4000 from home, 40 from you.

Your hair is still everywhere, like the song. Found a few tenasiously holding on to the comforter, the pillows and those little blue blankets we used as drapes in our apartment in D.C., yeah, still sleeping in our covers, I guess I'm trying hard to hold on myself. Had another one on me after I wore that red jacket you've always hated. Everytime I find one, it still makes me smile. There were also twenty pence forgotten in the left pocket from the last time I was in London, the last time I was with you, the last time we were togehter and I would "wash away your fortune on Cokes". It made me smile too. Later I saw your doppelgänger at a bar dressed as Getty from your beloved Golden Girls. Thought it was you at first and my heart stopped, afterwards it raced trying to catch up. She was with some guy, they kissed. That made me cry. Before all this, no matter how far we were, you were never far from my mind. Now that I'm here, regardless of how distant we became, not only are you still never far from my mind, we're also never far appart. Hoped it would make a difference. It didn't, didn't change a thing, didn't bring us any closer, the harm was already done, and my only accomplishment, was ending up as far from home, as of being over you.

De vez em quando.

De vez em quando leio um texto ou uma frase, e gostava de ter sido eu a escrevê-la, e de vez em quando leio um texto ou uma frase, e gostava de ter sido eu a escrevê-la, e de vez em quando leio um texto ou uma frase, e gostava de ter sido eu a escrevê-la, e de vez em quando, fui.

My Blueberry Nights

"At the end of every night, the cheesecake and the apple pie are always completely gone. The peach cobbler and the chocolate mousse cake are nearly finished, but there's always a whole blueberry pie left untouched. There's nothing wrong with the blueberry pie, people just make other choices, you can't blame the blueberry pie, it's just... no one wants it."

Stopping By Woods on a Snowy Evening

Whose woods these are I think I know.
His house is in the village though;
He will not see me stopping here
To watch his woods fill up with snow.

My little horse must think it queer
To stop without a farmhouse near
Between the woods and frozen lake
The darkest evening of the year.

He gives his harness bells a shake
To ask if there is some mistake.
The only other sound's the sweep
Of easy wind and downy flake.

The woods are lovely, dark and deep.
But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.

Robert Frost

Compreendo Senhor!

Todos aqueles que acham a minha vida fascinante não fazem ideia da imensidão de maneiras em como a fodi por fazer tudo aquilo que outros têm como fascinante. Todas as viagens ou o ir para fora, a minha faculdade Americana e as “cheer leaders”, tudo aquilo que visto de fora pode até parecer invejável, visto de dentro condenou-me a uma vida miserável e a certeza de que nunca hei-de ser feliz.

Até vos podia dizer que a razão pela qual nunca vou ser feliz, é porque ao fazer tudo isto, abri uma porta que não pode mais ser fechada. A Patrícia odeia que eu diga isto, mas a ignorância é mesmo uma bênção, e todo o "mais vale ter amado e ter perdido, que nunca ter amado de todo" foi obviamente dito por alguem que não ama como eu amo, e sem sombra de duvida não sofre como eu sofro quando tudo acaba e tenho de apanhar do chão o milhão de cacos em que me parto. E por mais tempo que eu leve a tentar junta-me outra vez, nunca fico a mesma coisa e nunca volto a ser o mesmo. Sou o remendo daquilo que comecei por ser, e há muito que deixei de lhe fazer justiça.

Podia dizer-vos que é por ter trazido para a minha vida o conhecimento de tudo aquilo que lhe passa ao lado e faz com que seja impossível contentares-te com metade daquilo que o mundo tem para oferecer, agora que sabes que a outra metade lá está. Antes de ter morado em Washington, ou antes de ter vindo para o Indiana, Portugal e a Europa chegavam e tinham tudo aquilo que eu precisava para ser feliz. Agora sinto-me como a Sofia, a escolher entre um de dois amores sabendo à prior a falta que o outro vai fazer, seja qual for a metade que eu decida deixar para trás.

Gostava de vos conseguir explicar que as saudades vão ocupando o espaço deixado vazio por cada bocadinho que fica em cada lugar que passo, cada rua em que morei e em cada amigo que faço e leva com ele um bocado de mim ao partir. Estou espalhado por mais sítios no mundo que aqueles que consigo dizer, mais que os que me consigo lembrar, sítios a que nunca hei-de ir ou a que nunca hei-de voltar, ruas nas quais não vou passar com gente que nunca vou voltar a ver. Estou dividido em pedacinhos tão pequenos, espalhados por lugares tão distantes, guardados em amigos tão longinquos que são impossíveis de recuperar. Nunca hei-de ser inteiro outra vez, e já todo eu sou saudade.

