Depression Is the Best Diet!

Invejo os gordos, nunca ninguém lhes deve ter partido o coração.

Notes From Underground

"I could not become anything; neither good nor bad; neither a scoundrel nor an honest man; neither a hero nor an insect. And now I am eking out my days in my corner, taunting myself with the bitter and entirely useless consolation that an intelligent man cannot seriously become anything, that only a fool can become something."

Fyodor Dostoevsky

How To Be Alone

"If you are at first lonely, be patient. If you've not been alone much, or if when you were, you weren't okay with it, then just wait. You'll find it's fine to be alone once you're embracing it.

We could start with the acceptable places, the bathroom, the coffee shop, the library. Where you can stall and read the paper, where you can get your caffeine fix and sit and stay there. Where you can browse the stacks and smell the books. You're not supposed to talk much anyway so it's safe there. There's also the gym. If you're shy you can hang out with yourself in mirrors, you could put headphones in. And there's public transportation, because we all gotta go places. And there's prayer and meditation. No one will think less if you're hanging with your breath seeking peace and salvation.

Start simple. Things you may have previously avoided based on your avoid being alone principals. The lunch counter. Where you will be surrounded by chow-downers. Employees who only have an hour and their spouses work across town and so they - like you - will be alone. Resist the urge to hang out with your cell phone. When you are comfortable with eat lunch and run, take yourself out for dinner. A restaurant with linen and silverware. You're no less intriguing a person when you're eating solo dessert to cleaning the whipped cream from the dish with your finger. In fact some people at full tables will wish they were where you were.

Go to the movies. Where it is dark and soothing. Alone in your seat amidst a fleeting community. And then, take yourself out dancing to a club where no one knows you. Stand on the outside of the floor till the lights convince you more and more and the music shows you. Dance like no one's watching...because, they're probably not. And, if they are, assume it is with best of human intentions. The way bodies move genuinely to beats is, after all, gorgeous and affecting. Dance until you're sweating, and beads of perspiration remind you of life's best things, down your back like a brook of blessings.

Go to the woods alone, and the trees and squirrels will watch for you. Go to an unfamiliar city, roam the streets, there're always statues to talk to and benches made for sitting give strangers a shared existence if only for a minute and these moments can be so uplifting and the conversations you get in by sitting alone on benches might've never happened had you not been there by yourself.

Society is afraid of alonedom, like lonely hearts are wasting away in basements, like people must have problems if, after a while, nobody is dating them. but lonely is a freedom that breaths easy and weightless and lonely is healing if you make it. You could stand, swathed by groups and mobs or hold hands with your partner, look both further and farther for the endless quest for company. But no one's in your head and by the time you translate your thoughts, some essence of them may be lost or perhaps it is just kept. Perhaps in the interest of loving oneself, perhaps all those sappy slogans from preschool over to high school's groaning were tokens for holding the lonely at bay. Cuz if you're happy in your head than solitude is blessed and alone is okay.

It's okay if no one believes like you. All experience is unique, no one has the same synapses, can't think like you, for this be releived, keeps things interesting, lifes magic, things in reach. And it doesn't mean you're not connected, that communitie's not present, just take the perspective you get from being one person in one head and feel the effects of it. Take silence and respect it. If you have an art that needs a practice, stop neglecting it. If your family doesn't get you, or religious sect is not meant for you, don't obsess about it.

You could be in an instant surrounded if you needed it. If your heart is bleeding make the best of it. There is heat in freezing.

Be a testament."

Tanya Davis

Blue Valentine

I feel like men are more romantic than women. When we get married we marry, like, one girl, 'cause we're resistant the whole way until we meet one girl and we think I'd be an idiot if I didn't marry this girl she's so great. But it seems like girls get to a place where they just kinda pick the best option... 'Oh he's got a good job.' I mean they spend their whole life looking for Prince Charming and then they marry the guy who's got a good job and is gonna stick around.

It's OK, I wouldn't remember me either.

