a oportunidade.

" - Só dei conta daquilo que se estava a passar comigo na altura em que foste embora e o meu coração pediu para que ficasses... Quando é que te vou voltar a ver? Talvez nunca mais, ou talvez o destino nos tenha reservado mais algum encontro. Será?"

Não sei como foi que tudo se perdeu, provavelmente aconteceu aquilo que acontece sempre, a vida. Tenho ideia de lhe ter escrito de volta, sei que lhe liguei para casa uma vez, a ultima vez, ela não estava, deixei recado que nunca cheguei a saber se foi entregue, sei no entanto que não voltei a ter notícias dela.

Não sei, provavelmente tem a ver com a maneira como os meus fios estão ligados ou como fui desenhado, mas nunca consigo ultrapassar estas coisas. Não o que não aconteceu, mas tudo aquilo que ficou por acontecer, tudo aquilo que podia ter sido, sem que nunca chegue a saber o que foi que se perdeu, o que foi que perdemos, e de vez em quando, mesmo anos mais tarde ainda procurava pelo nome dela num motor de busca na esperança de a encontrar... e um dia, encontrei.

Era qualquer coisa da Câmara Municipal e a colocação de auxiliares de educação nas escolas da região, não sei bem, sei que depois disso, e com a ajuda de uma rede social qualquer encontrei uma amiga dela que ficou de lhe dar o meu mail e perguntar se ela se lembrava de mim. Passado uns dias a mesma amiga respondeu-me, "Ela disse que sim, que claro que se lembra de ti, que espera que esteja tudo bem e para te mandar um beijinho."

... Ridículo não é? Quando penso nos anos que passei a pensar como seria o dia em que nos voltássemos a encontrar, em que voltasse a saber dela, no tal próximo encontro que o destino nos tinha guardado, em tudo o que tinha ficado por acontecer e como iria ser, a expectativa do reencontro todos estes anos depois, para nada, por um "espero que esteja tudo bem", por um beijinho.

Gostava de conseguir fazer algum sentido de tudo isto, do que aconteceu, do que não aconteceu e de tudo aquilo que ficou por acontecer ao não ter acontecido, nem então, nem agora, nem nunca, e não consigo, se calhar é isso, se calhar é essa a lição, o moral no fim da história, de que o universo se desdobra sempre da maneira que é entende, da maneira que é suposto, e que sei lá, ás vezes (quase sempre), se não aconteceu então, é porque não tinha de ter acontecido, ou melhor, não ter acontecido era o que tinha de acontecer, e não acontecendo, aconteceu.

This is not a love story...



... it's a story about love.

Desnuda

Desnuda eres tan simple como una de tus manos,
Lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente,
Tienes líneas de luna, caminos de manzana,
Desnuda eres delgada como el trigo desnudo.

Desnuda eres azul como la noche en Cuba,
Tienes enredaderas y estrellas en el pelo,
Desnuda eres enorme y amarilla
Como el verano en una iglesia de oro.

Desnuda eres pequeña como una de tus uñas,
Curva, sutil, rosada hasta que nace el día
Y te metes en el subterráneo del mundo
Como en un largo túnel de trajes y trabajos:
Tu claridad se apaga, se viste, se deshoja
Y otra vez vuelve a ser una mano desnuda.

Pablo Neruda

Before Sunset

"It’s not so easy for me to be a romantic.You start off that way, and, after you’ve been screwed over a few times you, you forget about all your delusional ideas, and you just take what comes into your life… You know, it’s not even that! I was fine, until I read your fucking book! It stirred shit up, you know? It reminded me how genuinely romantic I was, how I had so much hope in things, and now it’s like, I don’t believe in anything that relates to love. I don’t feel things for people anymore. In a way, I put all my romanticism into that one night, and I was never able to feel all this again. Like, somehow this night took things away from me and I expressed them to you, and you took them with you! It made me feel cold, like if love wasn’t for me! You know what? Reality and love are almost contradictory for me. It’s funny. Every single of my ex’s, they’re now married! Men go out with me, we break up, and then they get married! And later they call me to thank me for teaching them what love is, and, and that I taught them to care and respect women! You know, I want to kill them!! Why didn’t they ask me to marry them? I would have said “No”, but at least they could have asked!! But it’s my fault, I know it’s my fault, because I never felt it was the right man. Never! But what does it mean the right man? The love of your life? The concept is absurd; the idea that we can only be complete with another person is EVIL!! Right??!! You know, I guess I’ve been heartbroken too many times, and then I recovered. So now, you know, from the starts I make no effort because I know it’s not going to work out, I know it’s not going to work out."

