It's later than you think.

Encontrei, por acaso, o Ruben há duas semanas atrás e ficamos horas a por a conversa em dia, quem vai casar, quem casou, e até quem já foi pai. Uma semana mais tarde encontrei o Zé enquanto comprava as ultimas prendas de natal, tambem não via há imenso tempo, e a primeira coisa que me lembrei de dizer foi, "Por favor diz-me que tu não tás casado", e ele respondeu que não, mas que andava a tratar disso.

Assim que cheguei a casa fui ao hi5 mudar o meu estado civil de "Casado" para "Solteiro", sempre achei que o estado que escolhiamos dizia muito sobre o empenhamento com que encaravamos as relações e toda a psicologia por detras de cada uma das escolhas. O "solteiro" ainda que a verdade, dá um ar de quem está á procura de alguem ou qualquer coisa, "comprometido" ia estár a mentir, a "relação-aberta" sempre me pareceu demasiado baixo nível, de alguem que está na cara que namora, mas que se ela não contar, ele tambem sabe guardar um segredo, e o "digo-te depois" o de quem tem algo a esconder ou só não quer assumir o que tem com medo de alienar qualquer coisa que possa vir a ter, e por exclusão de partes achei que o "casado" era tão obviamente mentira que ninguem ia acreditar. Mas estava enganado, tendo como base de comparação os meus amigos, apercebi que por esta altura, o estar casado estava bem mais perto do plausivél, que aquilo que estava duma mentira descarada.

Quem casou, de verdade, foi a Vânia, com o Telmo, que foi ter com ela a Washington onde ficaram a morar os dois, a mãe do Telmo foi passar o natal com eles, com o filho e a sua nova nora, adoenceu pouco tempo depois de lá chegar, e morreu. Não os vejo há 3 anos, mas devo estar com eles para a semana quando voltarem a Portugal para o funeral da senhora.

Morreu a mãe do BB, vim á pouco do velório, vi-o duas ou tres vezes desde que nos deixámos de falar aquilo que por agora já deve ter sido há uns 3 anos atrás. Estavam lá todos junto dele, o Carapeto, o Pombo, o Zé Miguel, o Muckey, o Xut, o Colt, o Sousa, a Sara... todos aqueles que já não consigo dizer quando foi a ultima vez que os vi. Gostei de ver o BB, tinha saudades dele, de todos eles, ainda que morra eu tambem antes de o admitir, fez-me repensar toda a teoria sobre amigos, e em como se distinguem da familia pela felicidade que temos de os poder escolher, se calhar estava enganado, se calhar tal como a familia tambem não os escolhemos, e tal como a familia nos chateamos e deixamos de nos falar nem os convidamos para o Natal, mas que de alguma maneira, seja ela qual for, tratam de estar por perto sempre que precisamos deles, sem dar importância a quanto tempo passou entretanto.

Fui com o Fatty, que passou aqui por casa para me dár boleia até à igreja, não estava com ele há uns meses, e já quase há uns meses que devia ter ido ver o Rafael que entretanto nasceu e para quem guardo uma prenda enorme na dispensa.

Gostava de vos dizer que tudo isto me apanhou de surpresa, mas ia estar a mentir, para ser sincero sempre soube que era assim que as coisas acabavam, que à deriva vamos flutuando para longe uns dos outros até ao ponto em que não nos vimos mais sem ser em casamentos e funerais. Sempre me soou a cliché, de todas as vezes que ouvi a Avó Nita dize-lho, fosse no funeral da Tia Candinhas ou da Tia Antonica, no do Tio Bino ou mesmo agora no da Lisete... no casamento da Tânia. Sempre soube que era este o desfecho que estava guardado para todos nós, um dia mais tarde, quando fossemos todos velhinhos já perto do fim. Só nunca pensei que o fim chegasse tão cedo.

"We are meant to lose the people we love, how else would we know how important they are to us?"
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