Podia-vos dizer que é porque não tenho amigos. Os amigos de Portugal seguem com as vidas deles sem que eu faça parte delas, e quando volto, o espaço que era meu foi ocupado por outros amigos ou outras coisas, e não há mais lugar para mim. Os amigos daqui, vêm todos com um prazo de validade, e afeiçoar-mo-nos a quem nos vai deixar é amplificar a já de si gigante dor de ir embora, e quando eu for, tambem as vidas deles vão continuar como se eu nunca tivesse feito parte delas.

... e ainda que tudo isso seja verdade, não é por isso que eu sei o triste fim que me espera.

Nunca fui muito religioso, mas acredito que até isso é birra de adolescência e à medida que vamos ficando mais velhos e somos confrontados com a nossa mortalidade ao ver os anos passarem, sentimos a necessidade de acreditar em qualquer coisa, o conforto dum propósito para tudo aquilo que acontece, um bem maior se quiserem, e começas a acreditar tu também em algo ou alguém cuja designios rejam tudo aquilo que acontece. Se calhar não é tanto o acreditar como o querer acreditar, mas é acreditar ainda assim, e a razão pela qual eu não vou ser feliz, é porque Deus nunca o há-de deixar.

Maior parte das pessoas contenta-se, conforma-se, desiste da vida que sonhou porque dá demasiado trabalho ou requer demasiado esforço ou sacrifício. A verdade é que 90% das pessoas não vivem a vida que sonhou e há muito que deixou de lutar por aquilo que queria quando algures pelo caminho se deixaram vencer pelo comodismo daquilo que apareceu pelo caminho, porque estava mesmo ali e não dava trabalho, porque faz mais sentido um pássaro na mão, que os dois a voar, quando nem sequer sabemos se há mais passaros no mundo ou onde quer que seja, e é só a fé que nos move. A ideia de que se não desistirmos daquilo que queremos, eventualmente o conseguimos e que só falhamos no dia em que deixarmos de tentar. Ter fé é complicado por definição, como é que nos agarramos a algo que não é palpavél? Que não vimos, não cheiramos, que a maior parte das vezes nem sequer sentimos quando o contrario é tão fácil, e esta mesmo ali à nossa frente? Mesmo que não seja exacta, ou mesmo remotamente, aquilo que sonhámos. Normalmente, quase sempre, qualquer coisa é melhor que coisa nenhuma.

Vim para o Indiana tentar reconquistar a miúda dos meus sonhos. Não vai acontecer, naturalmente, mas para o bem do argumento, vamos imaginar que eu conseguia? Imaginem todos os amores que acabaram por ele ou ela a/o deixar fugir e não correram atrás como eu corri? Por não deixaram tudo para trás atrás dum sonho que tiveram e que não quiseram que acabasse! Se nós voltássemos, que ideia passava para o resto do mundo? Para todos aqueles que desistiram? Passava a ideia de que o tinham conseguido também se se tivessem dado ao trabalho de tentar. Que podiam estar a viver a vida que sonharam, ao lado de quem sonharam, antes de se venderem ao plano B da vida em que acabaram.

Mas ninguém tenta, ninguém se esforça, ninguém faz o que eu faço, eu sou a excepção que nunca desiste e que depois de ir ao tapete, se levanta, sacode o pó e se volta a atirar de cabeça sem nunca aprender a lição na esperança que no fim tudo faca sentido. Ninguem disse que ia ser fácil, a unica coisa que prometeram foi que ia valer a pena, e como tal nego-me a abrir mão da vida que sonhei para mim!

Sei lá, faz matematicamente sentido e quero acreditar que Deus é um tipo que se deixa guiar pela lei dos grandes números, um fã da probabilidade e estatística, e o bem maior requer que eu não seja feliz, para que a maioria possa continuar medianamente feliz na vida que os escolheu, ao invés da vida que eles escolheram, e ter-me a mim como exemplo. Aquele que tentou mais que eles, e que nem por isso conseguiu melhor, que apesar de todos os meus esforços titãnicos, das minhas entregas desmedidas a histórias de amor absurdas, no fim, acabei com uma vida tão miserável quanto a deles, e que não faz mal não terem tentado, porque tentar não é sinonimo de conseguir, e no fim, não só eles conseguiram tanto ou mais que aquilo que eu consegui, como o conseguiram muito mais cedo por não terem perdido tempo nestas aventuras ridículas, em busca de nem sei bem o quê.

E como acredito em Deus, acredito no céu, e sei que quando lá chegar, o Senhor me vai chamar à parte, congratular-me por tentar com uma pancadinha nas costas e pedir-me para compreender, e vai dizer que nunca me podia deixar ser feliz para o bem de todos os outros, que não foi nada pessoal, que dei um óptimo espectaculo, e fui divertidissimo de acompanhar, um dos Seus preferidos, mas que ao fim do dia foi tudo uma questão de números, e no grande plano, um sacrifício necessário para o bem maior!