The perfect proposal.

"Look, I guarantee there'll be tough times. I guarantee that at some point, one or both of us is gonna want to get out of this thing. But I also guarantee that if I don't ask you to be mine, I'll regret it for the rest of my life, because I know, in my heart, you're the only one for me."

Prioritize!

O bebé a chorar, a torneira a correr, começa a chover na roupa estendida, toca o telefone, alguém bate à porta... go!

Boy meets girl. Boy falls in love. Girl doesn't.

Contrária à crença popular, a verdade é que nunca tive muitas namoradas, ainda que toda a gente que, obviamente, me conhece tão bem jure o contrário. Tive tantas namoradas que não chegam a ser precisos os dedos de uma mão para recuar mais anos que aqueles que conseguimos contar com os dedos de duas em termos de namoros.

Nunca ninguém quis andar comigo. Podia parar por aqui e não escrever mais nada, essa frase condensa tudo aquilo que há a dizer, a história da minha vida, conheço uma rapariga, apaixono-me por ela, mas ela nunca se apaixona por mim, começar um namoro nunca foi algo que aconteceu naturalmente, nunca foi assim tão linear, nunca foi assim tão simples.

Acabei com a Sónia no verão de 1999, e foi a primeira vez que me aconteceu, o luto, tive um ano sozinho sem querer andar com ninguém, estava farto de começar e acabar e começar outra coisa qualquer para também essa acabar, não queria mais, cansei de brincar aos amores. Mas passado um ano, estava farto de estar sozinho, se calhar porque é assim que fui desenhado e "comprometido" é a minha "default setting", o que sei é que mesmo depois de estar farto de estar sozinho não me conseguia interessar por ninguém, e assim foi durante mais um ano até conhecer a Tânia.

Conhecemo-nos numa festa na Quinta do Lago no verão de 2001, a dada altura tornou-se óbvio que queria andar com ela, mas ela claro está, não queria andar comigo. Continuamos a falar e a sair e foram precisos 6 meses, e aturar muita merda e engolir muitos sapos pelo meio, até a conseguir fazer mudar de ideias, começamos a namorar no dia 1 de Dezembro de 2001. Namorámos 2 anos e acabámos, acabei, quando voltei da passagem de ano em Janeiro de 2004, e começa tudo outra vez.

Mais do mesmo, mais um ano por vontade, e o resto por imposição, não por não querer estar com ninguém, mas por não encontrar ninguém com quem quisesse estar, até aparecer a Andreia. Começamos a falar no inicio de 2005, e quisemos andar um com o outro, eventualmente, infelizmente a Andreia levou meio ano a querer o que eu queria desde o inicio. Nunca soubemos a data em que começamos provavelmente porque nunca chegamos a oficializar, mas mesmo o que não começa, acaba, em Maio de 2006 estava acabado.

E mais dois anos de celibato, no inicio de 2008 voltava a estar farto de estar sozinho, e farto da ciclicidade que parecia reger a minha vida amorosa, decidi que ia encontrar uma namorada, e determinado, encontrei, a Rita! Era a rapariga mais linda que eu já tinha visto, e disse para mim que ia ser a minha próxima namorada, infelizmente, ela não estava muito convencida que eu ia ser o seu próximo namorado, e 6 meses depois, lá mudou de ideias, começamos a namorar, namoramos menos tempo que aquele que passei a tentar fazer de nós namorados.

Isto tem-me dado que pensar mais que aquilo que imaginam, se é verdade que eventualmente todas acabaram por ser minhas namoradas, também é verdade que nenhuma quis andar comigo á partida, e no fim, acabou sempre comigo a querer acabar o que elas não queriam começar.

Acabo sempre a mesma maneira, sempre pelo mesmo motivo, sempre na mesma altura, enquanto tudo está bem, enquanto somos felizes. Digo sempre que é porque acho que já não é a mesma coisa, que não vai durar para sempre e que não faz sentido insistir em algo que tem um fim à vista, que mais vale acabar enquanto tudo está bem, que arrastar um namoro que só vai piorar, e levar com ele ao afundar a imagem que guardamos um do outro. Digo que é porque quero ser o melhor namorado que elas podiam ter tido e que não vou pactuar com um namoro que a meu ver não vai mais a lado nenhum e que não vou conseguir ser um tão bom namorado quanto aquele que fui até então, que não vale mais a pena, e era verdade! Ou pelo menos eu pensava que era, que era por isso que acabava, mas já não tenho a certeza.

