All That "Zé" Madness!

Há imenso tempo que tenho uma história para vos contar, mais uma daquelas aventuras que só a mim, e que não acontecem a mais ninguém, uma história que inspirou grande parte de tudo aquilo que escrevi este ano. Quis guarda-la para hoje por uma serie de motivos, porque este é todos os anos, o post mais difícil de escrever, o do aniversário. Porque, e só pensei nisso agora, tudo isto começou por esta altura do ano passado, e como tal, e esta talvez seja a razão de todas as razões, pelo impacto que teve na minha vida em geral, e em 2009 em particular. Vai ser longo, por isso desde já, tenham paciência, e eu prometo que faço os possíveis para que valha a pena.

É sempre assim! Sempre assim que começa! Sempre assim que me enganam. A Carla quando fez questão que eu conhecesse a Ana, a Nádia, quando achou que eu e a Cataró fazíamos o par ideal, e a Vânia, e a tal história que ficou por contar.

"- Zé, conheço uma rapariga perfeita para ti!"

Claro que isto é muito mais complicado quando a suposta rapariga perfeita para mim mora em Washington D.C., mas eu nunca fui o tipo de desistir ao primeiro pequeno contra-tempo, mesmo quando o pequeno contra-tempo é um Oceano. A única maneira então de eu ver essa minha suposta alma gémea, foi criar uma conta no Facebook, e adiciona-la como amiga, e assim fiz.

... sou péssimo nestas coisas, não tenho aptidão nenhuma para engates, e como tal, a única coisa que fui capaz de lhe dizer foi "Oi, sou um amigo da Vânia, ela disse-me para te adicionar, espero que não te importes." ao que ela respondeu com sucinto, "Sim, eu sei, ela disse-me. Claro que não" ou qualquer banalidade do género. Adorava ter-lhe dito mais qualquer coisa, mas recuso-me a falar "do tempo", e a verdade é que não tínhamos nada de que falar, nenhum tema de conversa que não fosse cair numa trivialidade qualquer, e eu não queria a tal rapariga perfeita para mim, me fosse achar banal, e acabei por nunca mais lhe dizer nada, e assim ficou nos meses que se seguiram.

E veio o natal, o que quer dizer que aconteceu tudo por esta altura do ano passado. A mãe do Telmo, o marido da Vânia, voou para os Estados Unidos para passar o Natal com eles, e pouco tempo depois de ter chegado, adoeceu e morreu. Nos primeiros dias do ano, voltaram para Portugal para o funeral, e foi então que as coisas mudaram.

Completamente alheio a tudo isto, eu volto do Algarve uns dias depois da passagem de ano para encontrar duas mensagens no email, uma da Vânia a contar-me tudo, e uma outra dela, a contar-me tudo outra vez e a dizer que não conhece nenhum outro amigo deles em Portugal e para os ajudar no que fosse possível, naquilo que fosse preciso, nesta altura tão difícil para eles.

É estranho, mas ainda que o tema fosse tão triste, tínhamos finalmente algo para falar, tema de conversa, eu respondi à mensagem dela, ela respondeu à minha resposta, e eu devolvi uma outra, e um dia, o até então desconhecido "Facebook Chat" deu um ar da sua graça, e ela veio falar comigo, e naquela janela mínima falamos durante 8 horas a primeira noite, e outras 8 na segunda, 9 na terceira, e quando a janela do chat se tornou pequena para tudo aquilo que tínhamos para dizer um ao outro, mudamo-nos para o gmail.

Depressa ela passou a monopolizar as minhas madrugadas, ela chegava a casa ás 10 da noite, depois das aulas, e eu espera por ela deste lado do mundo, com 5 horas de diferença. Falávamos até ser 2 da manhã lá e 7 da manhã aqui, até ser demasiado tarde para os dois. E assim foi, todas as noites durante os 4 meses que lhe seguiram.

Fui tudo bastante obvio desde o inicio, até porque eu não tenho grande paciência para os joguinhos, e a ser "perfeita para mim", nem ela, e quando se tornou obvio que qualquer distância que houvesse, era distância a mais, eu fui ter com ela.

Voei para Nova Iorque em Abril, uma quarta-feira, fiquei uns dias com a Inês, até eles chegarem na sexta á noite. Passámos o fim-de-semana na cidade, e voltei com eles para D.C quando o fim-de-semana acabou. Passámos a semana juntos, e foi tudo aquilo que eu tinha imaginado que ia ser, e por essa altura, tal como a Vânia, também eu acreditava ter encontrado alguem perfeito para mim!

Mas o que é bom passa depressa e cedo demais também a semana passou. No Domingo voltei para Nova Iorque e de lá de volta para casa 2 dias depois. Chorámos os dois quando me vim embora, eu disse que voltava, ela disse que esperava, e prometi-lhe que jantávamos juntos no dia de anos dela, 19 de Setembro, 5 meses depois.

