One Art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Elizabeth Bishop

Quote this!

Eu sei que sou boa pessoa, sendo que para o ser tenho de ser o melhor que consigo e sabendo o que é preciso ser-se, sou melhor do que todos!


Para a Sara, a melhor das amigas.

Não venhas tarde ...

Não ando longe da verdade, se disser que sempre que vejo o mail é na esperança de lá encontrar um teu, e devo de o desejar tanto que de vez em quando o materializo e torno verdade, e lá está ele á minha espera. É, sempre que acontece, o momento mais alto do meu dia.

Antes, deixava passar tanto quanto o tempo em que a tua resposta tinha tardado antes de enviar uma minha, queria que impaciente esperasses pela minha resposta, tal como eu, impaciente, esperava pelas tuas, queria-te mostrar que me fazias falta e esperava que ao fazer-te falta eu também, percebesses o que nunca te disse.

Agora já nem isso consigo e todo o tempo que passa entre a tua mensagem e a minha resposta e unicamente aquele que demoro a pensar em qualquer coisa bonita para te dizer, algo que te faça gostar mais de mim que dele, que te convença a deixá-lo e ficar comigo, tal como planeamos e conspiramos nas mensagens que em segredo trocamos.

- Lembras-te da noite em que... do filme que vimos quando... da musica que tocava na... do sitio onde fomos em... ?

Que ridícula desculpa para uma mensagem, confessa! Não sabes que sim? Lembro-me de tudo isso mais o que tinhas vestido. Não o conseguia esquecer por mais que tentasse, e acredita que já tentei, esquecer-te a ti e a ele e à vossa vidinha de casados. Pagar-te na mesma moeda e ser feliz com alguém, não importa quem, desde que te fizesse morrer de ciúmes.

Querias um post, porque o merecias mais que qualquer para outra para quem já pudesse ter escrito antes. Escrevi-o com a mesma dedicação com que escrevi qualquer uma das mensagens que te mandei, achando que cada uma delas de deixa um passo mais perto de mim, um outro mais longe dele. Sempre acreditei que havia de ser suficiente, só agora percebi, o quanto estava enganado, em como fazem exactamente o contrario.

É engraçado o quão redondamente conseguimos estar enganados acerca de algo que julgávamos entender tão bem. Agora sei que sou a base que sustenta este triângulo amoroso, que sou tudo aquilo que ele não é, e que cada mensagem devolve á tua vida aquilo de que ela tem falta, aventura, romance, loucura. "Não há paixão que resista á falta de segredos" e é isso que eu sou, o teu segredo, um que guardas no peito e te aquece a alma sempre que a chama da vossa paixão fraqueja, e te faz aguentar mais um dia, mais uma mês, mais um ano... sei lá eu há quanto tempo isto dura. Foi sempre assim, desde o inicio.

Pactuei com tudo aquilo a que me propus acabar, cada doce palavra certificou-se disso, até mesmo estas. Mas agora sei, e sabendo, falta-me só a coragem de não ir a correr da próxima vez, e quem sabe se a próxima vez, não é a vez que o deixas... de vez.

The Curious Case Of Benjamin Button

For what it’s worth, it's never too late, or, in my case, too early, to be who ever you want to be. There's no time limit, start when ever you want, you can change, or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you’re proud of… and if you find that you’re not, I hope you have the strength to… start all over again.

Eternamente tu (Rev. B)

Quero-te morena, cabelo preto, comprido, muito comprido, que te desça até meio das costas. Morena, cabelo preto escadeado, liso, muito liso, como se engomado, brilhante, tão brilhante e reluzente que me firam a vista sempre que lhes bate o sol. Morena, cabelo preto, puxado e apanhado num rabo-de-cavalo enrolado em pompom, preso num pau de comida chinesa ou um lápis de carvão n.º 2 letalmente afiado.

Quero-te alta, mais baixa que eu, e o vertiginoso o salto dos stilletos que usas para saltar e correr a compensar a diferença, e fazer os meus olhos alinhar com os teus. Alta, mais baixa que eu, e o meu braço enrolado nos teus ombros e esmagar-te contra mim enquanto descemos a rua. Alta, mais baixa que eu, e engolir-te num abraço sempre que me apetece apertar-te até nos fundirmos num só.

Quero-te de olhos castanhos, rasgados, leais, óculos de massa preta rectangulares, que usas para ler e escrever e te deixam ainda mais sexy. Olhos castanhos, rasgados, leais, grandes e honestos, espelho da tua alma que me dizem tudo aquilo em que estás a pensar. Olhos castanhos, rasgados, leais, peixes verdes em tons avelã, que me focam no segundo em que entro em casa, e de imediato se acendem num brilho que ilumina a sala.

Quero-te de vestido curto num dia de Inverno, mais curto que a gabardina que trazes e sonhar que é tudo o que tens vestido. Vestido curto num dia de inverno, justo, que te faz curto o passo e delicado o pisar ao longo do trapezio imaginário que te guia. Vestido curto num dia de inverno, com o corte da moda e a cor da estação, sapatos e encharpe, chapéu e pochette, tudo a condizer, futilidades ás quais sou, obviamente, indiferente.

Quero-te sentada numa explanada á beira Tejo, perna cruzada com dois dedos do remate das tuas meias de liga, e electricidade estática, à espreita. Sentada numa explanada á beira Tejo, água sem gás, natural, mergulhada num livro de capa dura a mordiscar a tampa duma BIC que usas para escrever nas margens. Sentada numa explanada à beira Tejo, com a brisa a folhear as páginas e soltar-te uma madeixa de cabelo sobre a testa, que voltas a arrumar atrás da orelha com o indicador da mão direita.