A verdade, é que não sei se alguma vez lhes perdoei a falta de crença e se não foi por isso que tudo acabou, que eu acabei, e se um inicio diferente não lhe tinha evitado o fim. Não sei se alguma vez fui capaz de ultrapassar o facto de eu as querer tanto sem elas me quererem de volta. De me terem feito lutar, sozinho, por algo que agora era bom para os dois, no fundo sempre achei que era injusto, desfrutarem de uma felicidade que não ajudaram a construir, que era tudo graças a mim, às minhas custas e às custas do sofrimento que me causaram pelo qual eu nunca as fiz passar, e que no fim, eu tinha razão, e tinha sido capaz de lhes mostrar tudo aquilo que podiamos ter sido juntos se apenas tivessem visto o que eu vi quando eu vi, que aquilo que tinhamos então foi o que elas tinham deitado a perder ao não me querer, o amor que agora havia entre os dois, dois que não fosse por mim nunca tínhamos sido mais que dois uns.

I've forgotten you.

I've forgotten you,
I never think of you,
The way you walked,
the way you talked,
the things you used to say.

I've forgotten you,
I never think of you,
I couldn't say for sure today
Whether your eyes were blue or grey.

I've forgotten you,
I never think of you,
Your smile, your touch,
Which meant so much,
Somewhere along the way.

I've forgotten you,
I never think of you,
I changed my mind, my love was blind,
Now I've forgotten you.

I'm through thinking of you!
Oh, what a lie!
I shall think of you,
Think of you,
Think of you,
Till I die.

O coração também se parte.

Sabiam que um osso não parte duas vezes pelo mesmo sítio? Depois de recuperado, a zona por onde partiu acaba por se tornar mais forte que aquilo que era anteriormente e torna-se muito mais provável o mesmo osso partir em outro ponto qualquer, que aquele por onde partiu antes. Acho fascinante a maneira como o corpo se adapta de modo a garantir que não nos magoados outra vez, se ao menos tudo funcionasse tão bem.

O coração também se parte, e tal como um osso, recupera de modo a não voltar a partir no mesmo sitio, mas mais frágil que um osso, vai partindo em todos os outros sítios que sobram, sítios esses que eventualmente também recuperam e se tornam mais duros, inquebráveis, e assim se vai partindo um coração, e recuperando, e partindo em outro sítio, até se tornar tão duro, que não tem mais por onde partir.

O que acontece então é extraordinário! Sem ter por onde partir, o coração encolhe e diminui em tamanho, ficando cada vez mais pequeno. A cada demonstração de afecto, ignorada, ele encolhe, cada entrega desmedida, fracassada, ele encolhe, cada gesto largo de amor, indiferente, ele encolhe, cada desgosto amoroso, ele encolhe, cada paixão não correspondida, ele encolhe, e encolhe, e encolhe, até nele não haver espaço para nada, para ninguém, até desaparecer por completo, e quando desaparece, o vazio que deixa em nós, é capaz de engolir o mundo.

Shadenfreude

n.

A malicious satisfaction obtained from the misfortunes of others.

Once in a while...

"You know how when you were a little kid and you believed in fairy tales, that fantasy of what your life would be, white dress, prince charming who would carry you away to a castle on a hill. You would lie in bed at night and close your eyes and you had complete and utter faith. Santa Claus, the Tooth Fairy, Prince Charming, they were so close you could taste them, but eventually you grow up, one day you open your eyes and the fairy tale disappears. Most people turn to the things and people they can trust. But the thing is its hard to let go of that fairy tale entirely cause almost everyone has that smallest bit of hope, of faith, that one day they will open their eyes and it will come true... At the end of the day faith is a funny thing. It turns up when you don't really expect it. Its like one day you realize that the fairy tale may be slightly different than you dreamed. The castle, well, it may not be a castle. And its not so important happy ever after, just that its happy right now. See once in a while, once in a blue moon, people will surprise you, and once in a while people may even take your breath away."

Enquanto o nosso amor durar.

Que se diga e escreva e se invente aquilo que quiserem sobre amor, aquilo que ele é e não é, e tudo o que ele deixar de ser, como nos deixa ou aquilo que nos faz, a dor que causa, o sofrimento que trás. Nada disso importa, nada faz diferença, que se criem blogs e escrevam livros, que se componham musicas e façam poemas, por muito que o tentem complicar, o amor é a coisa mais simples do mundo!

