Finalmente, o amor.

Esqueci-me o nome de uma das miudas com quem andei. Não é bazófia, é a verdade, e provavelmente diz-vos muito mais da minha capacidade para memorizar nomes que o que vos diz da extensa lista de ex-namoradas, que adianto-vos já não ser assim tão extensa nem tem assim tanto nomes, mas aparentemente tem já um nome a mais que aqueles que devia de ter, nem que seja só um a mais, foi esse um que acabou por fazer a diferença.

É sempre igual, e foi preciso chegar a este ponto ridiculo para me dár conta disso. É tudo perfeito quando começa, o fogo da paixão arde mais quente que nunca e não nos conseguimos largar, não pensamos em mais nada, não queremos outra coisa. Eventualmente os meses vão passando e as coisas arrefecem porque não teem como não arrefecer. É lógico, é mais que lógico, é natural! Começamos a olhar para outras raparigas e a pensar em como seria diferente com elas, diferente daquilo que temos com o amor de agora, e começamos a minar a relação em que estamos a pensar em como seria com outra qualquer, uma mais certa, e se as coisas não iam arrefecer como arrefeceram com a nossa, que ainda que tenha começado como certa, tão depressa se tornou na errada. Achamos que é deixár de gostar, que os nossos sentimentos mudaram, que se o fogo que havia inicialmente se extinguiu, então é porque não é ela o amor da nossa vida, com quem é suposto ficarmos, que não era ela a tal. E acabamos.

Eventualmente conhecemos outra pessoa qualquer e temos a certeza que ele é que é. Que é tão mais sexy que as outras (não é), que é tão mais interessante que a nossa ex (não é), tão mais gira, boa, alta, divertida que todas as outras raparigas que conhecemos (não é, não é, não é, não é!). E começa tudo outra vez, até esse fogo passar tambem e tudo acalmar, como é suposto, como é natural quando deixa de ser novidade, quando nos habituamos ao corpo um do outro e perdemos a conta ao numero de vezes que estivemos juntos. E voltamos a olhar para outras raparigas, que parecem tão mais giras que a nossa, que agora que olhamos para ela, não é tão sexy quanto achavamos que era ao inicio (ainda é), tão interessante (ainda é), tão gira, boa, alta ou divertida (ainda é, ainda é, ainda é, ainda é!), tanto que é, que vai ser para o tipo que vier depois depois de nós, para quem ela vái ser tudo aquilo que foi para nós ao inicio, quando tudo começou, antes do hábito lhe roubar o encanto. E acaba tudo outra vez, para começar outra vez com outra qualquer, para tambem isso acabar vitima dos mesmo sintomas que todas as relações que vieram antes tiveram.

E um dia, seja porque motivo for, tentas lembrar-te do nome de todas as raparigas que já achaste que eram a tal, e não consegues, e falta-te um nome, e dás conta que te escapou o obvio. Que estavas tão empenhado a procurar um amor que não se desvanecesse ao fim de um par de anos, que nunca desta conta que é mesmo assim que o amor é, e que o atenuar da chama da paixão, e tão sinal de amor, quanto a intensidade com que ela arde de inicio. Que é a maneira que o amor tem de dár lugar a outras coisas e te preparar para o próximo passo, para os planos a dois, os projectos a longo-prazo, o casar, o ter filhos, e o resto da vida. Muitas vezes o problema é nós não estarmos preparados para o próximo praso, e deixarmo-nos assustar com aquilo que está a acontecer, e saltamos fora de uma relação para cair dentro de outra que eventualmente nos vái levar exactamente ao mesmo sitio.

Um dia atinge-te, que o amor, é mais que um sentimento, é um estado de alma uma predisposição do espirito. Faz-se amor, e sente-se amor, e no fim, vive-se o amor, por aquilo que ele é e aquilo que tem para no dár, e é muito mais que o fogo com que começa, é o que vem depois, quando ele esmorece, e o resto começa.
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