Too Soon To Joke?

"I've learned that you can't make someone love you. All you can do is stalk them and hope they panic and give in."

In today's news!



http://www.youtube.com/watch?v=drB6-B9piPE
http://www.youtube.com/watch?v=kTyxoES3J6I

"Maybe you won't mean to but you'll see me on the news
And you'll come running to the corner
cause you'll know it's just for you..."

Bye Bye Blackbird

This isn't what I wanted, but I'll take the high road. Maybe because I try to look at everything as a lesson, or because I don't want to walk around angry anymore, or maybe it's because I finally understand. There are things that we don't want to happen but have to accept; things we don't want to know but have to learn; and people we don't want to live without... but have to let go. <3

Compromise 101

Sonhar é muita fácil não é? Imaginámos um cenário qualquer, ou como gostávamos que a nossa vida fosse daqui a 20 anos, damos largas à imaginação, e voilá! Tá feito, não tem nada que saber e a dificuldade é zero! Dizemos aos amigos aquilo que imaginámos para nós ou o rumo que queremos que a nossa vida tome, os nossos objectivos a curto, médio e longo prazo, e tentamos convênce-los de que os nossos sonhos não é assim tão inatingiveis e que as coisas ate vão bem encaminhadas. E quando a nossa vida não se desenrola de acordo com o que sonhamos, bem, melhor ainda! Ou pelo menos é a ideia que todos aqueles que viram os sonhos que andavam a apregoar a meio mundo sair furados nos andam a tentar vender, em como ver o sonho duma vida desfeito em cacos, foi a melhor coisa que lhes aconteceu. Fascinante!

Ia começar pela Liliana mas a Liliana vai ter de esperar porque um outro valor mais alto se alevanta!

São de longe o meu casal preferido pelo ridículo daquela relação, vamos chamar-lhes a Tânia e o Velmo, para preservar o seu anonimato. O Velmo é um granda falhado, não há volta a dar-lhe e ao fim do dia é importante chamar as coisas pelos nomes. Mas claro que o Velmo, pois então, o Velmo acha que não é culpa dele, e o universo não passa duma enorme conspiração para lhe arruinar a vida. Pobre Velmo não conseguiu entrar para o curso que queria porque, e cito "é impossível entrar para o curso que se quer porque as médias são altíssimas", o que o Velmo não percebe, é que a razão pela qual as médias são altíssimas, porque graças a Deus, há gente mais inteligente, mais esforçada ou mais dedicada que ele, que lutaram por aquilo que queriam, e como tal, esforçaram-se para ter uma boa média para entrarem para o curso que gostavam. O Velmo não vê isso, e de costas voltadas ao sistema, vê-se obrigado a entrar para uma Engenharia Electrotecni..nguem quer saber na Universidade do Algarve e surpresa das surpresas, e não o consegue acabar, porque e cito "é um curso impossível de acabar, e as cadeiras impossíveis de fazer" sem dar conta que se calhar só é impossível para ele que está longe de ser o expoente máximo da raça humana.

Mas aos olhos do Velmo, é Portugal que anda a ver se dá cabo dele, e se ele está obviamente certo e Portugal errado, e ele não vai mudar, tem de mudar-se, e isto é comum neste tipo de gente, desenvolver desde tenra idade um fascínio pelos Estados Unidos, já que tudo o que ele é não chegou para vingar no pais de origem. Mas a culpa não é dele, é o ser de todo impossível vingar em Portugal, ou na Europa, e qualquer historia de sucesso são a excepção que confirma a regra, uma aberração da natureza ou puro golpe de sorte. A única coisa para que Portugal serve, é para puxar galões na hereditariedade Europeia de que gosta de se gabar, sem o coitado perceber que a razão pela qual é Europeu, foi por ter nascido em Portugal, e so é uma porque é a outra, e não se pode ser só uma, já que as duas são indissociáveis uma da outra!

Quem é que está à espera do lado de lado do mundo? A Tânia, cujos pais há 20 anos, fizeram exactamente a mesma coisa, foram para os Estados Unidos à procura duma vida melhor que aquela que conseguiram para eles em Portugal, mas com uma diferença fundamental, humildade aos montes! Sem rancor nem um dedo rápido no gatilho quando toca de dizer mal do sitio onde nasceram, tanto que sonham para a filha, um marido português, que a mantenha em contacto com tudo aquilo que eles deixaram para trás. Ora bem, junta-se a fome à vontade de comer, e o Velmo conhece a Tânia, começam a namorar, e num gesto de puro *cof* romantismo *cof*, ele decide ir para os Estados Unidos ter com ela, e mudar-se para a casa dela, e por dela, leia-se, dos pais onde ela ainda mora.

