Voyager Golden Record

No verão de 1977 a NASA lançou a Voyager 1 e Voyager 2, as naves tinham com o objectivo estudar os planetas Júpiter e Saturno numa missão de 5 anos. Depois de bem sucedidas nas suas missões, os cientistas da NASA acharam que era possivel re-programar as Voyager para, e já que estavam na vizinhança, seguirem viagem até Urano e Neptuno, e as Voyager seguiram assim viagem até aos gigantes longiquos do nosso sistema solar, e a missão de 5 anos, estendeu-se por outros 7, para um total de 12 anos. Em 1998, a Voyager 1 passou a Pionneer 10, e tornou-se assim no objecto construido pelo Homem mais distante do nosso planeta.

Mas por mais fascinante que tudo isto seja, não foi por isso que falei nelas. Com as Voyager, a NASA enviou um disco de bronze banhado a ouro, o "Voyager Golden Record", com sons e imagens da Humanidade e da Terra, na esperança que num futuro distante, alguém numa galáxia longinqua o encontre, e fique a saber nós, aqui, sozinhos, neste cantinho do universo. Mas o espaço é grande e as Voyager pequenas, tanto que o mais certo é nunca ninguem as encontrar, mesmo que daqui a 40.000 anos, a Voyager 1 passe a "apenas" 1,6 anos-luz da estrela AC+79 3888 na constelação de Ophiuchus.

Na verdade, o objectivo do Voyager Golden Record, é o de ser uma cápsula do tempo, uma declaração simbólica do nosso mundo e de quem somos, mais que uma tentativa de comunicar com vida extra-terreste.

E é aqui que as coisas encaixam, este blog, tal como o disco dourado das Voyager, não tem pretensões a mudar o mundo, ou re-inventar o modo como a humanidade se vê, pouca gente sabe dele, e eu não faço questão de falar. Este blog é assim uma capsula do tempo mais que outra coisa qualquer. É escrito por mim, independente de toda a minha estima por aqueles que aqui passam para o ler, é escrito para mim, para tambem eu num futuro distante, me possa lembrar de quem fui quando era mais novo.

No outro dia decidi tirar a Nintendo 8 bits de dentro da caixa que a guardava, escondida no fundo do roupeiro, e para lhe chegar, tive de abrir caminho por uma série de livros da primária, cadernos antigos com uma letra que já nem reconheço como minha, mas minha, e escrito nessa mesma letra, uma lista com o titulo "Os Nomes Meus Colegas" do tempo da minha 3ª classe no Queen Elizabeth School:

Ana Inês Pimentel Alves Carvalho
Candice Anita Clara Machado
Carlina Gauvinet de Andrêa e Sousa de Oliveira
Clara Patrícia Costa Faveiro
Frâncisca Castanho Lombo da Cunha Rêgo
Guilherme Xavier Brito Machado
Hugo Marques Ventura da Luz
Inês Maria Amorim Pacheco
Inês Pereira Marcelly Coelho de Carvalho
Ivân Silvand Graça Abrantes
Jaime Manuel Carvalho Vicente
Joana Concha Morgado Bernardino Bogarim
Joana da Silva Teodoro
José Joaquim Serrano Laboreiro de Paula Risques
Margarida Almeida Quintino
Paulo Mendonça Jorge Duarte
Pedro Tiago Amarao Loves Palhota de Matos
Rui Miguel Sousa Henriques
Shamez Pyarali Amarshi Jamal
Tatiana Ventura Bernardo Machado
Valerie Ann Lynce de Faria

... e aqui ficam, numa versão muito mais modesta que a da Voyager, a minha capsula do tempo, e os nomes deles lançados no universo na esperança que eles os encontrem, e que ao os encontrarem, me encontrem a mim também.
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