That was random!

Um dia, já não muito longe, vou morrer, e do fumo do meu corpo a arder, vai nascer uma nuvem, que se vai encher de água e chover pelo mundo inteiro, e essa chuva há-de regar os campos, e eu, voltarei a nascer por toda a parte.

In the land of women

"I'm on the plane out here, and I open my computer and I start reading these emails that I sent her, like 30 or more maybe, over the course of our relationship. And not just short messages, I'm talking about long, involved love letters. Like, desperately trying to be romantic and poetic, whatever and embarassing as it is, it's also like, kind of the best stuff I've ever written. Because it's got this naive idealism thing going on where ours is going to be one of the greatest love stories ever told, and I'm writing it. So I'm sitting there and I'm reading these emails and there's some turbulance, and I start to have this massive panic attack, like nothing I've ever had, and I think it's happening because I can never imagine feeling that way about anybody else, ever again."

I hold the record for being patient!

Quando comecei a escrever o post anterior, tinha posto no titulo "Mari Carmen Brito Ramirez" e a razão pela qual meti isso no titulo do post, foi porque queria que houvesse qualquer coisa na internet que a relacionasse comigo. Eu sei que nada disto faz muito sentido, mas continuem a ler, que vai fazer.

Se me custa a acreditar que passaram 10 anos desde a história da Sílvia, custa muito mais acreditar que passou metade da minha vida, desde a história da Brito, mas passou mesmo, conhecemo-nos há 14 anos numa viagem de finalistas de 9º ano a Salou.

O grupo não era lá muito equilibrado, éramos uns 40 rapazes e umas 20 raparigas, mas curiosamente, ao chegarmos ao hotel, um grupo igualmente desequilibrado, mas ao contrário, fazia check-in ao nosso lado. Eram de uma escola em Huelva, e estavam em Salou exactamente pelos mesmos motivos que nós, não foi uma matemática muito complicada, e já passou demasiado tempo para eu me lembrar de todos os pormenores, mas tenho quase a certeza que no fim da primeira noite já era difícil discernir onde é que o nosso grupo acabava, e o grupo deles começava.

Eu nunca tive muito jeito para esse tipo de coisas, não tinha na altura, ainda não tenho agora, e fiquei um bocado de parte enquanto os meus amigos se iam tornando mais que amigos, das novas amigas espanholas. Quem também estava um bocado afastado de todas estas misturas era um grupo de 4 ou 5 raparigas, muito mais reservadas que o resto das colegas, a Brito era uma delas.

Só me lembro de dois nomes de toda a comitiva espanhola, o da Brito, por todas as obvias razões, e o da Laura, e lembro-me do nome da Laura por dois motivos, o primeiro porque passou praticamente todo o tempo que estivemos em Salou com um dos meus melhores amigo da altura, o Pedro, e o segundo porque foi ela que se virou para mim uma noite em que estávamos todos sentados no bar do hotel e perguntou... ¿Brito te gusta?

A Brito era a rapariga dos sonhos de qualquer rapaz de 14 anos, ou pelo menos dos meus sonhos. Obviamente espanhola, morena, com cabelos pretos, compridos, distante, inatingível, misteriosa, com ares de Penélope Cruz, ou tenho a certeza que era o que eu iria achar se soubesse na altura quem a Penélope Cruz era.

Não foi preciso responder-lhe, o meu sorriso disse tudo o que a Laura precisou de saber, e a morrer de vergonha disse só que ia para o meu quarto, e em tom de gozo a dizer ao Pedro para não chegar tarde... e não chegou. Passado uns minutos, bateram à porta, mas não era o Pedro.

Liguei para casa a pagar no destino ás 3 da manhã e fiz os meus pais prometerem que quando chegasse o verão me levavam a Huelva, agora que penso nisso, essa foi provavelmente a primeira de todas as minhas entregas desmedidas de amor e actos descabidos e despropositados em nome de relações impossíveis, que sobrevivem até aos dias de hoje. Fascinante!