Nos primeiros tempos, o Velmo não faz nada, e é um caso de sucesso tão estrondoso nos Estados Unidos como o que era em Portugal, e se o pais agora é outro, conseguem ver a constante? Eu consigo!

Mas isto tudo é contextualização, esta é a parte que importa! Eventualmente o visto provisório do Velmo vai expirar, e Deus proíba que ele tenha de voltar para o caso perdido que é Portugal. Depois de ter tentado por todos os meios renovar o visto, mas ouvi dizer que é preciso ser a entidade empregadora que faz questão de não o perder como trabalhador a tratar disso, é natural que as coisas se tenham complicado para o Velmo, mas ele é um tipo cheio de recursos, aliás, ele leu o Segredo, logo o mundo não lhe reserva mais nenhum.

Num rasgo de génio, e mais uma vez, motivado pela mais pura noção de romance, que reconhecemos dos filmes lamechas das tardes de chuva enrolados na manta em cima do sofá, *cof* *cof*, também ele enrolado numa manta em cima do sofá cama na cave da casa dos pais da namorada, onde sim, ele um ano mais tarde ainda mora, entre uma explosão e outra do filme sacado da Internet na noite anterior, ele vira-se para a Tânia e diz "tava aqui a pensar se não querias casar comigo" e entre um mergulho e outro da mão dela no balde das pipocas, ela diz que sim, e na televisão explode outra coisa qualquer.

E agora a parte gira que motivou tudo isto para ver se chegamos à parte da Liliana.

Passados uns tempo, muito pouco tempo depois eles casaram para o Velmo e a Tânia poderem ficar juntos, porque o amor é lindo, ou se calhar para o ver se o Velmo não era corrido do pais pelos serviços de imigração, mas isso sou só eu que sou um cínico nestas coisas de amor e acredito piamente que o romance está morto, e foi o Rock & Roll que o matou.

Um ano depois, estamos todos sentados num Starbucks a vê-los tentar vender-nos a ideia de que o casamento é só um papel, que não significa nada e que não tem qualquer impacto na nossa vida, para lá do, deixar-nos ficar no pais da miúda com quem casamos, essa sim é a parte que importa, tudo resto, como luas-de-mel e bodas de prata e de ouro e o vestido de noiva dos sonhos dela, são coisas de gente desligada da realidade e com noções ultrapassadas de romance, porque eles é que sabem!

... e sabem que mais? Pois sabem! Porque só se vive uma vez, e eles precisam de acreditar piamente em toda aquela conversa de chácha para conseguirem continuar a ser medianamente felizes na vidinha que levam. Pobres deles se vissem, ou melhor, se tivessem continuado a ver o casamento por tudo aquilo que ele é suposto representar e o impacto que tem na nossa vida, em vez de uma maneira de contornar o sistema para que ele não fosse deportado. A parte chata é a Tânia que vive sem saber se o marido casou com ela por amor, ou por conveniência, ou pior que isso, é até saber e não gostar da resposta que encontra. Pior ainda quando à mesa do jantar, vê o marido dizer de peito cheio "Eu queria vir para o Estados Unidos, e arranjei maneira de conseguir!". Ouch! Claro que o que ele quer dizer é que foi por amor, que é uma coisa linda, e que o casamento é só um papel que não importa nada, que remédio né, mal deles se importasse, mas meus amigos, "whatever gets you through the night"! (;

E agora a Liliana, em quem eu acabei de descarregar há umas horinhas atrás e que mereceu cada palavra do que acabou de ouvir.

Desde as ultimas vezes que saiamos juntos que eu ouvia Liliana a falar com um brilhozinho nos olhos e uma tremura da voz da ambição com contornos de sonho que era comprar a casinha dela com vista pá baía do seixal! Ficar perto do trabalho, e sentar-se no parapeito da janela com uma chávena de chá a ver a lua reflectir na água. E sejamos sinceros, quando a casa dos nossos sonhos tem vista pá baía do Seixal, até não estamos a sonhar muito alto.

Hoje, finalmente a Liliana contava-me o quanto entusiasmada estava por ter finalmente conseguido a casa dos seus sonhos, a excitação por detrás de cada coisinha que comprava, as borboletas na barriga com o enxoval, e a contagem decrescente até ao dia de S. Receber para uma tarde em cheio no IKEA. Contava-me em como a casa de banho ia ser um sonho, e o quão desejosa estava de comprar o quarto, e tornar cada cantinho da casa dela na Moita, A-D-O-R-Á-V-E-L-!-.

... esperem? Eu disse Moita?