Não tenho nada para escrever, nenhuma aventura para contar, nada de interessante para dizer, a minha vida tal como eu, não é nada de especial, e nela não acontece nada de extraordinário. Vejam o meu nome, "José", "Zé" para os amigos, conseguem pensar em algo mais aborrecido que isso? Se ao menos fosse "Diniz" ou "Tomáz", sei lá, um desses nome da moda tão mais actuais que o meu, talvez se o escrevesse com um "Z" meio a minha vida era melhor, mas sou José com "S", é triste, mas é verdade. É também verdade que o meu apelido é "de Paula Risques" mas "Risques" sempre foi suficiente para me diferenciar dos outros Zés todos, e somos bastantes. Que erro grosseiro, típico de quem tem falta de chá! Devia fazer uso do meu apelido composto e nunca esquecer o "de", tenho a certeza que me tornava automaticamente um tipo muito mais requintado. Trocava-lhe o S por mais um Z para lhe dar um ar estrangeiro, quiçá exótico, substituía um dos nomes do meio por um sinónimo em Inglês, e estava garantido! Se ao menos bastasse eu querer... mas até a assinatura do B.I me esfrega o "José Risques" na cara e nem um Z para mostrar a ninguém.

Guio um Fiat Punto, comprei-o há 8 anos quando tinha 20 e poucos anos (eu, não o carro, o carro era novo e custou mais ou menos o mesmo que um BMW importado) e adoro-o porque é meu. É de longe a minha mais longa relação, somo-nos muito fiéis e se calhar é por isso que resulta, nunca me deixou ficar mal. Tenho-o sempre limpo, aspirado, lavado, estimo-o porque é meu e quem mo ofereceu não me vai dar outro, logo preciso que este dure e trato-o o melhor que posso. Quem me vê passar acha tristíssimo, que alguém que obviamente se preocupa com carros tenha um Punto, deve ser porque não tinha dinheiro para um melhor, tipo, um BMW importado. Devia ter comprado um BMW. Resta-me agora colar uns autocolantes na mala a dizer "Tribo duma coisa qualquer", fazer dos bancos de trás caixote do lixo, deixar umas peças partidas e encher-lhe a mala de tralha, deixar o pó e lama assentar até alguém (ou mesmo eu) escrever a dedo no vidro de trás "Lava-me porco" ou algo mais simpático "Isto não é sujo, é bronzeado" ou tentar parecer ecológico e dizer "Eu poupo água!", dava logo outro ar, um ar de quem não liga a carros logo não interessa qual têm. Do género o "o carro é que me serve a mim, não sou eu que sirvo o carro, não ligo a bens materiais e o carro é só um meio de transporte para me levar de A a B, quero lá saber da marca, modelo ou quanto é que ele bebe aos 100" justificava o meu Fiatzinho com "comprei o mais baratinho que encontrei porque o único requisito era ter 4 rodas e andar, não ligo a carros". O pessoal fixe não liga a carros. Quem liga a carros são as pessoas que não têm nada de mais profundo com que se preocupar, que não estão em paz com o mundo e em harmonia com o Universo. Queria estar em harmonia com o Universo. Pendurar um crucifixo no retro-visor para mostrar a quem lá anda que sou bué esotérico e das energias, uno com Deus, Buda ou Gandhi ou quem for que está na moda agora e eu não sei, porque não sou assim tão fixe.

"... desde que lá caiba a minha 7"10' que eu levo para Ericeira nas manhãs de inverno!" Sim! Porque quem é surfista a sério, vai surfar até com chuva! Acham mesmo que tipos chamados Zé fazem Surf? Qual Surf? Não faço surf nem vou andar pá praia sozinho aos domingo de manhã, porque preciso de alinhar os chacras e fazer fotossíntese, porque sou bué Zen e tenho um monte de conversa para por em dia com o anjo da guarda! Não tenho um Golden Retriever com o nome mais ridículo que me lembrei (sou bué original e divertido) que amo mais que a vida e vai comigo nas longas caminhadas matinais pela praia que eu não dou! Não sou bué, ou nem um bocadinho Zen, e se alguma vez tive anjo da guarda, ele morreu de tédio há muitos anos atrás. Nunca me despedi de ninguém com "Namasté" ou "Vai em paz". Aos Domingos durmo até ao meio-dia e só acordo para almoçar, de tarde sento-me na sala a ver um filme lamechas. Os tipos fixe pintam quadros ou vão esculpir um busto da visão que tiveram num dos seus momentos de clarividência, mas não eu, nãã, filmes de domingo em pijama, que fracasso, que desilusão!