E como todas as coisas que não queremos que acabem, a semana em Salou acabou demasiado depressa. Trocámos moradas, e telefones, e jurámos que não íamos deixar as coisas morrerem. É giro, duma maneira triste, pensar nisso. Olhar para mim há metade da minha vida atrás e já conseguir ver o Zé que sou hoje, em como sempre fiz por acreditar em amores impossíveis, mesmo com 14 anos, sem carta, sem carro, sem liberdade independência ou mesmo um tostão em meu nome, o amor para mim sempre foi o suficiente, sempre bastou, o resto eu logo arranjava uma maneira, fosse de que maneira fosse, o resto nunca me importou.

Ela falava Espanhol e eu Português, o que tornava as coisas um nadinha complicadas, mas nada que eu ñ resolvesse. Escrevia as cartas em Português, traduzia-as para Inglês e dava-as ao meu professor no Instituto de Línguas, que, por iniciativa própria, me fazia o favor de escrever uma adaptação muito mais romântica que o original para Castelhano.

Trocámos algumas cartas no verão que se seguiu, alguns telefonemas, e lembro-me do último, foi em Janeiro de 1996, liguei para lhe desejar “una feliz navidad”, ela não estava em casa, pedi para lhe dizerem que eu tinha ligado, mas ela nunca me ligou de volta, nem voltei a receber outra carta.

Na segunda quinzena de Agosto, como sempre, fomos para o Algarve, e por coincidência ou não, fomos passar um dia a Huelva ou Sevilha, e pelo caminho passamos passámos por uma tabuleta com o nome da terra onde ela morava, "El Rompido". O meu pai perguntou-me se eu queria parar, eu hesitei por 2 segundos que demoraram imenso a passar, e não tive coragem para dizer que sim.

Nunca a esqueci e em todos estes anos guardei o nome dela comigo, Mari Carmen Brito Ramirez, e tal como a Sílvia, durante todos estes anos que foram passando, sempre que estava mais triste, procurava por ele, mas nunca a voltei a encontrar. Já depois de ter criado o blog pensei em escrever um post só com os nomes delas, "Mari Carmen Brito Ramirez" e "Silvia Maganinho", só para que houvesse qualquer coisa que as ligasse a mim, ou já que eu não as consegui encontrar a elas, quem sabe elas ñ me encontravam a mim.

Era por isso, que ia meter o nome dela no titulo do post de ontem, mas depois de vos contar da Sílvia, achei que era demasiado maçador contar-vos da Brito também, e guardei para outro dia, mas antes, por descargo de consciência, voltei a por todas as combinações do nome dela que me lembrei no Google, porque se calhar lá no fundo nunca desisti de a encontrar e por isso, nunca parei de a procurar, independentemente de quantos anos já passaram desde então.

... e sabem o que se diz de quem espera? Click

Don't Die Wondering!

Custa a acreditar que já passaram 10 anos, mas a data por debaixo da assinatura assegura-me que sim. Conhecemo-nos no festival de Vilar de Mouros, e lembro-me com uma clareza que assusta a primeira vez que a vi. É giro, como há imagens que nos acompanham para o resto da vida. Assim é a imagem que guardo dela e o sol a espreitar-lhe por entre os caracóis do cabelo.

Era cedo, mesmo que já fosse de tarde, as horas têm um contorno estranho em festivais de verão, mas sei que ainda estava deitado na tenda a dormir. O Paulo correu o fecho e perguntou-me se não queria ir até à barragem com umas amigas que eles tinham feito na noite anterior. Abri os olhos para lhe responder e foi quanto a vi pela primeira vez, enquanto tentava foca-la com olhos de sono, e fazia por construir uma frase coerente para responder ao Paulo.

Passámos o resto do festival juntos, ou pelo menos é assim que me lembro de ter acontecido, lembro-me de uma noite escuríssima e nós de lanterna em punho, mato adentro, à procura de lenha para a fogueira que ardia junto ás tendas. Lembro-me de lhe ter dado a mão, e foi tão intimo, como se fossemos amantes. Foi mesmo o nosso momento mais íntimo, porque não chegou a acontecer nada, que é o mesmo que dizer que ficou tudo por acontecer.

Passado uns dias o festival acabou, e já em Caminha antes de entrarmos no autocarro, despedimo-nos como quem faz de conta que não acabou de tropeçar em algo maior que nós, trocamos telefones e moradas, porque era o que se fazia na época antes dos emails, mas provavelmente já na altura sabíamos que não nos íamos voltar a ver.