Disse Moita sim! Lembram-se da casa dos sonhos da Liliana? Aquela de há dois parágrafos acima tinha vista para a baía do Seixal e da janela se via a lua reflectida na água? Pois, afinal não é no Seixal e diz que não há água por perto. Afinal era Moita, a Liliana é que não sabia. Ela achava que era no Seixal, mas isso era só porque ela estava confusa. Ficar perto do trabalho? Era confusão também, o que ela queria dizer era ficar perto dos pais! Porque a Moita tá só a 10 minutos, e o Seixal... bem... a uns bons 12, e com o universo a expandir-se, sabe-se lá onde é que ele não vai parar! Mas esperem, há melhor ainda, fica só a 1 minutos DO ginásio! Sim, DO, e não DUM, porque é o tal, o ginásio de todos ouvimos falar e nunca conseguimos encontrar, o mito, o unicórnio dos ginásios, o único de Portugal. Há-de o inferno gelar antes do Seixal ter um ginásio também.

E sabem que mais, não me incomoda nada. Tiveram de casar para o Velmo não ser deportado? Epah, o que tem de ser tem muita força, e pelos vistos teve de ser. Querias comprar uma casa no Seixal e por força das circunstâncias tiveste de alugar uma outra na Moita? Epah paciência, baby steps, acho óptimo que estejas entusiasmada com a casa nova, mas poupem-me os póneis e os arco-íris, a chuva de chupa-chupas e nuvens de algodão doce, e deixem de tentar convencer-me que afinal este é que sempre foi o vosso sonho de criança porque sabemos os dois, ou os quatro, bem melhor que isso, e a minha tolerância para hipocrisia é zero!

Se querem saber a verdade, até vos invejo! Invejo essa vossa capacidade abdicar daquilo que sonharam, daquilo que VERDADEIRAMENTE SONHARAM, à troca da óbvia atracção pelo caminho que oferecia menos resistência. Adorava ser assim, mas sou parvo, insisto em querer para mim a vida que eu acho que mereço, a vida com que sonhei e me recuso a abrir mão, e puto, se eu sonho alto! Era tão mais fácil acordar um dia e dar conta que afinal o emprego dos meus sonhos é ser caixa do Modelo, e o amor da minha vida é aquela miúda de quem eu nunca gostei mas que sempre gostou de mim (desculpa lá Helena). Era tão fácil, se querem saber a verdade, até já tentei, mas não consigo, e não só vos admiro por conseguirem, como vos saluto pela facilidade com que o conseguem! Imagino que não deva ser fácil vergar o nosso desejo até ele caber no molde de seja aquilo que for que apareceu pelo caminho, e convencer-mo-nos a nós mesmo que foi isto que quisemos o tempo todo? Quanto tempo é que precisam de ficar sentadas no escuro e dizer a vocês mesmas - "Sempre quis morar na Moita!", "Sempre quis morar na Moita!", "O Casamento é só um papel!", "O casamento é só um papel!" ... até começarem efectivamente a acreditar no monte de conversa fiada que se impingem? Sério, adora umas instruções!

Até digo mais, estou genuinamente feliz pela Liliana e pela sua casa nova, e ainda acrescento que tenho a certezinha absoluta, que logo logo, vai encontrar o rapaz dos seus sonhos, alto, esbelto com um corpo em 'V', bem-sucedido, carinhoso, que guia um todo-o-terreno e adora desportos ao ar livre! Ou se calhar conhece só um tipo qualquer que não é nada daquilo que ela imaginou, mas que é conveniente, e que ajuda nas contas da casa, e porque verdade seja dita, andar de camisa de flanela aos quadrados e pertencer aos forcados da Moita, também tem o seu encanto.

A Promise Made, A Promise Kept

Conhecemo-nos 3 dias depois de eu chegar a Washington, dia 8 de Setembro de 2009 na manhã de uma Terça-feira, conseguia ate dizer-vos a hora, mas pouco importa. Estavam todos os estagiários juntos para a apresentação, e entre eles, ela. Gostava de vos dizer que me chamou a atenção desde o momento que a vi, mas não é verdade, ou não tão verdade quanto o contrário, sei que ela gostou de mim desde que me viu entrar pela porta.

Almoçámos todos juntos nesse dia, almoçámos todos juntos o dia seguinte no terraço do Hall of State. Ela pediu-me para lhe dizer qualquer coisa em português e eu recitei um poema de Miguel Torga. Mais tarde voltámos ao trabalho e ela escreveu-me a pedir para traduzir fosse o que fosse que lhe tinha dito "in my devil speaking language", eu disse. A esse mail seguiram-se outros 737 ao longo de 3 meses, mas isso é adiantarmo-nos na história.

