Trivial Pursuit

O coração é um dos músculos mais fortes temos, e sabendo eu aquilo que ele sofre, não podia ser de outra maneira.

José Risques, Versão 5.0

Tenho 28 anos, e estou a morrer, um bocadinho a cada dia, mais dia, menos dia agora, mais mês menos mês, já falta pouco, não faz mal, não é a primeira vez que eu morro, e com sorte, não vai ser a ultima, e vou morrer muitas mais vezes, até chegar a vez em que morro, de vez. É que desta, e das outras vezes que já morri, nasce um bocadinho novo, por cada bocadinho que morre. Quero acredita que o próximo, o novo Zé, vai ser melhor que este, mais inteligente, mais sensato, se não for pedir muito, um bocadinho mais alto, como que uma versão melhorada do Zé que havia antes.

A primeira vez que eu morri, tinha 7 anos, vejo-o em fotografias na maternidade, no berço, ao lado da Inês quando ela nasceu e consigo ver que ele foi feliz, acredito piamente que ele o mais feliz de todas as minhas versões que já viveram, nunca teve nada com que se preocupar, e é certo que tinha um bocadinho de dificuldade a pronunciar os L's, mas não me parece que isso fosse algo que preocupasse alguém com 3 anos. Esse Zé não era filho de pais separados, tinha duas avós, e um avô, uma bisavó, uma irmã bebé e todos achavam que ele era um milagre, e viveu e morreu sem uma única preocupação no mundo.

O Zé que lhe seguiu não foi tão feliz quanto o primeiro, teve uma vida bem mais complicada, perdeu um avô e a lembrança da noite em que o telefone tocou com as notícias ficou até ele morrer também, mudou de escola e ficou sem amigos, um ano depois mudou de escola outra vez, e outra vez perdeu os amigos que tinha feito, teve de ser operado, viu os pais divorciarem-se. Dizem que Deus nunca nos dá mais que aquilo que conseguimos aguentar, mas se calhar Deus esperava demais de um rapaz de 14 anos, e esse Zé morreu também.

E nasceu o Zé antes de mim, e se alguém achava que tinha sido complicado antes, ninguém podia tê-lo preparado para o que o esperava. Teve de crescer sem um pai, partiram-lhe o coração mais vezes que aquelas que ele se consegue lembrar, a primeira namorada que ele teve traiu-o com o melhor amigo, mudaram-no outra vez de escola, e ele, estúpido, pediu para voltar para a antiga, e voltou, para outra turma que foi o mesmo que nada, um ano mais tarde mudou outra vez de turma, e quaisquer amigos que ele pudesse ter feito, iam-se perdendo pelo caminho, e ele acabou sempre sozinho. Chegou ao secundário e perdeu-se com más companhias, ou se calhar era ele a má companhia para os outros, chumbou dois ou três anos, confusões, cenas de pancada, problemas com a polícia, foi a tribunal, estava visto que ora acabava preso, ou morto... e com 21 anos, tal como os Zé's antes dele, morreu.

E apareci eu, e a verdade, é que mal posso esperar para morrer, ganhei um pai, mas perdi uma bisavó, passei grande parte dos anos que me foram dados a remediar as asneiras que o Zé que veio antes de mim criou, mas não o culpo por nada, ele não teve a vida nada fácil, que descanse em paz, propus-me a resolver aquilo que ele deixou pendente, fui a tribunal por aquilo que ele fez, e resolvi isso também, entrei para a faculdade, tirar o meu curso, arranjei um estágio que com sorte vai tornar a vida do Zé que vier a seguir um bocadinho mais fácil. Fiz o melhor que pude, nos 7 anos que me foram dados, esforcei-me para ser o melhor Zé que conseguia ser, espero que tenha sido o suficiente, mas estou cansado, esta vida exige demais da gente, mal posso esperar para que a minha hora chegue e possa tambem eu descansar, dar lugar ao proximo Zé que há-de vir.

Sinto-me a ir aos bocadinhos, uma célula de cada vez. Cada célula tem uma esperança média de vida de 7 anos, e passado esse tempo, morre, e quando morre, vem uma célula nova para ocupar o seu lugar. E assim, de 7 em 7 anos somos uma pessoa nova, feita de células completamente diferentes daquelas que nos faziam antes. Tenho 28 anos, 7 vezes 4, já está na hora, sinto-as a morrer, uma a uma, de cada vez, as do coração foram as primeiras a ir, sofreram demais este 7 anos, custa a crer que tenham durando tanto, sabendo aquilo pelo que elas passaram, depois foi o cérebro a ir, sem surpresas, pensou demais, trabalhou de sobra, deixá-o ir, deixá-lo morrer, deixa o corpo seguir-lhe, deixa o próximo Zé chegar, deixa-o começar de onde eu parei, que faça melhor que aquilo que eu fiz, ele seja melhor que aquilo que eu fui.

Saying Something!

Relationships don't work they way they do on television and in the movies. Will they? Won't they? And then they finally do, and they're happy forever. Gimme a break. Nine out of ten of them end because they weren't right for each other to begin with, and half of the ones who get married get divorced anyway, and I'm telling you right now, through all this stuff I have not become a cynic. I haven't. Yes, I do happen to believe that love is mainly about pushing chocolate covered candies and, y'know, in some cultures, a chicken. You can call me a sucker, I don't care, because I do believe in it. Bottom line: it's couples who are truly right for each other wade through the same crap as everybody else, but the big difference is they don't let it take them down. One of those two people will stand up and fight for that relationship every time. If it's right, and they're real lucky, one of them will say something.
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