O amor é! Não tem nuances nem meio-termo, não tem explicação, não pede desculpa, não diz "com licença", ser, é toda a condição que o amor precisa. Pouco lhe importa com o que sonhámos ou os planos que traçamos, quão determinados decidimos como tudo ia ser desta vez. O "juro" e o "jamais", o "para sempre", o "nunca mais", vem o amor e vira-nos a vida do avesso, e não faz mal, não importa, esquecemos o que a custo aprendemos antes, os erros que não íamos cometer outra vez, tudo aquilo que não voltávamos a fazer, como as coisas não iam ser, e são, e cometemos, e fazemos, e repetimos os mesmos erros de sempre as vezes que o amor mandar, não há nada a fazer, é mais forte que nós.

Quando o amor não é, surgem problemas e hesitações, teorias ridículas e explicações absurdas de todas as razões pelas quais não ia funcionar, que não é a pessoa certa, ou chegou no momento errado, porque é muito alto ou demasiado baixo, porque o castanho dos olhos dela não é o castanho com que eu tinha sonhado.

Quando o amor é, ama-se, sem alento ou esperança, sem saber onde vamos parar ou como vai acabar, por mais longe, por mais difícil, por mais complicado ou impossível que seja, por mais que doa, nada disso importa, nada faz diferença, deixamo-nos ir para onde o amor nos quiser levar, e com ele ficamos enquanto ele deixar, enquanto o nosso amor durar.

O amor é, ou não é, e quando não é, é outra coisa, mas não é amor.

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Florbela Espanca

Meet Joe Black

Love is passion, obsession, someone you can't live without. If you don't start with that, what are you going to end up with? Fall head over heels. I say find someone you can love like crazy and who'll love you the same way back. And how do you find him? Forget your head and listen to your heart. I'm not hearing any heart. Run the risk, if you get hurt, you'll come back. Because, the truth is there is no sense living your life without this. To make the journey and not fall deeply in love - well, you haven't lived a life at all. You have to try. Because if you haven't tried, you haven't lived.

Ainda ai estão?

Não leiam, a sério, não vai valer a pena, verdade, tenho mil e uma coisas a boiar-me na mente e nem sei por onde começar, não sei onde uma acaba ou onde seguinte começa, se calhar são todas a mesma, se bem que é possível que não tenham nada a ver umas com as outras, não faço ideia, estou demasiado confuso para que tudo isto faça sentido, até porque em dois meses já nada disto faz sentido. Ainda aí estão? Muito bem, não foi por falta de aviso!

Mal posso esperar para ser velho, se calhar não é isto que eu quero dizer, ou é, mais ou menos, o que eu quero é saber tudo, e o pouco que aprendi ensinou-me que o que falta vem com o tempo, mas não quero perder tempo, quero saber já como isto vai acabar, quero perceber tudo aquilo que não entendo, até porque quando acho que o entendo, descubro qualquer coisa nova que mostra o quanto estava enganado.

Cada nova descoberta é uma conquista, como se fosse a peça do puzzle que me faltava para que todas as outras caíssem no lugar, como se de então em diante tudo fosse fazer sentido, mas não faz, e ao inicio fico confuso e não percebo o que é que me está a faltar, agora que já sei tudo, dou-lhe um tempo na esperança que tudo encaixe, e não encaixa, e é ai que percebo que me falta outra peça qualquer, e começo tudo outra vez.

A dada altura conclui que as relações que acabam com mortos e feridos e gritos e tiros, são muito melhores que aquelas que chegam ao fim numa mensagem de telemóvel. A quantidade de explosivos precisos para dinamitar uma relação é directamente proporcional à importância que a mesma teve para nós, e com isso acredito que nos podemos guiar através de relações futuras, pelo mapa das marcas que ficam no corpo e na vida, resultado das explosões das relações que acabaram, e cujo fim nos ensinou qualquer coisa.

Depois percebi, que nem sequer era preciso começar e acabar para nos ensinar qualquer coisa, basta acabar, um fim, mesmo que sem um começo. Às vezes sabemos como tudo iria acabar mesmo antes do começo, conseguimos ver o fim desde a linha de partida e sabemos desde logo o tempo que demorávamos a lá chegar. A maneira como diz os essês, ou a música que ouve no carro, a camisola laranja que odiamos e o enrolar do dedo no cabelo, e todas as outras mil merdices pelas quais nunca ia funcionar.