Quando não é domingo acordo mais cedo e tomo o pequeno almoço com o meu pai. Oh não, o que eu fui dizer. "Dou-me bem com o meu pai" até nisso sou desinteressante, as famílias fixe são sempre disfuncionais! Para bem ser tínhamos de nos dar mal, ele querer fazer de mim alguém que eu não sou e tentar à força envolver-se e influenciar o processo criativo e rumo que a minha vida vai tomar enquanto eu passo pelo processo de introspecção e transição que me vai mostrar o verdadeiro eu... wow, é fixe só de pensar , porque é que eu não consigo ser assim?! Como eu gostava de me dar mal com o meu pai, que merda ele ser fixe, e chatear-me q.b. por querer o meu bem. Raios! Ele devia ser tudo aquilo que eu não me quero tornar, a cara da sociedade consumista e do sistema corrupto em que vivemos que nos quer escravizar e deixar para morrer e Deus me livre se algum dia me torno no porco fascista de direita rendido ao capitalismo que ele é e renego os meus ideias de Esquerda. AVANTE Camaradas!(Nunca fui à Festa do Avante!). Que treta sermos os dois de direita e achar que não me saia nada mal se tiver a sorte de me tonar em metade do homem que ele é, e porventura, igualmente desinteressante. Almoço todos os dias com a minha avó e nunca é Sushi ou comida Fusão, normalmente é bife com batatas fritas e um ovo estrelado, e eu gosto assim, acho que o mais interessante que se pode dizer dos meus almoços é que ás vezes como a fruta antes da prato principal, mas só isso. Passo as tardes com ela a jogar solitário no computador para lhe fazer companhia.

Visto-me a condizer porque usava farda para o colégio quando era pequenino, e este tipo de coisas ficam com uma pessoa. A farda do colégio arruinou qualquer hipótese de ter estilo na minha idade adulta. Compro roupa nas lojas dos centros comerciais como as outras pessoas banais porque gosto de ver se me fica bem ou se me serve. O pessoal que transborda confiança não precisa disso, a eles qualquer trapinho fica bem, compram roupa online e vinda do canto mais longínquo da Terra para serem diferente e ter montes de identidade. Duvida existencial: Quem não compra roupa online tem identidade? Não tenho t-shirts vintage com imagens abstractas nem uso roupa rasgada como forma de protesto porque a sociedade ... (inserir eruditismo semi-profundo), ah minto! MINTO! Tinha umas calças rasgadas, mas pedi à avó para dar um pontinho, ás vezes, Deus me proíba, até lhe peço para me fazer uma bainha. Tenho ténis normalíssimos maioritariamente da mesma cor, nada daqueles avant-garde feitos a retalho com bocados de cada cor, costuras a roxo e atacadores que não condizem. Queria uns em 12 tons de cor-de-rosa mas não tenho a auto-estima que chegue para calçar nada assim. Provavelmente um corte de cabelo de estilista ia ajudar, mas uso risco ao lado. Não uso óculos para ver que não preciso, exageradamente grandes para a minha cara e que aumentam 20 pontos ao Q.I. de qualquer pessoa tornando-a imediatamente mais interessante e completam o cenário "retro" e a ideia de que "não ligo ás aparências e vesti-me no escuro. Foi pura coincidência que nenhuma das 5 peças de roupa em todas as suas 8 cores, mais a meia dúzia de acessórios que trago, tenham padrões concordantes". Riscas e quadrados, xadrez com zig-zagues. Quanta personalidade! É o "você esta livre da prisão" do mundo da moda! Usar roupa que não fica bem a ninguém, e por-me deliberadamente feio para ninguém perceber se sou giro. É melhor deixá-los na duvida que tentar por-me giro e falhar, e pior que falhar, é falhar depois de ter tentado e já toda ter percebido que sou feio. Eles, ao contrário, esforçam-se imenso para nem sequer tentar, e como não estavam a tentar, não falham, que é só outra maneira de dizer que conseguem. Genial! O pessoal com estilo é sempre giro, principalmente os feios. Rematar tudo com um bigode porque isso é SUPER INDIE! Para meu mal, uso o lado esquerdo do cérebro e é o direito que é criativo. Não acerto em nada, nem em algo com tão boas hipóteses tipo, sim/não, cara/coroa, hemisfério esquerdo ou direito, sou um falhado.