Quero-te brilhante, dotada, capaz de congelar o tempo enquanto, deliciado, te ouço trautear de memória a minha música preferida. Brilhante, dotada, clássica, jazz, indie, oldies, eighties e pop, thriller, drama, comedia, romance e sci-fi. Épica. Brilhante, dotada, perspicaz, capaz desenrolar o enredo e desvendar o final em dez minutos de filme, o nome da música pelo primeiro acorde, quando ainda no meu cubo nenhum lado tem a mesma cor.

Quero-te dez minutos atrasada, pontualmente atrasada, tempo quanto baste para fantasiar sobre o que trazes vestido ou como apanhaste o cabelo. Pontualmente atrasada, para deixar apurar as saudades tuas e a vontade de estar contigo, amar e odiar-te em quantidades confusas assim que te vejo chegar. Pontualmente atrasada, e passares pela porta o segundo antes de perder a paciência e dar conta que o mundo gira, mesmo quando não estás.

Quero-te articulada, sem rodeios, com a expressão adequada no momento certo, a palavra certa, no momento exacto. Articulada, sem rodeios, sem mas nem meio mas nas tuas meias palavras, directa, em todas as tuas segundas intenções. Articulada, sem rodeios, frontal e sucinta, temperamentalmente fria, mas sincera, dizendo-me sempre o que devo ou mereço saber, invariavelmente nas entrelinhas.

Quero-te perfeita e humilde, de sobrancelhas meticulosamente arranjadas em arcos perfeitos no seguimento do nariz. Perfeita e humilde, desenhada a régua e esquadro num estirador, pintada a aguarela em tons de amor, feita a computador. Perfeita e humilde, melhor que eu, tão melhor que eu, esforçar-me para te acompanhar, enquanto puxas pelo que tenho de bom, e fazes alguém melhor de mim.

It's later than you think.

Encontrei, por acaso, o Ruben há duas semanas atrás e ficamos horas a por a conversa em dia, quem vai casar, quem casou, e até quem já foi pai. Uma semana mais tarde encontrei o Zé enquanto comprava as ultimas prendas de natal, tambem não via há imenso tempo, e a primeira coisa que me lembrei de dizer foi, "Por favor diz-me que tu não tás casado", e ele respondeu que não, mas que andava a tratar disso.

Assim que cheguei a casa fui ao hi5 mudar o meu estado civil de "Casado" para "Solteiro", sempre achei que o estado que escolhiamos dizia muito sobre o empenhamento com que encaravamos as relações e toda a psicologia por detras de cada uma das escolhas. O "solteiro" ainda que a verdade, dá um ar de quem está á procura de alguem ou qualquer coisa, "comprometido" ia estár a mentir, a "relação-aberta" sempre me pareceu demasiado baixo nível, de alguem que está na cara que namora, mas que se ela não contar, ele tambem sabe guardar um segredo, e o "digo-te depois" o de quem tem algo a esconder ou só não quer assumir o que tem com medo de alienar qualquer coisa que possa vir a ter, e por exclusão de partes achei que o "casado" era tão obviamente mentira que ninguem ia acreditar. Mas estava enganado, tendo como base de comparação os meus amigos, apercebi que por esta altura, o estar casado estava bem mais perto do plausivél, que aquilo que estava duma mentira descarada.

Quem casou, de verdade, foi a Vânia, com o Telmo, que foi ter com ela a Washington onde ficaram a morar os dois, a mãe do Telmo foi passar o natal com eles, com o filho e a sua nova nora, adoenceu pouco tempo depois de lá chegar, e morreu. Não os vejo há 3 anos, mas devo estar com eles para a semana quando voltarem a Portugal para o funeral da senhora.

Morreu a mãe do BB, vim á pouco do velório, vi-o duas ou tres vezes desde que nos deixámos de falar aquilo que por agora já deve ter sido há uns 3 anos atrás. Estavam lá todos junto dele, o Carapeto, o Pombo, o Zé Miguel, o Muckey, o Xut, o Colt, o Sousa, a Sara... todos aqueles que já não consigo dizer quando foi a ultima vez que os vi. Gostei de ver o BB, tinha saudades dele, de todos eles, ainda que morra eu tambem antes de o admitir, fez-me repensar toda a teoria sobre amigos, e em como se distinguem da familia pela felicidade que temos de os poder escolher, se calhar estava enganado, se calhar tal como a familia tambem não os escolhemos, e tal como a familia nos chateamos e deixamos de nos falar nem os convidamos para o Natal, mas que de alguma maneira, seja ela qual for, tratam de estar por perto sempre que precisamos deles, sem dar importância a quanto tempo passou entretanto.

Fui com o Fatty, que passou aqui por casa para me dár boleia até à igreja, não estava com ele há uns meses, e já quase há uns meses que devia ter ido ver o Rafael que entretanto nasceu e para quem guardo uma prenda enorme na dispensa.

Gostava de vos dizer que tudo isto me apanhou de surpresa, mas ia estar a mentir, para ser sincero sempre soube que era assim que as coisas acabavam, que à deriva vamos flutuando para longe uns dos outros até ao ponto em que não nos vimos mais sem ser em casamentos e funerais. Sempre me soou a cliché, de todas as vezes que ouvi a Avó Nita dize-lho, fosse no funeral da Tia Candinhas ou da Tia Antonica, no do Tio Bino ou mesmo agora no da Lisete... no casamento da Tânia. Sempre soube que era este o desfecho que estava guardado para todos nós, um dia mais tarde, quando fossemos todos velhinhos já perto do fim. Só nunca pensei que o fim chegasse tão cedo.

"We are meant to lose the people we love, how else would we know how important they are to us?"
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