Mas há mais, aprendi mais qualquer coisa, eu que julgava já saber tudo, depois das que começam e das que acabam, e daquelas que só acabam, percebi que há aquelas que só tem de começar. Até que faz sentido agora que penso nisso, porque será que nunca pensei nisso antes? Aquilo que percebi agora, ou que julgo perceber, é de que uma relação sem qualquer futuro é capaz de arruinar a mais promissora das histórias de amor.

Podemos não ter nada a ver, ser incapaz de me ver contigo tanto quanto incapaz és de te ver comigo, queres um rapaz e eu uma menina, gostas de Afonso, e eu de Margarida, tu determinada, eu inflexível, esta incompatibilidade que não muda nada, e saber que não te tendo, a vontade que tenho de ti, vai arruinar todas a relações que vierem, com alguém que goste de Margarida e queira ser minha.

É isso, acho que, mentira, sei lá eu, não sei nada, e daqui a dois meses estou a dizer que tudo isto é mentira, mas hoje, acredito que o sentimento de incerteza de tudo o que podia ter sido com alguém que não podíamos ter, vai envenenar o mais perfeito dos amores que possa vir a acontecer, e a única maneira de nos livrarmos de algo que sabemos á partida que não vale a pena ter, é tendo-a, e não pensar mais nisso.

Ainda aí estão? Muito bem, não foi por falta de aviso.

Os quartos de um coração.

Aurículos, ventrículos, dizem que um coração se divide em quartos, e assim se divide o meu, em quartos e quartos ao longo de corredores que não acabam, a cada esquina, encontro quartos que não conhecia, a cada canto, quartos que não sabia que o coração tinha.

Quartos grandes, pequenos, e pintados em todas as cores, cada um com o seu encanto, encanto que um dia me fez entrar e pensar que era ali que queria estar, deitar, dormir, ficar, e fiquei até o chegar o dia em que o enquanto passou, e fui andado para outros quartos.

Quartos que vim a conhecer tão bem que quase que neles me consigo orientar no escuro, outros que conheço bem demais, melhor que aquilo que devia, outros então que nem devia conhecer, quartos de que me vou esquecendo, outros que não consigo esquecer.

Quartos fechados nos quais nunca entrei, que me fazem pensar que há-de ser o mais perfeito dos quartos, porque nunca o cheguei a ver, sabendo que se o visse, o tempo transformá-lo-ia em só mais um quarto, como todos os outros quarto que vieram antes.

Quartos à porta dos quais me senti e esperei que a porta abrisse, meses, anos, e que ao entrar percebi que não tinham espaço para mim, quartos à minha espera, nos quais nunca vou entrar, outros de que sai, aos quais não penso voltar, e os que não consigo deixar.

Quartos trancados, cada um com a sua chave, as voltas na fechadura, saber como a destrancar, o jeito de abrir a porta, o puxar ou empurrar, a forma da maçaneta, ou maneira de a rodar, outros de porta encostada, entreaberta, escancarada, e um "faça o favor de entrar".

Quartos que começam, quartos que acabam, quartos que começam sem acabar, e os que acabam sem começar, em cantos, e esquinas, andares e corredores, labirintos confusos de quartos que já foram, que já não consigo contar, os quartos que hão-de vir, e os que ficam a faltar.

Quartos e quartos mais tarde, chegando ao último andar, fica o maior de todos os quartos, aquele com vista para o mar. Vou-me nele deixar ficar, deitar, dormir e sonhar que o teu coração guarda um quarto assim para mim, tão grande quanto este, onde no meu te guardo a ti.

for V.

Hikikomori

n, adj

Japanese term to refer to the phenomenon of reclusive individuals who have chosen to withdraw from social life, often seeking extreme degrees of isolation and confinement due to various personal and social factors in their lives. The term hikikomori refers to both the sociological phenomenon in general as well as to individuals belonging to this societal group.

Weltschmerz

n.

Feeling experienced by someone who understands that physical reality can never satisfy the demands of the mind. Also used to denote the feeling of sadness when thinking about the evils of the world.

Do not stand at my grave and weep,

I am not there, I do not sleep.
I am in a thousand winds that blow,
I am the softly falling snow.
I am the gentle showers of rain,
I am the fields of ripening grain.
I am in the morning hush,
I am in the graceful rush
Of beautiful birds in circling flight,
I am the starshine of the night.
I am in the flowers that bloom,
I am in a quiet room.
I am in the birds that sing,
I am in each lovely thing.
Do not stand at my grave and cry,
I am not there. I do not die.