Queria ser um Bad Boy (as miúdas gostam é dos bad boys!) mas nunca fumei, dizem que faz mal à saúde e eu quero ser saudável e viver até ser velhinho, porque sou cobarde e tenho medo de morrer. Nunca apanhei uma bebedeira porque acho que as pessoas bêbedas fazem figuras ridículas e ensinaram-me a ser responsável, tenho de guiar para casa e não quero ter um acidente, é o medo de morrer outra vez. Nunca me droguei porque... bolas, não tenho uma desculpa mariquinhas para esta, e o pior que tudo, é achar que não preciso duma. Não tenho tatuagens porque não tenho paixões, logo não há nada que eu queira marcar no corpo para o resto da vida não sabendo como me vou sentir amanhã ou daqui a 40 anos. Sou demasiado obtuso, tento e não consigo ver a "representação intemporal da pessoa que eu fui a dada altura da minha vida e do processo evolutivo ou as etapas que ultrapassei..." não é essa a explicação padrão? Sempre que alguém me explica uma tatuagem eu tento tomar atenção, até consigo ver-lhes os lábios a mexer, mas o que consigo ouvir é invariavelmente "fiz quando tinha 20 anos porque era bué cool na altura e queria ver se sacava mais gajas". O meu corpo é como eu, não tem nada para dizer ou mostrar. Não sou nada criativo ou expressivo, o único "...Ivo" na minha vida, é o filho da vizinha de cima.

Naturalmente também não tenho piercings, na minha mente retrograda há algo no passar de um ferro por que parte seja do meu corpo que não me soa nada bem ou faz lá muito sentido, acho que não lhe consigo ver propósito, mas isso sou só eu que não sou nada vanguardista ou um rebelde sem causa. Não tive um filho quando tinha 20 anos, porque era novo e irresponsável e não gostava de preservativos, e ops!, aconteceu! Não sou casado (ou já divorciado), porque acredito que o casamento é para a vida e a juntar à minha longa lista de características desinteressantes, não sou nada impulsivo (mais um Ivo que eu não sou), e se toca em algo que é para sempre, tento não me deixar levar pelos dois primeiros meses de namoro explosivos com a miúda que conheci no LUX quando lá foram os ... merda, queria por o nome dum DJ qualquer da cena para dár aquele ar que estou bué dentro da música Upbeatdowntempotriphopindustrialminimalista mas só me lembro dos "Ace of Base". Não ouvi a demo da nova banda Norueguesa que só eu e os pais dos membros conhecem que gravei na mixtape que levo no carro para os meus amigos ouvirem e acharem-me super culto! Amigos? Quais Amigos? Acham que o um tipo como eu tem amigos? Porque é que alguém se há-de dar comigo? Não acrescento nada à vida de ninguém, não há nada que se destaque ou para gostar ou desgostar em mim. Sou um pão sem sal, um mar sem ondas, e se calhar não é tanto gostarem ou não gostarem como o não saberem que existo ou se lembrarem de mim... eu compreendo, eu também não me ia lembrar.

"E sem saber que era impossível ...

... ele foi lá e fez!"

I'll Make a Beautiful Kingdom Out of My Suckiness and Misery and Wounds.