As primeiras semanas foram passadas a tratar do apartamento, a alugar mobílias ou a tentar ultrapassar/contornar todos os problemas que iam aparecendo pelo caminho, e ela, que não fazia questão de voltar para o quarto que dividia com a Kelly Miller, no 3° andar do numero 208 de Massachusetts Avenue, ia comigo, e eu agradecia pagando as bebidas na happy hour, no bar meticulosamente escolhido 10 minutos antes de sairmos do escritório. Caipirinhas em Chinatown, Margaritas em Dupond Circle, e entre umas e outras eu ia gostando mais dela, e ela apesar dos meus "double dips", quero acreditar que ela também, gostando mais de mim.

Passávamos as noites a trocar enormes mensagens no facebook que maior parte das vezes tinham de ser divididas por partes por serem demasiado longas para ser enviadas, escrevíamos um para o outro bem para la da hora de deitar, e combinávamos encontrar-nos no escritório dali a poucas horas junto à maquina do chá, e nunca estávamos muito tempo sem saber um do outro. Depois do English Breakfast Tea, trocávamos email até à hora de almoço, almoçávamos juntos, e voltávamos a trocar mensagens ate eu arranjava uma qualquer desculpa para passar pela secretária dela, nem que a desculpa fosse entregar-lhe uma Zebra para colorir porque ela dizia estar aborrecida, ela respondia com, "Zebras are already black and white, thank you genius!" e eu corrigia o meu erro com um cisne para colorir. E assim eram as nossas tardes até ser altura de sair, encontrávamo-nos na recepção, e descíamos juntos no elevador para outra happy hour num canto qualquer da cidade, eu de fato e gravata, ela de vestido e saltos altos, a fazer de conta que éramos crescidos.

Depois de duas semanas de tardes assim, depois de uma desculpa qualquer para passar a tarde com ela, levava-a a casa, que é como dizer que acompanhava-a ate ao prédio dela, para ter a certeza que ela entrava no prédio antes de voltar para o metro que me levava para Bethesda. Nessa noite, antes de me deixar ir embora, perguntou-me o que é que eu esperava dela, porque se era amigos que íamos ser, ela não podia alimentar por mais um minuto que fosse a ideia de nós os dois juntos, e precisava saber o que ia ser de nós. Eu meti o braço à volta da cintura dela, puxei-a de encontro a mim e beijei-a. Depois disse-lhe que não tinha a certeza se aquilo servia de resposta à pergunta dela, até porque em conversa já me tinha dito o quão importante o primeiro beijo era para o futuro das relações. Ela retorquiu "that did not break the deal!" enquanto atirava os braços à volta do meu pescoço e me beijava de volta. Não nos preocupámos em oficializar o namoro, mas daí em diante, tanto quanto queríamos saber, foi nesse dia que começou, dia 22 de Setembro, outra terça-feira, 2 semanas depois de nos termos conhecido.

Outras duas semanas depois, no dia 6 de Outubro do ano passado, há precisamente um ano atrás, o apartamento 412 do número 35 da rua "E" ficou disponível, e comigo desejoso de ter o meu apartamento, e com ela desejosa de se livrar da roommate, fomos morar juntos. A entrega das mobílias ficou marcada para o dia seguinte, mas assim que tivemos um sitio onde ficar os dois, já nenhum de nós quis sair. Há precisamente um ano atrás, estava sentado no chão do meu, desculpa querida, do nosso apartamento, a vê-la dormir no chão enrolada no meu edredon. Abri o computador e mandei-lhe uma mensagem enquanto a via dormir, na mensagem dizia -

"José Risques, 6 de Outubro de 2009 às 0:00

This is going to sound strange... but anyway.

You're here, lying asleep next to me while I write you this, I should wake you up and walk you home but I don’t have it in me to do it, you're the most beautiful thing I've seen, you look like an angel, wrapped like a burrito in my white fluffy conforter on the floor of my empty apartment, and maybe thats why I don’t want to wake you up, because I don't want you to leave, not now, not ever. I don’t want this night to be over. Sure, there will be other nights, I know, but not like this one, not again, you'll never look more beautiful and nothing will ever be as perfect as right now, with me sitting on the floor of my empty apartment with my back against the wall and my computer on my lap, watching you sleep. This is my memory, the one I'll keep with me for the years to come. Whatever happens next, this night will last forever.

... It’s 0.00, I'm going to wake you up now.

Love you.

Ze"


Carreguei em enviar, acordei-a e levei-a a casa. Depois dessa noite, nunca mais deixámos o nosso apartamento.

