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Há imenso tempo que isto não acontecia. Estava agorinha a falar com a Fernanda e ela disse que o que não faltam são princesas pelo mundo inteiro, e foi quanto bastou, comecei a pensar nessa frase, o que me fez lembrar duma conversa que tive com a Elsa uma vez que fomos sair, e de uma outra com o Sotero a ultima vez que cortei o cabelo, e é curioso ver como 3 conversas distintas com 3 pessoas diferentes, sobre temas não relacionados, ajudam a compor a bigger picture, de algo que não tem nada que ver com tudo o resto.

O Sotero é o meu cabeleireiro, e se não fosse o Sotero, provavelmente tinha de andar de Táxi muito mais vezes, pois acredito que no meio de toda a brejeirice, há sempre um taxista que entre queimar um amarelo e passar um vermelho, tem uma daquelas desabafos sobre qualquer coisa, e nos deixa semanas a pensar, e no fim acaba por mudar radicalmente a nossa maneira de pensar e estar no mundo, e tudo numa corrida entre o Terreiro do Paço e o Príncipe Real.

Mas voltando ao Sotero, estávamos a falar do movimento das grandes cidades e a oposição à pacatez do campo, e acabamos inevitavelmente a falar do transito, da falta de civismo e de como todos os homens têm ideia de que guiam bem, e foi essa a frase do Sotero - "Toda a gente acha que guia bem, e que sabe beijar" - Na altura achei piada, concordei, e não pensei mais nisso, nem sequer associei á conversa que tinha tido com a Elsa umas semanas antes.

A Elsa é por esta altura, uma das minha amigas mais antigas, damo-nos bem, se bem que também não nos damos muitas vezes, e se calhar até nos damos bem por isso mesmo, também nunca tinha pensado nisso, mas para o caso é o que menos importa. Gosto dela de morte, e temos sempre imensa conversa para por em dia quando nos juntamos.

Estávamos a falar de nos esforçarmos demais, ou de não nos esforçarmos o suficiente, de que se tiver de acontecer, acontece sem esforço, e que se não tiver de acontecer, não importa o quanto te esforças, coisas assim. Foi então que a Elsa me contou de um rapaz que há uns tempos atrás estava interessado nela, e em como todos os dias durante 6 meses lhe mandou uma mensagem a desejar um bom dia. ela nunca respondeu, nem ás mensagens, nem ao interesse.

Eventualmente as mensagens pararam, e suponho que com elas o interesse. Passado uns tempos encontraram-se por acaso, e ele perguntou-lhe porque é que ela nunca tinha respondido a nenhuma das mensagens, e ela devolveu-lhe um "Porque? Era suposto?", e ele disse-lhe que tinha a certeza que ela não ia encontrar muitos rapazes que fossem capazes de lhe mandar um mensagem de "bom dia" todos os dias durante 6 meses, e a Elsa, deliciosamente implacável, como sempre, disse - "Ficavas Surpreendido!".

E agora a parte em como o Sotero, a Elsa e a Fernanda encaixam, e acabam por dár origem a algo maior que a soma das partes. Da mesma maneira que todos achamos que guiamos bem (eu guio bem), e beijamos melhor ainda (eu beijo melhor ainda), temos a certeza que estamos dispostos a fazer por amor aquilo que mais ninguém faria (eu faço por amor aquilo que mais ninguém faz), e que o meu único problema, como o último dos príncipes encantados, é não saber onde a ultima das princesas anda.

No dia em que a encontrar, tudo o resto vai fazer sentido, e todas as minhas neuras reduzidas a pó, vai-me dár o devido valor, e tudo vai acabar bem, e eu vou finalmente ter o final feliz que mereço. Mas o que eu tenho visto, é que aparentemente, há excesso de príncipes para a excassez de princesas, e as poucas que há, por certo já encontraram o principe da vida delas, um que por sinal guia melhor que eu e faz por amor aquilo que eu nunca seria capaz de fazer, sim... porque beijar melhor que eu, venha de lá quem vier, tenho a certeza que não beija!
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