Hearts Were Made To Be Broken



- "... Mas toda a gente sabe que não há pessoas certas, só alturas certas, não é?"

Não consegui deixar de pensar nisso, os dias, as noites, as semanas que lhe seguiram. A certeza na voz com que ela o disse, como se fosse algo que todos soubessem, todos menos eu, que passo a vida à procura da miúda certa, sem nunca ter esperado que a altura certa chegasse. Mas não é tão verdade assim nem o amor é só feito de alturas certas seja com quem for, é preciso a pessoa certa também, e uma sem a outra, é tão inútil como o contrário.

Assim que cheguei a essa conclusão, fiz aquilo que faço sempre, peguei em todos os amores que não deram certo e dissequei e moldei-os até entrarem numa das caixas, rapariga errada na altura errada, rapariga errada na altura certa, rapariga certa na altura errada, e rapariga certa na altura certa, e foi tudo tão fácil, como se o padrão tivesse estado sempre lá se apenas me tivesse dado ao trabalho de olhar.

Das raparigas erradas na altura errada nem vale a pena falar, é a maior de todas as caixas, e são todas aquelas por quem nunca tive qualquer interesse, todas aquelas raparigas que sei que conheço mas troco-lhes o nome com alguém parecido, os números desconhecidos nas mensagens de boas festas que se despedem com um beijinho e que eu nunca vou saber quem são.

As raparigas erradas na altura certa, lamento dizer que também não é uma caixa pequena, todos os engates inconsequentes, todos os romances de uma noite, todos os erros, os impulsos, tudo aquilo que não deu em nada e que nunca foi suposto dar em nada, aconteceu por acontecer, sem se pensar mais nisso.

As raparigas certas na altura errada. Todos os amores que não deram certo, todas os namoros que chegaram ao fim, os nós na garganta e aquilo que podia ter sido, as vidas que nos passaram ao lado. Todas aquelas que não consigo esquecer, em quem penso quando me sinto sozinho, e em como tudo tinha dado certo se isto ou aquilo tivesse sido diferente. É com as raparigas certas que as coisas se complicam, e por mais que tentemos uma e outra vez, não as conseguimos tirar das caixas onde pertecem, e nela fica para sempre. Não há-de haver uma altura certa, para aquela que entrou na nossa vida fora de tempo.

A Zá, se me cruzasse com ela na rua amanhã, apaixonava-me na hora e passava o resto da vida com ela, não tenho dúvidas de que éramos felizes os dois, mas conheço-a há demasiados anos, tantos que quando demos conta do amor que havia, era tarde demais para sermos amores, e tarde demais para continuarmos amigos. A Elsa, se pudéssemos escolher quem amar, ela escolhia-me a mim, e eu escolhia a ela. Sabemos os dois que em teoria somos o casal ideal, mas a teoria aplicada à prática nem sempre dá resultado, e qualquer tentativa de sermos algo mais, põe em risco uma amizade sem a qual já não consigo viver, e ainda que tenhamos tudo a ganhar, temos demasiado a perder.

Todos os namoros que não deram certo, e a certeza de que agora não iam sofrer de nenhum dos problemas que tiveram antes, já que elas foram para o rapaz que se seguio, tudo aquilo que nós queríamos que elas tivessem sido e o não serem por detrás de todas as discussões que então levaram aquele fatídico fim. Os erros que se cometem uma vez e que depois se aprende, e que a elas calhou a terem de o aprender connosco, e a namorada exemplar que foram (que ainda são) para o próximo namorado, que já não somos nós. A questão que vos vai tirar o sono é a dúvida de que até que ponto, é que ser a rapariga certa na altura errada para nós, não fez dela a rapariga certa na altura certa para outra pessoa qualquer, por tudo aquilo que a nossa relação lhe ensinou, e os erros que nos mataram que ela não voltou a fazer... a Tânia, a Andreia, exemplos clássicos, gritantes! de raparigas que agora seriam a certa, mas que vieram na altura errada.

E por fim, aquilo com que todos sonhamos, aquilo que todos queremos, a rapariga certa, na altura certa, "alguém que se reconheça por entre a multidão, sem hesitar" e seja tudo aquilo que sonhámos, e apareça na altura em que mais precisamos dela. Devia bastar para se ser feliz, não é? Não é justo. É difícil quanto baste encontrar a pessoa certa, e muito mais difícil encontrá-la na altura certa, na altura certa para ela, na altura certa para nós. Soa quase impossível, e quase que é, quase.

Mas encontrei-te. Eras tudo o que eu queria e chegasta na altura em que eu mais precisava de ti. Vivemos uma vida inteira em 4 meses, e fomos felizes. Obrigado por todas as gargalhadas, por todas as recordações, a nossa casa, a nossa passadeira, por tudo aquilo que me fizeste ver, tudo o que me mostráste, a tua paciência para o meu inglês sofrível, por tudo aquilo que aprendi contigo, por me teres ensinado que até a altura certa chega ao fim.


I would have followed you to end of the world; I would have waited for you down the aisle; I would have loved you forever.

For Lacey Berkshire, a minha rendinha.
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