Eventualmente as saudades começaram a levar a melhor de mim e comecei a pensar no que era que eu realmente queria, e a verdade é que maior parte do tempo era voltar para casa, e não os Estados Unidos, e se não os queria na minha vida, não era justo, prendê-la a ela, a uma vida que eu não queria ter, ou a mim, a algo que eu sabia que não ia durar.

Ás vezes ia sair, e ela ficava em casa. No regresso a casa, alguma miúda se metia comigo no metro, e perguntava-me de onde ao ouvir-me falar com pronuncia, se eu não queria que ela voltasse para casa comigo, ou se não lhe dava o meu numero para nos encontrarmos durante a semana. E eu pensava na minha namorada, à minha espera no nosso apartamento, a namorada que eu tinha, na vida que não queria ter, e que devia era aproveitar ao máximo o meu tempo em D.C. e não me prender a algo que eu sabia agora não querer, e não era não a querer a ela, o problema nunca foi ela, o meu amor, era o egoísmo de querer aproveitar ao máximo o meu tempo em D.C. mesmo que isso significasse, levar para a cama miúdas que não me diziam nada, só porque aparentemente podia. Era a ideia de que para ficarmos juntos, a tinha de privar da vida que ela adorava, para uma outra que ela não queria ter, a minha, e "A bird may love a fish, but where would they live?"

Voltava para casa, e dizia-lhe que não estava a funcionar, que não estava a dar certo para mim, que queria acabar! E ela, o meu amor, pedia-me a chorar para não dizer isso, avisava-me que eram só as saudades de casa a falar e que eu não sentia nada daquilo que dizia. Pedia-me para pensar enquanto eu dormir, e ela, o meu bem, adormecia a chorar.

Na manhã seguinte acordava, olhava para ela a dormir ao meu lado, e passavam-me todas as saudades de casa, o meu anjo, acordava-a com um beijo, pedia-lhe desculpa e para compreender, que eu nunca tinha estado tão longe, e tão longe durante tanto tempo, e que custa e que eu estava a tentar lidar com tudo o melhor que eu sabia, e que às vezes não chegava. Houve mais noites assim, mas ela nunca desistiu de mim, e ficamos juntos até ao fim.

Moramos juntos 3 meses, e sim, as probabilidades estiveram sempre contra nós, não podíamos ser mais diferentes. Eu, um rapaz de Lisboa, a maior cidade do país mais ocidental da Europa, ela, uma rapariga de Logansport, uma terrinha no meio do Indiana no Mid-West dos Estados Unidos, com 7 anos de diferença que se conheciam há um apenas mês, a viverem juntos num estúdio com 20 metros quadrados, a trabalharem juntos, a almoçarem juntos, a jantarem juntos, a dormirem juntos, parece juntar todos os ingredientes de um desastre, mas não foi, e quando Dezembro chegou e cada um teve de voltar para a sua casa, em continentes diferentes, em lados opostos do mundo, nenhum dos dois quis que o nosso namoro acabasse, ainda que todos dissessem desde o início que a distância certificar-se-ia de que nunca ia dar certo.

E não era o fim, ela tinha sido aceite para um semestre na Universidade de Kent, em Canterbury, no Reino Unido, e se um oceano não chegava para se meter no meio do nosso amor, não iam ser 4 países que o iam fazer.

Estava desejoso de voltar para casa, matar saudades de tudo, e de todos, de Lisboa, dos amigos, das amigas, que vistas à distância confundi com amores mas que de volta a Portugal percebi que foram amigas o tempo todo, e na rotina dos dias, as saudades passaram, e a minha vida voltou ao normal, e as saudades que eu tinha, era de tudo aquilo que de anormal a minha vida tinha, tudo aquilo que a tornava interessante, e no cimo dessa lista, a minha namorada americana, tão diferente de todas as outra raparigas que eu conhecia.

Passei os dias desejoso que ela chegasse, tinha a passagem para Lisboa comprada à meses, e uma semana em Lisboa antes de voar para Londres, mas quando chegou, não era só o continente que era outro, ela estava diferente e as coisas não foram mais o mesmo. Uma semana depois voou para Londres, e duas semanas mais tarde, mandou-me uma mensagem a acabar comigo. Na mensagem dizia que tinha percebido que nunca havíamos de ser felizes a longo prazo. Que sabia o quanto eu não queria os Estados Unidos na minha vida, e que a imaginar uma vida comigo, tinha de abdicar da dela, e que este tempo em casa lhe tinha mostrado que nunca ia ser capaz de deixar para trás a vida dela.

Falamos os dois, e as coisas resolveram-se e continuamos juntos, e uma semana mais tarde, ela volta a querer acabar comigo, tal como das outras vezes em que eu queria acabar com ela, e que ela nunca deixou. E eu resolvi não deixar também. Voei para Londres para ir ter com ela, mesmo depois de todas as vezes que ela me disse para não ir, eu fui, porque também eu já tinha tido a certeza que não a queria na minha vida, e foi só quando voltei para a vida que tinha sem ela, que dei conta da falta que ela fazia.