Mary Elizabeth Frye

American Beauty

I had always heard your entire life flashes in front of your eyes the second before you die. First of all, that one second isn't a second at all, it stretches on forever, like an ocean of time. For me, it was lying on my back at Boy Scout camp watching falling stars, and yellow leaves, from the maple trees, that lined my street, or my grandmother's hands and the way her skin seemed like paper, and the first time I saw my cousin Tony's brand new Firebird, and Janie... and Janie... and... Carolyn. I guess I could be pretty pissed off about what happened to me, but it's hard to stay mad when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst, and then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life. You have no idea what I'm talking about, I'm sure, but don't worry... you will someday.

Rottens apples from dying trees

Fui para jornalismo porque queria mudar o mundo. O super-homem é repórter, o Homem-Aranha fotógrafo, e achei que indo para jornalismo, ou também eu me tornava um super-herói ou eventualmente conhecia um que me treinasse, e toda a gente sabe que é muito mais fácil mudar o mundo quando se tem super-poderes.

A verdade é que fui para jornalismo porque a dada altura nos apercebemos que não vamos conseguir corrigir tudo aquilo que vimos de errado, há demasiadas coisas mal no mundo para que uma pessoa só as consiga emendar a todas, e quando cheguei a essa conclusão, entendi que uma vez que não ia conseguir endireitar tudo aquilo que está torcido no mundo, o melhor que podia fazer era chamar a atenção dos outros, e esperar que cada um fizesse a sua parte.

Fui para jornalismo porque acho que quem lá está faz um péssimo trabalho, são burros, inconvenientes, e não no sentido em que o jornalista deve ser fazendo as perguntas que incomodam, mas no sentido de fazer perguntas absurdas nas alturas menos oportunas. Acho que os meios de comunicação fazem um país, ditam o que é importante, ou quem não o é, elegem e derrubam governos e moldam a opinião pública a seu belo prazer, e se calhar é por isso que se é preciso ser um super-herói para dar num bom jornalista, "com grande poder vem grande responsabilidade" e fui para jornalismo por achar que os deste pais não estavam á altura do que se espera deles, e 3 anos de curso superior mais tarde, percebi porque.

Mais importante que outra coisa qualquer neste país é ter um curso superior, não importa de quê, desde que no fim da licenciatura sejam doutores de uma coisa qualquer, algo para o qual em teoria é preciso um doutoramento, mas isso dá demasiado trabalho e como tal, uma licenciatura vai ter de servir.

De curso acabado e quando vão procurar emprego a coisa não corre tão bem quanto eles esperavam, e para surpresa das surpresas curiosamente não há assim tanto trabalho, para antropólogos, sociólogos, arqueólogos ou engenheiros de minas, quem diria!

Eventualmente percebem que tiraram um curso completamente inútil, e que a única possibilidade de trabalho que lhes resta é ensinar as mesmas inutilidades que lhes ensinaram a eles, e concorrem para assistentes na faculdade, mas há muitos mais Dr. que aquilo que uma faculdade precisa de assistentes, e sobra então o básico e o secundário.

Quando abrem os concurso a professores, temos um zilião de aspirantes a professores, frustrados de outra coisa qualquer a concorrer sob o pretexto de "Eu sempre quis ser professor, eu adoro crianças!". O estado, esse, resolve a situação da maneira que lhes trará melhor publicidade, empregando o maior número possível sob o princípio de que, se um horário completo dá para 200.000 professores, um part-time dá para o dobro, e com 4h para cada um, damos emprego a esta gente toda! Fantástico!

... Ou não tanto. Quem não acha piada á estratégia, são os professores com 30 anos de ensino, que não vêem com bons olhos andar a discutir o lugar para professor de história do 7º ano na EB 2+3 de Valbom, com um tipo que desde que viu o “Parque Jurássico”, sonha em desenterrar dinossauros no médio oriente, e já velhos e sem paciência para esta ginástica profissional, metem os papeis pá reforma antecipada, porque tem mais que fazer que aturar esta gente, mesmo que o mais que fazer, passar por não fazer mais nada o resto da vida, e lá se escapa mais um (ou dez mil) do lado da população activa para o dos reformados.

No fim, temos os alunos da C+S José Silvestre Ribeiro na Idanha-a-Nova, com um professor de Educação Visual, cujo sonho era ter tirado arquitectura, mas diz que a média é alta e a Lusíada cara, então tentou Urbanismo, tal como todos os outros aspirantes a arquitectos que não tinham média para o curso a sério, e acabou por conseguir entrar para Arquitectura Paisagística, convencido de que é quase a mesma coisa. E claro está, enquanto houver um (dos milhares de) arquitecto a sério sem trabalho, bem que todos os outros aspirantes a tal podem esperar sentados.

