Ainda ai estão?

Não leiam, a sério, não vai valer a pena, verdade, tenho mil e uma coisas a boiar-me na mente e nem sei por onde começar, não sei onde uma acaba ou onde seguinte começa, se calhar são todas a mesma, se bem que é possível que não tenham nada a ver umas com as outras, não faço ideia, estou demasiado confuso para que tudo isto faça sentido, até porque em dois meses já nada disto faz sentido. Ainda aí estão? Muito bem, não foi por falta de aviso!

Mal posso esperar para ser velho, se calhar não é isto que eu quero dizer, ou é, mais ou menos, o que eu quero é saber tudo, e o pouco que aprendi ensinou-me que o que falta vem com o tempo, mas não quero perder tempo, quero saber já como isto vai acabar, quero perceber tudo aquilo que não entendo, até porque quando acho que o entendo, descubro qualquer coisa nova que mostra o quanto estava enganado.

Cada nova descoberta é uma conquista, como se fosse a peça do puzzle que me faltava para que todas as outras caíssem no lugar, como se de então em diante tudo fosse fazer sentido, mas não faz, e ao inicio fico confuso e não percebo o que é que me está a faltar, agora que já sei tudo, dou-lhe um tempo na esperança que tudo encaixe, e não encaixa, e é ai que percebo que me falta outra peça qualquer, e começo tudo outra vez.

A dada altura conclui que as relações que acabam com mortos e feridos e gritos e tiros, são muito melhores que aquelas que chegam ao fim numa mensagem de telemóvel. A quantidade de explosivos precisos para dinamitar uma relação é directamente proporcional à importância que a mesma teve para nós, e com isso acredito que nos podemos guiar através de relações futuras, pelo mapa das marcas que ficam no corpo e na vida, resultado das explosões das relações que acabaram, e cujo fim nos ensinou qualquer coisa.

Depois percebi, que nem sequer era preciso começar e acabar para nos ensinar qualquer coisa, basta acabar, um fim, mesmo que sem um começo. Às vezes sabemos como tudo iria acabar mesmo antes do começo, conseguimos ver o fim desde a linha de partida e sabemos desde logo o tempo que demorávamos a lá chegar. A maneira como diz os essês, ou a música que ouve no carro, a camisola laranja que odiamos e o enrolar do dedo no cabelo, e todas as outras mil merdices pelas quais nunca ia funcionar.

Mas há mais, aprendi mais qualquer coisa, eu que julgava já saber tudo, depois das que começam e das que acabam, e daquelas que só acabam, percebi que há aquelas que só tem de começar. Até que faz sentido agora que penso nisso, porque será que nunca pensei nisso antes? Aquilo que percebi agora, ou que julgo perceber, é de que uma relação sem qualquer futuro é capaz de arruinar a mais promissora das histórias de amor.

Podemos não ter nada a ver, ser incapaz de me ver contigo tanto quanto incapaz és de te ver comigo, queres um rapaz e eu uma menina, gostas de Afonso, e eu de Margarida, tu determinada, eu inflexível, esta incompatibilidade que não muda nada, e saber que não te tendo, a vontade que tenho de ti, vai arruinar todas a relações que vierem, com alguém que goste de Margarida e queira ser minha.

É isso, acho que, mentira, sei lá eu, não sei nada, e daqui a dois meses estou a dizer que tudo isto é mentira, mas hoje, acredito que o sentimento de incerteza de tudo o que podia ter sido com alguém que não podíamos ter, vai envenenar o mais perfeito dos amores que possa vir a acontecer, e a única maneira de nos livrarmos de algo que sabemos á partida que não vale a pena ter, é tendo-a, e não pensar mais nisso.

Ainda aí estão? Muito bem, não foi por falta de aviso.
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