Future Me!

É o último dia do ano e estava aqui sentado a pensar na minhas resoluções para o ano que chega amanhã e como sempre deixei-me levar pela imaginação. Imaginei as minhas resoluções para o ano que virá depois deste e o seguinte e o outro. Quando dei conta estava a imaginar a minha vida daqui a 20 anos, e lembrei-me do site que a Carla me mostrou no outro dia, onde podemos agendar um e-mail para nos ser entregue na data que estipular-mos, e pensei no ia ter para me dizer daqui a 20 anos, e no e-mail que me ia enviar.

Fodeste tudo não fodeste? Eu sei que sim. Não moramos em Chicago pois não? Não guiamos um Aston Martin em British Racing Green para o trabalho e quase que aposto que não há uma loura de olhos verdes, com um nome que nos aquece a alma, como Haley, Catherine ou Elizabeth, que tratamos por "Liz" e nos faz lembrar a Rosamund Pike à nossa espera em casa depois de um dia de trabalho no jornal, que nos recebe com um beijo e um martini dentro dum vestido novo, como um episódio de "Bewitched". Não nos mudámos para os Estados Unidos e não nos casámos com uma americana adorável do Mid-West cujos pais visitamos fim-de-semana sim, fim-de-semana não, não foi? Pode dizê-lo, a verdade é que eu sempre soube que não ia acontecer. Deixaste-te engordar não foi, e toda a cera e gel e parvoíce destes anos deram-nos cabo do cabelo, desculpa lá, "ma bad!", podes tirar algum conforto em saber que ao menos isso não foi culpa tua e não havia nada que podias ter feito. Mas e o resto?

Estou-te a escrever isto do apartamento de Nova Iorque depois do estágio na faculdade do Indiana. Prometemos a nós mesmos que iamos voltar para Portugal daqui a uns dias, acabar as cadeiras que estavam penduradas do curso e conseguir uma bolsa para voltar para a IU em Agosto para o graduate program em Jornalismo. Tirar a pós-graduação e com o curso e a pós-graduação a acabados, concorrer a um trabalho em Chicago. O que é que correu mal? Onde é que falhámos? Quanto tempo passou até baixarmos os braços e deixámos a vida levar a melhor de nós? Quando foi que desistimos do nosso sonho? Por quanto é que o vendemos? Por que é que o trocámos?

Sim, por favor, diz-me ao menos que não foi desistir, que foi trocá-lo por um outro, mais realista, que nos fez tão mais feliz que as ridículas ideias utópicas dos meus 20 anos. Eu sei, eu sonhava tão alto que estávamos condenados ao fracasso desde o início, a culpa não foi tua, foi minha, que meti a fasquia tão alta que era impossível não a derrubar, por melhor que fosse o nosso salto. Mas diz-me que demos o nosso melhor, que nos esforçámos, que batemos a todas as portas, e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, e que no fim, não havia mais nada que pudéssemos ter feito, e que não há "Ses" a pesarem-nos no peito que nos fazem pensar naquilo que podia ter sido, se tivéssemos feito isto ou aquilo de maneira diferente ou se apenas nos estivéssemos esforçado mais um bocadinho. Está tudo bem, desde que me dês a tua palavra de que demos o nosso melhor, sempre foste um tipo de palavra, eu confio em ti, em mim, em nós!

Pela altura que leres isto, tudo o que resta de mim e das minhas ideias ridículas vive em ti, e provavelmente por entre uma vida a sério com problemas de verdade, já não sobra muito espaço para as minhas parvoíces de adolescente, mas daquilo que vale, quero que saibas que me enches de orgulho, seja no que for que fazes. Espero que tenhas filhos, que adores e sejam a luz da tua vida, que tenhas uma mulher que ames e te ame de volta mais que qualquer outra coisa no mundo, espero que tenhas um trabalho que gostes e te faça sentir que faças a diferença, que estás a deixar a tua marca no mundo, mas se nada disto tiver acontecido, quero que saibas que não faz mal, que eu tenho tanto orgulho em ti como teria caso o contrário tivesse acontecido e tivessemos nós conseguido. Sei que deste o teu melhor, e que se não aconteceu, não aconteceu, não há nada de errado contigo, tal como não havia nada de errado comigo há 20 anos atrás e também ai as coisas nem sempre corriam como nós queríamos, nunca fomos muito bons nisto de viver, mas continuámos a tentar e a dar o nosso melhor, esforçámo-nos mais que ninguém e que mesmo que não tenha dado certo (muitas das vezes não deu) tentámos sempre, e isso é tudo o que importa, é quanto basta para uma consciência tranquila, livre de arrependimentos.