Voltei para casa, mas o coração ficou para trás, nunca me custou tanto estar longe de ninguém, nunca custou tanto estar longe, que decidi não estar mais, e arranjar maneira de voltar, e ficar ao pé dela. Comecei a candidatar-me a estágios em Washington para ter uma desculpa para estar perto, uma que fosse bem aceite cá em casa já que ninguém, para lá de mim, considera aceitável mudar de continente por amor.

Mas a distância continuava imensa, e cada dia custava mais, e tão depressa como comprei o bilhete para ir a primeira vez, comprei outro para voltar! Eram os meus anos e achei que não era justo desejar por algo que eu já sabia onde estava, e no meio de exames, no dia depois dos meus anos voei de fim-de-semana para Nova Iorque outra vez, e de Nova Iorque para Washington. Pedi-lhe para me ir buscar ao aeroporto, mas ela não foi, não quis saber, disse-me que não se ia envolver com alguém que vivia do outro lado do mundo, que não fazia sentido, que nunca ia funcionar, que não valia a pena sofrer por algo que estava condenado à partida.

Enquando lá estava calhámos a cruzar-mo-nos, e só piorou aquilo que já não estava bem, ainda que olhando agora para trás, tenha sido pelo melhor. Passado 3 dias voei de volta para casa, e pouco tempo depois de cá estar, comecei a receber as respostas às candidaturas. Tinha sido aceite, queriam que me mudasse para Washington para começar a estagiar dia 8 de Setembro. Pensei em não ir, já não restava nada daquilo que tinha motivado a candidatura, que já não a tinha à minha espera, e que se tudo aquilo tinha sido por ela, sem ela não fazia sentido. Mas e por mim? É certo que já não havia ninguém á espera, mas se não era por ela que ia, também não ia ser por ela que ia deixar de ir e desperdiçar um estágio como o que eu tinha conseguido, por mim, e fui!

Foi por isso que me mudei para Washington, foi por isso que lá estive todos estes meses, não foi por ela, garanto-vos! Foi por mim, para provar a mim mesmo que nunca lhe menti, mas mais importante que isso, que nunca me menti a mim! De todas as vezes que lhe disse que podia confiar em mim para fazer tudo dar certo, que eu resolvia tudo, estava a falar a sério, sempre que lhe disse que não era o tipo de rapaz que deixavam oceanos meterem-se no meio de uma grande paixão, de uma como a que eu lhe tive. E fui!

Voei para Nova Iorque dia 3 de Setembro e para D.C. dia 4, comecei a trabalhar dia 8e dia 19 de Setembro estava com uns amigos no National Mall a passear no Museu de História Americana, em Washington D.C., como lhe tinha prometido (Alguma vez te menti?)! Não telefonei, não disse nada, não valia a pena, não fazia diferença, não ia mudar nada. Ela sabia que eu lá estava, eu via sempre que ela visitava o blog, ou porque me cruzava com a melhor amiga dela quando saímos à noite, e isso bastou.

Na "nonagésima nova noite" fui-me embora, deixei D.C. e voltei para Nova Iorque, e de lá de volta a casa, e esta é a minha interpretação do penúltimo post. Ele foi-se embora na ultima noite, porque se ela o amasse como ele a amava a ela, tinha querido ser dele, tanto quanto ele queria ser dela, e nunca lhe pedia para ficar 100 noites debaixo de uma varanda, porque quem ama de verdade, ama incondicionalmente, sem noites debaixo de varandas, ou indiferente a distâncias, e se ele, como eu, aguentou 99 noites, não foi por não aguentar mais uma, foi para mostrar que conseguia, mas que ela não o merecia, nem ao amor que ele, que eu, lhe tinha.

Aprendi qualquer coisa, porque se aprende sempre qualquer coisa. Acho que estou velho, e cada vez mais cínico em relação ao amor, digo que não me vejo a fazer as coisas que fazia antes pelas raparigas de quem gostava, mas faço, e cada vez me surpreendo mais com as coisas que faço, coisas que nunca imaginei fazer. Há 2 anos atrás estava a apaixonar-me por uma rapariga na fila da Sportzone, virei o mundo do avesso até a voltar a encontrar, e encontrei. Este ano conto-vos em como mudei de país e continente, atrás de alguém que não voltei a ver. Foi isso que percebi. Que sim, cada vez acredito menos em histórias de amor, que sim, cada vez acho-me menos capaz de fazer tudo aquilo que continuo a fazer, e que de todas as vezes digo que é a ultima, mas que ao mesmo tempo, o tempo passa, e talvez seja desespero, ou a vontade de acreditar que é só mais estas vez, só mais um esforço, para que eu tenha o final feliz que mereço, e que esse desejo, é maior que todo o cepticismo que veio depois, e te faz fazer mais e ir mais longe que aquilo que alguma vez achaste que ias ser capaz, na esperança que a próxima vez, seja de vez.

... além do mais, se nada disto tivesse acontecido, nunca tinha conhecido a Lacey, mas isso, já é outra história. (;
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