Boy meets girl. Boy falls in love. Girl doesn't.

Contrária à crença popular, a verdade é que nunca tive muitas namoradas, ainda que toda a gente que, obviamente, me conhece tão bem jure o contrário. Tive tantas namoradas que não chegam a ser precisos os dedos de uma mão para recuar mais anos que aqueles que conseguimos contar com os dedos de duas em termos de namoros.

Nunca ninguém quis andar comigo. Podia parar por aqui e não escrever mais nada, essa frase condensa tudo aquilo que há a dizer, a história da minha vida, conheço uma rapariga, apaixono-me por ela, mas ela nunca se apaixona por mim, começar um namoro nunca foi algo que aconteceu naturalmente, nunca foi assim tão linear, nunca foi assim tão simples.

Acabei com a Sónia no verão de 1999, e foi a primeira vez que me aconteceu, o luto, tive um ano sozinho sem querer andar com ninguém, estava farto de começar e acabar e começar outra coisa qualquer para também essa acabar, não queria mais, cansei de brincar aos amores. Mas passado um ano, estava farto de estar sozinho, se calhar porque é assim que fui desenhado e "comprometido" é a minha "default setting", o que sei é que mesmo depois de estar farto de estar sozinho não me conseguia interessar por ninguém, e assim foi durante mais um ano até conhecer a Tânia.

Conhecemo-nos numa festa na Quinta do Lago no verão de 2001, a dada altura tornou-se óbvio que queria andar com ela, mas ela claro está, não queria andar comigo. Continuamos a falar e a sair e foram precisos 6 meses, e aturar muita merda e engolir muitos sapos pelo meio, até a conseguir fazer mudar de ideias, começamos a namorar no dia 1 de Dezembro de 2001. Namorámos 2 anos e acabámos, acabei, quando voltei da passagem de ano em Janeiro de 2004, e começa tudo outra vez.

Mais do mesmo, mais um ano por vontade, e o resto por imposição, não por não querer estar com ninguém, mas por não encontrar ninguém com quem quisesse estar, até aparecer a Andreia. Começamos a falar no inicio de 2005, e quisemos andar um com o outro, eventualmente, infelizmente a Andreia levou meio ano a querer o que eu queria desde o inicio. Nunca soubemos a data em que começamos provavelmente porque nunca chegamos a oficializar, mas mesmo o que não começa, acaba, em Maio de 2006 estava acabado.

E mais dois anos de celibato, no inicio de 2008 voltava a estar farto de estar sozinho, e farto da ciclicidade que parecia reger a minha vida amorosa, decidi que ia encontrar uma namorada, e determinado, encontrei, a Rita! Era a rapariga mais linda que eu já tinha visto, e disse para mim que ia ser a minha próxima namorada, infelizmente, ela não estava muito convencida que eu ia ser o seu próximo namorado, e 6 meses depois, lá mudou de ideias, começamos a namorar, namoramos menos tempo que aquele que passei a tentar fazer de nós namorados.

Isto tem-me dado que pensar mais que aquilo que imaginam, se é verdade que eventualmente todas acabaram por ser minhas namoradas, também é verdade que nenhuma quis andar comigo á partida, e no fim, acabou sempre comigo a querer acabar o que elas não queriam começar.

Acabo sempre a mesma maneira, sempre pelo mesmo motivo, sempre na mesma altura, enquanto tudo está bem, enquanto somos felizes. Digo sempre que é porque acho que já não é a mesma coisa, que não vai durar para sempre e que não faz sentido insistir em algo que tem um fim à vista, que mais vale acabar enquanto tudo está bem, que arrastar um namoro que só vai piorar, e levar com ele ao afundar a imagem que guardamos um do outro. Digo que é porque quero ser o melhor namorado que elas podiam ter tido e que não vou pactuar com um namoro que a meu ver não vai mais a lado nenhum e que não vou conseguir ser um tão bom namorado quanto aquele que fui até então, que não vale mais a pena, e era verdade! Ou pelo menos eu pensava que era, que era por isso que acabava, mas já não tenho a certeza.

A verdade, é que não sei se alguma vez lhes perdoei a falta de crença e se não foi por isso que tudo acabou, que eu acabei, e se um inicio diferente não lhe tinha evitado o fim. Não sei se alguma vez fui capaz de ultrapassar o facto de eu as querer tanto sem elas me quererem de volta. De me terem feito lutar, sozinho, por algo que agora era bom para os dois, no fundo sempre achei que era injusto, desfrutarem de uma felicidade que não ajudaram a construir, que era tudo graças a mim, às minhas custas e às custas do sofrimento que me causaram pelo qual eu nunca as fiz passar, e que no fim, eu tinha razão, e tinha sido capaz de lhes mostrar tudo aquilo que podiamos ter sido juntos se apenas tivessem visto o que eu vi quando eu vi, que aquilo que tinhamos então foi o que elas tinham deitado a perder ao não me querer, o amor que agora havia entre os dois, dois que não fosse por mim nunca tínhamos sido mais que dois uns.
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