Passado umas semanas chegou uma carta, porque era o que se fazia na época antes dos emails, e em oposição ao meu nome e morada completa no destinatário, no remetente dizia simplesmente "Sílvia". Era perfeito, o envelope, o papel da carta, e cada linha dizia tudo aquilo que não tínhamos tido coragem de dizer um ao outro quando tínhamos tido a oportunidade.

" - Só dei conta daquilo que se estava a passar comigo na altura em que foste embora e o meu coração pediu para que ficasses... Quando é que te vou voltar a ver? Talvez nunca mais, ou talvez o destino nos tenha reservado mais algum encontro. Será?"

Não sei como foi que tudo se perdeu, provavelmente aconteceu aquilo que acontece sempre, a vida. Tenho ideia de lhe ter escrito de volta, sei que lhe liguei para casa uma vez, a ultima vez, ela não estava, deixei recado que nunca cheguei a saber se foi entregue, sei no entanto que não voltei a ter notícias dela.

Não sei, provavelmente tem a ver com a maneira como os meus fios estão ligados ou como fui desenhado, mas nunca consigo ultrapassar estas coisas. Não o que não aconteceu, mas tudo aquilo que ficou por acontecer, tudo aquilo que podia ter sido, sem que nunca chegue a saber o que foi que se perdeu, o que foi que perdemos, e de vez em quando, mesmo anos mais tarde ainda procurava pelo nome dela num motor de busca na esperança de a encontrar... e um dia, encontrei.

Era qualquer coisa da Câmara Municipal e a colocação de auxiliares de educação nas escolas da região, não sei bem, sei que depois disso, e com a ajuda de uma rede social qualquer encontrei uma amiga dela que ficou de lhe dar o meu mail e perguntar se ela se lembrava de mim. Passado uns dias a mesma amiga respondeu-me, "Ela disse que sim, que claro que se lembra de ti, que espera que esteja tudo bem e para te mandar um beijinho."

... Ridículo não é? Quando penso nos anos que passei a pensar como seria o dia em que nos voltássemos a encontrar, em que voltasse a saber dela, no tal próximo encontro que o destino nos tinha guardado, em tudo o que tinha ficado por acontecer e como iria ser, a expectativa do reencontro todos estes anos depois, para nada, por um "espero que esteja tudo bem", por um beijinho.

Gostava de conseguir fazer algum sentido de tudo isto, do que aconteceu, do que não aconteceu e de tudo aquilo que ficou por acontecer ao não ter acontecido, nem então, nem agora, nem nunca, e não consigo, se calhar é isso, se calhar é essa a lição, o moral no fim da história, de que o universo se desdobra sempre da maneira que é entende, da maneira que é suposto, e que sei lá, ás vezes (quase sempre), se não aconteceu então, é porque não tinha de ter acontecido, ou melhor, não ter acontecido era o que tinha de acontecer, e não acontecendo, aconteceu.

This is not a love story...



... it's a story about love.

Desnuda

Desnuda eres tan simple como una de tus manos,
Lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente,
Tienes líneas de luna, caminos de manzana,
Desnuda eres delgada como el trigo desnudo.

Desnuda eres azul como la noche en Cuba,
Tienes enredaderas y estrellas en el pelo,
Desnuda eres enorme y amarilla
Como el verano en una iglesia de oro.

Desnuda eres pequeña como una de tus uñas,
Curva, sutil, rosada hasta que nace el día
Y te metes en el subterráneo del mundo
Como en un largo túnel de trajes y trabajos:
Tu claridad se apaga, se viste, se deshoja
Y otra vez vuelve a ser una mano desnuda.