O professor de educação física, que sempre quis ser médico, mas os pais não eram ricos (porque não eram médicos, e consta que o ser médico passa de pais para filhos) para lhe pagar o Fernando Pessoa, ou outro externato privado, de modo a que ele conseguisse acabar o secundário com a media que escolhia, e depois de ainda assim ter tentado medicina em Lisboa, e no Porto, e até nos Açores na 1ª, 2ª e 3ª opção da candidatura, Enfermagem na 4ª, 5ª e 6ª, fisioterapia nos politecnicos na 7ª, 8ª e 9ª... lá conseguiu colocação na 13ª em nutrição na Universidade Atlântica, para acabar os dias a mandar os alunos fazer o teste Cooper antes de os mandar pó balneário.

E o professor de Educação musical, um rejeitado do conservatorio que diz a quem quiser ouvir como passou ao lado duma grande carreira a tocar com a Orquestra Sinfónica de Berlim.

Como a vocação para professor desta gente, é só igualada pela capacidade de motivar os alunos, ou seja, nenhuma, as turmas a que dão aulas, e os alunos que ensinam acabam por tirar notas miseráveis ao longo de toda a sua escolaridade obrigatória e até ao 12º ano, condenados a ter professores cujo plano de vida ideal era estar a fazer algo completamente diferente a um milhão de quilómetros dali, e que pelo caminho roubam o lugar a um professor a sério, daqueles que nos mudam a vida e nos inspiram a fazer algo de útil com ela.

No regresso de Loret e ao chegar a altura de escolher um curso e olhar para a média, os nossos queridos alunos, vão acabar em algo parecido ao "Curso Superior de Língua e Cultura Portuguesa", ou pior ainda, na Lusófona, e passado uns anos, a concorrer para professor de Português na EB1 de Ribeira de Frades e passar os dias a fazer ditados.

Don't Panic!

"It's an important and popular fact that things are not always what they seem. For instance, on the planet Earth, Man had always assumed that HE was the most-intelligent species occupying the planet, instead of the *third* most intelligent. The second most intelligent creatures were, of course, dolphins who - curiously enough - had long known of the impending destruction of the planet Earth. They made many attempts to alert mankind to the danger, but most of their communications were misinterpreted as amusing attempts to punch footballs or whistle for tidbits. So they eventually decided they would leave Earth by their own means. The last-ever dolphin message was misinterpreted as a surprisingly sophisticated attempt to do a double backward somersault through a hoop while whistling "The Star-Spangled Banner". But, in fact, the message was this: So long and thanks for all the fish."

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy

A noite em que conheci a minha mulher

Lembro-me como se fosse ontem, ás vezes acho que se fechar os olhos e me abstrair de tudo o resto ainda consigo cheirar o perfume dela em mim. Foi numa manhã de domingo, consequência de um sábado à noite e um jantar de amigos e amigos dos amigos mais as suas amigas, depois fomos dançar até ser manhã, ou quase, eram seis e meia quando entrei no metro quase deserto que saia de Sta. Apolónia rumo a casa.

Duas estações depois vi-a entrar na Baixa-Chiado, com um vestido curto e na mão os sapatos de salto-alto que a tinham torturado toda a noite. Entrou no metro em pontas, nos pequenos passinhos que o vestido a deixava dar. Percebia-se pelo brilhar dos olhos azuis, da cor da linha onde seguiamos, e pela maquilhagem escorrida ao longo da cara que tinha estado a chorar. Sentou-se ao meu lado no lugar junto á janela, cabisbaixa, ainda a soluçar.

Passáram os Restauradores, subimos a Avenida, e os chegar ao Marquês os poucos passageiros que restavam na nossa carruagem sairam até só sobrarmos nós. Não sei se foi por estarmos sozinhos, ou por sentir o coração estalar a cada soluço que pousei a minha mão por cima da dela no banco, e a apertei, como quem tenta dizer que não faz mal, que vái ficar tudo bem, só aí é que ela olhou para mim.

Tirou a mão de debaixo da minha e pousou-a na minha perna, foi subindo devagarinho até me desabotoar as calças com a agilidade de um carteirista. Olhou-me nos olhos ao deslizar para a outra ponta do banco, voltou-me as costas, subiu o vestido e olhou-me por cima do ombro à medida que se debruçava contra o vidro, á medida que eu me debruçava sobre ela.