E eu sei que sou um bocado suspeito, mas lembra-te disto, ÉS UMA BOA PESSOA, a melhor que eu conheço, e não te preocupes com Chicago, com o Aston, nem mesmo com a Liz... só quero que sejas feliz, eu perdoo-te por tudo aquilo que eu queria e tu não conseguis-te para nós, provavelmente muito daquilo que não tens agora, foi porque eu o lixei na minha altura ao não fazer o que era suposto na altura em que era devido, e por isso espero que me perdoes também. "Só falhamos no dia em que deixamos de tentar", lembras-te como sempre adorámos essa frase? Sempre tivemos por hábito desafiar as probabilidades e talvez as coisas não tenham sempre resultado como nós queríamos, mas dêmos sempre o nosso melhor, e divertimo-nos o molhe pelo caminho, tivemos uma vida mais rica que os sonhos de maioria das pessoas e vimos e passamos por cosas que a grande parte das pessoas nem imagina que existe, não deixámos nada por fazer, desculpa se sobrou para ti pagar a conta, mas obrigado por tudo, e na eventualidade de já não te lembrares, eu recordo-te... valeu tudo a pena!

The Notebook

"My dearest Allie. I couldn't sleep last night because I know that it's over between us. I'm not bitter anymore, because I know that what we had was real. And if in some distant place in the future we see each other in our new lives, I'll smile at you with joy and remember how we spent the summer beneath the trees, learning from each other and growing in love. The best love is the kind that awakens the soul and makes us reach for more, that plants a fire in our hearts and brings peace to our minds, and that's what you've given me. That's what I hope to give to you forever. I love you. I'll be seeing you."

Paper Towns

"I stand in this parking lot, realizing that I've never been this far from home, and here is this girl I love and cannot follow. I hope this is the hero's errand, because not following her is the hardest thing I've ever done."

John Green

Family Tree

José Joaquim Serrano Laboreiro de Paula Risques (1981), filho de Joaquim José Ramalho Laboreiro de Paula Risques (1955), filho de Joaquim Augusto Laboreiro de Paula Risques, filho de Maria Amélia Nunes Laboreiro de Vila Lobos, filha de António Manuel Laboreiro de Vilalobos (1879), filho de António Maria Laboreiro de Vilalobos (1841), filho de António Maria de Laboreiro de Villa-Lobos Vasconcelos e Noronha (1807), filho de Maria Isabel Vilalobos Vasconcelos e Noronha (1755), filha de José Joaquim de Vilalobos e Vasconcelos (1739), filho de Inês Maria Tavares de Sousa (1709), filha de André Juzarte de Campos (1653), filho de Jorge Velez Tavares Juzarte de Campos (1611), filho de André Juzarte de Campos (1592), filho de Jorge Velez Tavares (1540), filho de Ana da Mota Caldeira Tavares (1520), filha de Fernão da Mota Caldeira, o Velho (1500), filho de Diogo Caldeira de Velez (1475), filho de Maria Pereira Tavares (1450), filha de Diogo Lopes de Sousa (1410), filho de Diogo Lopes de Sousa (1360), filho de D. Pedro Afonso de Sousa (1305), filho de D. Afonso Dinis (1260), filho de D. Afonso III (1210), filho de D. Afonso II (1185), filho de D. Sancho I (1154)… filho de D. Afonso Henriques (1109), El Rei de Portugal!
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