Era um Sábado o dia em que fui ter com ela, e tentar reconquistar a minha ex-namorada, que jurava a pés juntos que não me queria voltar a ver. Acabei por ficar um mês com ela, e voltou a ser tudo como dantes, do acordar juntos ao almoçar juntos, ao jantar juntos e mais tarde adormecer lado a lado. Engoli todo o meu orgulho em nome do amor que lhe tinha, e porque sabia que quando a situação era a inversa, quando era eu a querer voltar para casa, ela nunca desistiu de mim, e que o mínimo que eu podia fazer, era não desistir dela também.

Um mês depois voltei para Portugal, e deixei-a Kent, e com uma certeza quase matemática, argumentando com as mesmíssimas palavras com que eu argumentava em D.C. queria acabar comigo outra vez. Percebi que a grande diferença entre o que tinha acontecido comigo, e o que estava a acontecer com ela, era que sempre que eu queria acabar, ela estava ao meu lado para não deixar, e que agora que ela queria acabar comigo, eu estava a 4 países de distancia. Ainda consegui fazê-la mudar de ideias da vez que estive lá para ela, como ela antes tinha estado para mim, mas não podia estar lá sempre.

Não havia então nada a fazer enquanto ela não voltasse para casa. Foi só depois de tirar as saudades de equação, que eu consegui ver a falta que ela me fazia, e resolvi fazer o mesmo por ela, mentira, por nós, ou se calhar só por mim, que morro só de me imaginar sem ela. Comecei a procurar uma maneira de voltar para os Estados Unidos, depois de ela voltar para casa, para poder estar por perto, quando as saudades de casa lhe passassem. Ela soube que eu vinha, e disse tudo aquilo que se lembrou para tentar fazer com que eu não viesse, coisas que doeram ouvir, mas que não bastaram para me dissuadir, ela nunca desistiu de mim, e Deus me livre se eu ia desistir dela.

Disse-lhe para não se preocupar comigo, que podia voltar para casa e para a vida dela e fazer de conta que eu nunca tinha feito parte dela, que eu não a ia incomodar de maneira nenhuma, mas que precisava saber que o que lhe estava a acontecer a ela, não era o que me tinha acontecido a mim, e não eram só as saudades a falar mais alto e a fazer-nos dizer coisas que não sentíamos, e se estar aqui, a 40km's dela, não mudasse nada, então eu ia saber que ela tinha razão, que não foram as saudades que mataram o nosso amor, foi ele que simplesmente morreu. Ela estava certa, eu estava errado, agora sei.

Prometi-lhe que ia estar aqui, bem pertinho dela, quando fizesse um ano do dia em que nós nos conhecemos, que ia estar aqui, mesmo ao lado, quando fizesse um ano do dia em que nos beijamos, que ia estar aqui, a escrever para ela outra vez, um ano depois, tal como escrevi para ela, enquanto a via dormir no chão do nosso apartamento, e estou.

Se calhar não é por ela, que aqui estou, se calhar é por mim, que vivia com o peso de consciência por não ter sido inteligente o suficiente para gerir as saudades, e ter prejudicado o meu namoro com alguém que merecia mais de mim. Se calhar estou aqui, pelo sentimento de culpa de não ter sido o melhor namorado que podia ter sido, o namorado que ela tinha merecido, mesmo quando ela dizia que tinha o melhor namorado do mundo. Aos meus olhos tinha de a compensar por todas as vezes que errei, e saber que fiz mais e fui mais longe para lhe mostrar que a queria, que as vezes em que lhe disse o contrário. Mas estou aqui, tal como prometi, ilibado de qualquer mal que lhe fiz, a 7000 km de casa, a 40 km dela. Ando há 10 meses a tentar compensar, o punhado de vezes que errei nos 3 meses de há um ano atrás, e pouco importa se ela foi tão pior para mim quando as saudades lhe tocaram a ela, é comigo que eu tenho de viver.

Se estão a pensar se fez diferença, se voltamos a estar juntos? Não, não voltámos, não a voltei a ver, eles tinham razão, não deu certo, tal como eles disseram que não ia dar. Se calhar a surpresa maior foi o ter durando o tempo que durou ao invés de como acabou. Mas não foi pela distância, nunca foi pela distância, tanto que um ano depois, eu ainda estou aqui, tal como prometi.



I told you I'd follow you to end of the world; I said I'd wait for you; I told you I'd love you forever... Would I lie to you?

For Lacey Berkshire, a minha rendinha. Sempre!
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