I hold the record for being patient!

Quando comecei a escrever o post anterior, tinha posto no titulo "Mari Carmen Brito Ramirez" e a razão pela qual meti isso no titulo do post, foi porque queria que houvesse qualquer coisa na internet que a relacionasse comigo. Eu sei que nada disto faz muito sentido, mas continuem a ler, que vai fazer.

Se me custa a acreditar que passaram 10 anos desde a história da Sílvia, custa muito mais acreditar que passou metade da minha vida, desde a história da Brito, mas passou mesmo, conhecemo-nos há 14 anos numa viagem de finalistas de 9º ano a Salou.

O grupo não era lá muito equilibrado, éramos uns 40 rapazes e umas 20 raparigas, mas curiosamente, ao chegarmos ao hotel, um grupo igualmente desequilibrado, mas ao contrário, fazia check-in ao nosso lado. Eram de uma escola em Huelva, e estavam em Salou exactamente pelos mesmos motivos que nós, não foi uma matemática muito complicada, e já passou demasiado tempo para eu me lembrar de todos os pormenores, mas tenho quase a certeza que no fim da primeira noite já era difícil discernir onde é que o nosso grupo acabava, e o grupo deles começava.

Eu nunca tive muito jeito para esse tipo de coisas, não tinha na altura, ainda não tenho agora, e fiquei um bocado de parte enquanto os meus amigos se iam tornando mais que amigos, das novas amigas espanholas. Quem também estava um bocado afastado de todas estas misturas era um grupo de 4 ou 5 raparigas, muito mais reservadas que o resto das colegas, a Brito era uma delas.

Só me lembro de dois nomes de toda a comitiva espanhola, o da Brito, por todas as obvias razões, e o da Laura, e lembro-me do nome da Laura por dois motivos, o primeiro porque passou praticamente todo o tempo que estivemos em Salou com um dos meus melhores amigo da altura, o Pedro, e o segundo porque foi ela que se virou para mim uma noite em que estávamos todos sentados no bar do hotel e perguntou... ¿Brito te gusta?

A Brito era a rapariga dos sonhos de qualquer rapaz de 14 anos, ou pelo menos dos meus sonhos. Obviamente espanhola, morena, com cabelos pretos, compridos, distante, inatingível, misteriosa, com ares de Penélope Cruz, ou tenho a certeza que era o que eu iria achar se soubesse na altura quem a Penélope Cruz era.

Não foi preciso responder-lhe, o meu sorriso disse tudo o que a Laura precisou de saber, e a morrer de vergonha disse só que ia para o meu quarto, e em tom de gozo a dizer ao Pedro para não chegar tarde... e não chegou. Passado uns minutos, bateram à porta, mas não era o Pedro.

Liguei para casa a pagar no destino ás 3 da manhã e fiz os meus pais prometerem que quando chegasse o verão me levavam a Huelva, agora que penso nisso, essa foi provavelmente a primeira de todas as minhas entregas desmedidas de amor e actos descabidos e despropositados em nome de relações impossíveis, que sobrevivem até aos dias de hoje. Fascinante!

E como todas as coisas que não queremos que acabem, a semana em Salou acabou demasiado depressa. Trocámos moradas, e telefones, e jurámos que não íamos deixar as coisas morrerem. É giro, duma maneira triste, pensar nisso. Olhar para mim há metade da minha vida atrás e já conseguir ver o Zé que sou hoje, em como sempre fiz por acreditar em amores impossíveis, mesmo com 14 anos, sem carta, sem carro, sem liberdade independência ou mesmo um tostão em meu nome, o amor para mim sempre foi o suficiente, sempre bastou, o resto eu logo arranjava uma maneira, fosse de que maneira fosse, o resto nunca me importou.

Ela falava Espanhol e eu Português, o que tornava as coisas um nadinha complicadas, mas nada que eu ñ resolvesse. Escrevia as cartas em Português, traduzia-as para Inglês e dava-as ao meu professor no Instituto de Línguas, que, por iniciativa própria, me fazia o favor de escrever uma adaptação muito mais romântica que o original para Castelhano.

Trocámos algumas cartas no verão que se seguiu, alguns telefonemas, e lembro-me do último, foi em Janeiro de 1996, liguei para lhe desejar “una feliz navidad”, ela não estava em casa, pedi para lhe dizerem que eu tinha ligado, mas ela nunca me ligou de volta, nem voltei a receber outra carta.

Na segunda quinzena de Agosto, como sempre, fomos para o Algarve, e por coincidência ou não, fomos passar um dia a Huelva ou Sevilha, e pelo caminho passamos passámos por uma tabuleta com o nome da terra onde ela morava, "El Rompido". O meu pai perguntou-me se eu queria parar, eu hesitei por 2 segundos que demoraram imenso a passar, e não tive coragem para dizer que sim.

Nunca a esqueci e em todos estes anos guardei o nome dela comigo, Mari Carmen Brito Ramirez, e tal como a Sílvia, durante todos estes anos que foram passando, sempre que estava mais triste, procurava por ele, mas nunca a voltei a encontrar. Já depois de ter criado o blog pensei em escrever um post só com os nomes delas, "Mari Carmen Brito Ramirez" e "Silvia Maganinho", só para que houvesse qualquer coisa que as ligasse a mim, ou já que eu não as consegui encontrar a elas, quem sabe elas ñ me encontravam a mim.

Era por isso, que ia meter o nome dela no titulo do post de ontem, mas depois de vos contar da Sílvia, achei que era demasiado maçador contar-vos da Brito também, e guardei para outro dia, mas antes, por descargo de consciência, voltei a por todas as combinações do nome dela que me lembrei no Google, porque se calhar lá no fundo nunca desisti de a encontrar e por isso, nunca parei de a procurar, independentemente de quantos anos já passaram desde então.

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