Parque, S. Sebastião, Praça de Espanha, e ao passarmos o Jardim Zoológico ajeitou-se á pressa como quêm não tem tempo a perder. Levantou-se sem dizer uma unica palavra e chegou á porta tempo quanto bastava para olhar para mim um segundo antes do tunel acabar e a luz das Laranjeiras nos iluminar a cara. As portas abriram, ela saiu, parou na plataforma a calçar os sapatos enquanto as portas fechavam e o metro arrancava, olhamo-nos uma ultima vez antes da estação acabar e a penumbra voltar a engolir a carruagem, e sorrimos envergonhados um para o outro. Duas estações mais tarde estava em casa, de volta ao Colegio Militar e a Benfica.

Voltei ás Laranjeiras todos os dias durante semanas, semanas que depressa se tornaram meses, sempre na esperança de a ver. Três anos depois estava casado com a Margarida, a amiga de um amigo que conheci no jantar daquela noite, nunca voltei a ver a rapariga do metro. Estamos casados há dois anos e em todo este tempo, não houve um dia que passasse em que não pensasse na noite em que ofereci todo o amor que havia em mim para dar, e no vazio que ficou em mim sem ele, sem ela.

Daqui a pouco vou-me deitar, atirar o meu braço por cima dela e dizer que a amo ao ouvido - mentira! - adormecer e sonhar com ela e o com amor que lhe dei, os dois, ainda perdidos no metro das Laranjeiras.

Quase

"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

Sarah Westphal

One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Elizabeth Bishop

Quote this!

Eu sei que sou boa pessoa, sendo que para o ser tenho de ser o melhor que consigo e sabendo o que é preciso ser-se, sou melhor do que todos!


Para a Sara, a melhor das amigas.

Não venhas tarde ...

Não ando longe da verdade, se disser que sempre que vejo o mail é na esperança de lá encontrar um teu, e devo de o desejar tanto que de vez em quando o materializo e torno verdade, e lá está ele á minha espera. É, sempre que acontece, o momento mais alto do meu dia.

Antes, deixava passar tanto quanto o tempo em que a tua resposta tinha tardado antes de enviar uma minha, queria que impaciente esperasses pela minha resposta, tal como eu, impaciente, esperava pelas tuas, queria-te mostrar que me fazias falta e esperava que ao fazer-te falta eu também, percebesses o que nunca te disse.

Agora já nem isso consigo e todo o tempo que passa entre a tua mensagem e a minha resposta e unicamente aquele que demoro a pensar em qualquer coisa bonita para te dizer, algo que te faça gostar mais de mim que dele, que te convença a deixá-lo e ficar comigo, tal como planeamos e conspiramos nas mensagens que em segredo trocamos.

- Lembras-te da noite em que... do filme que vimos quando... da musica que tocava na... do sitio onde fomos em... ?

Que ridícula desculpa para uma mensagem, confessa! Não sabes que sim? Lembro-me de tudo isso mais o que tinhas vestido. Não o conseguia esquecer por mais que tentasse, e acredita que já tentei, esquecer-te a ti e a ele e à vossa vidinha de casados. Pagar-te na mesma moeda e ser feliz com alguém, não importa quem, desde que te fizesse morrer de ciúmes.

Querias um post, porque o merecias mais que qualquer para outra para quem já pudesse ter escrito antes. Escrevi-o com a mesma dedicação com que escrevi qualquer uma das mensagens que te mandei, achando que cada uma delas de deixa um passo mais perto de mim, um outro mais longe dele. Sempre acreditei que havia de ser suficiente, só agora percebi, o quanto estava enganado, em como fazem exactamente o contrario.

É engraçado o quão redondamente conseguimos estar enganados acerca de algo que julgávamos entender tão bem. Agora sei que sou a base que sustenta este triângulo amoroso, que sou tudo aquilo que ele não é, e que cada mensagem devolve á tua vida aquilo de que ela tem falta, aventura, romance, loucura. "Não há paixão que resista á falta de segredos" e é isso que eu sou, o teu segredo, um que guardas no peito e te aquece a alma sempre que a chama da vossa paixão fraqueja, e te faz aguentar mais um dia, mais uma mês, mais um ano... sei lá eu há quanto tempo isto dura. Foi sempre assim, desde o inicio.

Pactuei com tudo aquilo a que me propus acabar, cada doce palavra certificou-se disso, até mesmo estas. Mas agora sei, e sabendo, falta-me só a coragem de não ir a correr da próxima vez, e quem sabe se a próxima vez, não é a vez que o deixas... de vez.
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