Pablo Neruda

Before Sunset

"It’s not so easy for me to be a romantic.You start off that way, and, after you’ve been screwed over a few times you, you forget about all your delusional ideas, and you just take what comes into your life… You know, it’s not even that! I was fine, until I read your fucking book! It stirred shit up, you know? It reminded me how genuinely romantic I was, how I had so much hope in things, and now it’s like, I don’t believe in anything that relates to love. I don’t feel things for people anymore. In a way, I put all my romanticism into that one night, and I was never able to feel all this again. Like, somehow this night took things away from me and I expressed them to you, and you took them with you! It made me feel cold, like if love wasn’t for me! You know what? Reality and love are almost contradictory for me. It’s funny. Every single of my ex’s, they’re now married! Men go out with me, we break up, and then they get married! And later they call me to thank me for teaching them what love is, and, and that I taught them to care and respect women! You know, I want to kill them!! Why didn’t they ask me to marry them? I would have said “No”, but at least they could have asked!! But it’s my fault, I know it’s my fault, because I never felt it was the right man. Never! But what does it mean the right man? The love of your life? The concept is absurd; the idea that we can only be complete with another person is EVIL!! Right??!! You know, I guess I’ve been heartbroken too many times, and then I recovered. So now, you know, from the starts I make no effort because I know it’s not going to work out, I know it’s not going to work out."

The perfect proposal.

"Look, I guarantee there'll be tough times. I guarantee that at some point, one or both of us is gonna want to get out of this thing. But I also guarantee that if I don't ask you to be mine, I'll regret it for the rest of my life, because I know, in my heart, you're the only one for me."

Prioritize!

O bebé a chorar, a torneira a correr, começa a chover na roupa estendida, toca o telefone, alguém bate à porta... go!

Boy meets girl. Boy falls in love. Girl doesn't.

Contrária à crença popular, a verdade é que nunca tive muitas namoradas, ainda que toda a gente que, obviamente, me conhece tão bem jure o contrário. Tive tantas namoradas que não chegam a ser precisos os dedos de uma mão para recuar mais anos que aqueles que conseguimos contar com os dedos de duas em termos de namoros.

Nunca ninguém quis andar comigo. Podia parar por aqui e não escrever mais nada, essa frase condensa tudo aquilo que há a dizer, a história da minha vida, conheço uma rapariga, apaixono-me por ela, mas ela nunca se apaixona por mim, começar um namoro nunca foi algo que aconteceu naturalmente, nunca foi assim tão linear, nunca foi assim tão simples.

Acabei com a Sónia no verão de 1999, e foi a primeira vez que me aconteceu, o luto, tive um ano sozinho sem querer andar com ninguém, estava farto de começar e acabar e começar outra coisa qualquer para também essa acabar, não queria mais, cansei de brincar aos amores. Mas passado um ano, estava farto de estar sozinho, se calhar porque é assim que fui desenhado e "comprometido" é a minha "default setting", o que sei é que mesmo depois de estar farto de estar sozinho não me conseguia interessar por ninguém, e assim foi durante mais um ano até conhecer a Tânia.

Conhecemo-nos numa festa na Quinta do Lago no verão de 2001, a dada altura tornou-se óbvio que queria andar com ela, mas ela claro está, não queria andar comigo. Continuamos a falar e a sair e foram precisos 6 meses, e aturar muita merda e engolir muitos sapos pelo meio, até a conseguir fazer mudar de ideias, começamos a namorar no dia 1 de Dezembro de 2001. Namorámos 2 anos e acabámos, acabei, quando voltei da passagem de ano em Janeiro de 2004, e começa tudo outra vez.

Mais do mesmo, mais um ano por vontade, e o resto por imposição, não por não querer estar com ninguém, mas por não encontrar ninguém com quem quisesse estar, até aparecer a Andreia. Começamos a falar no inicio de 2005, e quisemos andar um com o outro, eventualmente, infelizmente a Andreia levou meio ano a querer o que eu queria desde o inicio. Nunca soubemos a data em que começamos provavelmente porque nunca chegamos a oficializar, mas mesmo o que não começa, acaba, em Maio de 2006 estava acabado.

E mais dois anos de celibato, no inicio de 2008 voltava a estar farto de estar sozinho, e farto da ciclicidade que parecia reger a minha vida amorosa, decidi que ia encontrar uma namorada, e determinado, encontrei, a Rita! Era a rapariga mais linda que eu já tinha visto, e disse para mim que ia ser a minha próxima namorada, infelizmente, ela não estava muito convencida que eu ia ser o seu próximo namorado, e 6 meses depois, lá mudou de ideias, começamos a namorar, namoramos menos tempo que aquele que passei a tentar fazer de nós namorados.