Arranjei um trabalho em Washington para ir atrás duma miúda que nunca voltei a ver. Fui trabalhar para o Indiana para reconquistar a minha ex-namorada que não queria mais saber de mim, e pelo caminho trabalhei para quatro canais de televisão, duas estações de radio, uma organização não-governamental sem fins lucrativos e uma das melhores faculdades do mundo, tudo porque me partiram o coração, conseguem ver o padrão?

Todo o meu sucesso profissional começou com um desgosto amoroso, há uma óbvia correlação entre uns e outros. "O maior problema de se ser inteligente, é saber sempre o que vai acontecer a seguir, tira o suspance à vida.", e com base no padrão observado, eu posso desde já dizer-vos como tudo vai acabar.

Vou acabar o curso, e vou voltar para o Indiana, porque ainda que tenha esquecido a minha ex-namorada, não consigo esquecer a vida que imaginei com ela, mesmo que seja com outra rapariga qualquer. Vou ser aceite na pós-graduação da Indiana University, porque já lá estive, porque tenho cartas de referências e a promessa da minha chefe que o meu antigo emprego está à minha espera para quando voltar,e tem todos tantas saudades minhas quanto aquelas que eu tenho deles.

Vou continuar sozinho porque eventualmente o appeal de ser estrangeiro é ultrapassado pelos inconvenientes de ser demasiado diferente, e na altura de assentar e escolher o resto da vida, todo a gente opta por aquilo que sabem e conhecem em vez do tipo que veio do outro lado do mundo.

Passado um ano, acabo a pós-graduação e antes do fim, começo a enviar currículos para Chicago. Com o curso em Lisboa e da pós-graduação da Indiana University, aliada à experiência profissional de Washington, sou aceite como trainee ou estagiário. Mudo-me para Chicago e vou morar para Wicker Park.

Sou um dos primeiros a chegar à redacção, e sempre o ultimo a sair. Não ter ninguém que nos faça ficar mais 5 minutos na cama, ou à nossa espera para jantar em casa ajuda nisso. Sou o melhor jornalista da redacção. Melhor que uns por ser melhor, melhor que outros por trabalhar mais. O editor repara e sou promovido. Continuo sozinho.

Faço longas horas no escritório atrás da história que entre a mulher à espera em casa e levar os filhos ao treino, ninguém teve tempo de investigar. Eu investigo, não tenho mais nada para fazer, faço o que mais ninguém faz, vejo o que mais ninguém vê, e eventualmente, descubro aquilo que mais ninguém sabe. Um furo! Primeira página e um dos políticos mafiosos de Chicago demitido. Torno-me no primeiro português a ganhar um Pulitzer.

Daí em diante a minha carreira dispara. Publico um livro, sou promovido a chefe de redacção. Sem mais nada para que viver, vivo para o trabalho e espero pelo dia em que me torno editor.

Passado uns meses sou chamado à Embaixada de Portugal em D.C. para uma homenagem. Sem mulher, sem filhos, vou sozinho, não há ninguém para ir comigo. No discurso da recepção, o Embaixador faz saber que vai recomendar junto do Presidente que eu seja condecorado com a Grâ-Cruz da Ordem do Infante. Uns meses mais tarde sou chamado a Belém.

Voo para Lisboa. Acordo cedo na manhã seguinte para o acontecimento. Logo depois de me colocar a faixa sobre o ombro. Enquanto a banda do Exercito toca o hino de fundo, o Presidente aperta-me a mão com veemência e sorri para as objectivas. Subo ao pódio para o meu discurso de aceitação, afasto o microfone, alcanço com a mão direita um papel dobrado em quatro dentro do bolso interior do casaco. Estendo-o à minha frente e começo a ler.

- "A Cruz que ostento agora, não fala tão alto quanto a que carrego de trás e vos conta do fracasso que eu sou. Ao longo da vida, falhei em tudo aquilo a que me propus, não tive nada do que queria, daquilo que sonhei para mim. O que consegui pelo caminho nunca foi aquilo que eu quis, fui bem sucedido, porque não consegui ser feliz."
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