Isto tem-me dado que pensar mais que aquilo que imaginam, se é verdade que eventualmente todas acabaram por ser minhas namoradas, também é verdade que nenhuma quis andar comigo á partida, e no fim, acabou sempre comigo a querer acabar o que elas não queriam começar.

Acabo sempre a mesma maneira, sempre pelo mesmo motivo, sempre na mesma altura, enquanto tudo está bem, enquanto somos felizes. Digo sempre que é porque acho que já não é a mesma coisa, que não vai durar para sempre e que não faz sentido insistir em algo que tem um fim à vista, que mais vale acabar enquanto tudo está bem, que arrastar um namoro que só vai piorar, e levar com ele ao afundar a imagem que guardamos um do outro. Digo que é porque quero ser o melhor namorado que elas podiam ter tido e que não vou pactuar com um namoro que a meu ver não vai mais a lado nenhum e que não vou conseguir ser um tão bom namorado quanto aquele que fui até então, que não vale mais a pena, e era verdade! Ou pelo menos eu pensava que era, que era por isso que acabava, mas já não tenho a certeza.

A verdade, é que não sei se alguma vez lhes perdoei a falta de crença e se não foi por isso que tudo acabou, que eu acabei, e se um inicio diferente não lhe tinha evitado o fim. Não sei se alguma vez fui capaz de ultrapassar o facto de eu as querer tanto sem elas me quererem de volta. De me terem feito lutar, sozinho, por algo que agora era bom para os dois, no fundo sempre achei que era injusto, desfrutarem de uma felicidade que não ajudaram a construir, que era tudo graças a mim, às minhas custas e às custas do sofrimento que me causaram pelo qual eu nunca as fiz passar, e que no fim, eu tinha razão, e tinha sido capaz de lhes mostrar tudo aquilo que podiamos ter sido juntos se apenas tivessem visto o que eu vi quando eu vi, que aquilo que tinhamos então foi o que elas tinham deitado a perder ao não me querer, o amor que agora havia entre os dois, dois que não fosse por mim nunca tínhamos sido mais que dois uns.

I've forgotten you.

I've forgotten you,
I never think of you,
The way you walked,
the way you talked,
the things you used to say.

I've forgotten you,
I never think of you,
I couldn't say for sure today
Whether your eyes were blue or grey.

I've forgotten you,
I never think of you,
Your smile, your touch,
Which meant so much,
Somewhere along the way.

I've forgotten you,
I never think of you,
I changed my mind, my love was blind,
Now I've forgotten you.

I'm through thinking of you!
Oh, what a lie!
I shall think of you,
Think of you,
Think of you,
Till I die.

O coração também se parte.

Sabiam que um osso não parte duas vezes pelo mesmo sítio? Depois de recuperado, a zona por onde partiu acaba por se tornar mais forte que aquilo que era anteriormente e torna-se muito mais provável o mesmo osso partir em outro ponto qualquer, que aquele por onde partiu antes. Acho fascinante a maneira como o corpo se adapta de modo a garantir que não nos magoados outra vez, se ao menos tudo funcionasse tão bem.

O coração também se parte, e tal como um osso, recupera de modo a não voltar a partir no mesmo sitio, mas mais frágil que um osso, vai partindo em todos os outros sítios que sobram, sítios esses que eventualmente também recuperam e se tornam mais duros, inquebráveis, e assim se vai partindo um coração, e recuperando, e partindo em outro sítio, até se tornar tão duro, que não tem mais por onde partir.

O que acontece então é extraordinário! Sem ter por onde partir, o coração encolhe e diminui em tamanho, ficando cada vez mais pequeno. A cada demonstração de afecto, ignorada, ele encolhe, cada entrega desmedida, fracassada, ele encolhe, cada gesto largo de amor, indiferente, ele encolhe, cada desgosto amoroso, ele encolhe, cada paixão não correspondida, ele encolhe, e encolhe, e encolhe, até nele não haver espaço para nada, para ninguém, até desaparecer por completo, e quando desaparece, o vazio que deixa em nós, é capaz de engolir o mundo.
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